HISTÓRIA MODE ON: Eu embaralhei um monte de coisas aqui. E usei a História do Tiradentes de que ele foi esquartejado e tal – quer dizer, ainda tem a chance de uma pessoa tê-lo ajudado e tudo o mais, mas para deixa o draminha... Não lembro se o Cláudio Manuel da Costa morreu por causa da Inconfidência ou só porque o povo não gostava dele mesmo, rs. E eu não usei nenhuma poesia do Tomás aqui, só a Marília mesmo. Acho que só.
Marília, vês a beleza desta terra? Marília, sentes os perfumes das flores? Marília, Marília, consegues ouvir minha flauta que toca apenas por ti?
Marília, consegues ver todas as injustiças desse país?
Olho com asco para o que aqueles portugueses estão fazendo. Em minhas mãos, seguro um dos papeis de Tomás Antônio Gonzaga, que nem mais está sob meu domínio, partiu para além-mar por ordem da rainha portuguesa. Ele e todos os outros conspiradores (que erro chamá-los assim, quando eles estavam conspirando pelo meu bem!) que tinham um pouco mais de dinheiro foram para outro local. Menos o meu pobre Cláudio Manuel da Costa – enforcado!
Mas a cena que vejo é ainda pior, muito pior. Os soldados da rainha riem enquanto salgam o jardim da casa de Tiradentes e eu não posso fazer nada. Que uma criança de doze anos pode fazer? Só posso assistir, perguntando-me como Manuel teve coragem. Nunca lhe fiz mal algum! Por que ele fez isto comigo? Deixou-me assim, ser desgastado, torturado e quando algum dos meus tenta me salvar, ajudar-me, ele se intromete. E destrói.
Eu respeitava Tiradentes. Mesmo que às vezes ele me assustasse, quando ficava bêbado demais e saía andando por Vila Rica subindo a saia das mulatas ou quando exercia sua profissão, puxando com um barbante os dentes das crianças que acabavam com as gengivas sangrando. Eu o respeitava por, no meio de todos aqueles letrados, de todos aqueles burgueses. Aprendeu a ler na marra, mas saber ler não o trazia prestígio.
E então aquele movimento que ia me libertar – tudo bem, não iria acabar com as grandes injustiças que ainda me povoavam como a Conjuração Baiana sonhava em fazer, mas seria um começo – é destruído de dentro para fora. E quem paga? O dentista. Os burgueses poetas também pagaram, mas menos, muito menos. Os mais pobres são sempre injustiçados.
E daqui a pouco, o cheiro de cadáver podre irá atormentar o meu nariz. O cheiro de injustiça, o cheiro de morte. O cheiro de revolta. E eu que acreditava em Manuel. E eu que achei que, quando ele me estendeu os braços, eu teria aqui alguma companhia. Mesmo quando ele me deu o nome de Brasil, eu não reclamei. Antes, eu era Pindorama, mas se aquele jovem que me dava a mão achava mais conveniente me chamar assim...
Guio o meu cavalo para longe daquela cena. Braços, pés, pernas espalhadas pela cidade. Fico tonto, tenho ânsia de vômito. Os papeis de Gonzaga estão fazendo cócegas no meu peito, amassados contra a blusa. Quando estou longe o suficiente de todo aquele ambiente terrível, coloco as mãos dentro da blusa, pegando os papeis. Uma Lira que narra todas as belezas e como tudo gira ao redor de Marília, Marília, Marília. Sorte sua, Marília! É tão nova quanto eu, mas vive num mundo de beleza.
E as injustiças, Marília? O que me diz delas? Não existem para ti – no teu céu sempre azul, na tua mata sempre verde, no teu ouro sempre amarelo. Marília, tu és a perfeição. Marília, tu nunca há de sofrer.
Ah, Marília, invejo-te...
N/A: Podia ter ficado melhor, mas eu ainda gostei... Sei lá. Só sei que esse capítulo ainda me deu ideias para capítulos com um personagem de algum país da África (que vai se chamar Zakumi por causa da Copa, HAHAHA), Conjuração Baiana, etc., etc., etc. Isso foi só um jeito de tentar homenagear o Tiradentes no dia dele. E eu sei que ele está diferente do Brasil do primeiro capítulo, mas reflitam. Ele só está começando a perceber o cuzão que Portugal é (q). Lá ele já sabia e muito bem. Aliás, MUITO obrigada pelas reviews. Eu não vou responder porque... euestoumorrendodepreguiçaperdão.
