Raphaella e Michelangelo vagavam pela escola, tanto que o garoto, distraído com sua nova amiga, esqueceu que procurava seus irmãos, e acabou sendo encontrado por eles.
Os dois estavam indo em direção ao refeitório, quando foram barrados por um garoto alto, que usava óculos e uma gravata borboleta, de cabelo castanho-claro.
- Mickey, onde você esteve? Eu e o Leo te procuramos por toda a escola!
- Donnie, não se preocupa, eu só estava mostrando a escola pra Raph.
- Raph? - Ele se mostrou confuso. Então Mickey mostrou a garota ao seu irmão mais velho - Nunca te vi por aqui... Aluna nova ou é de intercâmbio?
- Uhm, aluna nova.
- Nossa, sinto muito, onde estão os meus modos? Sou Donatello, mas pode me chamar de Donnie. Suponho que você seja Raphaella? - Ele disse estendendo sua mão.
Raphaella apertou a mão do garoto, que sorriu para ela, mas logo sua expressão tornou-se assustada quando viu o horário:
- Ai meu Deus, já são 10:15? Raphaella, de qual sala você é? - Donatello perguntou.
- Uhm? Ah, sou da sala... 3-0-1.
- Sério? Você vai para a sala do Leo! - Michelangelo mostrou-se animado.
- ?
- O que o Mickey quis dizer é que você vai para a mesma sala que o nosso irmão mais velho, Leonardo. Vem, a gente te mostra o caminho. - Disse Donatello.
- Obrigada.
Raphaella segue seus novos amigos até uma sala perto da quadra de esportes.
- Bom primeiro dia! - Os dois irmãos despediram-se em coro, enquanto se distanciavam da garota.
Ela, então, desfez seu sorriso. Havia nada além de uma cara vazia, uma expressão branca.
Ela respirou fundo antes de mostrar-se confiante e entrar na sala.
- ... Com licença?
- Sim, senhorita? - Disse uma moça alta, morena, que usava óculos.
- É aqui a sala de psicologia?
- Sim, é sim... Você é a aluna nova, não é?
- Sim, senhora.
- Muito bem, entre e sente-se.
Raphaella obedeceu, entrou, fechou a porta e se sentou numa carteira no fundo da sala, ao lado de um garoto de olhos azuis-marinhos, de cabelo negro e uma mecha azul escura, quase na cor de seus olhos, em meio aos seus cabelos negros.
- Alunos, para quem não sabe, eu sou (x), professora de psicologia humana. Vamos começar com uma simples atividade...
A professora, então, começou a escrever no quadro negro algumas perguntas, das quais os alunos copiavam em seus cadernos, quase na mesma velocidade que a professora.
Ao terminar, Raphaella mentalmente lia as perguntas escritas em seu caderno, para que pudesse respondê-las...
"O que você quer da vida?"
"Qual seu objetivo na vida?"
"O que lhe falta para se sentir feliz de verdade?"
"Como seu sentimento principal? O quão frequente você o sente?"
"Quem é você?"
A ultima pergunta fez com que ela ponderasse sobre ela.
"Quem sou eu?" - Ela se perguntou. - "Quem... Sou... Eu?"
Pouco a pouco, ela foi respondendo, pergunta por pergunta.
O sinal toca, e a professora diz aos alunos:
- Muito bem, destaquem a folha e entreguem suas atividades para mim.
Os alunos obedeceram, e logo a professora saiu.
Raphaella, então, do com os outros alunos até a próxima sala: Sala 4-3-6.
Era a sala de biologia.
Todos os alunos entraram na sala, e uma moça ruiva de cabelos encaracolados entrou e disse:
- Alunos, eu sou (y) Kobato, professora de biologia. Sentem-se em duplas, para que possamos começar.
Raphaella mostrou-se desconfortável.
Dirigiu-se a uma mesa qualquer, sozinha, sem esperar que alguém viesse até ela.
Então, sentiu alguém tocar seu ombro.
- Uhm, oi. Eu vi que você está sem ninguém aí então... Quer fazer dupla comigo? Eu estou sem ninguém também... - Era o mesmo garoto de olhos azuis que havia sentado ao lado dela na outra aula.
Raphaella se sentiu... Diferente com aquele toque.
Era uma mistura incrível de todos os sentimentos que ela nunca havia sentido de verdade, seja felicidade, tristeza, medo, coragem, surpresa, ela sentiu todos; isso fascinava-a.
Os olhos do garoto a lembravam algo profundo, um pouco como seu pai e...
Alguém mais. Alguém da qual ela não queria lembrar.
Então, ela lhe disse:
- ... C-claro.
Ele, então, sorriu para ela e sentou-se ao seu lado.
- Sou Leonardo. - Ele disse, e os dois apertaram as mãos. - Legal te conhecer.
A professora dizia várias coisas em meio a aula, mas Raphaella não se importou em escutar. Só conseguia pensar sobre o que aquele garoto fez com ela, as sensações repentinas que ela sentiu.
"Como ele fez aquilo? Ele pode fazer de novo? Quem ele é? Ele sabe sobre mim?"
A garota contorcia a mente para tentar responder àquelas perguntas.
O que ela sabia era que aquele garoto era fascinante, interessante, preocupante.
Ela gostou de cada um dos sentimentos que havia sentido, sejam os positivos quanto os negativos, mas um deles se destacava, pois parecia tão semelhante com o que seus pais sempre mostraram a ela...
Amor.
Ela sentiu amor, pela primeira vez na vida inteira. Amor de verdade, e isso era o que realmente a fascinava.
Ela ponderou sobre aquelas perguntas praticamente durante a aula toda, até que o sinal toca, e os alunos são dispensados para a próxima aula.
- Pouco antes...
A professora (x), sem aulas no momento, dirigia-se à sala dos professores, para corrigir a atividade que seus alunos fizeram na aula de psicologia.
- Vamos ver... Jordan, Megan, Taylor, Sophie, Aden... - Ela listava cada um deles, e todos pareciam iguais.
Foi aí que ela arregalou os olhos.
- Raphaella?
"O que você quer da vida?"
Piedade
"Qual seu objetivo na vida?"
Morrer
"O que lhe falta para se sentir feliz de verdade?"
Vida
"Como seu sentimento principal? O quão frequente você o sente?"
Vazio; O tempo todo.
"Quem é você?"
.
A última pergunta estava sem resposta.
A professora, confusa, decidiu procurar mais sobre a aluna nova...
Foi até a secretaria da escola, procurou, procurou e procurou, até que encontrou a ficha de aluno da garota.
- Vamos ver... - Ela disse a si mesma.
"Oroku Raphaella
Nascida em: 21/06/2012 (Referências...)
Nome da mãe: Tang Shen
Nome do pai: Oroku Saki
Local de nascimento: Hospital (z), Japão"
Haviam outras informações abaixo, das quais não interessavam a professora, como CPF, por exemplo.
Mas um tópico em específico a interessou bastante...
"Passagens médicas: Depressão, distúrbio mental, ferimentos a si mesma..."
A última passagem estava ilegível.
A professora, curiosa para saber mais sobre a garota, decidiu conversar com seus pais. Ela dirigia-se até o telefone, quando o sinal tocou, e ela teve de ir até sua sala de aula.
- ... Acho que isso vai ter que ficar para depois.
