Parte 2- A noite (desastrosa) de Natal
O natal nunca foi meu dia preferido. Nunca acreditei muito naquela coisa de que esta é uma época de sentir compaixão e perdão e que devemos refletir sobre tudo o que fizemos e vivemos, etc. Pra mim sempre foi uma época normal, com exceção do detalhe de que faz mais frio e neva.
Eu cresci em um mundo totalmente diferente de Gina. Ela passou a infância brincando de guerra de bolas de neve com seus irmãos e esperando o dia de natal como se fosse a ocasião mais importante do ano. Para ela essa data sempre teve bem mais significado do que para mim. Eu não passei minha infância brincando na neve e nem montando uma árvore de natal. Meus pais nunca me incentivaram a superestimar essa data. Nós comemorávamos a noite de natal, é claro, mas tínhamos um jantar muito mais formal do que divertido. A única parte boa era que eu ganhava muitos presentes, mas conforme eu fui crescendo, até isso foi acabando. Ao menos meus pais não me incentivaram a acreditar em Papai Noel.
O que quero dizer é que Gina encara isso muito diferente de mim. Essa noite é muito especial para ela e eu não queria decepcioná-la. Por isso eu estava indo para A Toca, para tentar mostrar a ela que apesar de nós sermos diferentes, eu sei o que é importante para ela. Eu estava com a melhor das intenções.
- Gina, você está se arrumando há horas, desse jeito vamos acabar nos atrasando.
- Calma, eu já estou pronta. – Ela finalmente saiu do quarto. – Essa roupa está boa?
Eu me virei para ela. Ela estava usando um vestido verde claro, que deixava seus cabelos parecendo ainda mais vermelhos. Estava linda. Simplesmente linda.
- Perfeita. – Respondi sinceramente.
- Então vamos. Pegou todos os presentes?
Olhei para os embrulhos que eu estava carregando. Eram tantos que não dava para saber se estavam todos ali.
- É difícil saber. Mas acho que sim.
- Você lembrou de avisar Will que não teria uma festa aqui?
Eu e minha memória de peixe. Droga.
- Não... Mas eu também não disse que teria, então...
- Draco!
- Eles não vão vir... - Pelo menos eu esperava que não. – Eu garanto.
- Tudo bem, então vamos.
E finalmente aparatamos.
O jardim da Toca estava coberto de neve e havia um boneco de neve meio torto perto da entrada. A casa toda estava enfeitada por fora, cheia de luzes coloridas. Por dentro também deveria estar bem decorado. Tocamos a campainha e alguns segundos depois a porta se abriu.
- Finalmente vocês apareceram! – Era Molly, que parecia estar tão animada com o natal quanto Gina. Ou até mais. – Vamos, me dêem seus casacos e entrem!
A casa estava cheia o que já era de se esperar vendo o tamanho da família Weasley. Também não me surpreendi ao ver que Potter, Hermione Granger e Fleur Delacour estavam lá. O que achei estranho foi que haviam algumas crianças correndo pela casa. Isso não era muito bom, nunca me dei bem com crianças.
- A tia Gina chegou! – Gritou uma delas e todas vieram correndo na direção de Gina. E isso também não era bom, já que eu estava do lado dela.
Gina abraçou as crianças, enquanto uma delas perguntava desconfiada:
- Quem é ele?
- Este é meu namorado, Draco Malfoy. Draco, este é Mark, filho do Percy. – Ela disse apontando para o ruivo de óculos, de mais ou menos sete anos. Em seguida, apontou para uma garotinha muito bonita, que devia ser uns dois anos mais nova. – Esta é Mary, filha de Gui e Fleur. E esta outra, bom, você deve se lembrar de Helen.
Helen tinha pouco mais de um ano e mal sabia andar. Seus cabelos cheios e ruivos denunciavam de quem era filha. Já tinha quase me esquecido que Rony e Hermione tinham tido uma filha. Por um momento refleti que sabia muito pouco sobre a família de Gina. Quero dizer, eu os conhecia, mas ao mesmo tempo não os conhecia de verdade. Sabia pouco sobre cada um deles. Talvez eu devesse passar mais tempo com alguns deles, já que eles são tão importantes para Gina. Talvez. É, talvez.
- Eu não gostei dele. – Mark sussurrou para Mary que concordou na hora.
É por isso que não me dou bem com crianças. Elas não gostam de mim e eu não gosto delas. Felizmente a conversa não durou muito tempo, pois a mãe de Gina logo apareceu.
- Nós estávamos só esperando por vocês para começar a troca de presentes. Acho que agora já podemos começar. Arthur? – Ela gritou para o marido que estava do outro lado da sala. – Reúna todos aqui na sala para a troca de presentes.
Algum tempo depois todos já estavam na sala e formamos um círculo.
- Quem quer começar? – Perguntou Arthur.
Mark logo se animou.
- Eu quero ganhar os presentes primeiro, eu quero, eu quero!
- Eu acredito que os nossos devem ser os primeiros a serem abertos, o que você acha Jorge? – Disse Fred, com um sorriso malicioso.
- Concordo plenamente.
- Mas eu quero presentes primeiro! – Mark protestou.
- Mas nós temos um presente para você. – Ele foi correndo pegar o embrulho da mão de Fred.
Logo que o pegou, o embrulho se mexeu sozinho. Foi uma leve sacudida, mas o suficiente para deixar todos em um silêncio apreensivo.
- Filho, por que você não abre o presente depois, hein? – Sugeriu Percy, tirando o presente das mãos de Mark e olhando desconfiado para os gêmeos. Eles fizeram uma cara de desentendidos, como se também não soubessem o que havia na caixa. – Vamos continuar a troca de presente.
- Gina e Malfoy, por que vocês não entregam os de vocês? – Parece que mais uma vez Gina se lembrou de comprar presentes para todos da família. – Disse Hermione.
De repente, me lembrei de uma coisa. Gina não sabia do presente que eu havia comprado para ela, então obviamente ele não estava entre os outros. Eu devia ter levado escondido no meu bolso ou algo assim. Enfiei a mão no bolso imediatamente. Não estava lá. Nem no outro bolso.
Ah, droga. Gina iria começar a entregar os presentes e eu não saberia o que dizer quando tivesse que entregar o dela. Felizmente, Mark me salvou. Uma criança me salvou!
- Mas eu quero presentes! Presentes que eu possa abrir!
Logo a atenção se voltou para ele de novo.
- Eu tenho um para você, Mark! – Rony entregou a ele um embrulho em forma de vassoura.
Aproveitei enquanto todos prestavam atenção no menino abrindo o presente e saí da sala disfarçadamente. Parei em um corredor e pensei no que fazer. Eu tinha que ir buscar o presente de Gina ou ela me mataria. Ok, ela não iria me matar, mas ficaria muito triste. E isso estragaria todo o meu esforço de deixar Gina feliz em seu feriado preferido. Eu não queria decepcioná-la.
Eu tinha que ir para casa muito rápido e voltar antes que alguém sentisse minha falta. Ainda bem que os Weasley raramente sentem a falta de um Malfoy.
Estava quase aparatando, quando alguém apareceu no corredor. Me virei aflito e dei de cara com Mark.
- O que você está fazendo aqui? – Perguntei.
- Vim guardar meus presentes. O que você está fazendo aqui? – Eu não sabia o que responder. – 'Tá se escondendo, tio? Quer que eu chame Mary e Helen para brincar de esconde-esconde com você? Não dá pra brincar sozinho...
Ele me chamou de "tio"! Quem disse a ele que ele poderia me chamar de tio?!
- Eu não estou brincando e nem quero brincar.
Ele ficou assustado com a minha franqueza. Eu me abaixei para ficar do tamanho dele e disse:
- Me desculpe. Olha, você pode fazer um favor pro tio? – Eu perguntei, me odiando por ter que falar a palavra "tio". Ele concordou com a cabeça. – Eu vou ter que sair rapidinho, se a tia Gina perguntar alguma coisa diz pra ela que eu só fui buscar um presente que nós esquecemos.
- Ok.
Ele foi correndo guardar seus presentes e eu aparatei para casa.
A primeira coisa que vi ao chegar em casa foi um monte de gente bêbada e música alta.
- O que diabos...?
Isso só podia significar uma coisa.
- Will! – Gritei.
Ele veio caminhando devagar em minha direção.
- Draco! Grande Draco Malfoy! Hey, pessoal! Olha quem finalmente chegou! O dono da festa!
- Você ficou louco? Que festa? O quê...?
- Você demorou, viu? Aí eu achei que seria falta de educação deixar todo mundo do lado de fora, então pensei em começar a festa sem você.
- Não era para ter festa nenhuma! Eu não tinha confirmado nada! E você não pode simplesmente invadir a casa das pessoas e começar uma festa!
Ele pegou uma taça e disse calmamente:
- Relaxa, Draco. Tome, beba uma taça de Martini que você vai se sentir melhor.
- Eu não quero Martini!
- Tudo bem, nós também temos uísque, se você preferir...
- Não! Eu quero que você acabe com essa festa e mande todo mundo embora antes que aconteça um desastre.
- Ah, qual é, Draco! É só uma festa. O que poderia dar errado?
Outra coisa que aprendi: nunca se pergunte o que pode dar errado. Parece que o destino quer te responder e te mostrar todas as opções de coisas erradas que pode acontecer. E eu percebi isso assim que senti alguém chegando por trás de mim e uma mão feminina tampando meus olhos.
- Adivinha quem é...
Era a voz de Julie sussurrando em meu ouvido. Uma Julie totalmente bêbada. Eu tirei a mão dela dos meus olhos e me virei para ela. Ela estava com uma taça quase vazia de martini na mão.
- Olha Julie, esse realmente não é um bom momento...
- Ah, Draquinho... Qualquer momento é um bom momento para te dar um feliz natal...
- Ótimo, feliz natal. – Eu disse rapidamente. – Agora eu preciso fazer uma coisa.
Fui até meu quarto e procurei o presente de Gina. Quanto mais cedo eu fosse embora, melhor. Eu podia dar um jeito nessa festa depois. Um problema de cada vez, certo?
Errado.
Quando voltei para a sala, Julie veio cambaleando em minha direção.
- Não seja mal educado, Draco. Você não pode simplesmente me deixar falando sozinha desse jeito...
Ela colocou uma mão em volta do meu pescoço.
- Julie, quantas taças de martini você já bebeu? – Eu disse, tentando me livrar das mãos dela.
Ela bebeu o resto do martini e pegou outra taça.
- Eu acho que foram... Eu não sei! – Ela respondeu e depois deu uma gargalhada.
- Will! Olha, eu preciso resolver um problema e preciso que você resolva este outro. – Eu disse, afastando Julie de mim e fazendo com que ela se apoiasse em Will.
- O que eu faço com ela?
- Sei lá, comece tirando essa taça da mão dela e impedindo que ela beba mais.
- Onde você pensa que vai, meu bem? – Perguntou Julie.
- É, onde você está indo? Esta é sua festa, cara, você não pode ir embora. – Concordou Will, antes de tirar a taça das mãos de Julie.
- Eu preciso ir à casa dos pais de Gina e se eu não aparecer lá em menos de cinco segundos, estou morto.
- Mas... – Ele tentou protestar.
- Ah, você não vai a lugar nenhum... – Julie disse, enquanto se livrava dos braços de Will. – Porque a Julie aqui... A Julie não vai deixar o Draquinho ir a lugar nenhum...
Ela foi cambaleando em minha direção, dando soluços de tão bêbada que estava. E eu sabia que devia ter isso embora naquele segundo.
Foi tudo muito rápido. Julie caminhava tropeçando nos sapatos de salto quando de repente um dos saltos quebrou. Ela se desequilibrou e caiu para frente, o que não seria um problema se ela não estivesse tão próxima de mim. Caiu em cima de mim, mas precisamente com o rosto em cima do meu. A boca em cima da minha.
Normalmente, isso não seria um problema tão grande, afinal tudo não passara de um acidente. Nós poderíamos fingir que nada aconteceu e eu não teria problemas. Isso se Gina não tivesse aparatado exatamente nesse momento.
- O que diabos...?
Droga.
- Ops. – Foi a única palavra que Julie conseguiu pronunciar direito.
Eu a empurrei e tentei fazer com que ela se equilibrasse sozinha, mas ela continuava se apoiando em mim. E Gina continuava com uma expressão chocada. Olhei para Will, tentando pedir ajuda e ele logo veio segurar Julie.
- Cara, você 'tá ferrado.
Eu fui até Gina, desesperado.
- Não é o que parece, eu juro.
- Não precisa se explicar. Eu sei o que eu vi.
- Se você quiser, eu posso explicar direitinho a química que há entre eu e Draco e... – Julie começou a falar.
- Julie, o que você acha de ir lá pra dentro? – Will disse, tentando arrastá-la para fora da sala. Mas ela conseguiu se livrar dele.
- Não, não, não. Agora eu quero – Ela foi interrompida por um soluço involuntário. – Opa. Quero falar.
Eu tentei levar Gina para longe dali, mas ela se recusou.
- Acho que tenho o direito de ouvir o que ela tem a dizer.
- Gina, ela está completamente bêbada, nem sabe o que fala.
- Melhor assim. Os bêbados não mentem.
A festa inteira pareceu parar para ver a tragédia. No meio do silêncio, Julie subiu em cima de uma cadeira e começou a falar, um pouco embolada com as palavras.
- Há algum tempo eu fui contratada para ser secretária do nosso queriiido Draco. E assim que o vi eu pensei: "Geeeente! Mas que chefe bonitão eu vou ter!" – Ela deu uma gargalhada e continuou. – O tempo foi passando e a gente foi ficando mais assim... Íntimos.
Gina me olhou de um jeito que eu pensei que ela fosse me esganar naquele momento. Eu simplesmente negava com a cabeça, sem saber o que dizer. Julie não calava a boca.
- Pára de negar, Draquinho. Você não precisa mais enganar todo mundo. Você sabe que há algum sentimento entre nós. E agora toooodo mundo aqui sabe. Eu sei que a gente não tem uma coisa concreta ainda, mas é questão de tempo. Porque a Julie aqui, a Julie não é burra. A Julie sabe que tem uma inegável química entre a gente, Draco. – Ela parou por um momento e depois completou – Ou melhor, a Julie é burra sim. A Julie aqui é burra por nunca ter se declarado antes para o Draco. Mas agora... Ah, agora ele já sabe! – Ela riu. – Agora tooodo mundo sabe. Até essa sua namoradinha sem graça. – Ela disse apontando para Gina. – Agora todo mundo sabe que eu sou apaixonada por Draco Malfoy. Isso mesmo! Eu estou apaixonada por ele! – E terminou o discurso dando uma gargalhada alta e profunda.
Eu hesitei, mas tive que olhar para Gina. Ela me encarou em uma mistura de tristeza e raiva. Eu sabia que ela ficara profundamente magoada. Sem dizer mais nada, aparatou. Eu olhei em volta, sem saber o que fazer.
- Eu cuido disso. – Disse Will.
Aparatei para A Toca.
A neve ainda caía no jardim e todos ainda estavam lá dentro, comemorando. Me aproximei da janela que ficava perto da porta e procurei Gina com o olhar. Ela estava sentada em um canto, sendo consolada por Hermione. Parecia estar chorando. Senti uma culpa enorme, apesar de saber que nada do que acontecera foi culpa minha. Toquei a campainha e, para a minha surpresa, foi a própria Gina quem atendeu.
- Vá embora! – ela gritou antes de fechar a porta novamente.
Voltei para a janela e bati no vidro embaçado. Gina me olhou e negou com a cabeça. Eu fiz um gesto de quem estava implorando, ela continuou negando. Me olhou decepcionada e fez um gesto me mandando ir embora. Eu neguei com a cabeça. Ela deu de ombros, virou de costas e foi embora.
E agora? O que eu ainda podia fazer? Tinha que arrumar um jeito de fazer com que ela me ouvisse, mas eu sabia que não conseguiria convencê-la a me escutar. Eu tinha que pensar. Eu tinha que me acalmar e pensar. Olhei em volta e avistei um banco embaixo de uma árvore do jardim. Ótimo. Fui até lá, limpei a neve do banco e me sentei.
Agora eu só precisava de um plano. Não seria fácil, eu conhecia o jeito teimoso de Gina e sabia que ela não mudaria de opinião tão rápido. Ela achava que eu a tinha traído. E não seria fácil eu convencê-la do contrário, já que ela me viu "beijando" outra. Droga. Por que a Julie tinha que estar bêbada? E por que ela tinha que usar salto alto?
Eu seria incapaz de trair Gina. Mas como eu poderia convencê-la de que havia sido um acidente? Ela nunca iria acreditar em mim. Muito menos depois daquela declaração ridícula da Julie. Droga. Por que essas coisas têm que acontecer justo comigo? E justo no natal, na noite em que eu mais queria impressionar Gina.
De repente, enquanto eu estava perdido em pensamentos, a porta da casa se abriu. Eu me levantei na mesma hora, esperançoso. Quem sabe não era Gina que havia pensado melhor e resolvera me dar uma segunda chance. Era pouco provável, mas quem sabe...
Minha decepção foi clara quando quem saiu não foi Gina, mas alguém de uma estatura bem menor. O pequeno ruivo logo me avistou sentado no banco e veio se juntar a mim. Limpou a neve do banco com suas pequenas mãos e se sentou ao meu lado.
- Oi, tio!
- Oi, Mark. – Eu respondi desanimado.
- Por que você está aqui sozinho?
Eu dei de ombros.
- A tia Gina brigou com você?
Eu confirmei com a cabeça.
- Por quê?
Crianças. Eu odeio a curiosidade que elas têm. Pra que ele queria se meter nos meus problemas?
- Porque ela acha que eu fiz uma coisa muito errada.
- Mas você fez?
- Não.
- Então ela não devia estar brava com você. Ela é quem está errada, não é?
- Se fosse tão simples...
- Às vezes, quando eu faço alguma coisa errada, meu papai conversa comigo e diz que eu tenho que reconhecer meus erros... Talvez, se você falar com a tia Gina, ela reconhece que errou...
Até que ele não era tão chato. Pelo menos não era daquelas criancinhas choronas que ficam reclamando de tudo o tempo inteiro. Para a minha surpresa, ele sabia conversar com um adulto. Do jeito dele, é claro, me chamando de "tio" e tudo mais, mas mesmo assim. Ele até estava tentando me dar conselhos. Pena que eram conselhos inúteis...
- Sua tia é bem mais complicada, Mark. Ela não vai se convencer de que está errada tão fácil...
Ele se levantou decidido e disse:
- Já que é assim, eu acho que você vai precisar de ajuda.
- E quem pode me ajudar nisso?
Ele respondeu simplesmente:
- Eu!
Ah, essa era boa. Um menino de sete anos iria me ajudar a convencer minha namorada de que eu não a traí.
- E como você pretende me ajudar?
- Você fica na porta esperando, enquanto eu vou lá dentro e trago a tia Gina aqui pra fora. Quando ela sair, eu fecho a porta e ela vai ficar do lado de fora. Aí você pode falar com ela.
- E como você sabe que ela não vai entrar novamente? Você não acha que é um pouco pequeno demais para segurar a porta e impedir que ela entre?
- Você tem uma varinha?
Hum. Era um bom plano, eu não podia negar. Simples, mas talvez funcionasse. Afinal, Gina adorava crianças e era bem provável que ela daria mais atenção para uma criança do que para mim. De qualquer forma, não custava tentar, certo?
Fomos até a porta, ele entrou e eu fiquei esperando do lado de fora, com a varinha na mão. Alguns segundos depois, a porta se abriu novamente e os dois saíram.
- Mark, eu não posso ver esse boneco de neve mais tarde, afinal... – Ela parou de falar no momento em que me viu. – Mas o quê...?
Ela se virou para entrar novamente, mas Mark foi mais rápido e logo após entrar, fechou a porta. Para completar o plano, rapidamente eu murmurei um feitiço para trancar a porta.
- Isso é patético. - Ela disse, logo após de tirar sua própria varinha de dentro do casaco. – Alorro...
Ela tentou dizer o feitiço, mas eu a impedi agarrando sua varinha e tirando-a de suas mãos.
- Draco!
- Agora você vai ter que conversar comigo.
- Devolva minha varinha.
- Não devolvo até você me ouvir.
- Devolva agora!
- Não.
Ela me olhou com raiva e tentou pegar a varinha. Eu desviei. Tentou novamente, eu desviei. Tentou pela terceira vez e desta vez conseguiu agarrar uma ponta da varinha, mas eu continuei segurando do outro lado. Puxou com força, mas acho que se esqueceu que eu sou bem mais forte do que ela.
- Desista.
- Solta a minha varinha.
- Não seria mais fácil você simplesmente ouvir o que eu tenho a dizer?
- Solta agora.
Puxou novamente, desta vez com mais força. Foi inútil, a varinha nem se mexeu.
- Por favor...
Ela puxou com mais força, usando as duas mãos e eu segurei com mais força.
- Draco, se você continuar segurando, a varinha vai acabar...
Crack.
-... Quebrando.
Eu olhei para ela, assustado. Ela me olhou da mesma forma. Afastamos nossas mãos para ter certeza do que tinha acontecido.
A varinha estava partida ao meio.
- Olha o que você fez! – Ela gritou.
- Ninguém mandou você tentar tirá-la de mim!
- Eu já estou cansada de você, Malfoy!
Ela deu as costas para mim e começou a caminhar, brava. Foi até o banco onde eu estava sentado momentos antes e se sentou. Eu fui até ela, é claro. Me sentei ao lado dela e ela imediatamente se levantou.
- Você não vai conseguir me evitar por muito tempo. Esse jardim não é tão grande, você não tem pra onde ir...
- Como eu posso me livrar de você então?
- Escute o que eu tenho a dizer.
- Tudo bem. Se eu escutar, você me deixa entrar em casa de novo?
Eu confirmei com a cabeça. Ela voltou a se sentar do meu lado.
- Ok, eu sei que você não vai acreditar, mas tudo não passou de um acidente.
- Ah, claro. – Ela respondeu irônica.
- É sério. A Julie estava bêbada e...
- Draco, eu sei o que eu vi.
- Gina, você disse que iria me ouvir, mas você não está me deixando falar...
- Tudo bem, eu vou ficar calada.
- Até eu terminar de falar?
- É. Não vai adiantar nada mesmo...
Certo. Ela iria me ouvir. O único problema é que eu não sabia direito o que dizer. Eu sabia que ela não iria acreditar no que aconteceu. Nem eu acreditaria se estivesse no lugar dela. Mas eu tinha que dizer a verdade, não tinha outra alternativa.
- Então... Ela estava bêbada, o salto dela quebrou e...
- Me deixa adivinhar: Ela caiu bem em cima de você!
- Exatamente. – Eu respondi sincero.
- Você acha mesmo que eu vou acreditar nessa história ridícula?
Eu sabia que ela não iria acreditar.
- Pode até ser ridícula, mas é a verdade.
- E aquela declaração dela? Também foi um acidente? Por acaso ela estava falando de outro Draco Malfoy?
- A declaração não foi culpa minha! Eu não fazia idéia do que ela sentia por mim, eu juro.
Gina olhou para mim, mas não disse nada. Parecia estar sem argumentos. Acho que talvez ela estivesse vendo que eu estava sendo sincero. Eu continuei falando:
- Gina, eu seria incapaz de te trair, você sabe disso. Eu não sei o que eu devo dizer para fazer com que você acredite em mim, eu não sei o que você espera que eu diga. Tudo o que eu sei é que o que aconteceu foi uma ridícula confusão e eu acho que isso não deveria ser o bastante para estragar nosso natal. Se você quiser, eu posso demitir a Julie. Eu faço o que você quiser, mas não deixe que isso estrague o natal.
Ela pareceu querer falar alguma coisa, mas eu a impedi.
- Você disse que iria me deixar terminar de falar.
Ela se calou novamente e eu continuei:
- Eu só queria que você entendesse que tudo isso é novo para mim. Eu nunca comemorei o natal direito, minha família nunca foi de se reunir e trocar presentes como a sua. Nem em Papai Noel eu acreditava!
Ela riu. Isso era um bom sinal.
- E não é só isso que é novo para mim. Antes de você, eu nunca tinha me apaixonado. Eu não sabia o que era isso, eu não fazia a mínima idéia do que era o amor. Para mim, era só um monte de besteira que as pessoas viam nos filmes e tentavam copiar. Mas depois que você entrou em minha vida, muita coisa mudou. Mudou e ainda está mudando. Você me ensinou coisas novas e de repente eu me vi em novas situações. E às vezes eu não sei direito como me comportar nessas situações e não sei o que fazer. Me desculpe se eu te decepcionei, Gina. Mas eu estou tentando ao máximo fazer tudo certo. Eu queria que hoje fosse uma noite perfeita porque eu sei o quanto o natal significa para você. Eu queria que desse tudo certo. Me desculpe se eu estraguei tudo. Me desculpe por ter dado tudo errado.
Eu terminei de falar e olhei para ela esperando uma resposta. Para a minha surpresa, ela permaneceu em silêncio.
- Agora você deveria dizer alguma coisa...
Ela respirou fundo e disse:
- Bom... Eu acho que você sabe fazer uma declaração de amor bem melhor do que a Julie.
Eu suspirei, aliviado.
- Você não estragou tudo. Pelo contrário. Acho que as coisas que você disse nos últimos minutos fizeram desse um dos melhores natais que eu já tive. Pelo menos foi melhor do que aquele em que eu vi meu pai escondendo meu presente e descobri que Papai Noel realmente não existia.
Eu ri. Ela sussurrou:
- Eu te amo.
Eu já não tinha o que dizer. Acho que gastei minhas melhores palavras e agora já não tinha o que falar. Então, eu simplesmente cheguei mais perto dela e a beijei. Um beijo cheio de ansiedade, cheio de alívio e... Bem, este era o meu jeito de dizer "Eu te amo".
- Agora a gente pode sair deste frio e entrar em casa?
Ela ia se levantando, quando eu me lembrei de uma coisa.
- Não, não. Espera. – Ela me olhou impaciente. Eu tirei do bolso o presente que havia comprado para ela. – Feliz Natal.
Ela sorriu e pegou o presente. Curiosa, abriu o embrulho rapidamente.
- Ah, eu não acredito! – Ela disse, sorrindo. Era o sorriso que ela sempre dava quando não tinha palavras para explicar o que sentia. E como eu amava aquele sorriso.
Ela me abraçou e me beijou novamente. Nós nos levantamos e começamos a caminhar para A Toca.
- Ah, e me desculpe pela sua varinha... – Eu disse, aproveitando que ela estava distraída com o globo de neve.
- Tudo bem. – Ela respondeu, prestando mais atenção nos flocos de neve que caíam dentro do globo do que em mim.
- Sabe, até que passar um feriado com a sua família não é tão ruim...
- Que bom que você chegou a essa conclusão porque o ano-novo está chegando...
Ah, não. Eu disse que um feriado não era ruim. Um!
Tudo bem, a gente poderia discutir sobre isso depois. Afinal, mesmo que algo desse errado no ano-novo, não poderia ser uma confusão tão grande quanto esta do natal.
Poderia?
Ok, é melhor eu parar antes que alguma outra catástrofe aconteça.
Fim.
N/A: Tá aí o final! Espero que tenham gostado. E lembrem-se: reviews são sempre bem-vindas! xD
Até a próxima! o/
