Na segunda-feira de manhã, Sara assinou seu nome na lista de presença, deixada na entrada do auditório principal.

Procurou um lugar confortável e esperou.

Os alunos conversavam entre si, causando um zumbido alto.

Perguntavam-se como seria Gil Grissom, acharam que ele não teria nada demais, a não ser o prestígio que carregava seu nome, bem significante, aliás.

O som de pés caminhando até o palco foi alto o suficiente para o silêncio geral de todos os universitários.

Foi como um choque. O homem que chegara era alto, tinha cabelos levemente ondulados, talvez uns quarenta anos, e quem estivesse nas primeiras fileiras teria o privilégio de ver seus lindos olhos azuis.

E quando ele sorriu, apresentando-se, um calor intenso percorreu a sala.

Até sua forma de andar, dava-lhe um charme. A platéia olhava para Grissom, era totalmente diferente do que pensavam, fisicamente pelo menos, mas tinha a parte mais importante agora, a aula.

É claro, o seminário era sobre ciência forense.

-... Peritos em diversas especialidades são os profissionais que realizam os testes forenses dentro de instituições policiais, associadas ao governo ou em consultorias independentes.

Em nenhum momento ele pareceu nervoso com o enorme número de pessoas encarando-o, falou calmamente á todos, respondendo as perguntas e ao mesmo tempo incentivando-os a pensar em suas próprias respostas.

À medida que falava, dava exemplos e mostrava slides de fotos reais e surpreendentes.

Duas horas depois, encerrou a palestra.

- Bom, espero que tenham se interessado o suficiente para a próxima aula. Obrigado.

O barulho recomeçou quando aquele enxame de pessoas começou a sair.

Sara ficara concentrada e adorara tudo na aula, conhecia muito pouco da "Arte CSI", apesar de trabalhar com um legista, ainda sentia certa inquietação no estomago toda vez que precisava trabalhar perto de um corpo.

Demorou muito tempo para levantar-se.

E quando o fez sem perceber ela foi sendo observada, Grissom ainda estava rodeado por alguns alunos, mas sua atenção foi se perdendo para visualizar a garota que estava acabando de sair.

Alta, cabelos castanhos na altura dos ombros, suas roupas eram sociais, diferente dos outros, talvez estivesse indo para um lugar importante agora.

Talvez devesse ir falar com ela... Saber se tinha gostado da aula.

Não que isso importasse muito, o motivo do sucesso de seus seminários era porque não

se preocupava se estavam todos gostando ou não.

- Obrigado, espero vocês na semana que vem. – era educado demais para simplesmente sair correndo.

Sara carregava o caderno no braço direito, estava descendo as escadas que dava para o pátio externo, lotado há essa hora.

Grissom a perdeu de vista e passou a mão no rosto, perturbado.

Não acreditou que havia acabado de seguir uma aluna, apenas por impulso, aquilo era tão... Irracional.

Mudou o caminho e deixou-se levar na multidão de universitários que o olhavam curiosos, não era tão popular assim.

Acabou chegando à sala de professores e parou para tomar café.

Lembrou-se do que Catherine dissera sobre ser mais sociável, sentou com um grupo de educadores, e pensou em como mesmo longe, ela mandava em suas ações.

Sara já estava a caminho do trabalho, certa de que o Dr. Morrison iria falar o dia todo sobre Grissom e como ele estava certo sobre sua vinda para Califórnia. Ela ficou feliz por ele estar certo, inconscientemente Sara já sentia algo especial por aquele cientista forense.

Grissom tinha muito tempo livre, infelizmente. Jogou sobre a mesa um dos livros que trouxera e decidiu pegar o carro alugado e ir mais uma vez ao laboratório, quem sabe pudesse ser útil por lá.

Com um crachá escrito VISITANTE, pode entrar novamente. Nos corredores, teve uma impressão muito estranha. Podia jurar ter visto a mesma moça alta e linda do dia da palestra entrar numa sala, não a tirava do pensamento há dois dias.

Dr. Morrison, ficou feliz em vê-lo, trocaram experiências e acabaram tocando no nome de Sara Sidle outra vez.

- Ainda não vi sua ajudante, doutor.

- Não? Ela foi ao seu seminário, achei que fosse falar com o senhor pessoalmente.

- Não falou.

Morrison olhou no relógio.

-Infelizmente também não será hoje, há essa hora ela já foi embora.

Grissom tinha um pressentimento sobre essa tal moça, nada de mais, mas estava realmente querendo conhecê-la.

Morrison saiu e deixou Grissom sozinho um instante, a porta se abriu violentamente, fazendo com que ele saltasse da cadeira.

Não era o legista, mas uma jovem.

- Desculpe, pensei que não tivesse ninguém.

- Eu que peço perdão, você deve estar trabalhando e eu atrapalhando.

Quando pode olhar melhor, viu como era alta e tinha os cabelos castanhos, na altura dos ombros. Era a mesma moça da aula.

Sara congelou quando viu quem era o homem a sua frente.

- Sou Gil Grissom.

- Sara Sidle.

Apertaram as mãos.

Era a moça bonita da aula e ajudante de Morrison.

- Achei fantástica a palestra Sr. Grissom.

- Você estava lá não é, por que não falou comigo?

- Não pude, vim trabalhar.

- É claro.

Estavam conversando há meio minuto, mas Sara e Grissom não se sentiram mais como completos desconhecidos.

Morrison apareceu.

- Sara o que tá fazendo aqui?

- Eu precisava fechar uma ficha doutor.

- Acabou conhecendo o Grissom, hein? - o tom de sua voz deixou Sara envergonhada, como se estivesse esperando por isso há muito tempo, o que era verdade, mas não precisava ser espalhado principalmente para ele.

- Acho que vou embora agora. – ela disse sem jeito

- Já deveria ter ido...

- Tá... Bom. Foi um prazer senhor Grissom.

- Igualmente Senhorita Sidle. Espero te ver na próxima segunda.

Ele já havia repetido aquela frase várias vezes por educação, mas desta vez havia muita sinceridade em cada palavra.

Sara saiu ainda com passos rígidos e o rosto em brasa, e Grissom a ficou observando, com um sorriso enorme no rosto, totalmente encantado.