Capítulo Um - Doce Bella

Olhei a foto a minha frente, e suspirei. Eu não entendia como conseguia ficar preso a uma única foto por minutos. Ou até mesmo horas. Mas era impossível lutar contra essa curiosidade que tomava conta de cada parte de meu corpo. Eu tinha vontade de descobrir quem era ela.

Era no mínimo cômico. Qual a última vez que eu me vira preso a uma mulher apenas pelos seus olhos? Mas não eram simples olhos, eu tinha certeza que nenhum outro orbe castanho, seria tão encantador como aquele.

Bufei, jogando a foto em cima da mesa. De nada me adiantaria ficar olhando para a mesma. A foto não me traria respostas. Sentei-me em minha poltrona favorita e encostei a cabeça, pressionando minhas têmporas com as pontas dos dedos.

E mais uma vez, me vi perdido, imaginando os belíssimos olhos castanhos em minha mente. Eu já não precisava de fotos para admirá-los. Cada traço do rosto dela, já estava desenhado milimetricamente – como uma escultura feita por anjos – em meus pensamentos.

- Pare com isso, Edward – sussurrei, repreendendo-me.

Levantei-me mais uma vez, procurando em minha mente, algo de útil para fazer. Olhei ao redor, e de repente, me senti vazio. Era como... como se algo faltasse.

Mas que droga era essa?

Gritei, sentindo-me frustrado com tantas dúvidas e questionamentos rondando minha cabeça. Só podia ser loucura. Sim. Eu estava ficando louco. Completa e incondicionalmente louco. Eu não sabia quem era ela.

Isso era ridículo. Quer dizer, eu nem ao menos sabia seu nome. E mesmo assim, não conseguia tirá-la de meus pensamentos.

- Certo, Edward, você precisa parar com isso – murmurei. – E precisa parar de falar sozinho também. Droga.

Estalei os dedos, dando uma rápida olhada na cozinha, lembrando que eu ainda não havia comido nada, além de uma macarronada simples mais cedo. Decidi então ligar para um de meus restaurantes favoritos onde faziam um maravilhoso Crepe de Nutella e pedi alguns, junto com um steak au poivre.

Esse era o meu prato favorito. O meu e o de Alice.

Alice.

Era inacreditável imaginar minha pequena Alice se casando. Apesar de sermos irmãos, eu cuidava dela como se ela fosse minha filha, minha melhor amiga. E, de fato, ela era mesmo minha melhor amiga.

Não demorou muito, e logo o meu pedido chegou. Dei uma generosa gorjeta ao entregador e fui até a sala de jantar, deixando o que havia pedido ali. Liguei o som, ouvindo uma música clássica relaxante e comecei a comer.

Comi tranquilamente, apreciando a culinária da minha doce e iluminada Paris.

Terminei de comer e fui logo até a cozinha, onde lavei a louça e guardei os dois crepes que sobraram na geladeira. Já estava escuro, deveriam ser umas nove da noite. Quinta feira. Cheguei perto da varanda, apreciando a noite escura. Bem longe, pude ver um brilho maior, e soube que era a Torre Eiffel.

Como eu adorava essa minha cidade! Sorri, deixando à varanda um pouco de lado, desligando o som e me sentando em meu sofá. Liguei minha televisão e coloquei em um jogo de golfe. Para muitos era um esporte chato e parado, mas eu não ligava. Na verdade, eu me identificava muito com o golfe: monótono, chato e parado.

Meus irmãos – Alice e Emmett – até tentaram me mudar na adolescência, dizendo que eu precisava me soltar mais e tal. Mas não adiantava, eu sempre fui assim, minha mãe mesmo me disse, quando eu tinha apenas uns quatro anos, odiava brincar com os vizinhos na rua, pois sempre me sujava. Qualquer coisinha que me sujasse ou sujasse minhas roupas, eu ficava furioso e não parava de berrar até que estivesse limpo.

Se eu sou assim desde os meus quatro anos, agora, com quase 23 anos, é que eu não mudaria.

Suspirei, escutando o barulho do meu celular. Falando em Alice...

- Boa noite, pequena – saldei-a.

- Edward! – cantarolou animada. – Então, o que está fazendo?

- Estou assistindo um jogo de Golfe.

Escutei-a bufar, e sabia que ela estava revirando os olhos. Alice odiava esses jogos.

- Certo. É que eu, Jasper, Rosalie e Emmett estamos em um pub aqui perto do seu bairro, e queríamos sua presença aqui.

- Alice... já está ficando tarde e eu ainda tenho umas fotos do seu álbum para revelar.

- Isso você pode fazer depois – bufou novamente. – Venha aqui, por favor...

- Eu odeio esses pubs, Alice. Quem sabe outro dia?

- Ok.

- Bom, vou desligando então, já estou morto de cansaço e pretendo ir dormir logo após um banho relaxante.

- Tudo bem. Não se esqueça que daqui a dois dias será o noivado de Emmett!

- Eu sei, eu sei.

Revirei os olhos, Alice sabia muito bem que eu nunca me esquecia de meus compromissos, e mesmo assim não cansava de me dar as mesmas instruções. Como aquele ser pequeno me dava tantas ordens assim?

- Amanhã você irá ao salão, dar um jeito nesse ninho que você chama de cabelo – ralhou.

- Como assim? Alice... você sabe muito bem que eu não confio em qualquer pessoa para cortar meu cabelo!

- Ih! Não enche, eu marquei no lugar que você vem sempre. E depois eu preciso da sua presença no café de Rosalie antes das 11h, para assinar uma lista para mim. Eu não posso ir e nem Jasper, e como eu sei que você não trabalha amanhã, você vai. Alem do mais é uma maravilhosa forma de conhecer o local, já que você nunca esteve lá antes.

- Tudo bem.

- Não fique bravo comigo, você sabe que me ama. Vou indo, Jasper quer ir para casa.

- Ok. Não precisa dar detalhes íntimos do que você faz com o meu melhor amigo. Prefiro acreditar que vão jogar UNO.

- Ah, nós vamos jogar sim, mas é outro jogo. Boa noite, Ed!

- Ora... Boa noite, Alice. Mande lembranças a Jasper.

- Certo, mandarei.

Encerrei a ligação e fui até meu banheiro. Abri a torneira, deixando que a água quente enchesse a banheira. Voltei até a cozinha, onde peguei uma taça e depois um vinho. No caminho de volta para o quarto, liguei o som novamente, deixando que a suave melodia de Chopin invadisse o ambiente.

A banheira já estava praticamente cheia, joguei alguns sais de banho ali e deixei a taça e o vinho na beira da banheira. Retirei minhas roupas, com os olhos fechados, apenas escutando as notas musicais. Adentrei a banheira e preenchi a taça com o delicioso vinho.

Deu um gole e encostei a cabeça no apoio que havia ali. Fechei os olhos novamente, colocando a taça ao lado da banheira e fiquei relaxando ali.

Respirei fundo, sentindo dois olhos castanhos rondarem minha mente. Como eles podiam ser tão bonitos? Como sua pele branca, podia chamar tanta atenção? Seus lábios róseos, seu nariz fino e delicado... Por mais que eu tentasse descrever partes de seu rosto, eu sempre voltava para o mesmo lugar: os olhos.

Bufei, encarando o vazio a minha frente. Tomei mais um pouco de vinho, e desisti, quando notei que não conseguiria mais apreciá-lo, pois minha mente só conseguia ser devota daqueles olhos.

Respirei fundo e saí da banheira, enrolando-me em minha toalha e pegando a garrafa de vinho. Deixei-a na cozinha e voltei para o quarto. Sequei-me e coloquei uma roupa confortável para dormir e peguei o controle remoto, desligando o som.

Deitei em minha cama e apaguei as luzes, a última coisa em minha mente?

Os malditos olhos castanhos!

Aquela fora uma noite calma. O único sonho que rondara minha mente, fora aquele dia em que eu havia visto a morena pela primeira – e última, até então – vez. Tomei um banho relaxante, vestindo uma roupa quente logo depois.

Eu já estava um pouco atrasado para ir à barbearia. Então apenas escovei meus dentes, penteei meus cabelos, peguei minha pasta com meu material para fotos e saí de casa.

A barbearia não ficava longe de minha casa, então eu pude ir caminhando. Anthony – como sempre – havia me recebido muito bem. Ele cortou meu cabelo, como eu gostava. Ela já estava acostumado, cortava meu cabelo desde que eu tinha meus 17 anos e havia me mudado para o bairro.

Paguei-o e me despedi. O café de Rosalie ficava no centro de Paris, não era muito longe, mas cansativo para ir a pé. A não ser que eu estivesse disposto a andar 11 quilômetros, então peguei um táxi.

- Para onde, senhor? – o motorista ingadou.

- Para o Juliet Hale Café.

Juliet era o nome da avó de Rosalie, e ela quis homenageá-la. A avó dela era uma pessoa bem divertida, segundo o que ela e Jasper falavam, tinha uma mente bem aberta e adorava viagens, foi em uma dessas viagens que ela conheceu seu falecido marido – George Hale – Ele era americano, nascido em algum país da América Central.

Ela viveu lá até sua morte, um pouco depois de sua filha, Lilian Hale – mãe de Rosalie e Jasper nascerem. A mãe de Rosalie se casara, porém não havia retirado seu sobrenome, um pouco antes do nascimento dos gêmeos nascerem, George faleceu.

Eles ficaram lá grande parte da vida, mas Rosalie – junto com seu irmão gêmeo, Jasper – resolveu voltar para a terra natal de sua avó. Eles estavam aqui faziam cerca de seis anos. Eu desconfiava que Rosalie e Emmett se conheceram antes – pela internet – e essa fora uma das causas dela querer voltar assim, tão de repente.

Eu fui logo com a cara com Jasper, não demorou um ano, e já éramos grandes amigos. Como se nos conhecêssemos desde criança. Eu só fiquei meio puto com ele, quando começou a namorar minha irmã, não que eu tenha ficado com ciúmes, mas eles namoraram escondidos por dois anos.

Embora Rosalie já estivesse com 25 anos e Emmett com 27 anos, Jasper fora mais rápido, pedindo Alice – de apenas 21 anos – em casamento no ano passado. Porém, no domingo seria o noivado deles, e eles se casariam no próximo outono, alguns meses depois de Alice e Jasper.

E aqui estou eu, curtindo minha eterna vida solteira. É claro que eu havia tido muitas namoradas, mas nenhuma chegou a me prender por mais de três meses. Na verdade, apenas uma: Heidi Blosson. Ficamos juntos por quase um ano, porém ela era da Alemanha, e um dia teve que voltar, sendo assim nosso relacionamento acabou um pouco mais de dois meses que ela havia voltado para a sua terra natal, tentamos manter o relacionamento à distância, mas não foi possível. Como meus sentimentos por ela não eram tão fortes, terminamos, já que não poderíamos ficar naquela relação que não iria para frente pelo resto da vida. Hoje somos bons amigos, que trocam e-mails uma vez ou outra.

Fui tirado de meus pensamentos, quando o motorista avisou que havíamos chegado ao café. Paguei-lhe a corrida e saí do táxi. O café de Rosalie era bem agradável, havia uma fachada ampla e preta, com enormes janelas de vidro que ocupavam quase toda a parede, alguns detalhes em dourado, e algumas mesinhas do lado de fora. Um pouco acima da porta, havia escrito Juliet Hale Café com uma letra bordada e redonda.

Sorri e adentrei o local, Rosalie veio sorridente me atender, dizendo que era uma honra me receber ali. Sorri para ela, e disse que experimentaria algo, para aprovar o serviço. Ela gargalhou, levando-me até uma mesa, dizendo que logo uma de suas funcionárias viria me atender.

Coloquei minha bolsa em uma cadeira, e fiquei olhando o cardápio, alguns minutos depois, uma mulher veio me atender. Ela era alta, tinha os cabelos escuros e lisos. Ela usava jeans, tênis, uma camisa coladinha de malha branca e um avental preto, preso um pouco abaixo dos seios e bordado com o símbolo do café.

- Bom dia, já sabe o que vai querer?

- Eu gostaria de uma xícara de chocolate quente, com chantilly e canela, por favor.

Ela anotou o pedido e disse que não demoraria, agradeci e ela se foi. Batuquei os dedos no tampo da mesa e fiquei observando melhor o local, apesar de pouco se passar das dez da manhã, o movimento do café era grande. De longe, eu pude ver uma garçonete de costas, e ela tinha um cabelo castanho e ondulado familiar demais.

Imediatamente me lembrei da garota daqueles olhos. Mas logo balancei a cabeça, me sentindo um estúpido por ficar imaginando coisas.

Estava tão preso em meus pensamentos que me assustei, quando senti algo quente ser derrubado em mim. Eu estava pronto para gritar e xingar, quando levantei a cabeça e vi aqueles olhos ali.

Não era possível. Era ela, a garota.

- Eu... eu... me desculpe, senhor. Não foi mi-minha intenção derrubar o café em você... eu...

Está tudo bem, eu queria dizer. No entanto, eu só conseguia admirar seus olhos. Ah, como eu imaginei vê-los novamente, e agora ela estava aqui, na minha frente, porém eu não conseguia abrir a boca.

Balancei a cabeça, pronto a lhe dizer alguma coisa quando Rosalie chegou.

- Oh! Perdoe-me por isso, Edward. Pode ir, querida, eu cuido disso.

- Desculpe-me – sussurrou mais uma vez e saiu.

- Está tudo bem, Rosalie.

- Venha aqui, vou lhe ajudar a limpar o casaco.

Concordei e fomos. Rosalie me levara para sua sala, era uma espécie de escritório, onde ela controlava algumas coisas. Pegou uma toalha e eu sequei o casaco, por sorte eu estava usando um daqueles impermeáveis, já que estava nevando.

Eu queria perguntar a Rosalie qual o nome da garota, mas eu sentia vergonha demais para isso. Não queria que ela ficasse criando especulações, e depois falasse com Alice. Se isso acontecesse, minha vida seria um inferno até que eu convidasse a garota para sair.

Sair? Eu nem sei seu nome e já quero sair com ela.

Balancei a cabeça, dando uma desculpa qualquer para Rosalie e saí do café, antes de definitivamente dobrar a esquina, eu pude vê-la limpando uma mesa. Bufei alto, e entrei em um táxi.

- Para o Saint-Maur – informei, encostando minha cabeça no banco e procurando não pensar nela.

Ri, sem humor. Como se eu conseguisse.

Assim que chegamos ao destino, paguei o táxi e adentrei meu prédio. Peguei o elevador e adentrei meu apartamento. Retirei meu casaco e o levei até a lavanderia, depois fui até o telefone e vi que tinham duas mensagens de voz. Ambas de Alice.

Só então eu me lembrei que havia esquecido a maldita lista. Droga. Alice me mataria quando viesse aqui mais tarde. Peguei o meu celular e tentei ligar para Rosalie.

- O celular se encontra desligado ou fora da área de cobertura, por favor, tente novamente mais tarde.

Ok, eu estava ferrado. Procurei me acalmar, e, por fim, resolvi tocar um pouco de piano. Faziam alguns dias que eu não tocava.

Fui até a sala e comecei a dedilhar lentamente. Uma nova melodia formando-se em minha mente. Era uma música nova, eu sabia disso. E o que me deixava mais confuso, era o fato de eu estar pensando naquela garota, enquanto tocava.

Era ridículo isso. Eu, Edward Cullen, estar encantado por simples olhos.

Mas aqueles olhos... eles não eram simples olhos. Mesmo assim, como isso podia me deixar dessa maneira? Tão frágil e vulnerável? Como um simples olhar podia mudar tudo?

Perguntas, perguntas e mais perguntas!

Bufei, escutando alguém bater na porta. Mas porque diabos o porteiro não havia avisado? Odiava quando isso acontecia.

Sem ao menos olhar pelo olho mágico, abri a porta, e então meu coração acelerou. O que ela fazia aqui?

- Oi? – Saiu mais como uma pergunta.

- Er... O senhor esqueceu sua mochila no café e esqueceu também de pegar esse papel com Rosalie. Ela teve que sair para olhar algo sobre o noivado, e pediu que eu viesse. Por favor, novamente, queria pedir desculpas pelo o que aconteceu mais cedo. Eu sinto muito.

Eu não podia acreditar que ela estava ali, na minha frente, mais uma vez. Agora eu não a deixaria ir embora, sem lhe perguntar seu nome.

- Tudo bem, não há problema algum – sorri. – Gostaria de entrar?

- Er...

- Só para que eu possa assinar a lista – sorri.

- Tudo bem.

Dei passagem a ela e fechei a porta. Pedi que ela esperasse até que eu pegasse a caneta, e tentei não correr, enquanto ia para meu quarto. Voltei e assinei a bendita lista, entregando a ela logo em seguida.

- A propósito – murmurei, encarando-a intensamente –, eu sou Edward Cullen.

Estendi minha mão e ela a pegou. Segurei um sorriso, quando notei que sua pele era lisinha e que ela se arrepiou com o toque.

- Hm... Eu sou Isabella. Isabella Swan. Mas eu prefiro que me chamem de Bella mesmo.

- Bom, é um prazer conhecê-la, Bella.

Era incrível como não conseguíamos desviar o olhar. Dei um leve beijo em sua mão, e a vi corar. Aquilo era tão... doce.

- Igualmente, Edward. É que… eu tenho que ir.

- Obrigado por trazer minha mochila. Espero que possamos nos ver novamente algum dia.

- Eu também – murmurou, abaixando a cabeça e pegando a lista.

Então ela saiu.

- Bella – repeti, enquanto voltava para o piano e continuava a tocar a doce melodia.

Doce Bella.

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Oi gente! Bom... obrigada aos reviews :D Mas fiquei triste porque nem 10% dos que favoritaram a fic comentaram... poxa poxinha gente, saiam da moita! Eu não mordo ngm... Well... fazendo umas continhas acho que pelo tanto de visita e favoritações na fic... esse capítulo merece pelo menos uns 15/20 reviews, uh?

Dúvidas: www(ponto)formspring(ponto)me(barra)friidac ou (arroba)_friida_

Bjs,

Frida.