CAPÍTULO UM
Amalfi, Itália.
Eram seus últimos dias no paraíso... tanto para ver em tão poucos dias. E o que fazia ela ali... em um bar... perdendo seu precioso tempo... em vez de passear caminhando ou visitar uma catedral ou um pequeno vilarejo?
Ai, meu Deus! Não posso estar flertando com ele!
Era fim de julho e fazia calor na calçada do bar, apesar de bem menos do que estaria fazendo no Texas. Isabella Swan apanhou sua taça de vinho chardonnay e sorveu um gole exagerado, deixando respingar algumas gotas no queixo. Ra pidamente, limpou os respingos com o guardanapo.
A longa lista de catedrais e as anotações que havia feito sobre as ruínas gregas caíram no chão. Não se deu ao traba lho de apanhá-las. Em vez disso, voltou a observar o estra nho alto e ruivo que estava sentado na bancada do bar.
Quem havia dito: "Posso resistir a tudo menos à tenta ção?"
De repente, o homem parou de conversar com o amigo alto e forte, sentado ao lado, e ergueu o chope em uma saudação maliciosa.
Oh, não, outra vez, não!
Ele tomou um lento e longo gole da bebida e, em seguida, seu olhar focou-se nos lábios dela. Bella perdeu o ar. Invo luntariamente, levou o guardanapo à boca. O calor dos pró prios dedos instigou sua imaginação e a fez sentir as mãos largas e os lábios dele sobre sua pele. Começou a transpirar e usou o guardanapo para se abanar.
De repente, deu-se conta do que estava fazendo e agarrou a pequena cruz que levava no pescoço como se aquilo fosse salvá-la do desejo que sentia. Havia comprado a garganti lha em uma pequena, porém suntuosa, loja, que descobriu em uma das charmosas vielas ao lado do hotel onde estava hospedada.
Passeios e compras eram suas atividades favoritas; e não passeios por bares e flertes com um estranho em terras es trangeiras.
Corra!
O homem tomou outro gole e continuou olhando-a, desta vez, detendo-se na gardênia que ela levava presa aos cabelos. Antes que conseguisse evitar, Bella tocou uma das pétalas aveludadas. Em seguida, apanhou a câmera e a deixou sobre a mesa.
Estava agitada e não sabia o que fazer com as mãos. Vol tou a olhar mais uma vez para seu Adônis. Era sua imagina ção ou aqueles olhos verdes vibravam com a mesma intensi dade que o golfo de Salerno? Seria ela a causa de todo aquele ardor?
O calor tomou conta do corpo de Bella. Ficou rubori zada e ele sorriu. Constrangida e ao mesmo tempo entusias mada, apanhou a câmera e fingiu interesse exagerado pelo medidor de luz do aparelho. O amigo dele observava tudo com um sorriso divertido e, depois, como se estivesse entediado, despediu-se dele com um abraço.
Ai, não, o amigo estava indo embora! E se ele resol vesse ir até a mesa dela? Cobriu o rosto com uma das mãos como se estivesse apoiando a cabeça no cotovelo e assim evitar qualquer tipo de aproximação. O homem passou por ela e sorriu. Tentou se concentrar nos círculos brilhantes que se con densavam na taça de vinho.
Regra número um: mulheres inteligentes viajando sozi nhas em um pais estrangeiro não se metiam com desconhe cidos, não importando quão lindos, simpáticos ou atraentes pudessem ser. Muito menos, em uma mesa de bar, mesmo que tivesse lindas paredes decoradas, um maravilhoso pôr-do-sol ao fundo e turistas.
Disse a si mesma para apanhar a câmera, levantar e sair logo dali! Correndo! E se ele fosse um garoto de programa, ou pior, se fosse um assassino em série?
Garoto de programa? Será que o bonitão vivia à custa de mulheres?
Bella franziu a testa ao lembrar da senhora de cabeleira prateada, maquiagem carregada e roupa elegante e colorida que estava com ele no dia anterior, em um carro conversível vermelho e luxuoso. A mulher havia chamado a atenção de Bella, porque tinha estacionado bem em frente à lojinha onde havia comprado a gargantilha com a cruz. O motorista era o mesmo que lhe vendera a jóia. E a senhora lhe vendera o vestido florido que estava usando. A gardênia que levava no cabelo também tinha sido sugestão da vendedora, que era até bem simpática. Nem parecia o tipo de mulher que gosta va de garotões com idade para serem seus netos.
Na tarde do dia anterior, quando a senhora deixou o bo nitão na praia, ao lado de um imenso iate branco chamado 'Rosalie', Bella não havia dado importância ao fato de que ela não parava de beijar as maravilhosas bochechas dele. Tampouco, tinha se perguntado porque ela se mostrara tão relutante em deixá-lo ir. Quando a mulher avistou Bella olhando-os, reconheceu-a e acenou, cumprimentando-a. Ao ver Bella, ele pareceu surpreso e interrompeu o abraço su bitamente.
As cenas, agora, passavam a ter um sentido sombrio e per vertido. Um garoto de programa?
E aquele diamante do tamanho de uma pedra de gelo, no dedo da senhora chiquérrima que estava numa Ferrari preta, com ele, naquele dia? Ela também o tinha levado à mesma praia e se despedido dele com beijos tão ardentes quanto o da senhora do dia anterior. A única diferença era que a segunda tinha um ar mais mandão, chamando-o de volta à Ferrari por duas vezes.
Naquele instante, o olhar do estranho estava fixo em Bella. Ela desejou que estivesse vestida com algo menos ou sado: um vestido de verão florido e sugestivo que marcava suas curvas e dotes femininos.
Onde morava, em Austin, no Texas, costumava vestir terninhos previsíveis e sérios, bem apropriados à sua profissão de advogada, pois passava a maior parte do tempo em tribu nais. Era irônico que o vestido e a flor no cabelo que usava agora tenham sido sugestão da elegante senhora e suposta amante ou cliente do bonitão que agora a fitava.
— A signorina è piú bella. Com os cabelos ondulados soltos, precisa de flor. Flor especial do canteiro mágico. Ar ranja namorado, com certeza. Vem. Vou mostrar a você — disse a senhora, depois que Bella já havia comprado o vestido e a cruz com o pingente.
Estava tão óbvio que não tinha namorado? Um amante que fosse?
A mulher guiou Bella até o lado de fora da loja por uma ruazinha de paralelepípedos que dava em um pátio com a estátua de um cupido e um jardim repleto de gardênias.
— Elas florescem o ano todo. Pode pegar uma todos os dias enquanto estiver aqui, se quiser. E lhe garanto que um milagre acontecerá. Prometto.
Os olhos azuis escuros brilharam como os de uma fada madrinha de contos de fada.
Entusiasmada, escolhera uma no dia anterior. E naquela manhã tinha retornado para pegar outra.
Desde de sempre, Bella havia sonhado em conhecer a costa de Amalfi. Lembrou dos papéis no chão e se inclinou para apanhar a lista de lugares e as anotações. Devia estar admirando as montanhas escarpadas rentes ao mar, e não es tar devorando com os olhos um homem que poderia ser um profissional do sexo. Provavelmente, nem tinha condições de bancar os servi ços de um homem como ele. Se fosse realmente um garoto de programa, obviamente, pensava que ela poderia pagar seu preço. Por qual outro motivo ele a fitaria tão intensamente com seus olhos verdes escuros?
A garganta ficou tão seca que teve que tomar mais um gole do chardonnay.
Garotos de programa eram fracassados que se aproveita vam de mulheres solitárias; definitivamente não estavam em seus planos. Devia estar indignada com aquela possibilida de.
Pagar? O que deveria era denunciá-lo!
Em Austin, tinha uma reputação impecável e... e também fama de mandona. Não que fosse verdade. Ninguém, nem a família, entendia o enorme esforço que precisava fazer para conseguir alcançar seus objetivos.
— Você é uma perfeccionista obsessiva e frígida! — Tyler a acusou, logo após ela ter chocado a ambos, ao rejeitar o pedido de casamento dele.
— Por favor, não vamos baixar o nível — foi o que res pondeu.
— Devolva o anel! — Ele chegou a machucar o dedo de Bella ao tentar tirar a jóia. — Você me perseguiu durante um ano inteiro, mas provavelmente acabou de me fazer um grande favor!
— Eu persegui você? Dei meu cartão de visitas, em uma festa, porque queria trabalhar no escritório do seu pai.
— Azar o meu! Ele contratou você! Pode até ser boa advogada, mas é péssima na cama. — Ele se levantou rispidamente e bateu a porta da saída do restaurante japonês preferido dos dois, deixando-a sozinha em uma mesa repleta de camarões, caviar, ostras, nenhum apetite e a conta para pagar.
Péssima na cama? Tudo bem, havia fingido ter atingido o clímax uma ou duas vezes. Mas foi para deixá-lo contente. E se um talentoso garoto de programa fosse capaz de en sinar a uma aluna aplicada alguns truques indecorosos para que se tornasse mais sexy na cama?
Elena, a irmã mais nova, havia tentado consolá-la:
— Você está procurando o tipo errado. Nunca gostei mesmo desse Tyler. Quem não simularia prazer com um homem que não pensava em mais nada além de ganhar di nheiro? Apenas um conselho: talvez devesse ser mais intui tiva. E, quem sabe, parar de querer mandar nos homens com quem sai.
Elena , uma dona-de-casa, que havia lhe roubado Stefan, o único homem que havia amado, tinha a ousadia de vir lhe dar conselhos. Abandonara a faculdade e cuidava da casa, mas era a irmã exemplar. Isso porque havia dado aos pais três lindos netos.
— Não sou mandona!
— Pelo menos não deixe seus namorados verem a lista que faz de exigências e condições.
Apenas gosto de tudo bem-feito, Bella protestou consi go mesma, enquanto apanhava outro guardanapo e limpava o círculo que a transpiração da taça de vinho formava na mesa.
Estava sentada o mais longe possível do profissional do sexo, se era essa mesma a sua profissão. Porém, ciente do ca belo acobreado e acetinado e dos olhos galanteadores, a pulsação batia acelerada. A maioria das amigas a deixava chocada por dormirem com rapazes, no primeiro encontro e, depois, contarem as aventuras sexuais nos mínimos detalhes, durante o almoço. Aquele estilo de vida nunca havia sido o de Bella. Sempre soube que queria se casar e amar um homem responsável e respeitável, e só se envolvia com os que venciam o crivo de sua avaliação. E a lista de exigências era bem longa.
No entanto, no instante em que viu aquele estranho, sentiu algo perturbador. Era como se a verdadeira Bella houvesse se recolhido para o período de hibernação e Austin fosse um planeta remoto, em uma galáxia distante. Se existia um homem que poderia ser a antítese dos indiví duos ambiciosos que Bella sempre buscou, o potencial ga roto de programa seria esse homem.
Obviamente, concluiu, Adônis era apenas um rosto bonito sem conteúdo. Mesmo assim, os ombros largos e o corpo es belto pareciam o de uma estátua de um deus grego, com mús culos que se assemelhavam aos de David de Michelangelo. Que mulher, com um pouco de cultura, não apreciaria uma obra-prima como aquela? Mas será que ele conseguia ler sem mexer os belos lábios?
De qualquer forma, estava fascinada demais por aquele ser superficial para pensar em assuntos de maior profundida de. A camisa branca estava aberta até a cintura, revelando um abdômen liso e bem definido. Não gostava de lavar roupa, mas naquele "tanquinho" seria um prazer, pensou. Um ins tinto arrebatador de acasalamento fez com que se imaginasse arrancando aquela camisa e o jeans surrado que ele vestia, lambendo-lhe a pele nua e acariciada pelo sol e, depois, mu dando os papéis, e ele despindo-a com voracidade e a pro vando com a língua.
Pensou nele nu, naquela tarde quente de julho. A idéia de prová-lo a deixou tão excitada que tomou mais um gole da taça fria de chardonnay para tentar acalmar os ânimos e, em seguida, levou a taça até as bochechas acaloradas e a testa.
Será que geraria filhos tão bonitos quanto ele? Filhos? A idéia a acertou em cheio. Por um bom tempo ficou com o olhar perdido na taça de vinho. De repente, a imagem de uma linda menininha e um gorducho rapazinho se materializou à sua frente. Ambos tinham cabelo ruivos, sedosos e brilhantes e brincavam nos fundos de uma casa. Um bebê? Dele? De jeito nenhum! Bella girou a taça com tanta violência que algumas go tas caíram em seu pulso. Ao ver, ele sorriu e ela voltou a ruborizar de vergonha.
E o E-321, do qual havia tomado conhecimento graças à amiga Alice? O esperma de um doador cujo perfil era tão perfeito que Bella havia comprado os últimos oito frascos do banco de espermas. Era bem verdade que não havia aparecido no dia da con sulta para a inseminação. Mas, depois de terminar com Tyler , a vida havia sofrido uma reviravolta.
Tinha decidido: primeiro um bebê e depois procurar o príncipe encantado.
Temia que já não houvesse mais tempo de encontrar o homem ideal, namorar, planejar o casamento e engravidar — na ordem apropriada como sempre havia desejado.
Então, por que não mudar a ordem das coisas? Por que não ser mãe solteira primeiro e encontrar sua alma gêmea depois? E como encontrar o pai perfeito para seu filho? A melhor amiga, Alice , que estava grávida do esperma doador E-321, havia tomado várias precauções e conselhos. Depois de muita pesquisa, Bella também optou pelo doador E-321, que, de acordo com o perfil e as características físicas, tam bém parecia o pai ideal. Os filhos de Alice e Bella seriam meios-irmãos. Bella insistia com os pais e a irmã que os bebês e elas seriam praticamente uma família.
— Você já tem uma família de verdade! — Havia vocife rado o pai, ao saber da notícia. — A culpa é sua, Renne! —Ele culpava, como de costume, sua esposa e mãe de Bella por tudo de ruim que acontecia na família. — Não devia ter deixado essa menina ler o tempo todo! Ou se misturar com liberais como essa Alice . Não quero nem pensar nas mensali dades da faculdade que ainda estou pagando.
Desesperada, a mãe havia ligado para Bella uma hora antes da consulta para a realização da inseminação.
— Está deixando Charlie muito infeliz. Nunca o vi tão calado. Em trinta anos de casamento. É verão. Por que não tira umas férias? Quando foi a última vez que tirou uns dias de folga? Vá à Itália. Vá ver sua nona antes que acabe fazendo uma bobagem, cara. Não pode ter controle sobre tudo. Na Itália, as pessoas deixam a vida acontecer. Elena se apaixonou, você também pode.
É, ela se apaixonou por Stefan . Eu estava apaixonada por ele! Roubou o namorado da própria irmã. Por que todos, prin cipalmente você, mama, se esquecem de que Stefan foi meu primeiro amor?
Bella fechou os olhos por um bom tempo. Ao abri-los novamente, voltou a vê-lo. Duas meninas sentadas ao lado só faltavam se jogar em cima dele, mas ele só tinha olhos para Bella. E a olhava com tanta intensidade que ela chegou a sentir um impulso arrebatador de simplesmente se levantar e ir até lá, pressionar o corpo contra o dele e acariciar aquele cabelo tão macio. Uma vontade de tocá-lo todo. E ir logo ao ponto, em algum lugar perto, qualquer lugar onde pudessem ter privacidade.
Queria deitar sobre ele em um colchão macio, ouvindo o sussurro da brisa do mar, enquanto os corpos nus e suados colados um no outro se confundiam. Queria tudo que fosse possível e impossível com aquele homem. Que loucura, pensou, nem sabia seu nome. Não tinha tro cado uma só palavra com ele e já queria fazer amor com o rapaz, como uma fêmea no cio.
Pelo menos, sabia que ele tinha uma voz forte e pene trante, pois o havia escutado conversando com as garotas na mesa ao lado, mais cedo. No mundo real, do outro lado do Atlântico, iria querer saber onde Adônis havia estudado, quais eram seus planos para o futuro, quem era a família. Mas a mulher seminua com uma gardênia no cabelo que tinha se apossado dela não estava interessada nesses detalhes. Estava começando a ficar assustada. Era como se partes vitais de seu ser quisessem pular em cima dele, como se ele as reivindicasse. A ânsia de estar nos braços dele, beijá-lo, de conhecer a paixão, a verdadeira paixão, talvez pela primeira vez na vida, intensificava-se gradualmente.
Se fosse mesmo um garoto de programa, isso significava que poderia ser dela... pelo menos por uma noite. E se esti vesse disposta a pagar o preço? Ou será que ele só prestava seus serviços a algumas poucas privilegiadas?
Mas e os oito preciosos frascos do doador E-321 esperan do por ela no banco de esperma? E a idéia brilhante de Alice de criar os filhos-irmãos juntos?
Estava sem sexo havia muito tempo, concluiu. Talvez, fossem as estátuas nuas espalhadas pela cidade, decorando os palácios e museus por toda a Itália que mexessem com seus hormônios fazendo com que ela quisesse providenciar os filhos no estilo tradicional. Bella acreditava que sexo estava intimamente ligado a relações sérias e ao casamento e ponto final.
Mas e reprodução? Sussurrava em seu ouvido uma voz interior, preocupada apenas com o relógio biológico que tiquetaqueava Impiedosamente. Você já está com trinta anos e solteira. Vai acabar ficando para titia.
Toda a vida, Bella havia sido reconhecida por sua inte ligência, seus princípios antiquados, perfeccionismo, habili dade para determinar metas e alcançá-las, bem como tomar decisões rápidas e precisas. Quase uma máquina-mulher.
Mas e se deixasse se levar pelas emoções e instintos, só daquela vez?
Abriu a boca sutil e sensualmente, ergueu a saia até o joe lho e esperou que o destino cuidasse do resto. Como alguém contratava os serviços de um garoto de programa — se ele fosse mesmo um garoto de programa?
Haveria algum sinal secreto? Deveria erguer ainda mais a saia? Ou, quem sabe, dar uma piscadela sedutora? Talvez, ir direto até ele, abrir a bolsa e mostrar o dinheiro? Ou, sim plesmente, ficar ali sentada e esperar que ele desse o primei ro passo?
Na noite anterior, ele a tinha seguido até aquele mesmo bar. Porém, quando começou a flertar, Bella saiu e se es condeu entre as árvores. Ele chegou a procurá-la fora do bar, mas ela permaneceu imóvel, segurando a respiração, por detrás da castanheira, apavorada que fosse descoberta. Fi nalmente, o estranho desistiu e se dirigiu para o enorme iate ancorado no porto, onde devia ter passado a noite.
Com uma mulher? Uma cliente? A senhora da Ferrari? Tantas perguntas e especulações deixaram Bella confusa.
Os olhares voltaram a se encontrar. Com um pequeno mo vimento, subiu a saia um pouco mais. Entreabriu os lábios suave e indecorosamente e não desviou o olhar, apesar do nervoso que sentia.
Ele tinha um cordão de ouro no pescoço que agora bri lhava graças aos últimos raios de sol. Presente de alguma cliente? Da mulher da Ferrari? Ou da outra senhora? Quantas mulheres haveria? Tinha preconceito com homens que usa vam cordões de ouro.
Perguntou a si mesma se garoto de programa recebia gorjeta. Será que lhe explicaria as regras do jogo? Como boa advogada, tinha um interesse natural por contratos e normas.
Como ele não parava de encará-la, as meninas na mesa ao lado deram mais risadinhas e o olharam. Com certeza, eram moradoras de lá e sabiam a profissão do rapaz, bem como conheciam as intenções de Bella.
Era tão óbvia, assim? Talvez devesse repensar sobre aque la insensatez que estava prestes a cometer. Quando tentou se levantar para ir embora, descobriu que as pernas estavam bambas demais para suportar o peso do corpo. Voltou a sen tar-se para não passar vergonha. Na mesma hora, o garçom a abordou com uma taça de champanhe e lhe disse algo em um italiano rápido e nasal, enquanto apontava para o admirador sentado no interior do bar. Quando olhou na direção dele, Adônis cruzou as pernas e sorriu.
O coração de Bella disparou. Devia ir para o ponto de táxi e pegar o primeiro carro para o hotel Palazzo, onde es tava hospedada. Lá, tomaria uma ducha bem fria ou daria um bom mergulho na piscina. Até cogitou um remédio para dormir.
Mas não fez nada disso. Aceitou a taça do vinho espu mante, jogou os cabelos longos para trás, em um movimento sensual e provocante, e tomou um gole da bebida fazendo um biquinho convidativo com a boca. Sorriu e brindou.
No mesmo instante, o estranho descruzou as pernas, le vantou-se e foi até ela, causando um frisson entre as garotas da mesa ao lado que acompanhavam tudo, com risadas e co mentários. Ele parou bem ao lado dela, puxou uma cadeira e Bella tomou o último gole do champanhe, sofregamente.
— Se incomoda se me sentar com você? — A voz era grossa e sensual, com um sotaque sutil que demonstrava um domínio da língua inglesa, o que a surpreendeu. Perfeito como o resto do pacote.
Um garoto de programa poliglota?
— Infelizmente...está na minha hora...tenho que ir, na verdade...
— Eu acredito, — ele sorriu. — Mas não pude deixar de notar que está seguindo seus impulsos — ele fez uma pausa. — Assim como eu. O que pode ser perigoso.
O coração trovejava.
De perto, os cílios densos dele pareciam ainda mais lon gos e escuros.
Por que a natureza lhe havia presenteado com cílios tão lindos? Não era justo.
Mas a vida não era justa, afinal, era? Do contrário, agora, estaria casada, com filhos e continuaria sendo a preferida do papai.
Os ombros largos e magníficos de Adônis pareciam ele var-se sobre ela, deixando-a ainda mais vulnerável.
Se tivesse uma filha com ele, a criatura afortunada, com certeza, seria uma atriz de cinema de tão linda, suspirou ao se deixar levar pelos famintos hormônios sexuais.
— Posso ir embora, se preferir — ele disse. Quando ele se virou, ela sentiu uma pontada no peito:
— Não.
A garganta ficou ainda mais seca. O desejo intenso a dei xou sem equilíbrio. Molhou os lábios com a língua e não conseguiu dizer mais nada.
Ele se sentou e fez um sinal para o garçom. Sem pergun tar, pediu mais champanhe.
Será que esperava que ela pagasse a conta? Seria parte do contrato?
Quando chegou, ela voltou a beber com vontade, o que pareceu diverti-lo.
— Por acaso, deixo você assustada?
— Não. Estou assustada comigo mesma. Nunca fiz isso.
— Que bom. Fico mais tranquilo. — Ele riu. — Está a salvo comigo — disse. — Prometo que não vou fazer nada que não queira.
Com as emoções e desejos de todo o tipo se manifestando, o comentário não era nada tranqüilizador.
Ele ergueu o braço para pedir outro drinque, mas ela pôs os dedos sobre sua mão, impedindo-o. E, ao tocá-lo, uma onda imensa de calor a inundou. Ele continuou ali, acariciando a parte superior de sua mão. O toque era suave, mas causava arrepios e o nervosismo tomou conta de Bella.
Sentia-se frágil, sensual, flamejante. E tudo por um sim ples toque na mão. Quando a tocou gentilmente no pescoço, ela recuou, temerosa de que ele percebesse a pulsação desen freada de sua jugular. Nunca havia experimentado qualquer tipo de droga na vida, pois sempre acreditou que o vício pudesse prejudicar os planos de sucesso. Mas, de repente, entendia o poder que uma droga estupefaciente podia ter sobre um indivíduo.
Ele era a própria droga e podia ser letal.
Não! Era apenas um profissional. Sabia o que estava fa zendo, somente isso. Era competente e era pago para fazer bem o seu trabalho. Tudo estava sob controle. Ele não fa ria nada a não ser que ela resolvesse contratar seus serviços. Certamente estava atrás de dinheiro.
Não sentia o mesmo que ela. Estava fora de perigo, pen sou, tinha o controle da situação.
Sentia um calor intenso e a brisa fresca que vinha do golfo pouco ajudava.
— Me chamo Edward . Edward Cullen — sussurrou ele ao ouvido dela, acariciando-lhe a mão de modo sedutor.
A forma como pronunciou seu nome fez o sangue de Bella esquentar tanto quanto o toque dele. Seria seu nome verdadeiro? Ou eles usam pseudônimos como os atores e escritores?
— Mas, provavelmente, já deve saber quem sou... ou pelo menos o que sou — disse ele, como se pedisse desculpas.
Então estava certa — era mesmo um garoto de programa! Corou.
— Acho que sei.
— Não tem por que ficar preocupada ou perturbada com isso. Sou um homem normal como qualquer outro.
— Se está dizendo. — Estava envergonhada, sem chão.
— E você é? — continuou ele.
— Marie — disse rapidamente, escolhendo um nome quauquer , impor uma distância en tre eles. — Minha mãe me chama de Mary. Os demais me chamam de... — não terminou a frase, pois percebeu que ia começar a falar, sem parar, tolices sem sentido, o que fazia quando ficava nervosa.
— Marie — disse ele ofegante. — Combina com você.
O ar que os rodeava parecia esquentar ainda mais, se é que isso era possível. Devia ser ela que estava em chamas. Ele era tão lindo. Quanto alguém daquele calibre custaria? Sem coragem de perguntar e descobrir que o preço era abusivo, Bella decidiu adiar o quanto fosse possível o momento da verdade.
— Está com fome? Ou prefere ir direto para o hotel?
Se jantasse com ele, custaria mais? E se os funcionários do hotel Palazzo a vissem com ele no restaurante? Será que ia lá com freqüência?
— Almocei tarde — respondeu.
— Eu também — murmurou ele.
Ele se inclinou para mais perto e passou uma das mãos ao redor da cintura dela e com a outra mão levou a mão de Bella até sua boca carnuda e sensual, beijando cada um dos dedos, detendo-se nas pontas. Então, fitou-a bem nos olhos. Cada gesto era infinitamente delicado. De alguma forma, nada do que fazia parecia dissimulado ou ensaiado. Bem de pois de largar sua mão, Bella continuou sentindo um vazio no estômago.
Ao repor a mão na mesa, suspirou. Melhor assim, pois não estava preparada para um beijo de verdade... não em pú blico.
Porém, mais emoções a aguardavam: ele voltou a se incli nar e dessa vez traçou os lábios dela com o dedo, causando mais uma onda de calor em Bella. Ele ficou olhando atentamente para o percurso que seu dedo fazia e engoliu a saliva com dificuldade. Assim como ela. As garotas deram risadas.
Ele não era nada sutil. Mas também o que esperava? Era um garoto de programa. E, ainda por cima, italiano. Aquela era uma relação de negócios.
Devia aplaudir o talento e profissionalismo dele. Em vez disso, estava tão hipnotizada que mal conseguia lembrar que aquilo era real.
Ele voltou a erguer o braço para o garçom e pediu a conta. Antes que ela tivesse tempo de apanhar a bolsa, Edward deixou sobre a mesa um bolo de notas de euro, tomou-a pelo braço e a levou para fora do café. Bella não pôde deixar de per ceber que quando ele se levantou, todos no bar pararam de falar. Até a música cessou. Ao se virar para se despedir do garçom, um burburinho com direito a risadas adolescentes o saudou.
Havia pago a conta, certamente, para manter as aparên cias, presumiu Bella. Era um garoto de programa de alto nível.
Ela lembrou do conversível caro e da Ferrari, sem contar com o iate, onde ele havia passado a noite, e começou a du vidar que tivesse dinheiro suficiente na bolsa para arcar com aquela extravagância.
Caso não tivesse, será que aceitaria que ela pagasse com cartão de crédito ou a acompanharia ao caixa automático mais próximo? Então se lembrou de que ele era um garoto de programa especial. Claro que aceitaria.
e entao? continuo ou mudo de historia? depende de vses.
so pra nao esqecer, eu amo vses pessussitas :D
