Depois de jogarem o amigo na cama, saíram mudos. Nenhum deles saberia dizer o porque de todo aquele silêncio. Quando já estavam fora da casa de escorpião Kamus disse:

Foi uma noite e tanto, não?

Sim, foi bem agradável!

Você ajudou o Mu ir pra casa?

Sim, ele também estava um pouco alterado...

Ah,... E quem geralmente te ajuda?

Como assim?

Ah, quando você fica em situação semelhante...

Bom, eu não costumo beber Kamus e...

É, eu sei... Estou sem sono e tentando puxar conversa! Desculpe vou deixá-lo em paz para dormir. – disse isso e virou-se em direção da casa de Sagitário. – Boa noite Shaka.

Espere! – Shaka ouviu-se dizer. Kamus deu meia volta e os olhos de mesma cor mas com tonalidades tão diferentes se encontraram mais uma vez naquela noite.

Talvez pudéssemos conversar um pouco... Eu... é... Também estou sem sono! Kamus sorriu e assentiu com a cabeça.

E eles seguiram para casa do indiano. O fato de estar levando Kamus para sua casa deixou Shaka extremamente preocupado. Queria que o outro se sentisse completamente a vontade. Assim que entraram no templo Shaka pediu para o francês se acomodasse pois iria preparar algo para servir. Kamus aproveitou para observar o local. Era a primeira vez que se via ali dentro. Ficou admirado com o bom gosto do outro e como cada centímetro o lembrava marcantemente. Muito bonito e calmo. Tudo remetia a uma tranqüilidade muito grande! Shaka estava de volta.

Ah... Olha, sei que isso não é atitude de um bom anfitrião mas, você gosta de chá?

Sim...

É que eu revirei a cozinha inteira atrás de outra coisa mas, eu só tomo isso...

Tudo b...

Se você não quiser posso pegar outra coisa na casa do Mu... Não levaria nem um minuto e...

Shaka! – Kamus estava de pé em frente ao loiro. – Tudo bem! Eu adoro chá!

Mesmo? Que bom! Eu também! Quer vir escolher? Eu tenho uma variedade imensa deles...

Quando se virou para irem a cozinha o indiano sentiu o rosto ficar quente de vergonha. O que o fez falar daquele jeito? Parecia um adolescente bobo querendo impressionar alguém... Não havia motivo para tanto nervosismo, é só o Kamus! como Mu disse na festa! Só o velho e bom Kamus na sua cozinha escolhendo o chá que iriam beber para conversar como dois amigos normais que eram! Só isso, seu tolo. Não precisa agir como uma viúva louca! Chegaram à cozinha e Shaka abriu os armários onde estavam guardados os seus potes de chá. Kamus começou a examiná-los. - Pensei que os tivesse em saches... – comentou.

Não gosto desses em sache... Parece água suja...

Ao perceber o constrangimento do outro tentou arrumar.

Mas, se você preferir tenho certeza que o Mu tem... Dou uma passada lá e...

Não precisa... Assim deve ser melhor mesmo...

Tem certeza? É que você parou de falar de repente pensei que preferisse aqueles...

Bom, fiquei um pouco sem graça pois, acho que não poderei te convidar para ir até minha casa...

Por que? Disse algo que você não gostou? Me desculpe eu...

Não é isso... É que eu só tenho chá em sache em casa!

Shaka gargalhou alto e descontroladamente sentindo um profundo alívio.

Ah... Não seja por isso... Você vai experimentar o meu chá eu posso experimentar o seu...

Ou então eu posso fazer um suco... Você gosta de suco?

Sim, muito! – a afirmação saiu mais enfática do que Shaka havia imaginado e os dois caíram de novo em um silêncio profundo. Sem dúvida havia algo errado com eles. Pareciam outras pessoas... Foi Shaka quem quebrou o silêncio.

Já escolheu o que vamos tomar hoje?

Ah é... Ainda não... Bom, são muito né? Qual você recomenda?

Bom, eu gosto de todos eles!

Mas, qual você acha apropriado para essa ocasião? – Kamus nem terminou e já havia se arrependido e emendou rápido. – Para uma conversa...

Cítrico. – o indiano disse mas, o outro ainda estava tentando perceber se sua frase tinha causado algum efeito indesejável.

Como?

O de Frutas Cítricas... É muito bom!

Ah sim... Claro!

O fato de Kamus também estar agindo de forma adversa à normal deixou Shaka mais calmo. E por um motivo ainda desconhecido, feliz! Ainda não sabia explicar o porque se viu sorrindo enquanto colocava a água para esquentar mas, estava se sentindo melhor... Quando se dirigiu ao outro foi de uma forma calma e tranqüila:

Quente?

Um pouco... Ia perguntar: posso abaixar um pouco a temperatura do local? É bem arejado mas,...

Tudo bem mas, eu me referia ao chá. Você o quer quente ou gelado?

Ah... – Kamus sentiu o rosto queimar. – Gelado, por favor...

Está bem... - Os dois silenciaram novamente mas, desta vez, Shaka não deixou o momento se prolongar muito.

Como estava na França? O tempo, quero dizer...

Bem agradável... É bom visitar a terra natal...

Sem dúvida! Fui à Índia... É interessante ver o quanto as coisas mudaram...

É... falar um pouco da própria língua...

Muito bonita inclusive... O Francês!

Você gosta? – perguntou Kamus arqueando suas típicas sobrancelhas.

Muito! – Disse isso num sorriso bem sugestivo e ficou impressionado com a sua própria ousadia. Não sabia mais o que estava fazendo... Seguia cegamente seus impulsos e pela primeira vez não ligou para as conseqüências! Só queria ver onde isso tudo iria dar!

Devia aprender... Não é difícil...

Só se você me ensinasse... – "Nossa! Acho que peguei pesado", pensou Shaka tentando não demonstrar confusão.

Eu? – disse um Kamus totalmente surpreso.

Bom, não conheço mais ninguém que fale francês e, bom, você é francês...

Nunca ensinei ninguém e...

Ah, se você não tiver tempo tudo bem... É só uma vontade que já tive...

Não! Eu tenho tempo sim... É que nunca tinha pensado nisso... Mas, tudo bem!

Mesmo? Não quero te atrapalhar...

Você não me atrapalha... É... Vai ser bom pra mim também... Vou poder ficar em contato com a língua e com...

Muito obrigado! Podemos começar quando?

Bom, hoje mesmo... Se você não se importar...