NO PARQUE

Lá estávamos nós, sentadas à sombra de uma árvore frondosa.

Eu prestava atenção em todos os corredores do parque. Rosálie e Alice discutiam algo sobre o vestido perfeito para cada tipo de corpo e Ângela lia um romance, encostada na árvore.

Depois de varrer o parque com os olhos solto um suspiro e deito na grama.

- Ele não está aqui? – Perguntou Ang com a cara enterrada no livro.

- Não... Acho que ele mudou o horário da caminhada dele... – Respondi olhando pra folhas.

- Sinceramente Bella, não está na hora de partir pra outra, não? – Perguntou Rose, interrompendo sua discussão com Alice. – Faz três meses que você fica o vendo correr e não toma nenhuma iniciativa, você não sabe nada sobre ele. Só que ele corre no parque...

Rose tinha razão. Eu estava sendo boba perdendo minhas tarde nesse parque só pra ver ele correr.

Três meses... Minhas férias passaram bem rápido. Parece que foi ontem que o vi pela primeira vez. Era o nosso primeiro dia de férias e após passar o dia andando pelo centro da cidade resolvemos descansar no parque e tomar um sorvete.

As meninas sentaram à sombra daquela mesma árvore e pediram para eu comprar os sorvetes. Fui sem criar caso. Enquanto esperava ao lado do carrinho pelo troco ele chegou. Como era lindo. Alto, pele branca, os cabelos bronze eram desarrumados, os olhos de um verde luminoso, seu corpo era definido. Dava pra nota pela sua blusa branca de algodão que definia bem a sua forma. Na manga direita um pequeno ipod azul estava preso. Usava calças moletom cinza e um tênis de corrida.

Levei um susto quando o vendedor de sorvete me chamou com um "ei!" estendendo o troco. Atrapalhando-me com o dinheiro a carteira caiu no chão e quando eu ia me abaixar pra pegar ele já estendia ela pra mim com um sorriso torto no rosto. Peguei muito ruborizada, murmurei um obrigada baixinho e sai correndo dali corando furiosamente.

Desse dia em diante as minhas visitas ao parque ficarem freqüentes só para eu ter o prazer de o ver correndo. Minhas amigas acharam ótimo eu estar afim de alguém pela primeira vez após ter dispensado todos os considerados "bons partidos" tanto por elas como pela minha família. Mas depois de algumas semanas elas começaram achar melhor eu desistir. Hoje faz uma semana que eu não o vejo. Sinto-me desanimada, pois minhas aulas começam amanhã e eu não poderia visitar o parque como antes.

- Ai, amiga, não fica triste não. – Disse Alice fazendo carinha de dó. – É só o primeiro amor. Você é nova outros virão. Não precisa ficar assim por um amor platônico.

- "Platônico." – Repeti fazendo careta. – Eu não o amo. Na verdade eu não amo ninguém, não me apaixono. Principalmente algo platônico, isso são coisas de livros. – Disse fazendo cara de enjoada.

- Claro que não é assim. Todos se apaixonam. – Alice falou sonhadora. Ela falava assim desde que conheceu o irmão gêmeo de Rosálie, Jasper, aparentemente os dois se gostavam, mas os dois eram muito tímidos pra chegarem um no outro.

- Desculpe Alice, mas eu não sou como os outros. – Disse empinando o nariz.

- Bella, - Rose me chamando delicadamente. – Você está parecendo uma criança birrenta. – Depois ela subiu o tom, sua voz ficou indignada. – E mais, Isabella Swan, - odeio quando ela diz meu nome desse jeito. – Me poupe. Olhe quem você é. Você é poderosa, rica, bonita, inteligente... E o corredor pode muito bem ser um Zé Ninguém.

Agora Rosálie conseguiu. Eu estava vermelha de raiva. Ela era absurda. Não podia dizer aquilo do corredor. Ela não o conhecia e por mais que ele fosse um "Zé Ninguém" o que importa é o interior dele.

- E tem mais Swan você é boa demais pra estar numa situação desta. Então acho melhor você resolver o que vai querer da vida. Pois você não ganha nada dispensando todos os caras solteiros da alta sociedade. A não ser que queira passar o resto dos seus dias numa casa cheia de gatos.

Minha vontade era de pular em cima dela e dá uma surra nela. Mas eu precisava me controlar. Rose falava aquilo para o meu bem. Respirei fundo. Olhei para as folhas, esperando que a raiva passasse quando voltei a olhá-la sua expressão se dividia entre calculista e preocupada.

- Vamos pra casa. Prometi que chegaria cedo. Minha família deve estar preocupada e logo vai mandar algum segurança atrás de mim.

Elas concordaram e saímos andando para a rua. No caminho as meninas iam combinando uma tarde de compras para amanhã. Não estava com vontade de ir. Quando chegamos ao portão do parque dei uma ultima olhada rápida. Ele realmente não estava. Despedi-me das meninas e fui pra casa.