Atendendo a pedidos: Capítulo 1 de "Renegado"!!!

N/A:Esta é uma história de ficção,sem pretensões filosóficas,religiosas ou afins. Os temas aqui tratados retratam apenas uma história,sem qualquer relação com fatos ,e não tem a intenção de influenciar e tampouco induzir qualquer tipo de pensamento ou comportamento com relação aos temas que serão abordados.

Disclaimer: Alguns personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling, Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Entertainment. Essa estória não possui fins lucrativos.

A história está estruturada assim:

Texto normal:Narração dos fatos por Scorpius Malfoy.

Texto em itálico:Flashbacks,em 3ª pessoa.

Texto em negrito: trechos da música.



"O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença".

Érico Veríssimo

E um dia se atreveu a olhar pro alto...

Eu passei toda a minha vida procurando uma migalha do amor dele, mas nunca encontrei.

Tudo o que ele me reservou por toda a minha vida foi o ódio e o desprezo.

Tudo começou quando eu era apenas vida dentro do ventre de minha mãe. Ou, como dizia meu pai, quando ela teve a infelicidade de me conceber.

Draco Malfoy chegou ao local marcado quase uma hora depois do horário combinado.

-O que é, Astoria? O que você quer? Recebi dezenas de corujas suas nas últimas 24 horas. O que aconteceu?

-Precisamos conversar.

-Estamos conversando, fala logo.

-Estou grávida. E o filho é seu.

Draco empalideceu e congelou.

-O quê? Terminamos há um mês, como você pode estar grávida?

-Estou com dois meses de gravidez, acabei de descobrir.

-Como isso foi acontecer?

-Como? –Perguntou a moça, irônica. –Bem, você disse algumas coisas muito interessantes, fomos para a sua casa e...

-Pare com as gracinhas!E então, o que pretende fazer?

-A pergunta é o que VOCÊ pretende fazer.

-Eu? Não tenho nada para fazer. Você inventou, você resolve.

-Eu inventei? Não fiz o filho sozinha! Você sabe muito bem qual é o seu papel!

Ele a olhou desdenhoso.

-Nem pense nisso. Não vou me casar com você.

-Por que não? Há dois meses você dizia que eu era a melhor mulher do mundo.

-Isso foi antes dela.

-Que "ela" ?

-Você sabe muito bem que estou saindo com a Hermione Granger.

-Ah,claro. A grande e perfeita Hermione Granger.

-Pare de palhaçada! Eu custei muito a ter uma chance com ela e não vou pôr tudo a perder por sua causa. O que você quer? Ajuda para acabar com isso?

-Acabar? Você está louco! Vou ter o meu filho, você querendo ou não.

-Você é quem sabe. Darei meu nome a ele e só. Não vou me casar com você.

-Ótimo. Tudo bem.

Draco virou-se para sair. Astoria então disse, numa voz baixa e letal:

-Experimente me transformar numa mãe solteira e eu vou lhe mostrar o porquê de minha família ser conhecida por ter as mulheres mais vingativas do mundo bruxo. Garanto que se arrependerá.

-Eu não amo você!Amo Hermione!Você vai se meter no meio da minha felicidade assim?

-Vou fazer o que precisar para que meu filho tenha uma família decente.

Assim, após alguns meses, meus pais estavam casados. Eu tinha um nome e uma família. Só não tinha o amor do meu pai.

O bebê chorava, enquanto a mãe tentava acalmá-lo.

-Faça esse garoto calar a boca, Astoria!

-Estou tentando, mas não sei o que ele tem. Deve estar sentindo alguma coisa!

-Não me interessa, faça-o se calar, eu quero dormir!

-Me ajude então! Não esqueça que você é o pai, preciso de ajuda agora, pare de reclamar e faça alguma coisa!

-Vou fazer, sem dúvida.

E saiu do quarto, deixando a esposa sozinha com o filho recém nascido.

"E um dia se atreveu a olhar pro alto

Tinha um céu, mas não era azul..."

Meu pai nunca fez a menor questão de disfarçar que não gostava de mim. Enquanto outros bruxos demonstravam orgulho por suas crias, sobretudo meninos que dariam continuidade ao nome da família, meu pai apenas me desprezava. Eu era um fardo que ele se via obrigado a carregar.

Mas indiferente a tudo, eu o amava. Estava sempre em busca de um minuto de atenção, do carinho que nunca veio. Sempre buscando um colo, a mão dele para me dar segurança. Mas aquelas mãos apenas me afastavam. Os braços dele estavam tão fechados para mim quanto seu coração.

No meu primeiro aniversário, papai permitiu que mamãe fizesse uma festa com tudo o que desejasse. Cada desejo e capricho dela foram realizados para comemorar meu primeiro ano de vida. Não porque ele quisesse uma bela festa. Era apenas porque seria mais fácil do que ouvi-la fazendo cobranças.

No dia da festa, tudo estava perfeito. Minha mãe cuidara de cada detalhe, desde o bolo e a decoração até as roupas dela, minhas e do meu pai. Muitas pessoas compareceram à festa para nos prestigiar, mas uma ausência era notada por todos logo após chegarem à festa.

A ausência do meu pai.

Todos perguntavam onde estava o pai daquela criança tão bonita. Minha mãe dava desculpas, acreditando que ele apareceria. Mas a festa passou, cantou-se o parabéns, o bolo foi cortado e nem sinal dele.

Sem suportar, minha mãe procurou um lugar reservado e chorou, ao ver o filho sendo desprezado em pleno aniversário. Ela nunca superou isso. O álbum de fotos onde eu aparecia somente com ela lhe doía como uma dor física.

Naquele dia meu pai não voltou para casa.

Ele só apareceu do dia seguinte, com cheiro de uísque de fogo e gritou para minha mãe o motivo de sua ausência na festa:

-Eu não tinha por que comemorar! O nascimento dele representou a minha morte! A morte dos meus planos, da minha felicidade, do meu amor por Hermione! Não tinha porque estar lá comemorando a vida desse menino!


O tempo não me ajudava em nada. Na verdade, parecia potencializar a raiva do meu pai.

Quando completei quatro anos, minha mãe começou a cuidar da minha educação. Era hora de aprender a ler e escrever.

Logo depois de aprender a escrever o meu nome e o de minha mãe, quis aprender a escrever o do meu pai.

-Você começa com essa letra aqui. "D".

-"D" de papai?

-Não, filho. "D" de Draco. O nome do papai.

-"D" de Draco. Papai Draco.

Aprendi rapidamente a escrever o nome dele, o meu ídolo. O homem que eu queria ser. Logo nos primeiros dias, escrevi um grande "D" e fui mostrar a ele, orgulhoso. Ele apenas olhou, deu as costas e se afastou. Não se deu sequer o trabalho de pegar o papel.

Dias depois, aprendi a escrever o nome dele. Fui feliz lhe mostrar, acompanhado da minha mãe. Ele olhou por dois segundos. Depois amassou o papel e jogando-o no lixo disse:" Quando você aprender alguma coisa útil,aí sim venha me importunar".

Mamãe me retirou dali, sem saber o que dizer.

Na minha cabeça de criança, arrumei uma desculpa qualquer para a atitude do meu pai. Talvez ele estivesse ocupado demais, ou cansado. Qualquer coisa, menos acreditar que ele não estava se importando com nada que eu fizesse.


E a vida seguia. A cada dia eu buscava aquele amor que meu pai me negava. Qualquer coisa que viesse dele, um carinho, um olhar, uma palavra, qualquer coisa que me fizesse sentir filho, querido, bem-vindo. Mas como isso não acontecia, eu continuava sofrendo com o desprezo dele.

Talvez fosse a necessidade de estar perto dele o que me fazia procurá-lo,mesmo sabendo o tipo de tratamento que eu receberia. Eu simplesmente não conseguia detestar meu pai. Eu tinha esperança de ser amado. Afinal de contas, eu sequer sabia por que ele me tratava daquele jeito.

Quando eu tinha sete anos, conheci aquela que, anos mais tarde, eu saberia que era a razão por eu ser tão ignorado: Hermione Jane Weasley .

Meus pais e eu estávamos em Beco Diagonal. Era um dia realmente feliz. Mamãe tinha convidado papai para ir conosco até o local, na tentativa de termos um dia em família. Milagrosamente ele aceitou.

Eu estava satisfeitíssimo em andar com as duas pessoas que eu mais amava naquele lugar tão interessante. E a presença do meu pai era tão rara que para mim parecia um presente de sonho, daqueles que a gente espera ganhar no Natal.

-Draco, eu gostaria de ir à loja de Madame Malkin encomendar um vestido. Você se importa de ficar com o Corpie alguns instantes?

Draco grunhiu alguma coisa, concordando.

Astoria olhou para o filho, sorrindo e o incentivou com um olhar, pedindo que não aborrecesse o pai.

Eu estava absolutamente feliz: pela primeira vez me via andando só com meu pai pelas ruas, sob a proteção dele, sob seus cuidados. Ele olhava vitrines a esmo. Querendo dizer qualquer coisa, pedi que ele me levasse à sorveteria de Florestan Fortescue. Ele concordou. Eu não estava acreditando! Éramos pai e filho pela primeira vez.

Fomos andando, meu pai se distraiu com algumas coisas e eu distraidamente parei diante de uma loja de logros e brincadeiras. Parecia muito interessante. Dei um passo em direção à porta, mas senti meu pai me segurando pelo ombro.

-Pare, Scorpius. Não quero que entre aí.

Nem pensei em insistir: não queria fazer nada que aborrecesse meu pai. Mas quando íamos nos afastando, uma mulher de cabelos castanhos e cheios e muito simpática apareceu, junto com um garotinho.

-Olá Draco! Tudo bem?

-Hermione! Que surpresa encontrá-la.

-Estou visitando Jorge e aproveitei para trazer as crianças. Então esse é Scorpius? Olá, Scorpius!

Scorpius sorriu e Hermione lhe deu um beijinho no rosto.

-Então, como está, Draco? Nunca mais o vi!

-É verdade. Já faz tempo desde a última vez que nos encontramos.

-E Astoria, está bem?

-Sim. Está comprando vestidos agora.

A jovem sorriu.

-Sinto sua falta, Hermione. Não há um dia em que não pense nas nossas vidas, como estariam se... –E lançou um olhar amargurado para o filho.

-Não pense assim, Draco. Não era para ser. Tentamos, começamos, mas se não foi possível, temos que aceitar isso. E veja que lindas famílias formamos!

-Eu não perdi a esperança de ter você mais uma vez.

Hermione ficou séria.

-Respeite-me, Draco. Sou uma mulher casada e amo o meu marido.

-Não quero que o deixe, só queria você, uma última vez.

-Não existe a menor possibilidade.

-Uma despedida...

-Nunca! Você me ofende com essas palavras. Tenha respeito, seu filho está bem aqui do lado!

Os dois olharam para o menino, que estava distraído olhando a vitrine.

-Bem, Draco. Foi um prazer falar com você. Parabéns, seu filho é lindo.

Ela entrou na loja e Draco não pôde mais vê-la.

Irritado com as lembranças do passado onde ele e Hermione eram um casal, pensando na infelicidade de seu casamento, Draco olhou novamente para o filho.

Aquele menino.

A razão por não ter a mulher de seus sonhos.

Querendo descarregar sua frustração, aproximou-se do menino. Ergueu o braço e lhe deu um, dois, três socos nas costas.

Eu tomei um susto. Momentos atrás estava tão feliz, e agora estava apanhando-e nem sabia o porquê. Olhei para o meu pai, querendo entender, e tudo o que eu vi foi seu rosto cheio de ódio.

Eu estava chorando. A dor da agressão era grande, mas não era maior do que a decepção de ver aquele passeio se transformar naquela cena. Eu o olhava, perguntando "por que" com o meu olhar. Mas ele não tinha a resposta. Ele nunca tinha. Ele não se importava com o que eu estivesse sentindo.

Como que atraída por um ímã, apareceu minha mãe. Tinha visto o que meu pai fez e correu para mim, indignada.

-Você enlouqueceu, Draco? Por que bateu no menino?

-Estou dando educação a ele, já que você não faz isso.

-Educação? Você agrediu o seu filho covardemente!-Olhou ao redor e viu algumas pessoas que observavam a cena, chocadas. –E o expôs diante de todos! –Sibilou, enquanto abraçava o filho, protegendo-o dos olhares curiosos.

Draco lhes lançou um olhar cheio de raiva e desprezo. "Vamos embora", disse, adiantando-se e deixando os dois para trás.

Astoria abaixou-se para ver o filho, que soluçava.

-O que houve, querido? Por que ele bateu em você?

-Não sei, mãe. Eu estava olhando para aquela loja e ele estava conversando com aquela moça ali - apontou discretamente para Hermione, que passou por eles e a cumprimentou com um discreto movimento da cabeça. –Então ela entrou na loja e quando eu percebi já estava apanhando.

Astoria contraiu os lábios, com raiva. Por causa dela. Seu filho tinha sido agredido por causa dela.

-Tudo bem, filho. Mamãe está aqui agora para cuidar de você. Vamos. A sorveteria fica para outro dia, está bem?

Segurando a mão do filho, Astoria ergueu a cabeça de forma altiva e foi embora.


Astoria Malfoy era o retrato da infelicidade.

Mamãe era figura de destaque entre as bruxas. Admirada por umas e invejada por outras. Admirada por ter feito um bom casamento e construído uma família feliz. Invejada por ter dado o "golpe da barriga" e ter conseguido um marido rico e bem posicionado na sociedade bruxa.

O que ninguém sabia é que tanto umas quanto outras estavam erradas: Mamãe não tinha engravidado de propósito. E não tinha uma família feliz.

É bem verdade que pressionou papai para que se casassem, mas foi apenas por querer que eu tivesse uma vida digna, uma família bem estruturada e um nome. Ela jamais imaginou que passaria toda a minha vida lutando para que aquele grupo se transformasse de fato em uma família.

A cada amanhecer ela renovava a esperança de ver o marido e o filho unidos. Mas cada dia se revelava uma nova decepção. Tudo dava errado, eu continuava excluído e ela era uma mera peça decorativa na vida do meu pai.

Nunca teve outros filhos. Jamais se atreveu sequer a pensar nisso. O medo de ver mais um filho desprezado pelo pai foi maior do que o desejo de ter uma menina ou outro garoto. Assim, ela se dedicava a tentar fazer com que seu único filho fosse feliz.

O desprezo que ele reservava a ela só não era maior do que o reservado a mim. Embora ela se esmerasse em tudo o que fazia, nunca recebia um elogio e reconhecimento. De fato, o único momento em que meu pai a tratava com algum carinho era quando queria que ela cumprisse suas "obrigações de esposa". Ela ainda era obrigada a conviver com a infidelidade do marido, que sequer se dava o trabalho de ocultar as traições e a expunha à humilhação pública, saindo com várias mulheres em locais públicos.

Como se não bastasse, ainda sofria as pressões da Família Malfoy, que cobrava sua postura de esposa perfeita e feliz.

-Astória, você não parece bem.

-Impressão sua, Narcisa.

-Não é não, querida. Você está com algum problema?

A jovem suspirou.

-É o de sempre, Narcisa: Draco! Ele continua destratando o menino!

Narcisa se mexeu, incomodada.

-Sim, isso é uma questão delicada.

-Delicada? É trágica! Ele nem olha para o filho! Corpie é louco por ele, está sempre em busca de atenção, e tudo o que Draco faz é desprezá-lo! Eu já estou farta! Já pensei até em ir embora com meu menino. Não agüento mais vê-lo sendo maltratado.

Narcisa ficou nervosa, mas tentando se controlar, disse:

-Você não vai a lugar algum. É uma Malfoy. Porte-se como tal. Seja paciente, querida. Uma esposa deve ser sempre compreensiva. Deve saber suportar.

-Eu suportaria o descaso dele com relação a mim. O que não posso suportar é o modo como ele trata Corpie.

-Seja paciente! –Repetiu Narcisa. –Draco foi surpreendido quando você ficou grávida, foi tudo de repente. Ele ainda é bem jovem, é natural que se sinta inseguro. Seja compreensiva!

-E eu não fui surpreendida? Eu não sou jovem? Por favor! É hora de ele agir como um homem e assumir o filho de uma vez!

-Escute aqui, mocinha: você deu um nome ao seu filho e casou-se com um dos melhores partidos de nossa raça. Que mais você quer? Não reclame! Não é mais do que sua obrigação ser uma boa esposa. Trate de se comportar como esperamos e honrar o nome de nossa família!

Assim era a vida de Astoria Malfoy.

Infeliz como a do filho, amargando o fracasso de não conseguir construir uma família de verdade.


Quando fiz 11 anos, tive a certeza de que era odiado pelo meu pai.

Após completar a idade, recebi a carta de Hogwarts. Mal me contive quando a coruja chegou. Li a carta animado, mais de cinco vezes seguidas. Eu era um bruxo! Meu medo de não ter poderes mágicos acabou na hora. Minha mãe não cabia em si de tanta felicidade. Logo estávamos fazendo planos para meus anos em Hogwarts.

Mas para ele, não era nada demais.

Meu pai simplesmente disse:

-Não é mais do que uma obrigação você ser aceito em Hogwarts, afinal, você é um Malfoy.

O descaso dele gerou uma das piores brigas que tiveram. Foi a primeira vez que vi mamãe se descontrolar.

A família Malfoy estava à mesa, durante o jantar.

-Draco, vou sair para comprar o material de Scorpius no Beco Diagonal amanhã. Quero que você venha conosco.

-Para quê? Você não sabe o que fazer? Vá lá e faça.

-Não se trata de saber ou não, Draco. –Respondeu Astoria, ficando vermelha- A questão é que você poderia dar um pouco mais de atenção a ele neste momento.

Scorpius abaixou a cabeça, encarando o prato e tentando fingir que não ouvia.

-Não venha me perturbar com isso. Esse é seu papel de mãe: ir com o garoto resolver tudo o que ele precisar. Tenho mais o que fazer.

-Você é um irresponsável! –Astoria exclamou, descontrolando-se.-Seu filho é uma dádiva, e agora está prestes a iniciar uma nova fase, e você não dá o mínimo valor! Que tipo de homem é você?

Draco a fuzilou com o olhar e disse, rispidamente:

-Cale essa boca e me deixe jantar em paz.

-Não me calo! –A mulher gritou, levantando-se e atirando o guardanapo na mesa. -Estou farta, ouviu bem? Farta de seu descaso! Você é um grosseiro! O menino ama você, o tem como um ídolo, e tudo o que você faz é desprezá-lo! Não tem vergonha de ser tão covarde, pisando nos sentimentos dele? Você é mau, cruel, estúpido!

Draco também ficou vermelho, vendo a esposa desacatando-o na frente do filho. Olhava para ela com um ódio mortal. Com um sussurro letal, disse:

-Cale a boca e sente-se, estou perdendo a paciência.

-NÃO ME CALO! Não vou mais abaixar a cabeça e deixar você tripudiando sobre os sentimentos do menino! Não custa nada você fazer papel de homem uma vez na vida, seu cretino!

-Agora chega! –Draco levantou-se e agarrou as vestes da esposa. –Quem você pensa que é para falar assim comigo, mulher?

-Sou sua esposa infeliz e desprezada! Vá para o seu quarto, Corpie! –Astoria ordenou, querendo poupar o menino daquela cena.

-Cuidado com o que fala! Eu não vou tolerar esse comportamento!

-Pouco me importa o que você vai ou não tolerar! Scorpius, para o quarto, agora!

O menino saiu da mesa.

-Mamãe...

-Obedeça, filho!

Assustado com a cena, o menino se retirou, mas não foi para o quarto: escondeu-se na escada, dividido entre cumprir a ordem recebida ou tirar a mãe daquela situação. Ali ouviu os pais continuarem brigando.

Draco soltou as vestes da esposa e continuou:

-Você passou dos limites. Sou seu marido e você me deve respeito

-Não lhe devo respeito algum, se você age como um porco!

-Cuidado com essa boca, Astoria–advertiu Draco, cada vez mais furioso.

-Cuidado você! Incapaz de ser um bom marido, incapaz de ser um bom pai, você não passa de um covarde fracassado!

-Eu já mandei calar a boca!

Scorpius ouviu o grito do pai, seguido de uma pancada surda e uma exclamação de surpresa. Logo após, ouviu os soluços da mãe.

-Era só o que faltava, não é, Draco? Francamente, eu não esperava isso de você, apesar de tudo.

-Saia da minha frente. Vá para o quarto.

Scorpius subiu as escadas ao ouvir os passos da mãe. Esperou-a na porta do próprio quarto.

Segundos depois ela apareceu. De cabeça baixa, enxugava lágrimas que corriam fartas por seu rosto. Ao atingir o alto da escada, parou, levando as mãos ao rosto e chorando tanto que seu corpo sacudia-se.

Assustado e penalizado, Scorpius murmurou um chamado. Só então Astoria o notou e demonstrou espanto ao vê-lo ali.

-Filho, você ainda não foi se deitar?-Perguntou, tentando se recompor. -Vá, meu querido. Amanhã iremos ao Beco Diagonal.

O menino abraçou a mãe. Ela segurou as lágrimas.

-O papai bateu na senhora?

Astoria olhou para o menino, constrangida.

-N-Não, meu filho.-Gaguejou. - Nós apenas conversamos. Perdoe a mamãe. Eu não devia ter ficado nervosa.

Ela entrou com o filho no quarto. Esperou-o terminar de escovar os dentes e vestir o pijama e o pôs para dormir.

-Durma bem, meu filho. Não esqueça que eu te amo.

-Eu te amo mais, mãe.

-Não, eu que te amo mais-ela disse sorrindo. O filho a beijou e ela acariciou seus cabelos até que dormisse.

Bem mais tarde, Draco entrou no quarto e empurrou a esposa para fora grosseiramente, deixando o menino no único momento em que tinha paz naquela casa.

No dia seguinte a essa briga, mamãe e eu fomos ao Beco Diagonal e nos distraímos comprando o meu material escolar.

Ela usava o cabelo penteado para o lado, escondendo metade do rosto. Mesmo assim eu consegui ver a marca deixada pelo anel do meu pai. Por algum motivo ela não quis usar um feitiço para apagá-la.

Como eu, ela procurara uma justificativa para o comportamento dele. E acabou se convencendo de que fora a culpada, por ter se descontrolado e tê-lo desacatado.

Era um poder estranho, aquele do meu pai: o de nos fazer acreditar que sempre estávamos errados.


O último dia antes de ir pra Hogwarts foi bem difícil.

Minha mãe passou o dia todo bem triste. Eu sabia o porquê. A partir do dia seguinte ela estaria só. Não haveria alguém por quem se dedicar. Não haveria de quem cuidar. Ela seria a viúva de um marido vivo.

Ainda assim tentou me animar, falando sobre o quanto eu aprenderia e quantos amigos faria. Eu procurei passar a maior parte do tempo perto dela. Sentia saudades por antecipação.

Mas apesar de tudo não esquecia o meu pai. Não conseguia detestá-lo, mesmo sendo desprezado. E se sentia saudades da mamãe, sentia dele mais ainda, porque nem as migalhas que estava acostumado a receber eu teria mais.

À noite, depois de ter ido me deitar, senti uma enorme vontade de falar com ele. Sabia que provavelmente ele me espantaria, inventaria uma desculpa para me afastar, mas mesmo assim saí do meu quarto para tentar ficar com ele pelo menos um pouquinho. Saí do meu quarto e fui em direção ao escritório, onde ele costumava ler antes de dormir.

Ao chegar lá percebi que ele e a minha mãe estavam conversando. Certamente ela tinha levado uma xícara de chá para ele, como de costume.

Não sei por que, mas não entrei. Fiquei ali na porta ouvindo a conversa. Não era hábito meu ouvir atrás das portas, mas alguma coisa me prendeu ali.

-Draco, ele vai partir amanhã. Vamos ficar um bom tempo longe dele.

-Eu sei, Astoria.

-Ele o ama demais. Você é o ídolo dele. Nunca vi um filho gostar tanto do pai. Não desperdice o amor do menino, Draco. O que custa você fazer um esforço?

-Custa muito, você sabe.

-Já era tempo de você aprender a amá-lo, Draco. Sei que a situação foi imprevista, não foi planejado, mas já se passaram onze anos! Ele é um menino tão bom! Tenho a certeza de que se você se abrisse para ele...

-Pare com isso. É inútil.

-Você poderia ao menos conversar com ele um pouco, Draco. Só um pouco, amanhã de manhã. Conte a ele como foram seus anos em Hogwarts, quantas coisas aprendeu, fale de sua Casa. Qualquer coisa, mas fale com ele! O menino deve estar inseguro, vai ser tão importante conversar com o pai!

-Escute bem o que vou lhe dizer, Astoria. Ouça e entenda. Quando aceitei me casar com você, prometi dar um nome e uma família a seu filho. Não prometi amá-lo.

Scorpius sentiu um aperto no coração.

-Sei que não prometeu. Mas não custa nada ser um pouco mais flexível. Ele é seu filho, Draco, quer você queira, quer não!

-Eu o odeio! Você sabe disso! Não sou capaz de amá-lo, você sabe o que ele significa na minha vida!

-Não diga uma coisa dessas! Draco, por Merlin, é seu filho! Sangue do seu sangue!

-Ele é uma pedra no meu caminho! Por causa dele estou casado com você, e não com Hermione! Estou preso nesse casamento insuportável por causa desse maldito menino!

-Você está louco, só pode ser! –Disse Astoria, as lágrimas descendo pelo rosto, suas mãos na boca, chocada.

-Não estou louco. Essa é a verdade! Não amo você, nunca amei. Não amo seu filho, aliás, eu o detesto. Lamento que ele exista. Vejo os filhos de Hermione invejando porque não são meus. Vejo você e lamento porque não é ela. E tudo por que? Por causa desse maldito garoto!

-Eu não tenho que ouvir essas coisas - disse Astoria, desnorteada, ficando em pé. Chorando muito, saiu do escritório. Scorpius já tinha saído da porta.

Aquelas palavras doeram como uma maldição imperdoável. Nada do que ele me disse durante todos aqueles anos me machucou tanto.

Ele me odiava. Realmente me odiava. Simplesmente pelo fato de eu existir. A minha presença era o suficiente para que ele se sentisse infeliz.

Sentei no meu quarto e abaixei a cabeça. "Não amo seu filho, aliás, eu o detesto. Lamento que ele exista."Aquelas palavras martelavam a minha cabeça. O meu pai, meu exemplo, meu ídolo, me odiava. Detestava a minha mãe, detestava a família que nós éramos.

Comecei a chorar. Me senti tão só e vazio quanto é possível. Eu queria sumir dali e deixar de ser um problema. Sem mim não haveria o Draco infeliz nem a Astoria desprezada.

"No cansaço de tentar

Quis desistir..."

Algum tempo depois minha mãe entrou no quarto. Ela parecia pressentir quando eu estava mal. Me viu sentado no escuro e perguntou por que eu estava chorando. Eu disse que era saudades, porque iria para a Escola de Magia no dia seguinte. Ela me abraçou e ficamos abraçados por muito tempo, sofrendo com a mesma dor, sem que ela soubesse. Ela já sofria demais. Não precisava saber do que eu estava sentindo e ficar ainda mais angustiada.

Na manhã seguinte, mamãe me arrumou caprichosamente: minhas vestes estavam impecáveis, meu material organizado. Tudo perfeito. Ela sorria orgulhosa para mim.

-Você será muito feliz na escola, querido. Fará muitos amigos e aprenderá bastante. Aproveite! Quero que se torne um grande bruxo.

-Vou me esforçar bastante, mamãe. Eu prometo!

Combinávamos a freqüência com que nos comunicaríamos e tudo o que eu contaria nas próximas cartas, quando ele chegou.

Papai sentou-se à mesa, sem nada dizer. Tomou o café da manhã e disse apenas: "Se apressem. Não temos a manhã inteira".

Já na estação, eu e mamãe estávamos muito quietos. Sentíamos uma saudade enorme e nossos olhares mostravam a falta que faríamos um ao outro. Em meio à névoa formada pelo vapor do trem que me levaria à escola, mamãe me abraçava, querendo me passar confiança.

De repente a névoa dissipou. Papai olhou para um lado e percebeu que um grupo de pessoas nos observava. Olhei para o grupo e reconheci a Hermione de anos atrás. Senti as mãos de minha mãe fazendo uma leve pressão em meus ombros.

-Vamos- disse meu pai, e nos levou para outro lado.

Minha mãe pareceu pouco à vontade após ver Hermione.

-Então os filhos da Weasley também estão indo para Hogwarts.

-É o que parece, não?

-A filha dela é bem bonita.

-Ora, faça me o favor. Não seja hipócrita. Sei muito bem o que sente por ela e pela família.

-Não sinto nada demais, Draco. Eles não têm culpa de nada.

-Ora ora ora... Daqui a pouco você vai me dizer que quer que o Scorpius case com a Weasleyzinha. Era só o que faltava.

Olhou para o menino com desprezo.

-Mas acho que de você devo esperar isso mesmo: ver um Malfoy interessado por trouxas.

Scorpius olhou para a mãe. Ela ergueu as sobrancelhas, com um olhar resignado, dizendo-lhe que ignorasse o comentário do pai.

As portas do trem começaram a ser fechadas. O menino então aproximou-se do ouvido da mãe e disse:

-Vou ser o melhor estudante de Hogwarts, mãe. Vou me dedicar muito. Vou ser o melhor aluno e papai terá orgulho de mim. Vou fazer ele agradecer à senhora pelo filho que tem. Vou fazer com que ele me aceite.

-Ah, Corpie!

A jovem mãe abraçou o filho com força, lágrimas lhe escorriam pelo rosto.

-Sentirei muito a sua falta, filho. Mas sei que estará bem. E sei que terei muito orgulho de você sempre, querido!

-Seja feliz mamãe! Você é linda! E eu te amo demais!

Ela segurou as mãos do menino e as beijou.

-Ande, Astoria. As portas estão fechando. Quer que ele fique para trás?

Astoria deu um último beijo no filho. Draco o segurou pelo braço e conduziu-o ao trem. O menino subiu e fitou o pai.

-Comporte-se. –Foi a única recomendação que deu ao filho.

-Amo você, papai.

Draco piscou os olhos e virou-se. Astoria olhava para o filho, sem conseguir parar de chorar.

Assim, o trem partiu, levando o menino inseguro, mas cheio de esperanças de se redimir perante o pai.

Quando cheguei a Hogwarts naquela noite, meu único pensamento era ser o melhor aluno da escola. Ser o destaque da Casa para que meu pai se orgulhasse. Eu seria da Sonserina, como toda a família de meu pai, e me destacaria. Ele haveria de ficar feliz com o meu desempenho. Eu seria o melhor.

Mas minhas esperanças de conquistar meu pai com meus avanços escolares acabou logo na cerimônia de seleção.

Quando coloquei aquele chapéu na cabeça, estava certo de que seria um Slytherin. Não que fizesse diferença para mim ou minha mãe, mas faria para ele. Eu estava seguro, afinal, toda a família de papai tinha sido de Slytherin.

Porém, o chapéu comentou:

-Posso ver sua cabeça e ela deseja ir para Slytherin. Mas lá não é o seu lugar. Corações puros e nobres como o seu devem ir para outra Casa.

E disse tudo o que eu não esperava ouvir:

-Hufflepuff!


N/A: Olá pessoas:

Atendendo a pedidos,eis o primeiro capítulo de Renegado!

Este capítulo não está betado,portanto,está sujeito a alterações.

Esta fic vai concorrer no Challenge Scorpius Malfoy do site Seis concorrendo também no mesmo Challenge no forum Aliança 3 vassouras,mas devido à extinção deste forum,concorrerá pelo 6V.

Quero agradecer de coração a Lucy Charlotte Lovering,autora de "O segredo(mas jura que não conta pra ninguém?)" e de "A rainha da fofoca",pelo trailer,que ficou espetacular!!!

Também agradeço a Kimberly e Mara pelos comentários!!!Obrigada mesmo,fico feliz por vocês acompanharem a história!!!

Espero atualizar sem demora...Torçam para a betagem chegar logo e aí poderei mandar um capítulo novo arrumadinho para vocês!

Ah!Por favor,deixem e-mails nas reviews,para que eu posso respondê-las!

Por hoje é só!Um grande beijo!E até mais!

Padma