Título da Fic: Passionais
Título do Capítulo: Nós Dois
Autor: Marck Evans
Beta: Ivi (brigadão, linda!)
Censura: NC-17
Desafios da Fic: No 13, 27, 28 e 30 (Antigos) e No 53 (Novos)
Desafios desse capítulo: No 13 e a 2a parte do 28 (Antigos)
Gênero: Romance e Angst.
Par: Severus Snape e Sirius Black
Disclaimer: A JK criou os personagens, mas o conceito dela de fazê-los se divertirem inclui apenas enfrentar bruxos das trevas e morrer. Eu pego os coitados emprestados para que eles possam ter outro tipo de diversão. Não ganho grana com isso, mas, em compensação, eu ganho o prazer de conhecer outras pessoas tão pervs quanto eu. :))
Fic escrita para o festslash do potterslashfics
Passionais
Capítulo II - Nós Dois
"E nós que nem sabemos quanto nos queremos
Que nem sabemos tudo que queremos
Como é difícil o desejo de amar..."
"...E nós que nem soubemos nos querer de vez
Estamos sós, laçados em dois nós
Um que é meu beijo o outro é o lábio seu..."
Nós Dois – Tadeu Franco
Tentar encontrar uma memória boa o suficiente pra evocar um patrono, depois de tudo que passara com o feitiço de Crudetil, era quase impossível. Nada na infância de Severus servia. Menos ainda sua época na escola ou como escravo do Lorde das Trevas. As memórias de Dumbledore, que ele sempre usava, estavam manchadas com a culpa que ele sentia pela morte do velho bruxo.
E ele precisava conseguir logo. Estava cada vez mais fraco, se não fizesse agora, não haveria mais necessidade de pedir ajuda.
O cão ganiu baixinho. Severus encarou os olhos do animal. Sua fraqueza fazia com que ele visse uma preocupação quase humana no olhar do cão. Era como se ele suplicasse a Severus que tivesse forças. Abraçado ao cachorro, ele lançou o patrono, que pela primeira vez em anos, não assumiu a forma de uma serpente alada, mas de um cão.
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Uma propriedade interessante dos patronos, quando usado como mensageiros, é o destinatário sempre reconhecer de quem ele é, mesmo que a forma seja diferente da habitual.
Harry soube na mesma hora que era Snape quem estava pedindo socorro. Uma vez que ele recusara a ajuda na véspera, isso só podia significar problemas sérios.
Preferindo deixar para se preocupar depois com o porquê do patrono de Snape ter assumido a forma animaga de Sirius, Chamou Remus e Moody. Os dois eram experientes e rápidos em compreender as coisas. Mesmo assim, Harry teve dificuldade em convencê-los de que Snape era um aliado e que precisava de ajuda.
Por fim, quando ameaçou ir sozinho, os dois bruxos resolveram acompanhá-lo. Remus mais confuso ainda que Harry com a forma assumida pelo patrono de Snape.
O cão prateado os conduziu a um edifício abandonado, não muito longe de onde Harry tinha se encontrado com Snape na véspera. Lá dentro, levou-os até uma sala no fundo do prédio. Moody fez questão de entrar na frente, e Harry pode ouvir o rosnado ameaçador com o qual ele foi recebido e a exclamação que o ex-Auror não consegui conter:
-Sirius!
Sem esperar mais nada, Harry se precipitou para dentro da sala, seguido por Remus. O patrono desaparecera, mas a forma animaga de seu padrinho estava ali, montando guarda junto a Snape, que parecia muito ferido.
O cão não deu mostras de reconhecer nenhum deles e não os deixava se aproximar de Snape. Então, Remus usou o mesmo feitiço que ele e Sirius utilizaram uma vez em Wormtail para forçá-lo a assumir a forma humana.
Diante dos olhos de Harry, o cachorro se transformou em Sirius, que os encarou por um ou dois segundos, antes de reverter à forma animaga e cair desacordado.
Remus correu até o corpo do cão:
-Está vivo. – O lobisomem respirou fundo, obviamente aliviado pelo feitiço não ter matado o amigo. – Mas não era para ter acontecido isso. – Ele se virou para Snape, que olhava para o cachorro inconsciente como se visse um fantasma. – O que você fez com Sirius?
-Black? – Snape encarou Harry, aparentemente desejando que ele negasse o que tinha acabado de ver. – Não pode ser Black!
Moody foi o primeiro a reagir:
-Não é um lugar seguro. Temos de levar os dois daqui.
-Sim, para Grimmauld Place. – A voz de Harry soava distante e vazia aos seus próprios ouvidos.
-Potter, espere. – Severus tentava se erguer, sem tirar os olhos de Remus que evocara uma padiola para levar o cão. – Ontem no beco, Crudetil estava escondido. Ele ouviu nossa conversa.
Com a notícia, Harry voltou a sentir seu corpo. Só então percebeu que estivera tão surpreso com o aparecimento do padrinho, que perdera a noção do mundo ao seu redor.
Tocou primeiro a cabeça do cão e, depois, ajudou Snape a se erguer de vez.
-Onde está Crudetil?
-Eu o estuporei. O cão o atacou e eu o estuporei. Black! Aquele cachorro não pode ser Black.
Harry reconheceu os sintomas de um forte choque emocional no olhar vidrado de Snape e o amparou segundos antes das pernas do ex-professor falharem.
-Moody, vá com Remus, Snape e Sirius. Vou ver se Crudetil ainda está lá.
-Lupin pode levar os dois. Eu vou com você, garoto. E, depois, vamos ter uma conversa sobre encontros em becos escuros.
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Severus apenas tomou consciência de que Lupin criara uma chave de portal e do solavanco que o levou até um quarto, no que parecia ser a Mansão dos Black.
Quando ele cambaleou, sem conseguir se firmar nas pernas, Lupin o levou até uma cama.
Severus deixou-se cair sentado e viu o lobisomem depositar o cão suavemente ao seu lado.
-É mesmo Black?
-Sim, Snape. É mesmo Sirius.
Por alguns momentos, era como se as lembranças fossem voltar novamente, e então, abençoadamente, Severus desmaiou.
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Harry sentou-se na poltrona velha e olhou em volta. Ele não havia encontrado Crudetil, o que lhes dava a certeza que Voldemort já sabia quem era o espião àquela altura. Afortunadamente, de posse da informação que Snape lhe dera na véspera, Harry não esperara e fora com Ron e Mione atrás da penúltima horcrux. O tear de Rowena Ravenclaw estava destruído. Só faltavam Nagini e o próprio Voldemort. Infelizmente, o bruxo agora estaria de sobreaviso.
E esse não era o único problema. Havia Sirius que parecia ter esquecido quem era e não conseguir ficar na sua forma humana. E Snape que estava ferido e furioso, agora que saíra do estado de choque.
Sirius recuperara a consciência, ainda na forma canina, mas se recusava a sair de perto de Snape, que por fim aceitara que era mesmo Sirius quem estava ali. Felizmente, na opinião de Harry, ele aceitou também a proximidade do cachorro.
Já fazia um dia inteiro que haviam resgatado Snape, e Harry resolveu forçar uma conversa entre ele e Dumbledore. Muita coisa precisava ser resolvida com urgência.
Snape estava medicado e consciente, recostado na cama com Sirius montando guarda ao seu lado. Dumbledore estava no quadro ao lado da cama, fazendo com que Snape evitasse, teimosamente, olhar para qualquer lugar que não fosse o chão, ou o alto da cabeça de Sirius.
Foi Dumbledore quem rompeu o silêncio:
-Severus, acredito que vá concordar comigo que é impossível sua volta para junto de Tom.
Snape assentiu, ainda mantendo, teimosamente, os olhos fixos no chão.
O retrato prosseguiu:
-Ótimo. Sugiro que façamos circular boatos sobre sua morte. Seria bom que Harry começasse uma campanha pelo seu perdão póstumo, o que será muito útil quando essa história terminar.
Outra vez, Severus concordou em silêncio. E, novamente, o quadro continuou falando:
-Harry, eu tive pouco tempo para investigar, mas Ananis McGregor, ex-diretor de Hogwarts, que foi um grande Inominável no seu tempo, me explicou que, sob circunstâncias especialíssimas, o Véu da Morte atua de forma diferente do previsto. Ele acredita que Sirius deve ter se transformado ao sentir que estava caindo no Véu. Minerva me garantiu que os animagos, muitas vezes, têm esse reflexo, porque sabem que sua forma animal pode se safar de algumas situações que a forma humana não conseguiria.
-Sim, mas o Véu também teria matado um animal. – Harry argumentou.
-Exatamente. Mas a transformação deve ter-se efetuado no exato momento em que ele atravessou o Véu, o que provocou a reação errada. Ananis acredita que Sirius foi transportado para longe do Véu, na forma animaga, com a memória de sua humanidade perdida, e incapaz de se manter como humano, mesmo com o utilíssimo feitiço que Remus tentou.
Harry não sabia o que pensar, e sobressaltou-se ao ouvir a voz de Snape, que agora parecia falar com as próprias mãos.
-O Véu atuou como se fosse a Poção Animafixantis.
Harry nunca havia ouvido falar dessa poção, mas o velho diretor tinha os olhos brilhando, como quem não apenas entendeu, mas planejava algo. Restava saber quem iria gostar do que Dumbledore tinha em mente.
-Ananis tem a mesma opinião, Severus. Ele acredita que o antídoto da Poção Animafixantis traria de volta a memória e a forma humana de Sirius.
O mestre em poções acenou, dessa vez olhando para Sirius. O cão colocara a cabeça no colo dele, como se entendesse que falavam sobre ele e quisesse a opinião de Snape sobre tudo aquilo.
-Pode prepará-la, Snape?
O bruxo ergueu os olhos para encarar Harry, aparentemente surpreso com a pergunta.
-Posso. Depois de reunidos os ingredientes, eu não levarei mais de dois ou três dias.
-Ótimo! – Dumbledore, parecia contente, como se todos seus planos se encaixassem. – Há mais duas coisas que eu gostaria de lhe pedir, Severus.
-Pois não, Diretor.
-Prepare também uma Poção Fossilizante. Harry vai precisar dela quando enfrentar Nagini.
-Sim, senhor. Essa deve levar um mês, mais ou menos. – Diante do silêncio que se seguiu, Snape respirou fundo. – Qual era a outra coisa, Diretor?
-Olhe para mim, Filho.
Lentamente, como se isso consumisse toda sua coragem e energia, Snape ergueu os olhos para o quadro. Na mesma hora, Sirius subiu na cama, colocando parte do seu corpo no colo de Snape.
Harry não podia ver o olhar que o ex-professor trocava com o retrato, mas via, nitidamente, a mão dele aferrada ao pêlo de Sirius, como se tirasse sua força dali. E teve certeza de que Snape não tinha consciência do gesto.
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Doera olhar Albus no quadro. Mas ao mesmo tempo fora confortador saber que o Velho não o odiava. Que o perdoava por tê-lo assassinado. Mesmo a ordem vindo do próprio Albus, era muito difícil para Severus se perdoar. Sabia que tinha feito o necessário, mesmo assim, pagava todos os dias seu tributo de dor e remorso. No entanto, o Albus do retrato o chamara de Filho, e ele sabia que o Diretor não o odiava.
E no meio desse caos emocional, vinha a novidade do ano: Black estava vivo. Era quase impossível para Severus aceitar essa realidade. Albus e o fedelho pediam que ele ajudasse a curar o infeliz, como se não houvesse nada de errado entre ele e Black. Na opinião de Severus, tudo o que já houvera entre eles fora muito errado.
Nem mesmo ocorria a Albus e Potter que essa era a chance perfeita para Severus vingar-se do desgraçado. Ele poderia alterar a poção de tantas formas... Não importava se depois Potter se empenhasse em vê-lo em Azkaban ou nos braços do Lorde das Trevas. Ele teria tido sua "vendeta".
Mas havia uma forma mais sutil e cruel de se vingar. Uma que não levaria Potter a uma cruzada pessoal contra Severus, e Salazar sabia o quanto ele dependia do pivete agora, e nem faria Albus olhá-lo com aquela expressão de decepção no rosto.
Ele faria a poção de forma perfeita, e faria Black carregar, pelo resto da vida, a dívida de honra com Severus.
Deu um pequeno sorriso, mais amargo do que feliz. No entanto, na hora em que o cão cruzou o olhar com ele e abanou o rabo confiante, o sorriso se tornou uma careta de dor, e Severus se sentiu um traidor.
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Harry estava tentando conter a ansiedade. O antídoto trouxera Sirius a forma humana, mas ele estava inconsciente há dois dias. Hermione, que andara pesquisando a Poção Animafixantis dissera que isso era normal. O que ninguém sabia, nem mesmo Snape, era como ficaria a memória de Sirius.
Fora complicado fazer o cão ingerir o remédio. No final, Snape conseguira o feito. Harry não sabia o que pensar da adoração que a versão desmemoriada de Sirius tinha pelo antigo inimigo, mas, pela primeira vez na vida, sentia-se realmente grato a Snape. Sem ele, as coisas estariam muito piores.
Inesperadamente, Sirius sentou-se e olhou para Harry. Arfava como se estivesse saindo de um pesadelo. Num instante, o animago estava de pé, abraçado ao afilhado:
-Harry!
Sem encontrar a voz, Harry apenas o abraçou de volta. Sirius não se esquecera dele, não importava o resto. Qualquer outra coisa podia ser consertada.
Ainda estavam abraçados quando Snape entrou no quarto sem bater. O ex-professor parou no umbral, pálido como a morte, olhando fixamente para Sirius.
Como se o pressentisse, o animago virou-se para a porta, sem soltar Harry:
-Snape.
Harry estranhou a voz do padrinho, levou alguns segundos para entender que era apenas a ausência da raiva com a qual ele sempre dizia o nome do outro bruxo.
-Pelo visto, a poção funcionou.
-Funcionou. – Harry e Sirius disseram juntos.
-Você se lembra da poção, Sirius?
-Sim, Harry. De cada detalhe desde que eu caí no véu. – Apesar de se dirigir a Harry, os olhos de Sirius estavam fixos em Snape.
-Fascinante, Black. – A surpresa inicial de Snape já desaparecera. – Agora que estou livre dos meus encargos em relação a você, vou cuidar da poção realmente importante.
Harry estava surpreso. Imaginara que Snape fosse se vangloriar de ter salvado Sirius, mas ele parecia apenas ansioso por sair dali.
-Snape – Sirius andou até o outro mago. -, obrigado.
-Ora essa Black, aprendeu um pouco de boas maneiras nas ruas?
-Você me salvou duas vezes, e eu salvei você apenas uma. Aparentemente, estou te devendo.
Snape apertou os olhos diante do tom levemente irônico de Sirius. Harry se preparou para separar os dois caso a situação se complicasse, mas o animago ergueu as mãos num gesto de paz.
-Não quero brigar, Snape. Apenas agradecer.
Depois de lançar a Sirius um olhar irritado, o bruxo saiu do quarto com seu tradicional enfunar de veste.
Sirius ainda olhou a porta por alguns segundos antes de se voltar para Harry, já sorrindo:
-Você cresceu. Quanto tempo eu perdi, garoto? E como vamos nos livrar de vez de Voldemort?
Era bom ter Sirius de volta.
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Ele devia ter previsto que o desgraçado acordaria mais rápido que qualquer outro. E, ainda por cima, o infeliz tinha todas as memórias intactas.
Severus não estava preparado para ver Black em pé quando entrou no quarto. Muito menos usando apenas a calça de pijama e se agarrando com Potter.
Que merda! O garoto era afilhado dele, será que era tão difícil Black ter um pouco mais de decoro?
Salazar, como ele estava magro! Não era mais o garotão bonito que ele conhecera. Então, por que, em nome das Parcas, Severus se sentira tão vulnerável diante da seminudez do outro e tão tocado pelo agradecimento?
Pelo que ele podia se lembrar, era a primeira vez na vida que Black era educado com ele. Mesmo em particular, o que eles cultivavam em relação ao outro não era exatamente educação.
Não. Não tinha nenhum cabimento Severus se impressionar por um gesto de boa educação. Tudo o que ele tinha de fazer era seguir com seu plano de tornar a vida de Black um inferno.
Mas Severus se recordou da cabeça do cão em seu colo, e do prazer de acariciar o pêlo dele.
Merda. Black também se lembrava disso.
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Sirius estava tentando. Tentando de verdade. Mas, algumas vezes, ele tinha vontade de esganar Snape. Os dois haviam desenvolvido a arte de se ofenderem sem perder a classe. Sirius já estava sentindo falta das discussões apaixonadas. Ainda mais que, com Remus entre os lobisomens e Harry passando mais tempo na biblioteca de Hogwarts do que em casa, tudo o que ele tinha para fazer era irritar Snape. Estava ficando entediado.
E não contribuía nada para seu bom humor estar novamente preso na casa de sua família.
Dumbledore e Harry tinham convencido-o a ser o "Ás na Manga" na batalha que se aproximava. Portanto, deveria ficar na casa e só se mostrar no final.
Ele fora praticamente coagido a aceitar, seu único bônus era chamar Snape de fazedor de poções e se vangloriar que era um Ás.
Em apenas dois dias, isso já não tinha nenhuma graça. Principalmente, depois de ser "gentilmente" lembrado que a única razão dele conseguir a usar um banheiro, e não um poste, era porque o fazedor de poções era realmente muito bom.
O velho Snivellus ainda tinha a língua de serpente venenosa que ele se lembrava.
-Black. – Snape apareceu na porta da sala onde Sirius fingia ler.
-Sim?
-O chá.
Hora do chá! Sirius seguiu Snape em direção à cozinha.
Prongs teria engasgado de rir se visse isso: Sirius Black e Severus Snape haviam adquirido o prosaico hábito de tomar chá, juntos, todos os dias. E sem brigas.
Na verdade, eles até tiveram algumas conversas interessantes, durante o chá.
Outra coisa que faria James dar gargalhadas.
Prongs deveria ser uma hiena, não um cervo. O cretino era capaz de rir até se soubesse o naipe de lembranças que Sirius vinha tendo ultimamente.
Depois do incidente no salgueiro e de Snape mandá-lo sumir, Sirius se sentira realmente mal com tudo isso. Remus não estava falando com ele, Snape se desfizera do caso deles como se fosse uma roupa velha, e a consciência de Sirius estava começando a incomodá-lo. Resultado: contou para James que tivera um caso com Snivellus. Prongs rira durante dias, o maldito. Ele fazia muita falta agora!
-Algum problema, Black? – A voz de Snape o trouxe de volta ao presente.
-Não. Eu só estava... – Sirius olhou para o chá a sua frente, como se nunca tivesse visto a porcelana de sua família. – Só estava pensando, Severus.
O nome saiu naturalmente da sua boca, mas soou como trombetas do apocalipse aos seus ouvidos. Ele nunca disse o nome de batismo de Snape.
Olhou para o outro bruxo, que parecia atônito.
Como sempre, Snape reagiu de forma passional: ergueu-se e saiu da mesa, sem dizer nada.
Merda! A trégua fora para o espaço. Prongs devia estar gargalhando no outro lado. Tomara que Lily desse um bom cascudo nele!
De qualquer forma, era melhor assim. Paz nunca fora realmente o estilo deles. Entre os dois, sempre fora passional e pouco civilizado. Súbito, totalmente ilógico e precipitado.
Sirius levantou-se e foi atrás de Sever... Snap... SEVERUS!!!
Encontrou-o na sala, andando de um lado para outro.
-Qual é o problema agora?
-Saia daqui, Black.
-Não. Essa ainda é minha casa.
-Na verdade, é do Potter. Você está morto.
-Você também. – Sirius riu. – E, quando estava vivo, sabia me provocar de forma mais interessante.
-Para você, a vida se resume nisso, não é? Seu ego, e a forma como as pessoas lidam com ele.
-Não começa, Severus. Em matéria de ego, você é páreo duro.
-Não me lembro de ter lhe dado o direito de me chamar de Severus – Snape fez uma pausa dramática. -, Black. Com você me disse mais de uma vez, eu nunca fui nem serei seu amigo.
Sirius considerou usar a maldição fatal pela primeira vez na sua vida.
Seria mais fácil sair dali, voltar a velha rotina de insultos e ódio. Ele andou até a porta, mas voltou no meio do caminho.
-QUAL É O SEU PROBLEMA, INFERNO?
-VOCÊ, SEU BASTARDO CRETINO!
-CRETINO É VOCÊ! – Sirius respirou fundo, afastando-se de Severus, para tentar se controlar. - Sabe, eu estou realmente tentando deixar o passado para trás...
-Eu não quero deixar nada para trás, Black. Eu não quero e não vou esquecer nenhuma das coisas que você me fez passar durante nosso breve e sórdido casinho.
CASINHO!Dava para ouvir Prongs rindo, e o pior que Lily não fazia nada. Ele ia fazer o maldito Snivellus engolir essa palavra.
-ESCUTA AQUI...
-ESCUTA AQUI, VOCÊ! EU JÀ ESTOU FARTO DE ME HUMILHAR POR SUA CAUSA...
Era como se eles tivessem novamente dezesseis anos e, enfim, conseguissem falar o que realmente sentiam.
-SE HUMILHAR? ESTÁ MALUCO? Eu vivia atrás de você na escola. E não. Eu não estava apaixonado. Nós nunca estivemos apaixonados um pelo outro. Era só tesão. Eu morria de tesão por você. E por mais que você negasse, eu sei que você também era louco por mim. Mesmo assim, eu praticamente tive de te seqüestrar cada vez que ficamos juntos. E você vem me falar em humilhação? Eu tinha uma fila enorme de garotas e de caras atrás de mim e largava tudo para correr atrás de você como um cachorrinho.
-Você disse que me mataria se eu disse a alguém sobre a gente.
-Sua raiva, Severus, é por eu ter falado antes de você. O que você queria? Andar de mãos dadas pela escola? Você não queria isso. Isso teria ferrado suas chances com seus amigos. Eu era só um cara para dar uns amasso. Que droga! Eu tinha dezesseis anos. Não sabia direito como agir.
-Eu também não sabia lidar com aquilo tudo, Black.
-Isso. Se faça de vítima mais uma vez. Pobre Snivellus que nunca fez nada de errado! É muito fácil você posar de vítima. Quer saber? Vá pro inferno!
-Não sozinho. - Severus puxou Sirius para perto, sem dar tempo do animago reagir. – Hoje, eu não vou sozinho.
Diabos! Há quanto tempo ele não beijava ninguém assim?
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A boca de Black sempre fora sua perdição. A boca e o cheiro.
Severus empurrou o animago até o sofá. Com um movimento ágil, Black puxou Severus para entre suas pernas, prendendo-o firmemente.
Usaram magia para afastar as roupas. Não havia preliminares, toques carinhosos ou sedução. Apenas desejo.
Black segurava seus ombros com tanta força que Severus soube de antemão que ficaria marcado. Mas não seria o único. Mordeu com força o peito do amante, arrancando um grito de prazer.
Como pudera esquecer? Adorava ouvir Black gemendo e gritando enquanto transavam. Ouvir as insanidades que ele dizia. Os pequenos rosnados que ele dava. Idolatrava o escândalo que ele fazia. A voz grave e meio rouca ecoando no seu ouvido. Amava ser a causa desse escândalo.
Um feitiço lubrificante rápido; e ele penetrou Black, quase sem nenhuma preparação.
-Filho da puta! Desgraçado. Ahhhhhhhh!!!! – Black sempre tivera o dom de tornar palavrões a coisa mais erótica do mundo.
Severus teve os cabelos puxados, o pescoço marcado pela boca sádica de Black.
Ele se movia cada vez mais rápido. Tentando masturbar Black na mesma velocidade com que o possuía. O animago olhava dentro de seus olhos, com uma expressão de triunfo de prazer que enlouquecia Severus.
Gozaram praticamente juntos. Ele ainda estava dentro de Black, abraçado a ele, ambos tentando recuperar o fôlego, quando ouviu a voz mal humorada do elfo:
-Kreacher com cansado, Kreacher quer dormir! Meu senhor gosta de fazer barulho. Meu senhor é um cachorro safado que se esfrega com qualquer um. Ai ai! Minha pobre senhora. Que tristeza se visse seu filho com o mestiço traidor!
O rosnado que Black deu no seu pescoço soou furioso.
-Some para o inferno, elfo maldito!
Severus afastou-se, usando magia pra ajeitar a roupa. Pelo canto do olho, viu que Black fazia a mesma coisa. Viu também a careta de dor que ele fez quando sentou no sofá.
Ele queria sair dali. O maldito feitiço de memória trouxera coisas demais à tona, e Severus já começava a se arrepender de ceder ao impulso de tocar Black mais uma vez.
Black o segurou pelo braço, fazendo voltar-se e encará-lo:
-Eu contei. – Ele fez uma pausa. – Quando a gente ainda estava na escola, eu contei sobre a gente para James.
-Então, havia um "a gente" para contar? – Severus estava surpreso. - O que ele disse?
-Demorou um pouco a acreditar. Depois, morreu de rir, o cretino.
-É a primeira coisa sensata que já ouvi que Potter tenha feito – Severus desistiu de ir embora e se aproximou do animago. -, Sirius.
-Sirius?
-É seu nome, energúmeno!
-Sim. É mesmo meu nome, Severus. - Sirius o abraçou. – Agora, cala a boca e me beija.
Ele até tentou protestar, dizer que não eram mais crianças para ficar se agarrando, mas não deu tempo.
A exclamação abafada que Severus ouviu minutos depois, com certeza não era do elfo. Aparentemente, Sirius também ouviu e não se importou.
FimRespondendo ao desafio antigo de número 13 - Em um universo levemente alternativo Sirius não caiu no véu, ficou apenas enfeitiçado. Só uma poção rara e muito difícil pode salvá-lo. É a chance de Snape se vingar, e ele escolhe uma forma sutil de vingança, ele escolhe tornar seu pior inimigo seu eterno devedor. Só que tudo isso começa a mexer com o coração e a mente dos dois. Desafio proposto pelo Marck Evans (eu mesmo)
Respondendo à segunda parte do desafio antigo de número 28 - Dumbledore resolve espalhar o boato de que Severus morreu e o esconde em Grimmauld Place. Agora ele está tão preso quanto Sirius naquela casa, e o máximo que pode fazer no esforço de guerra é uma poção para destruir Voldemort completamente. A proximidade com Sirius é de civilidade forçada, depois agradável camaradagem, depois confortante companheirismo e por último... bem, os uivos de Sirius durante a noite não deixam Monstro dormir. Desafio proposto pela Ludmila
