"O amor é uma flor delicada, mas é preciso ter coragem para ir colhê-la à beira do precipício..."
OBS: Itachi não é um maluco que matou a família toda ok? -.-"
Capítulo 2: A garotinha Hana
As semanas passaram e Hinata fora todos os dias de folga e finais de semana livres levar a garotinha para que juntas fossem passear pela cidade. Hana ficou vibrante ao ganhar uma nova boneca de pano colorido como ela queria. Enquanto o tempo passava, a garotinha estava mais do que acostumada com a presença da Hyuuga. Quando chegava a hora de irem passear, ela não desgrudava de sua "amigona" e quando a mesma a deixava no orfanato, ela contava quantos dias faltavam para se verem novamente e brincarem de esconde-esconde. Na volta do último passeio que fizeram, Hana no banco de trás do carro, perguntou numa voz tímida e insegura para Hinata:
- Você pode fazer uma coisa para mim, Hina-chan? – perguntou olhando para o teto do carro
- Claro Hana, – ela fitava a garotinha pelo retrovisor – tudo que estiver ao meu alcance...
- O que eu vou pedir é meio difícil... Eu peço pro papai Noel todo ano, mas ele nunca me dá! – reclamou ranzinza
- E o que você quer? – perguntou rindo
- Uma família.
Hinata ao ouvir isso, quase bateu seu carro. Guiou o mesmo até o acostamento e virou-se para encarar a menina com um leve sorriso nos lábios. Isso era exatamente o que queria ouvir, mas de tão encantada, não conseguiu acreditar...
- O que disse? – perguntou com os olhos molhados
- Eu quero uma família... Quero que você seja minha família...
Hinata abriu o maior sorriso que conseguia e depois, não se importou se pareceria ridícula, mas abraçou a menina ternamente, como se não fossem se separar mais. Voltou ao banco de motorista e, antes que pudesse continuar a dirigir, ligou para sua advogada:
- Tenten – ela limpou uma lágrima de felicidade que corria de seus olhos – arrume hoje mesmo os papéis de adoção.
Hinata andava de um lado para o outro nos corredores do hospital. Passava todo o horário de almoço lendo uma lista com todas as cores de tinta possíveis. Já tinha escolhido cinco, mas ainda precisava de mais uma para fazer os testes no futuro quarto de Hana... Andava murmurando: "verde ou azul? Verde ou azul?" Seus colegas de trabalho estranhavam seu comportamento, mas quem é que não ficaria entusiasmado quando está prestes de ganhar um filho? Mesmo que este fosse adotado? Passando perto de Sasuke, a Hyuuga distraída continuava murmurando a mesma frase, provocando certa curiosidade da parte do Uchiha:
- Hinata? – perguntou confuso
- Sasuke! – exclamou como se não o tivesse ainda visto. E de fato, não tinha – Preciso de sua ajuda! – disse colocando as mãos em seu ombro, deixando que a lista em sua mão caísse
- C-claro – disse ainda confuso
- Verde ou azul?
- Como é que é? – arqueou uma das sobrancelhas
- Que cor prefere? Verde ou azul?
- A... Azul.
- Azul claro ou escuro?
- Claro... – disse num fio de voz. Ela abriu um sorriso
- Obrigada! – e apanhando a lista do chão, se pôs a andar em direção ao vestiário feminino – A propósito, seu jaleco está sujo! – gritou ao longe
Mas ele não tinha prestado atenção. Só conseguia olhar Hinata se afastando. A roupa branca combinava muito com ela. Esse era o trabalho perfeito para um anjo: salvar vidas. E Hinata nunca tinha perdido um paciente em sua mesa de cirurgias... Ficou ainda parado, olhando para o fim do corredor que ela acabara de virar. Logo alguém apareceu lhe chamando a atenção:
- Faz tempo que ela não sorri assim hein?
- Faz sim Itachi...
- Acho que a última vez que ela sorriu foi quando você a pediu em casamento, uns três anos atrás...
- Dois – corrigiu
- Ah, que seja! – olhou para o irmão – Seu jaleco está sujo
- Eu sei disso – retrucou mau-humorado, indo direto ao vestiário
Itachi era enfermeiro. Praticamente todos da família Uchiha eram voltados à medicina. A mãe de Sasuke, neurocirurgiã, seu pai cirurgião plástico. Mas Sasuke só entrara para essa área devido ao sonho que tinha de salvar as pessoas. Decidiu isso por pura vocação, mas muitos falaram que era por ele ter visto os pais serem atropelados muitos anos antes. O que não era verdade. Certo que, sentiu por ver seus pais deitados sem vida no meio da rua, mas esse sonho ele tivera desde que se conhecera por gente.
Chegou ao vestiário e colocou outra roupa. Branca obviamente, nada de cores fortes e marcantes como as que a ex-namorada de Itachi usava.
Os vestiários poderiam até ser separados, mas os armários com os jalecos dos médicos e enfermeiros ficavam na mesma ala e, o armário de Sasuke ficava ao lado do armário da Hyuuga. Torceu os dedos para não a encontrar lá, mas foi justamente o contrário:
- Olá Hinata... – disse enquanto girava sua senha no compartimento
- Oi... – respondeu quase num sussurro
Depois disso o silêncio perdurou. Sasuke abriu sua porta primeiro e tirou um jaleco impecavelmente branco. Vestiu-o. Virou-se para Hinata e disse:
- Este está limpo – ela abriu um sorriso
- Está sim. – ela voltou os olhos para a tranca do seu armário que não abria
- Algum problema?
- Esqueci a senha novamente... – olhava para a tranca desapontada
- Mas eu me lembro – disse ele abrindo espaço e girando a tranca.
Duas vezes para a esquerda parando no número quinze. Duas vezes para a direita parando no número dezessete. Três vezes girando para a esquerda parando no quarenta e cinco e então... A porta não abria.
- Está emperrada
- E agora? – perguntou ainda sem fitar os olhos ônix
- Bom, a porta está aberta, só temos que forçá-la para trás. – olhou para ela – Me ajuda?
Hinata olhou espantada para ele, mas lógico que não estava tentando uma aproximação, estava apenas querendo ajudá-la a abrir a porta do armário, concluiu. Respondeu a pergunta do Uchiha afirmando com a cabeça. Ela colocou as mãos finas e delicadas sobre a tranca e Sasuke, por sua vez, colocou suas mãos grandes e fortes por cima das de Hinata. Ela sentiu o calor dele esquentando sua mão fria. Respirou fundo e abaixou de leve o rosto para que ele não visse sua face ruborizada. Ele aproximou o rosto de seu ouvido e disse:
- No três a gente puxa ok? – ela confirmou novamente com a cabeça – Um... Dois... Três!
E os enfermeiros que passavam ali perto escutaram um estrondo entre os armários de metal. Hinata e Sasuke puxaram a porta com tanta força que a tiraram do lugar, fazendo com que os dois batessem com violência nos armários de trás.
Para deixar a situação mais constrangedora, Hinata estava entre a porta fria de metal e o corpo quente de Sasuke, com os rostos bem próximos um do outro:
- Isso não está acontecendo – pensou sem fitá-lo.
Abriu os olhos e olhou na direção de seu armário, agora sem porta. Foi exatamente nessa hora que ela achou a solução:
- A porta! – exclamou apontando para o armário. Sasuke deu as costas para a Hyuuga que respirou aliviada
- É mesmo... Usamos muita força... – ele se abaixou e apanhou o que antes fora uma porta – Pense pelo lado positivo: não terá mais problemas com a porta. – ela riu
- Agora eu tenho que ir... – disse apanhando a bolsa e indo em direção à saída
- Ir? Embora? – perguntou
- Ah sim, eu não lhe disse, desculpe, mas fui liberada antes para poder arrumar o quarto da Hana e... – fora cortada
- Ah sim, pode ir. Até amanhã – e antes que pudesse dizer o mesmo, Sasuke já tinha saído.
Hinata fez o mesmo, seguindo pela escada de serviços que dava acesso ao estacionamento inferior. Enquanto descia as escadas apressadamente, se lembrava do que tinha dito à Sasuke: "...eu não lhe disse, desculpe..." Desculpar-se por quê? Ela não tinha que lhe falar aonde ia! Só Hinata não conseguia parar de tratá-lo como antes, muito menos esquecê-lo... Mas era bom esquecê-lo, não queria passar a impressão de que a menina era só um preenchimento do vazio que sentia agora.
- Hinata, por que demorou tanto? – bronqueava Hanabi ao ver a irmã chegando com uma lata de tinta
A Hyuuga tinha passado antes na loja de matérias de construção e comprado a cor de tinta que Sasuke falou: azul claro. Claro que essa não seria a cor que escolheriam, afinal tinham mais cinco sobrando... Mas para todo caso...
- Fui comprar tinta... – disse mostrando a lata
- Ah tá... Vamos lá! – disse com um sorriso alegre
No quarto de tamanho médio estava Tenten esperando as meninas. Era a primeira vez em muitos anos que Hinata via a amiga sem aquela roupa toda formal... Uma calça jeans desbotada, uma regata branca os cabelos presos por duas tranças... Sua irmã estava da mesma forma com que a médica sempre a via trajes informais como de costume. Hinata também se estranhou ao ver no espelho, em vez de uma roupa impecavelmente branca, uma blusa amarela e uma jardineira jeans que ia até os joelhos.
O quarto estava todo vazio com algumas folhas de jornal no chão para evitar que a tinta manchasse o chão de madeira envernizada. Os testes com a tinta começaram. Hinata deu uma pincelada de tinta na parede para ver o que achavam:
- Rosa? – perguntou Hanabi
- O que vocês acham? – perguntou a Hyuuga também não gostando do efeito que a tinta fizera
- Não sei Hina. Acho que ficou um tanto... – tentava explicar Tenten
- Rosa – concluiu Hanabi.
A cor rosa fora então reprovada. Hinata abriu a lata de tinta que a irmã trouxera. Testaram na parede do quarto, mas a reação não foi das melhores:
- Verde-limão? – exclamou surpresa Hinata
- Ah, eu achei alegre, mas... – tentou desculpar-se analisando a cor
Mais uma vez, outra cor foi testada na parede, essa trazida por Tenten. Acontece que amarelo-dourado ficou muito carregado e lilás...? Lilás era a cor de Hinata, Hana estranharia caso notasse isso. Hanabi tentou mostrar a segunda cor que trouxera:
- Bege! – disse animada
- Mas aí vai ficar parecendo o meu escritório! – protestou Tenten
- Tá bom... – conformou-se Hanabi enquanto via a irmã dando alguns risos por debaixo das mãos que tapavam sua boca – E você Hina, não trouxe outra tinta?
E Hinata trouxera. Justamente a cor que ela achou que iria passar despercebida... Resolveu não contrariar, abriu a lata de tinta que dizia "azul-claro" e, como das outras vezes, testou na parede. Para sua surpresa a cor agradou:
- Esse tom ficou lindo! – exclamou Hanabi
- Hana irá adorar este quarto! – concordou Tenten
- Gostaram mesmo? – perguntou surpresa
- Claro! Você tem um ótimo gosto para tintas Hina – sorriu-lhe a advogada
Elas começaram a se aprontar para pintarem enfim o quarto de azul-claro, a escolha que Sasuke fizera... Iria ficar um pouco mais complicado esquecer Sasuke daquele jeito, mas quem liga? Em meio a risos elas começaram o trabalho.
Já havia anoitecido quando elas terminaram de colocar o último objeto dentro do quarto. As paredes fizeram um lindo contraste com os móveis brancos. Um guarda-roupa de quatro portas, uma penteadeira que Hinata havia comprado numa loja de antiguidades com um espelho de cristal, uma cama de solteira com um edredom rosa – claro, mais uma prateleira branca cheia de ursinhos de pelúcia, bonecas e livros. No chão um tapete indiano que Hana mesma tinha escolhido no caminho para o parque duas semanas antes. Em cima da cabeceira da cama, a janela com uma persiana branca com flores rosa transparentes. Hana iria adorar. Hinata podia até ouvir o comentário da garotinha ao se referir ao quarto: " é lindo Hina-chan!"Riu ao pensar na hipótese. Depois, as três se sentaram no sofá da casa e ficaram comendo pizza de queijo enquanto reprisavam "E o vento levou..." na TV a cabo. Choraram como se nunca tivessem visto ao filme cem vezes, depois, Hanabi e Tenten foram embora. O dia seguinte seria bem lotado, a começar por Hana que a partir de amanha, moraria com ela. A Hyuuga só conseguia rir.
O carro da advogada parou em frente ao Orfanato Santo Anjo, aonde Hana esperava Hinata. A Hyuuga estava com as mãos tremendo, suava frio. Estava nervosa. Queria ser a melhor mãe do mundo para ela, mas a insegurança falava, ou melhor, gritava mais alto. Não que não estivesse pronta, mas conseguiria fazer Hana feliz?
Ela saiu do carro. Estavam no meio do verão, portanto fazia muito calor. Trajava uma saia florida na altura dos joelhos, uma blusa azul-celeste de alcinhas e uma sandália de tiras coloridas. Mal conseguia se manter de pé. Entrou com um sorriso sem fim nos lábios, sentiu como se o maxilar estivesse trincando de tanto que sorria. Mas sua alegria era tanta que não podia evitar. Entrou no salão onde estavam a Madre superiora, algumas malas no chão e Hana. Hana estava linda com um vestido amarelo-claro repleto de borboletas coloridas. Ao ver Hinata, correu em sua direção, abraçando-a como se ela estivesse sumida por anos. Hinata deixou que lágrimas aliviadas corressem por seu rosto ainda mais reluzente. As crianças aplaudiam feliz a ida da amiguinha. Hinata, com Hana no colo, foi se despedir da madre. Ela sorria tristemente e seus olhos demonstravam preocupação:
- Adeus Madre Santinha – disse Hana. Santinha era o apelido da Madre
- Adeus minha querida... – ela olhou para Hinata
- Muito obrigado Madre, não sabe como estou feliz...
- Imagino minha criança... – sorriu ainda mais triste – Boa sorte
O "boa sorte" soou um tanto estranho para Hinata. Podia jurar que a Madre tinha desejado aquilo, não pela experiência de ser mãe, mas sim, por causa da menina. Ora, o que uma garotinha indefesa poderia fazer? Apenas dar alegria! Ignorou seus pensamentos e levou Hana para casa. Agora, sua casa. Hana ficou maravilhada e como Hinata preverá, Hana achou o quarto lindo. Depois de deixarem as malas em casa, as duas foram passar um dia inteiro juntas, como mãe e filha...
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Outro capítulo pronto ^^
Muito obrigado pelos comentários, estou lisonjeada =DD
Agradecimentos:
Hyuuga Samaritana: puxa, que bom que gostou e assim, logo no primeiro capitulo, já colocou a minha FIC nos favoritos??? Uhuuu! \o/
FranHyuuga: Aweee!!! Nossa homenageada apareceu por aqui n.n Que bom que gostou da FIC Fran! Você merece uma FIC boa (não que a minha seja =/) por isso escrevi uma para você. Realmente, o Sasuke de médico num jaleco branco é MARA! *O* Hana ganhou uma mãe e Hinata uma filhinha... Sasuke cutucando Hinata nem com vara curta, foi com palito de dente quebrado mesmo :P A explicação de, porquê o Sasuke ter se separado de Hinata virá com o decorrer da história. P.S.:Quem está rindo feito boba agora sou eu. Hehehe' n.n'
Nyo-mila: obrigada por perguntar n.n Sasuke se separou de Hinata sim, mas isso não quer dizer que o amor acabou... Assim como disse ali em cima, o desenrolar da coisa vem ao decorrer da história. Agora, deixa eu te explicar o pó da bagaceira xD : Hinata adotou a menina, não pelo fato de se sentir sozinha com o divórcio, mas sim, porque ela nunca pôde ter filhos. A história ta complicada, eu sei, mas prometo que vai ficar menos complicada com o passar dos capítulos, ok? (pra falar a verdade, acho que vai ficar mais complicada com o decorrer da história O_O Mas enfim...)
Kinha Oliver: é, eles já começam se divorciando n.n' Sorry =( É que eu pensei: tem tanta FIC que começa feliz e acaba com a separação dos dois... Por que eu não posso fazer o contrário? :DD Tipo: começar a história já em pleno pé de guerra? Hehehe' Mas, que bom que vai continuar a acompanhando, isso é importante pra mim. Valeu! *-*
Espero que tenham aprovado. Aguardo comentários (de xingamento ou não ^^")
Bjuss!!!¹²³
