Notas iniciais

- Contém cenas de sexo (muito) explicito, palavões, violencia, lesbianismo, tentáculos pervertidos e demônios estupradores de menininhas.

- Embora eu seja fã de Sailor Moon, meu objetivo aqui é desvirtuar, sujar, poluir e destruir toda a pureza, magia, encanto e virtude da série clássica. Aqui seus personagens favoritos morrerão, matarão, tentarão suicidio, brocharão, descerão ao fundo do poço. Ou pelo menos assim eu espero.

- Essa fic se passa logo depois da luta entre as Sailors e o Negaverso no Polo Norte, na série clássica. Só que aqui, o final daquela luta foi diferente...


"...e a onda de crimes sexuais continua alarmando a população em Tóquio. Investigações continuam sem pistas relevantes, mas a polícia já divulgou a natureza ritualística dos crimes. Segundo o tenente Takashi, os estupros são cometidos durante a madrug..."

— Que tal um pouco de sossego? — exclamou Lita consigo mesma, já irritada com o noticiário. A voz da locutora foi interrompida por um xiado. Lita procurava alguma estação com música agradável que a ajudasse no que estava fazendo.

Deitada em sua cama, sentia-se sozinha. Lembranças invadiam sua mente. Dias felizes, apesar de toda a dificuldade que enfrentava ao lado de amigas. Mas aqueles tempos não existiam mais e Lita só queria dormir.

"Aruki tsukareta yoru ni tatazumu

Nagareru namida wo kioku ni kasanete"

A voz de Toshi, da banda X-Japan, invadiu o quarto da garota que outrora fora a Sailor Jupter. Largou o botão do rádio e se enfiou debaixo das cobertas. Fazia frio. Estava sozinha. Garrafas de vodkas repousavam no chão e o som do gotejar rubro se mesclava à doce melodia do piano de Yoshiki.

"Deai no kazu dake wakarewa arukedo

Kagirinai toki ga tsuzuku to shinjiteta"

O pulso pendia do lado de fora do colchão. Não queria que nada atrapalhasse o fluxo do sangue que se esvaía, deixando seu corpo ainda mais gelado. Fotografias de um passado inocente, de lutas e alegrias, espalhadas pelo assoalho, eram cobertas com o fluído vermelho. O rosto no travesseiro tentava esconder as lágrias.

"Kizutsuke atta kotoba sae ima wa dakishime

Furikaerudake i feel alone"

Será que sobraria algo? Sua existência seria simplesmente apagada? As lembranças a acompanhariam? Lita sonhava com um mundo onde não haveria dor, mas poderia viver suas memórias eternamente, como em um sonho do qual jamais acordaria. Lá, ainda seria a boa amiga, companheira e irmã que sempre fora. Nada aconteceu. A vida é uma ilusão da qual despertaria. Lita queria sua inocência de volta.

Ela queria, principalmente, limpar o sangue de suas mãos e exterminar a culpa de sua consciência. Talvez seu próprio sangue derramado se encarregaria de lavar sua alma perdida.

Seria impossível viver de outra forma.

Toshi perguntava no rádio, com sua voz emocionada:

"How should i love you

How could i feel you

Without you"

— Serena... nos perdoe...

E Lita fechou os olhos. Fazia muito frio.


De cima dos telhados, ele apenas observava, esgueirando-se com cuidado para que a lua branca e redonda como um queijo não revelasse sua silhueta em contraste com o céu e a luz não revelasse a si mesmo a angústia e a culpa de sua alma. Ele não queria ver; queria fugir, se esconder, queria...

Era uma noite clara, daquelas cobertas de nuvens, que por sua vez refletiam as luzes da cidade. Darien acompanhava tudo de longe. Ou melhor, Tuxedo Mask. Na verdade, Endy... não! Não mais. Renegara aqueles nomes. Afinal, nem mesmo eram seus nomes reais. Ou eram? Não sabia mais. Crises de identidade se tornaram comuns para ele, o que não significava que era fácil de se lidar.

Tudo o que Tuxedo Mask queria era acabar logo com aquilo. Não por algum motivo nobre, mas para se livrar logo daquela responsabilidade. Se livrar do último rastro da tragédia que ocorrera meses atrás. Se livrar da melhor amiga de...

Mas sabia que não podia ser impulsivo. O demônio que um dia fora a doce Molly já causara muitos problemas, e raramente estava sozinho. O guerreiro andava por cima de telhados para garantir que as garotas não seriam surpreendidas por algum ataque covarde. Além disso, elas é quem mais precisavam encarar o demônio. Não apenas aquele em que Molly tragicamente se transformara, mas sim o demônio interior que assombrava cada uma das sailors desde aquele fatídico dia no gelo polar.

Não se sentia muito bem. Vestir aquela roupa, depois de tanto tempo, era estranho. Lhe trazia memórias e abria feridas que não cicatrizariam jamais. Aventuras que viveu ao lado de garotas que de rivais se tornaram companheiras. Uma em especial. Uma amiga. Um amor atemporal. Um romance trágico.

Tuxedo Mask levou a mão à cabeça. O desespero, o vazio, a culpa lhe invadiram o coração novamente. Precisava fugir, esquecer... mas como se foge daquilo que está dentro de si mesmo? Imagens que sempre vinham à tona em seus sonhos, começaram a perturbá-lo, mesmo acordado.

Endymion.

Aquele nome lhe causava um pavor inexplicável. Podia ouvir a voz daquela mulher... daquele demônio, chamando por ele.

Endymion.

Endymion.

Endymion. Meu querido Endymion.

Ela o amava. E, para sua tortura excruciante, ele não podia negar que também a amara, apesar do sofrimento e da dor de estar acorrendado, privado de sono, conforto e comida. Naquelas câmaras subterrâneas, onde nenhum humano poderia permanecer muito tempo sem perder a sanidade, ele sofreu os mais diversos tipos de castigos por tentar resistir ao amor da Rainha Beryl. "Você é meu brinquedo", dizia ela. "Só precisa se acostumar com isso. E temos muito tempo para que isso aconteça".

E aconteceu.

A memória de Tuxedo Mask ainda não estava em perfeitas condições, mas ele lamentou que tantas lembranças estivessem vindo à tona, de uma só vez, naquele momento inoportuno. Fez a única coisa que conseguia fazer em momentos como aquele. Com o espinho de uma de suas rosas vermelhas, causou cortes em si mesmo. O braço, já marcado com cicatrizes de rituais semelhantes a este, se tingia de carmesim. Com a dor, as lembranças se esvaiam da mente junto com o sangue que gotejava no telhado de telhas cor-de-barro.

Estava de volta ao presente. Tinha o foco na missão novamente.