Disclaimer: Hakuouki e seus personagens não são meus, mas a Aamsel é e sempre será! *-*
Voo Turbulento – Confissões de Aamsel
Ainda não consigo acreditar: eu estou livre.
Fui liberta da clausura e recebi permissão para viajar. Com os primeiros raios de sol a cruzarem minha janela escutei o ferrolho ser destrancado e a porta aberta. Os criados entraram em meu quarto e pegaram meus pertences, levando-os para a porta de casa.
Quando sai vi uma carroça – para mim uma carruagem – puxada por dois cavalos negros mal cuidados – eu via dois corcéis – a me esperar para que seguíssemos viagem.
Susana e Gustav estavam na porta, mas não havia sinal de meus irmãos, eles ainda devem estar dormindo.
- Ande logo garota, está na hora de ir. – A voz aguda de Susana estava baixa. Gostaria que fosse por ser difícil me ver partir, mas sei que apenas não quer acordar o resto da casa.
- Sim senhora. – Terminei de descer as escadas praticamente correndo e segui para a carroça.
O silêncio se fez presente até que Gustav se aproximou e apontou duas arcas grandes.
- Isso é tudo que podemos te dar... – Ele parecia receoso em tocar nesse assunto.
- Obrigada. Por tudo. – Acabo por sorrir, o que os deixa mais... ariscos?
- Prometa que não voltará. – Suas palavras quase sussurradas cortam meu coração. – Nunca mais.
Fecho meus olhos e respiro fundo antes de encarar meus pais pela última vez.
- Foram 14 longos anos. Gustav, Susana... – Eles se encolheram quando chamei seus nomes – não se preocupem. Eu não pretendo voltar.
E foi assim que deixei minha casa, ou melhor, meu cárcere. O cocheiro não se sentia bem ao me guiar, mas o faria enquanto recebesse por isso, a ganância falando mais alto que a superstição.
Seguimos em direção a capital, fazendo paradas nas pequenas cidades e vilas no caminho, todos com o mesmo clima de tensão. Foi a primeira vez que ouvi falar da guerra.
Em um dos dias que estivemos em Dresden, presos por conta da neve na estrada, aproveitei para comprar alguns livros sobre a história do reino. Estava concentrada, analisando quais e quantos livros levar quando ouvi uma voz atrás de mim.
- Tome cuidado senhorita.
Olhei por sobre o ombro e um homem estava escorado na parece do outro lado da rua.
- O senhor está me ameaçando?
Ele deu de ombros.
- Não é seguro viajar sem guarda-costas. Ainda mais com a quantidade de ouro que carrega.
Devo admitir que comecei a ficar com medo. Será que ele estava me seguindo?
- Vamos fazer o seguinte. Eu vou te proteger. – Sua voz era grave e imponente.
- Me proteger..? Mas como..?
Ele se aproximou e apontou para um homem que percebi estar me observando.
- Ele está te seguindo desde que saiu da estalagem.
- Como..? – Como esse homem poderia saber? – E você? Também está me seguindo?
O sorriso que surgiu em seus lábios era lindo.
- Venha, vamos despistá-lo.
Comecei a seguir o jovem com longos cabelos – negros como os meus –, imediatamente o homem que me observara começou a nos seguir.
- Eu disse. Venha, vou te levar a um lugar seguro.
Por todo o percurso o segui sem dizer palavra. Vez ou outra ele dizia algo, parecia que ele tinha o costume de falar sozinho. Após longos minutos ele finalmente parou. Corri ofegante até ele e me escorei em uma das casas para recuperar o fôlego.
- Pronto. Está segura agora. – Ele sorriu e se aproximou de mim.
- Obrigada, senhor..?
- Pode me chamar de Vincent. – Seu sorriso diminui um pouco – Agora pode me dizer o que uma criança faz sozinha viajando pela Alemanha?
Solto um longo suspiro.
- Eu sou sozinha. Não mais tenho família.
- Por quê? Eles morreram? – Ele parecia realmente preocupado e curioso.
- Não. Apenas não me querem por perto. – Dou um sorriso triste.
- Não entendo.
- Aamsel.
- Como?
- Meu nome é Aamsel.
Um momento de silêncio enquanto seus belos olhos avermelhados me analisavam minuciosamente.
- Então é por isso que o cocheiro não confia em você. – Voltei a sorrir tristemente – E porque viaja sozinha.
- Sim...
Ele então sorriu e juntou suas mãos.
- Bem... Você é um belo pássaro negro*.
Não consigo suprimir minha surpresa e percebo que estou corando, o que o fez soltar uma risada.
- Venha passarinho, vou resolver o seu problema!
Novamente o segui e ele me levou a uma loja de armas. Disse o que eu deveria comprar, as pistolas, a munição, a besta, as setas e tudo o mais que eu precisaria. O vendedor pareceu desconfiado e não queria me vender, mas algumas pedras preciosas e a quantidade certa de ouro resolveram o problema. Sai da loja armada.
Vincent então me acompanhou de volta a estalagem e me explicou como cada arma funcionava, como desmontar, montar, limpar e guardar.
- Agora você precisa aprender a atirar.
Guiou-me até a floresta e começou a me ensinar a atirar.
- Lembre-se passarinho. Os dois olhos abertos e mantenha as mãos apoiando a pistola. Ela não é uma arma, é a continuação de suas mãos, faz parte de você.
Concordei com a cabeça incapaz de falar nada. A arma metálica era pesada em minhas mãos, era difícil mantê-la apontada para o alvo e eu tinha medo de me machucar.
- Vamos passarinho. Atire.
E puxei o gatilho. O solavanco, ou como diria Vincent, o coice da arma me pegou desprevenida e cai sentada no chão coberto de neve.
- Se tivesse mantido os olhos abertos teria sido bem melhor, passarinho.
Ele sorrira e se sentara ao meu lado no chão molhado e gelado.
- Não sei se vou conseguir Vincent... – Continuei a olhar a arma em minhas mãos – Não sei se conseguiria atirar em alguém.
Ele continuou em silêncio por algum tempo até que suspirou e disse com sua voz grave.
- Você precisa aprender a se defender passarinho. Você está sozinha e a Alemanha está em guerra. – Levantei meu olhar para ele e percebi a tristeza em seu semblante – Não há ninguém para te ajudar além de você mesma.
Já não parecia falar comigo.
- Tudo bem Vincent. Eu quero aprender. – Dei meu melhor e mais bonito sorriso, torcendo para que assim ele melhorasse de humor e me levantei – Vamos continuar?
Ele sorriu e voltou a me dar dicas e mostrar como deveria atirar, o melhor lugar para mirar em um humano – o olho –, onde atirar para imobilizar...
Foi uma longa e exaustiva tarde que se repetiu pelos vários dias em que a estrada estava bloqueada. Após as duas longas semanas de treino já possuía uma mira perfeita.
- Acho que agora você está pronta, passarinho.
Trocamos um sorriso e guardei as pistolas em seus coldres, presos às minhas pernas.
- Tudo graças a você, Vincent. Obrigada.
- Então amanhã seguirá viagem?
- Sim, as estradas finalmente foram liberadas.
Ficamos em silêncio e caminhamos até o local onde estava hospedada.
- Acho que isso é adeus... – Eu estava triste, não queria deixar a primeira pessoa que me tratou bem.
- Não fique triste passarinho. Você vai encontrar o que procura. Prometo. – Ele sorriu.
O silêncio nos envolveu novamente, Vincent parecia mais feliz e calmo do que antes.
- Você me lembra muito minha irmã mais nova. – Seu tom de voz é saudosista – Ela também não gosta de despedidas.
Novamente o silêncio, nós sorrimos e fechei meus olhos. Ele já não estava tão nítido.
- Obrigado, passarinho. Por tudo.
Senti de leve o toque de seus lábios no topo de minha cabeça, como o leve toque da chuva e quando abri meus olhos ele já não estava lá.
Entrei para meu quarto e me joguei na cama com o coração pesado.
A Alemanha estava em guerra e a quantidade deles aumentou muito.
- Obrigada, Vincent, por me ensinar a me defender. Eu nunca vou te esquecer...
Amigo.
-x-
* Amsel significa pássaro negro em Alemão. *
N/A: A Aamsel acabou de aprender a atirar... *-* Adorei! XD
O Vincent é um amor e sim foi completamente copiado do Vincent Valentine amor da minha vida! *-* *agarra o Vincent* Eu uso FFVII como eu quiser, ta? Mesmo sendo da Square-Enix, eles entendem (ou não) XD
Beijos da Tifa! ^^~
PS: O que acharam? *-*
