Capítulo I

A visita do demônio

Largo Grimmald, número 12. O endereço do inferno. Ainda mais quando entrou na sala e deu de cara com o demônio em pessoa.

- Sirius, venha cumprimentar seus tios e primas.

Ele o fez, mas sem conseguir tirar os olhos do decote que ela usava. Sentiu uma falta imensa da prima Andrômeda - expulsa da família há pouco tempo -, pelo menos com ela por perto teria com quem conversar e desviar sua atenção das pernas que a outra fazia questão de cruzar.

Ele teve que passar algum tempo sentado com os demais na sala, já era um homem, dizia sua mãe, tinha obrigações a cumprir agora. Fazer sala para os parentes era uma delas. Não dizia uma palavra, costumava apenas bufar em desagrado quando eles começavam a falar sobre a tradição, o sangue, a pureza...

Pureza... De puros eles não tem nada. Pensou antes de sentir algo o incomodar, era a sensação de que alguém o observava.

Levantou os olhos para encara-la, estava certo, era ela quem o media a cada novo segundo de conversa. O olhava de uma forma estranha, como se estivesse avaliando cada centímetro de seu corpo. E esse pensamento o fez estremecer. Mas felizmente a mãe o mandou à adega. Levantou e saiu dali, dando graças pela primeira vez, por ser tratado como um elfo naquela casa.

Entrou no lugar e se pois a procurar a dita garrafa tão especial que o pai queria dar de presente ao irmão. Não era uma tarefa fácil se considerasse a quantidade de vinhos que haviam guardados ali. Além disso a iluminação não era das melhores.

- Quer ajuda? - ele se arrepiou todo ao sentir o hálito quente dela em seu ouvido, a voz macia e doce, como a de um anjo.

De onde diabos ela tinha aparecido? E como havia conseguido se aproximar dele sem que ele percebesse.

- Não precisa.

- Tem certeza? – disse ela o fazendo estremecer mais ainda quando roçou levemente os seios em suas costas.

- Tenho, Bellatrix! Eu... Eu me viro sozinho...

Ela sorriu internamente e foi embora após um curto "tudo bem". Sirius respirou aliviado.

A mulher voltou para a sala achando graça da força que o menino fizera para não deixar ela perceber sua excitação. Como se eu precisasse toca-lo para perceber. Ele era tão novo e, ao mesmo tempo, tinha uma atitude imprópria para a sua idade. O desejo já era visível nos olhinhos dele, mesmo que ele não perceber. Isso a divertia.

Mas o que mais lhe chamara atenção porem, fora o fato dele ter feito questão de mantê-la distante. Não foi uma reação de medo, foi pudor. Bellatrix tinha acabado de decidir que sua diversão naquela noite seria acabar com o pudor do priminho, afinal, o braço torneado, os músculos que começavam a se definir no peito e as costas mais largas do que um garoto daquela idade possuía, já acusavam que Sirius estava se tornando um homem. E um homem Black não deveria ter pudores.