Desconcertado, James fez uma careta para a mulher que difamava a sua reputação de patrão justo. Os seus olhos faiscavam. Ele conteve o instinto de re­bater duramente aquela alegação.

— Dio mio... Essa é uma acusação muito grave para fazer contra um homem que você praticamente não conhece.

Pálida e consternada após aquele ataque de raiva, Lily abaixou a cabeça e murmurou:

— Com licença...

Ela começou a se afastar, e James se moveu para barrar a sua passagem.

— Não fuja — pediu ele.

— Olha, eu...

— Você ainda nem me disse o seu nome — cortou James, notando o tremor na mão fina e pálida que ela havia apoiado contra a parede.

Depois de falar demais como havia feito, somente um idiota suicida daria uma resposta sincera àquela pergunta, reconheceu James. O que ela deveria dizer? Lily Mocreia? O orgulho trouxe a sua cabeça de vol­ta para o lugar, e ela se lembrou de como a finada mãe costumava chamá-la.

— Lilian..

— Lilian — repetiu James. — Gostei. Permita que eu lhe ofereça um drinque e a convença de que o novo dono da Venstar é um cara legal...

James a escoltou na direção do lado mais tranqui­lo do balcão do bar, com um leve toque nas costas dela.

— Mas por que você acha James Potter ma­chista?

Ansiosa para mudar de assunto, Lily murmurou apressada:

— Você ainda não me disse o seu nome...- Como se já soubesse o quanto tinha mexido com ela, James lhe dirigiu um sorriso.

O coração dela martelou com tanta força e rapidez, que ela momentaneamente se sentiu zonza.

— O meu nome, lamento, é James — revelou ele.

— James é um... nome comum na Itália?

— Muito... Todo mundo se chama James — di­vertiu-se ele.

Lily estava fascinada, inebriada e amedrontada; tudo ao mesmo tempo. Nem havia notado que ele ha­via pedido uma bebida para ela. Quando o garçom lhe ofereceu um coquetel num copo alto e fino, ela acei­tou, sem maiores comentários, e deixou que o líquido lhe aquecesse a garganta.

— Você é casado? — Lily ouviu a si mesma per­guntar com a sutileza de um gigante despencando do céu.

Ele gargalhou.

— Você é tão discreta... Claro que eu não sou ca­sado. E então, por que você acha que James Potter é um dinossauro?

— Não quero falar sobre isso.

— Eu vou fazer com que você fale — prometeu James, convicto dos seus poderes de persuasão. — Você sempre tira vantagem do fato de ser linda?

Pippa cuspiu o gole de bebida de novo no copo e olhou para ele.

— Como...?

Ele a estava cantando. Ela mal podia acreditar. Um cara mais bonito do que ela poderia iamginar a estava paquerando. E ela não sabia o que fazer, não tinha a menor ideia sobre como reagir. Pôs-se a sorrir para ele e a sorrir e a sorrir e a sorrir, de súbito aterroriza­da com a possibilidade de ele perder o interesse e sair dali. A admiração no olhar dele era um tiro de adre­nalina em suas veias, um bálsamo para o seu ego feri­do. Lily Mocreia? Quem, eu?

Aquele conhecido sorriso feminino tensionava cada músculo do corpo forte de James. Um bom tempo se passara desde a última vez que a fome se­xual batera nele com tal intensidade. Duro, a excita­ção latejando, queria agir como um homem das ca­vernas, empurrá-la contra a parede e espremer aque­les lábios rosados e maduros contra os seus, antes de levá-la para algum lugar mais privado.

— Santo Cielo — murmurou ele, com a voz grave. O tom de voz dele disparou um outro arrepio pelo corpo de Lily. Diante daqueles olhos, sua boca ficou seca, e os joelhos, trémulos. Pela primeira vez em 23 anos, ela compreendia o que era ser real­mente desejada por um cara. Apesar de ter acabado de conhecê-lo, estava sintonizada com a vontade que vibrava em cada fibra do seu corpo. O que sentia a atemorizava e a excitava em proporções iguais.

— Vamos sair daqui... — sussurrou James, deci­dindo num instante que poderia alegar a existência de um compromisso anterior para escapar da festa.

Ele estendeu a mão para Lily. Ela não conseguia raciocinar direito, mas mesmo assim fechou os seus dedos em volta dos dele, incapaz de resistir ao desejo de tocá-lo. Tremia, atormentada pela ânsia no ponto mais íntimo do seu corpo.

— Isto é... Loucura — balbuciou, tremula.

O celular de James tocou a melodia que o irmão de 14 anos havia programado para que ele o reconhe­cesse quando ligasse. Qualquer um naquele momento seria ignorado, mas James não se esquecia nunca que, para Marco, com menos da metade da sua idade, ele era mais um pai do que um irmão mais velho.

Mesmo com os dentes trincados, James pediu desculpas a Lily e soltou a mão dela para atender ao telefone. O irmão expôs sem cerimónias um proble­ma matemático que não conseguia resolver. Conten­do um suspiro de impaciência, James apanhou um guardanapo de papel sobre o balcão do bar e anotou a questão.

— É o meu irmão menor... Ele está no colégio in­terno e às vezes precisa de uma ajuda com o dever de casa — explicou a Lily.

Piscando, lentamente se recompondo do estado de confusão induzido por seus hormônios, Lily se co­locou ao lado dele. Estava perplexa por se dar conta de que quase partira da festa com James. Um cara que acabara de conhecer! Não conseguia acreditar em comportamento tão deplorável!

Quando já pensa­va em como reteria o interesse de James, depois de lhe dizer que não iria a lugar nenhum com ele, Lily percebeu que o acompanhante enfrentava dificulda­des para resolver a questão de trigonometria anotada no guardanapo.

— O erro está nessa linha — murmurou ela, fran­zindo a testa e se aproximando dele.

James se admirou.

— Ah, é? — desafiou ele.

Lily tirou a caneta dos dedos dele e resolveu o problema, enquanto explicava o erro que ele havia cometido nos cálculos.

James respirou fundo, lentamente. Ele era me­lhor em matemática do que 99 por cento das pessoas. Conhecia agora o um por cento que faltava na figura inesperada de uma ruiva adorável e indiscreta.

— James... — disse Marco, maravilhado, tendo ouvido todo o diálogo, sem nenhuma reserva. — Seja lá quem for, ela é uma mágica nessas coisas. Não é um dos seus cabeças-ocas. Consiga o telefone dela para mim!

Quando desligou o celular, James avistou dois integrantes do seu staff inquietos perto da porta do salão, visivelmente ansiosos para levá-lo de volta às festividades, mas compreensivelmente relutantes em interrompê-lo. Ele posicionou Lily na quina do bal­cão para sair do campo de visão dos funcionários.

— Devemos nos separar e voltar para o salão por dez ou quinze minutos... Praticar a discrição — afirmou James. — Mas eu não quero perder você de vista.

Desacostumada a ser tratada como uma fenime fatale, Lily riu, convencida de que ele estava brincan­do. Com a mão no cotovelo dela, James a levou para dentro de uma cabine telefónica perto do bar.

— O que você está fazendo? — indagou ela, des­concertada.

— O que você quer que eu faça? — inquiriu James num tom de voz grave e áspero, com os olhos quentes fixos nos dela.

Presa em contato íntimo com cada ângulo do físico forte, grande e poderoso dele, Lily descobriu, pas­ma, que só queria chegar ainda mais perto de James.

Dessa vez, entendeu por que sentia os seios pesados, quase inchados. Ao reconhecer o desejo que sentia, o rosto dela queimou de vergonha, mas nada poderia conter aquela vontade latejando dentro dela, lhe des­pertando o corpo de uma maneira que nunca experi­mentara.

— Lilian...?

Tentada além dos seus limites por impulsos que nunca antes havia sido forçada a lidar, Lily deixou os braços dela se levantarem e envolverem aquele pescoço moreno e forte e se ajeitou ainda mais próxi­ma à força dura, rígida, dele. Com um palavrão em italiano, James sucumbiu àquele convite aberto com toda a paixão nata do seu ser.

Lily poderia ser uma iniciante na paixão, mas ne­nhuma vítima teria sido mais ávida na busca de seu destino. Ele tomou os lábios levemente abertos dela e os abriu de modo brusco. A invasão doce, insuporta­velmente excitante, da língua dele provocou um ba­que em seu coração e lhe contraiu cada músculo.

De repente, todo o corpo estava vivo, latejando, sedento por mais de algo que nunca tivera.

Com grande esforço, devido ao desejo feroz, James se desgrudou de Lily. Os olhos esverdeados exa­minaram o rosto atónito dela e repousaram no verme­lho suave, inchado, daquela boca madura.

— Dez minutos... E não saia da minha vista - alertou ele, com a voz rouca. - Depois, a gente vai embora junto.

Piscando como uma mulher que despertava de um feitiço, Lily se deixou levar até o salão lotado. Os grupos de pessoas conversando pareciam evaporar do caminho deles, como mágica. James parou ao alcançar uma mesa vaga no canto do recinto. Lá, es­talou os dedos para um garçom que passava e pediu uma bebida para ela.

Momentaneamente, a firmeza dele a impressio­nou.

— Agora, fique aqui até eu voltar, cara mia — ordenou James, com a voz rouca. — Seria muito fácil nos perdermos um do outro nessa confusão.

— E vai valer a pena esperar? — Lily se ouviu novamente perguntar, num tom debochado, pois não era outra coisa senão divertido ser tratada como uma criança que poderia se perder na ausência dele.

— Não ria. Isso não é engraçado. — James esta­va irritado por ela se mostrar despreocupada com tal risco e igualmente furioso pela sua própria falta de controle. Ele a queria. Tanto, que já começava a se sentir desconfortável com aquilo. Quando Marco li­gou outra vez, ele imaginou uma estratégia para mantê-la ali.

— Você acha que pode ajudar meu irmão com o dever de casa de novo? — perguntou ele. — O inglês dele é excelente.

Tocada por aquele pedido, Lily sorriu e estendeu a mão para pegar o telefone. Bebericando seu drin­que, ela conversou com Marco enquanto observava James do outro lado do salão, a vigiando também. Todas as vezes que percebia aquele rosto moreno lhe olhando, olhos esverdeados e misteriosos queimando na sua direção, sua boca secava, e o coração disparava. ; Os manda-chuvas da Venstar o cercavam e ao baixi­nho que ela antes identificara como Potter. Na­quele mar de pessoas, ela só tinha olhos para um ho­mem: James.

Tudo que sentia era novo para ela. Nada jamais havia parecido tão maravilhoso quanto o simples fato de que James se mostrava impressionado por ela. Não sabia que um caia podia beijar daquele jeito. Já ouvira mulheres descreverem determinados homens como irresistíveis. Tinha duvidado que alguém pu­desse provocar aquele efeito nela, mas, em segredo, sempre desejara estar errada, reconheceu Lily. E quando James a beijou, cada célula do seu corpo reagiu com um entusiasmo de tirar o fôlego. Só se manteve de pé por ter os braços em volta dele, e por ele ter sido forte o suficiente para sustentá-la.

— Me dá o seu telefone? — pediu Marco. — Você é muito melhor para explicar essas coisas do que o meu irmão.

Sentada na quina da mesa, os cabelos de Lily on­dulavam como chamas, em contraste com a pele deli­cada. O vestido de azul vibrante era uma moldura sim­ples para sua figura fantástica e as longas pernas. Lily atraía uma quantidade razoável de atenção tanto mas­culina quanto feminina. Mas nenhum dos homens que a admiravam ousaria se aproximar, enquanto James Potter a vigiasse com claro sentimento de posse, olhar arrogante e um sorriso de intimidade na boca firme.

Lily havia acabado de desligar o celular, quando James se juntou a ela novamente. Sem perder a pas­sada, ele a agarrou pela mão, e os dois se dirigiram para a saída. Ela ouviu o burburinho de vozes especu­lativas, quando o casal cruzou o salão. Compreensí­vel, pois ele era lindo de morrer. Já que ninguém vie­ra falar com ela, quando sozinha à mesa, era de se presumir que os colegas não a reconheceram sem os cachos, os óculos e a roupa de trabalho.

Quando a porta do elevador se fechou, ela se re­costou na parede de metal frio, pois o ar-condicionado fez a sua cabeça girar.

— Você ainda não me disse porque você acha James Potter preconceituoso em relação às mulhe­res...

Desconcertada, Lily piscou.

- Pensei que a essa altura você já tivesse se es­quecido disso...

— Eu nunca me esqueço de nada — declarou James.

— Bem, se esforce para esquecer isso — murmu­rou Lily, em lamento. — Eu fui indiscreta...

— Você pode confiar em mim — ronronou James.

— Um passarinho me contou que o seu xará...

— O meu xará? O baixinho parecido com um duende?

Confiante após a tirada dele, Lily fez que sim com a cabeça e se concentrou com dificuldade.

— A conversa por aí é que o chefão só quer mulhe­res bonitas na chefia da empresa...

— Isso é mentira, cara — cortou James, agres­sivamente.

No que se referia ao patrão de ambos, ele era evi­dentemente muito leal. Por ser essa uma qualidade, vista como antiquada, mas que ela admirava, James não caiu no seu conceito. Olhos cuidadosamente bai­xos, pois queria encerrar o assunto, ela murmurou:

— Tenho certeza de que você está certo.

— Eu sei que eu estou certo — prosseguiu James, com convicção.

Lily quase sorriu diante da segurança absoluta dele.

James a segurou pelas mãos e a trouxe para junto dele novamente.

— Eu gosto de ter você perto, caríssima...

Mais do que consciente da masculinidade abrasiva e da força dos músculos dele, ela repousou contra o corpo de James, subitamente fraca de desejo.

— Eu também... gosto de estar perto de você.

Ele riu de contentamento e enfiou seus dedos lon­gos por entre os cabelos ruivos, para que ela o olhasse de novo. Sob as luzes do elevador, a claridade daque­les olhos verdes o impressionaram, pois ele podia ler cada pensamento dela: a vergonha, o orgulho teimo­so e, lá no fundo, o desejo febril por ele que ela não conseguia disfarçar.

James devorou sua boca com uma urgência que a deixou cambaleante. Ela não podia perder tempo ou energia respirando e se deixou levar pela vontade. Quando ele se endireitou para sair do elevador, ela colocou a cabeça no ombro dele, enquanto inspirava ar de volta para os pulmões.

A mente de Lily estava turbulenta. Ela mal acre­ditava que o que sentia era real. Queria que aquela sensação de não pertencer mais a este planeta prosse­guisse. James usou um cartão para abrir uma porta que dava para uma suíte luxuosa.

Sem haver tido tempo até aquele momento para refletir sobre aonde ele a levava, Lily se horrorizou ao perceber que James estava hospedado no mesmo hotel da festa, e que, sem pensar, havia permitido que ele a levasse até seu quarto.

— Você acha que eu vou passar a noite com você? — inquiriu Lily, perplexa.

Continua...


N/A: Obruaga a Thaty que comentou e a Yuufu e Ninha Baudelaire que adicionaram a fic! Não deixem de me mandar uma review!Por favor !

Beijão