Mais um capítulo curto. Maiores virão.

Continuem comentando, plz : )

Cap 2 – O dia em que (não) matei Red John

Jogue pela janela todas as regras, e provavelmente você terá o mesmo fim que elas.

Esse era o princípio que Lisbon seguia, e esse era o motivo pelo qual fui impedido de ir até a sala de interrogatório. Hightower deu um jeito de arranjar dois policiais enormes pra me segurar.

Eles não tinham esse direito, e pagariam por isso.

Aliás, todos que estavam no CBI até as três da manhã pagariam por algum pecado em seu passado.

"Está tudo bem, rapazes, não estou interessado em trabalhar a essa hora."

Livrei-me dos dois cães de guarda que protegiam Red John de mim. Não fui até a sala do interrogatório. Às vezes, o menor caminho até seu destino, pode parecer até três vezes maior.

Eu estava a uma bala de distância da cabeça do assassino da minha mulher e da minha filha.

Subi até o sótão da CBI. Sentei-me junto à uma mesa, em frente à janela. Tirei meu diário de uma das gavetas. Revi a primeira página. Eram murmúrios de loucura e insanidade que Sophie Miller me fez escrever na época em que eu ainda nem sabia como faria para persegui-lo.

Virei diversas páginas, até chegar à uma em branco.

"Hoje, 20 de dezembro, eu matei Red John".

Deixei a caneta sobre a mesa e guardei o diário novamente.

Promessas fazem você não pensar antes de puxar o gatilho.

Promessas são como armas auto-carregáveis. Quando você tem a chance para raciocinar o que vai fazer, se vai parar ou continuar atirando, a arma ganha nova munição, e a escolha deixa de ser binária.

A última gaveta guardava a caixa uma vez me dada como presente.

Minhas impressões digitais já estavam impregnadas pelo cano gelado daquela arma. As câmeras de segurança do CBI seriam testemunhas cruéis que jamais se calariam. Mas eu não estava tentando fugir de ninguém.

Desci as escadas de volta ao andar da sala de interrogatório. Van Pelt me olhou de esguelha por curtos segundos. Era cômica a tentativa dos agentes de desviar os olhos de mim, para não entregar o que eu já sabia há muito.

Os policiais encarregados de me impedir de chegar até Red John me seguiram até a saída. Avisei que ia dormir e desci pelo elevador.

Permaneci ao lado da porta por onde Red John sairia assim que confessasse seus crimes. E ele confessaria. Sem dúvidas. Sem esconder nada. Gabando-se por cada grito de dor que arrancara.

Aguardei como uma gárgula, durante cerca de uma hora e meia. Meus pés se encharcaram graças à chuva que respingava devido à força com que batia no chão. Então ouvi, com dificuldade, os passos e a voz de Lisbon, certamente guiando Red John para minha Glock.

Assim que os dois saíram, apontei a arma e apertei o gatilho.

Os gritos de Lisbon ainda giram na minha cabeça.