Gina apenas acenou com a cabeça e o encarou friamente. Já o vira antes, em algum jogo de colégio no qual o pai a levara. Também conhecia sua história, mas não confiava nele. Para completar, embora não fosse admitir nem sob tortura, tinha ciúmes da relação de seu pai com ele.

- Achei que ficaríamos mais a vontade reunidos aqui. - meu pai disse sem cerimônia. - Gina, Draco concordou em colaborar com a investigação. Já está sabendo dos fatos, fica em suas mãos transmitir os detalhes.

- Seis furtos no período de oito semanas. O prejuízo foi estimado em cerca de novecentos mil dólares. Preferência por itens de fácil repasse, jóias principalmente. Levaram também o carro esportivo da vítima que estava na garagem. Quatro das casas tinham sistema de segurança. Foram desativados. Nenhum sinal de arrombamento. Em todos os casos, a residência estava vazia na hora do furto.

- Já sabia de tudo isso, menos do carro. Resumindo, trata-se de alguém capaz fazer ligações diretas em automóveis, abrir fechaduras e com canal para repassar as mercadorias.

- Nenhum item apareceu nos canais conhecidos de Aspen. É uma quadrilha bem organizada e eficiente. Os alvos foram selecionados principalmente em sua casa noturna.

- Fora isso, mais alguma suspeita?

- Dois de seus empregados tem antecedentes criminais: Blaise Zabini e Pansy Parkinson.

Draco estreitou o olhar, mas não piscou. Aquela mulher estava realmente o tirando do sério.

- Blaise deu maus passos, sim, mas está livre e limpo há cinco anos. Pansy já levou vida fácil, mas agora trabalha no bar. Mas acredito que a investigadora já saiba disso. Não acredita em reabilitação, senhorita Weasley?

- Acredito que seu estabelecimento sirva como lago para seleção de peixes grandes. E pretendo verificar tudo que achar que seja interessante. A lógica indica que alguém lá de dentro está dando as dicas.

- Conheço as pessoas que trabalham pra mim- rosnou Malfoy, e voltou-se furioso para o chefe de polícia - Raios, Weasley!

-Draco, ouça até o fim.

- Não quero e não admito que prensem meus funcionários só porque deram um mau passo em alguma época da vida.

- Ninguém vai prensar ninguém – assegurou Gina irritada. "Nem você que também já aprontou muito", pensou. - Se suspeitássemos deles, já teríamos interrogado e para isso não precisaríamos de sua colaboração ou permissão.

- Quer dizer que não suspeitam?

- Se acredita que são inocentes, por que se preocupa?

- Muito bem, vamos acalmar os ânimos - interveio Arthur, sinalizando sutilmente para filha com a sobrancelha.

- Não quero que Blaise e Pansy sejam interrogados.

- Isso não vai acontecer - afirmou Gina, admirando a defesa. A que se deveria? Lealdade? Amizade? Ou teria um caso com a ex-prostituta? Logo descobriria. – Não queremos alertar ninguém da organização antes da hora. Quero que infiltre um agente em sua casa noturna.

- Eu já estou lá dentro – replicou irritado Draco.

- Sendo assim, que tal abrir vaga para mais uma garçonete? Posso começar hoje mesmo.

Draco riu e olhou para Arthur.

- Quer que sua filha sirva mesas no meu estabelecimento?

Gina levantou-se.

- O delegado determinou que um agente se infiltrasse na casa noturna. Acontece que eu estou no comando da operação.

- Pouco me importa quem esteja no comando. Seu pai me pediu pra cooperar e eu concordei. - voltou-se para o velho amigo – É isso que quer?

- Por enquanto.

- Está bem. Ela começa hoje. Esteja ás cinco no meu escritório. Vou lhe explicar seu serviço.

- Fico devendo, Draco.

- Você nunca vai me dever nada. – Draco encaminhou-se a porta, mas olhou sobre o ombro - Investigadora? As garçonetes usam blusa ou suéter preto e saia pretas. Saia preta bem curta - observou, e saiu.

- Não gosto nem um pouco do seu amigo pai – disse com os lábios contraídos e pela primeira vez desde que entrara na sala, relaxou.

- Ele ainda vai subir no seu conceito.

- Não, ele é frio demais. Posso até sair dessa história com uma fina camada de gelo. Confia mesmo nele?

- Tanto quanto em você.

Gina conformou-se.

- O cabeça da quadrilha tem cérebro, contatos e sangue-frio, assim como seu amigo. Mas se não confiar no seu julgamento, vou confiar no de quem?! Agora tenho que ir, arranjar uma saia preta.

Arthur estremeceu ao ver a filha seguir para a porta.

- Não muito curta.

Decidiu ir a pé para seu apartamento, chegando às quatro e quinze. O escritório de Malfoy ficava a vinte minutos de distância. Escancarou a porta do closet a procura da maldita saia preta. Achou uma saia e desolou-se ao ver seu comprimento, ou falta dele.

Vestiu uma blusa que ressaltava suas curvas e já procurava uma meia calça. Aquela podia ser uma noite decisiva, lembrou-se, passando a maquiagem. Tinha que permanecer calma fria e controlada. Mesmo com Malfoy lhe causando estranhos arrepios. Usaria Draco Malfoy, mas não se deixaria distrair por ele. Aprovando seu reflexo, soltou os cabelos, escovou-os e prender em um alto rabo de cavalo. Seus olhos estavam cuidadosamente pintados, um batom claro ressaltava sua boca carnuda. Estava sexy, feminina e de certa forma prática. Mas sem como esconder uma arma. Maldição! Enfiou a pistola nove milímetros na bolsa, vestiu uma jaqueta de couro pensando na fria noite primaveril e correu para a porta.

Chegaria na hora marcada se pegasse o carro e encontrasse todos os semáforos verdes.

Ao abrir a porta, porém, teve uma surpresa.

- Harry, o que faz aqui?

N/A: Muiiiiito obrigada a Christye-Lupin por ter comentado e por estar betando a fic ^^