Título: Lion Heart

Autor: Guilherme Setúbal

Beta: HedaMari

Par: Wolfstar(Remus/Sirius)

Classificação: M

Resumo: UNIVERSO ALTERNATIVO. Remus é um dedicado estudante de publicidade da universidade Hogwarts que encontra o amor onde menos imaginava encontrar.

Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens pertencentes a J.K. Rowling. Não há lucro, nem violação dos direitos autorais ou marca registrada.

Capítulo 2

Terça-feira – 19:00

Sirius Black estava no quarto, pensando no dia que tivera. Deitado na cama, ele lembrava dos projetos que estava desenvolvendo com James na faculdade. Dali há alguns meses eles deveriam apresentar um protótipo de máquina com inteligência artificial e até agora eles ainda estavam construindo o algoritmo do programa. Engenharia da computação era um curso legal, mas muito puxado. Ele havia escolhido esse curso principalmente por que não tinha ideia do que poderia fazer e James, que sempre teve vocação para a coisa, sugeriu que o fizessem juntos para que não se separassem na faculdade. Essa escolha lhe causou muitos problemas em casa. Seu pai, Orion Black, era um influente empresário do ramo de seguros, por isso era importante que seus filhos se qualificassem para que um dia chefiassem suas empresas. Mas Sirius nunca se interessou muito pelos negócios da família e ultimamente vinha tendo a impressão de que esses negócios iam muito mais além do que a simples venda de seguros empresariais. Mas era a sua mãe, Walburga Black, quem mais se incomodava com suas escolhas. Sempre fora assim, nada que Sirius fizesse agradava sua mãe e ele duvidava que se resolvesse mudar de profissão para encaixar-se nos moldes da família faria alguma diferença para ela, lhe faltava empatia e isso não mudaria, por mais que desejasse isso.

Foi com os Potter que Sirius soube o que era ter uma família, no sentido real da palavra, já que nunca se sentira realmente acolhido em casa. Ele e James se conheceram ainda na escola e desde então nunca mais se largaram, eram como irmãos. Sirius sorria ao lembrar de todas as peças que pregaram nos colegas e todos os castigos que os dois sofreram juntos por isso. Sentia saudade daquela época em que eram só ele e James contra o mundo. Agora muita coisa havia mudado desde que ingressaram na universidade, James começara a namorar Lily e logo ele teve que aprender a dividir a atenção do amigo. Lily era uma garota muito especial, muito esforçada e inteligente, de personalidade forte e sem medo de dizer o que pensa, não poderia ser mais compatível com o seu James. Sirius tinha que dar o braço a torcer e aceitar que ela fazia muito bem ao amigo e isso lhe trazia à mente uma outra preocupação: 'Será que um dia eu vou encontrar alguém que me complete, assim, de maneira tão perfeita?'. O sentimento de ciúmes que Sirius tinha para com o amigo já havia mudado e agora ele tinha, secretamente, ciúmes daquela relação de companheirismo construída entre Lily e James. Por mais que lhe fosse difícil admitir, Sirius sentia falta de alguém que pudesse chamar de seu. As relações rápidas que colecionava foram todas boas e proveitosas de alguma forma, mas agora ele sentia um vazio que não conseguia preencher com apenas alguns encontros descompromissados.

Seus pensamentos foram interrompidos por batidas na porta do quarto.

- Sim? – perguntou Sirius.

- Boa noite, Sr Black, desculpe incomodar, mas eu vim avisar que o jantar já vai ser servido. – disse o mordomo da mansão Black, Kreacher, um velho magro e encurvado, de nariz longo e pontudo que aparentava ter a idade da casa e era o fiel escudeiro de sua mãe.

- Obrigado, Kreacher. Já vou descer. – respondeu Sirius, despachando o empregado.

- Sim, senhor. Com licença. – e com uma mesura o mordomo de retirou fechando novamente a porta do quarto.

- Ah... Lá vamos nós para mais uma batalha. – disse Sirius a si mesmo. Todas as refeições na mansão eram iguais. Ninguém falava nada, apenas quando sua Mãe lhe presenteava com algum comentário ácido de desaprovação por qualquer coisa que viesse à sua cabeça no momento. Essas eram as horas do dia em que Sirius ligava o piloto automático, para fugir das provocações e manter sua sanidade. Respirando fundo ele levantou da cama e foi para o andar de baixo.

xXxXxXx

Mais tarde, novamente em seu quarto, Sirius dirigiu-se à mesa do computador. Enquanto a máquina iniciava ele se despiu das roupas que usava e vestiu seus shorts de dormir, não planejava ir para mais nenhum lugar àquela hora. Depois de checar seus e-mails, ele entrou em sua página no Facebook para se distrair um pouco antes de ir dormir. Foi então que uma pessoa cruzou seus pensamentos. Aquele cara que havia lhe derrubado no chão de Hogwarts no dia anterior, tudo por culpa de James que mentiu dizendo que ele tinha um fio de cabelo branco no topo da cabeça, fazendo Sirius parar em meio ao corredor para verificar se era verdade usando a câmera do celular, claro que não era. Mas enquanto Sirius aproveitava o momento para atualizar sua galeria de fotos, foi golpeado por um corpo em alta velocidade que lhe arremessara de encontro ao chão. Sirius nunca havia visto o rapaz pelo campus e então de repente ele estava em todos os lugares, no corredor, trabalhando na lanchonete e agora iria para a festa com ele e seus amigos. O rapaz de fato o havia intrigado, mas Sirius não sabia dizer porquê. Ele era simpático, tanto que Lily rapidamente tratou de convidá-lo para sua festa, mas não era só isso que lhe causava essa curiosidade à respeito de Remus, ele o deixava desconfiado. Digitando o nome na barra de pesquisa Sirius não teve muita dificuldade em localizá-lo, afinal, Remus não era um nome tão comum assim. Lá estava ele, Remus Lupin, 20 anos, estudante de Publicidade na Hogwarts University. O que ele estava procurando no perfil de um desconhecido? Isso era o que Sirius não sabia responder, ele simplesmente abriu o perfil do outro rapaz e desceu a barra de rolagem par ver o que encontrava. Ao que parecia, ele gostava de filmes e seriados, mas não aqueles que todo mundo assiste, alguns deles Sirius jamais ouvira falar. Sua lista de leitura também era bastante extensa e variada, além dos livros de autores consagrados também haviam alguns romances e best-sellers. Suas fotos eram poucas, ele não parecia atualizar o perfil com muita frequência.

Parando em uma foto onde Remus parecia estar sentado no chão encostado em uma árvore, Sirius pôde notar algo que lhe passou despercebido nas duas vezes em que se encontrou com o rapaz, seus olhos verdes – não aqueles verdes anormais como os de Lily, que pareciam duas esmeraldas, eram verdes mais claros, puxados para o âmbar, mas tão bonitos quanto – muito tranquilos, que pareciam de certa forma inocentes, mas despertavam um interesse de mais...

O alerta de mensagem do seu celular lhe despertou rapidamente com um susto, e Sirius percebeu que havia se aproximado mais da tela do computador. Endireitando-se na cadeira e fechando a janela do navegador, ele pegou o celular para verificar a mensagem.

"Padfoot?" – James chamou.

"Oi, Prongs" – respondeu Sirius ainda se recuperando do susto, como uma criança que é pega fazendo arte.

"O que está fazendo?" – perguntou o amigo.

'Stalkeando um desconhecido no Facebook' pensou Sirius rindo de si mesmo.

"Nada, por que?" – respondeu displicentemente.

"Nada, só pra saber. Queria perguntar se pode me dar uma carona amanhã pra faculdade. Meus pais vão levar o carro pra manutenção de manhã cedo." – isso era tão James, ele nunca falava o que queria de uma vez, sempre ensaiava antes. Como se precisasse de alguma cerimônia para pedir algo ao amigo.

"Tudo bem. 7:30 aí?"

"Está ótimo, assim dá tempo de ver a Lily rapidinho antes da aula"

"Vocês dois me dão náusea" – brincou Sirius.

"Sem ciúmes, Pads. Vai ter sempre um lugarzinho pra você com a gente... a casinha do cachorro lá nos fundos do quintal lol"

"Acho que alguém quer ir andando pra aula." – riu Sirius.

"Brincadeirinha! Hahaha. Até amanhã, Pads."

"Boa noite, Prongs. Até amanhã."

Desligando e computador e se jogando na cama, Sirius tentou livrar sua mente de todos os pensamentos que ainda circulavam. O dia seguinte seria longo e ele precisava de um bom descanso.

xXxXxXx

Quarta-feira – 6:30

- Hmmm... droga.

Foi com o estridente alarme do despertador que Sirius acordou naquela manhã. Sentindo o corpo pesado, como se houvesse um enorme elefante cor de rosa sobre suas costas. A noite passada foi difícil, apesar do cansaço que sentira ao deitar, o sono parecia se recusar a chegar. Só depois de algumas horas, que pareceram dias, virando de um lado para o outro na cama, ele finalmente conseguiu dormir. Ainda tentando recompor as ideias e planejar mentalmente o dia que se seguiria, ele se levantou lentamente e despiu-se dos shorts de dormir indo em direção ao banheiro, direto para debaixo do chuveiro. Nada como um bom banho quente para começar o dia. Depois de escovar os dentes, se vestir e pentear os cabelos, Sirius pegou sua mochila e desceu para tomar o café da manhã. Ao chegar à mesa, encontrou sua mãe já tomando café da manhã e lendo o jornal - seu pai já devia ter saído para o trabalho – ele sentou ao lado dela, mas não parecia que ela sequer tivesse notado a sua presença.

- Bom dia, mãe. – um murmúrio baixo foi só o que obteve em resposta.

- Bom dia, Sr. Black. O que vai querer para o café? – indagou Kreacher.

- Só umas torradas, Kreacher. E se você pudesse preparar uns sanduíches para que eu levasse, agradeceria. – disse Sirius servindo-se de suco.

- Aonde vai com tanta pressa? – perguntou sua mãe, finalmente parecendo notá-lo.

- Vou buscar o James em casa antes da aula. – respondeu Sirius, observando a cara de desprezo de sua mãe ao ouvir o nome de seu amigo. James Potter não era o que sua mãe chamaria de amizade adequada para Sirius, mas ele não se importava com sua opinião sobre o amigo e isso era o que a deixava com ainda mais raiva aparentemente.

- Eu ainda não sei até quando você vai levar adiante a burrice de estudar esse curso inútil. – cuspiu Walburga.

- Engenharia da computação não é um curso inútil. E eu vou levar adiante até o final. – respondeu sério, olhando firmemente nos olhos de sua mãe.

- Se não serve para administrar a empresa da família, então é inútil. – disse Walburga em um tom soberbo de quem sabe das coisas. – Queria que você fosse mais como...

- Eu não sou o meu irmão! – interrompeu-a antes que terminasse sua frase - A senhora mais do que ninguém já deveria saber disso. – falou Sirius levantando-se da mesa e batendo as mãos em sua superfície. Walburga permanecia sentada com a expressão inalterada de puro desprezo, a não ser talvez pelo canto da boca que parecia ter subido alguns míseros milímetros.

- E eu sei. – foi tudo que disse antes de voltar sua atenção novamente para o jornal, como se o filho ao seu lado tivesse desaparecido no ar.

- Suas torradas e os sanduíches, senhor. – disse o mordomo que havia entrado a sala de jantar naquela hora.

- Vou levar apenas os sanduíches, perdi a fome. – tomando a sacola de papel da mão do empregado e indo para a garagem onde estava sua moto.

Se todos os dias sempre fossem começar daquela maneira, Sirius não sabia quanto tempo mais viveria debaixo daquele teto.

O caminho até a casa de James serviu para que esfriasse a cabeça. Andar de moto ajudava, Sirius amava a sensação de liberdade que aquilo trazia. O vento soprando os cabelos e o mundo ao seu redor transformado em um borrão, davam a sensação de que ele era dono de si mesmo. Uma sensação que muitas vezes o abandonava e o fazia se sentir perdido e desorientado.

James já o estava aguardando na porta de casa quando ele parou a moto.

- Pensei que você não vinha mais! Já tô te esperando há 20 minutos, cara. – reclamou James, aborrecido – Aconteceu alguma coisa?

- Walburga. – respondeu Sirius sem emoção.

- Ah, entendi... – James já estava familiarizado com a maneira que o amigo falava da mãe. Ele sempre o sentiu muito ressentido quando tocava em seu nome e por isso sempre tratou de fazê-lo sentir-se bem consigo mesmo quando estava fora das paredes dA mansão da bruxa, como ele chamava em segredo. – Bom, vamos então? – disse pegando o capacete do passageiro na garupa da moto e subindo atrás do amigo, dando-lhe um aperto nos ombros.

- Se segura! – Sirius disse. E partiram para Hogwarts.

xXxXxXx

Aquela manhã passava tranquila, como todas as outras. Apenas ele, o computador e James ao seu lado lhe ajudando sempre que solicitado. Se em algum momento daquele dia Sirius esteve aborrecido com alguma coisa, agora ele já não lembrava mais.

- E aí, você ligou pra Olive? – perguntou James ao seu lado.

- Ainda não. Tava pensando em chamá-la pra festa de sexta-feira. – respondeu Sirius ainda encarando sua máquina.

- Mas ela vai estar lá de qualquer forma, é uma festa do curso dela, esqueceu? – disse James

- Eu sei, mas vou chamá-la pra ficar lá comigo. – falou olhando para o outro – O que você acha?

- Acho que ela vai gostar – riu James. – Lily me contou que ela não parou mais de fazer perguntas sobre você desde aquele dia na festa. Aliás, o que te deu? Por que não ficou com ela logo naquele dia? – agora James também o encarava curioso.

- Sei lá. Acho que tô cansado dessa coisa de só ficar, sem me importar... Ei! O que você tá fazendo? – alarmou-se Sirius quando James de repente colocou a mão em sua testa e pescoço como que para medir sua temperatura.

- Eu tô checando se o meu amigo não está delirando de febre! O que? Vai me dizer que Sirius Black cansou da vida de Don Juan e vai se aposentar? – James não conseguia desfazer a expressão de surpresa e o sorriso de incredulidade em seu rosto.

- E quem falou em se aposentar? Eu só acho que já tive muito do mesmo e agora preciso viver outros tipos de aventura.

- Você tá me dizendo que quer namorar? Espera aí. – disse James enquanto pegava o celular e escrevia alguma coisa. Depois de alguns segundos ele tornou a virar. – Contei pra Lily, olha o que ela respondeu. – falou mostrando o celular para o outro enquanto sorria ainda mais.

"Acho que tive uma queda de pressão. Mande-o não brincar com coisa séria!"

- Eu odeio vocês dois! – riu Sirius, um pouco alto demais, chamando a atenção do professor que lhes olhou de cara feia.

- Desculpe. – sussurrou Sirius para o homem fazendo cara de cãozinho arrependido.

Eles não falaram mais durante o resto da aula. Quando o sinal bateu e as pessoas já saiam do laboratório, James virou para Sirius e disse falsamente sério:

- Pode contar comigo.

- Pra que? – perguntou o outro confuso.

- Pra encontrar uma garota que te queira mesmo você sendo assim tão esquisito – sorriu James. – Sério, acho que vai te fazer muito bem.

- Ah, obrigado. Mas não acho que eu precise da ajuda de nenhum cupido pra isso. – rebateu Sirius arrumando suas coisas na mochila antes de desligar sua máquina e levantar. – Mas já que você quer ajudar, pergunte pra Lily do que a Olive gosta e me diga até sexta. Consegue fazer isso? – sorriu desafiador para o amigo.

- Sim senhor, Sr Black. Seu pedido é uma ordem. – respondeu James rindo e batendo continência.

- Ótimo. Agora vamos, por que eu já tô morrendo de fome graças a você que me fez dividir meu café da manhã. – encerrou Black puxando o outro pela manga da camisa para fora do laboratório.

Se ele chegaria a algum lugar com essa história? Ele não podia dizer, mas estava disposto a tentar. Não podia continuar como estava, esperando que as coisas simplesmente acontecessem. Se ele queria que as coisas mudassem, ele precisava mudar a si mesmo antes. E pelo que podia sentir, essa mudança já começara.

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N/A: Segundo capítulo! Obrigado de novo a todo mundo que favoritou e comentou no capítulo passado, foi muito importante. 3

Espero que esse capítulo agrade tanto quanto o outro, me deu muito trabalho. Sirius Black é difícil até mesmo de escrever, mas no final eu gostei muito do resultado. Vou tentar postar um capítulo novo todas às quartas-feiras pra manter uma periodicidade gostosinha haha

Deixem seus comentários, divulguem pros amigos que gostam desse gênero de fanfic e favoritem pra não perder nenhum capítulo novo.

Até a próxima semana e beijo no coração de todo mundo! :*

N/B: Bom, essa é a primeira vez que estou me aventurando pelo mundo da betagem e confesso que fiquei emocionada quando o meu gêmeo, o Gui, me convidou pra ser a beta dele em Lion Heart. Wolfstar é um dos meus ships favoritos da vida e estou amando tudo isso aqui.

Mas enfim, quanto a este segundo capítulo, queria apenas dizer que estou apaixonada pela interação entre Lily, James e o meu tão amado Sirius 3 Sempre fui louca pelo caçula dos Black e ajudar a desenvolver ele para esta fic está sendo um desafio delicioso.

Espero que vocês gostem e não se esqueçam de comentar pois é bem importante para sabermos se estamos indo na direção certa ou não.

Beijinhos, Mari :*