Disclaimer: Todos os personagens de Saint Seiya pertencem a Masami Kurumada. O roteiro do filme 'The Butterfly Effect' é de autoria de J. Mackye Gruber e Eric Bress.

Essa fic é apenas uma obra feita por fãs sem qualquer fim lucrativo.

Sumário: Depois das batalhas, Saga tem a chance de voltar ao passado para consertar seus erros. Estará ele pronto para as implicações que tal tipo de mudança pode trazer? Fic inspirada no filme 'O Efeito Borboleta'.


Capítulo 1 – Sempre traidor?

Suspirou fundo, dizendo finalmente sua posição em relação ao desafio:

– Sim. Eu, Saga, aceito a chance que me foi dada.

De súbito, sentiu um forte e luminoso cosmo o envolver, exatamente o mesmo que ele notara quando entrara naquele salão. Sentiu-se estranho, perdendo totalmente a noção do tempo e do espaço. Em seguida veio a perda de consciência. Os pensamentos confusos davam lugar a imagens e sons que ele presenciou em sua vida. Num estalo, tudo parou, fazendo com que ele se sentisse vivo. Novamente.

Estava caminhando, embora não fizesse a menor idéia de qual seria o seu destino. Percebeu que estava coberto por um longo manto e uma máscara. Olhou com atenção ao redor, lembrando-se inevitavelmente que já passara por aquele corredor há alguns anos atrás. Suas mãos suadas, por pouco não deixam a pequena adaga dourada cair.

Entendia tudo perfeitamente agora. Ele tinha que mudar o rumo dos acontecimentos, não poderia cometer a mesma falha de novo. Não queria cometer a mesma falha de novo. Pensou em virar no próximo corredor que aparecesse, mas não apareceu e nem apareceria. O corredor agora seguia reto com destino a uma enorme porta toda talhada em madeira e com detalhes em ouro. Estacou em frente a ela, levando a mão hesitantemente a maçaneta, abrindo-a com cuidado, sem fazer barulho.

Dentro do cômodo iluminado por algumas poucas velas de um candelabro dourado fixado a parede, podia-se ver um pequenino berço, que tomava o centro do quarto. Saga teve ímpetos de sair dali o mais rápido possível, mas algo mais forte dentro dele o fez se aproximar lentamente ao berço, onde dormia o bebê dito ser a reencarnação de Atena. Tirou a incômoda máscara, olhando atentamente todos os traços daquela menininha que dormia tranqüilamente, sentindo uma pontada de culpa em sua consciência. Como pudera tentar contra a vida de um ser tão puro? Fechou os olhos e respirou profundamente, tentando afastar tais pensamentos de sua cabeça. Não estava ali para se martirizar pelo passado de erros, e sim para mudá-lo. E era exatamente o que ele iria fazer.

Deu uma última olhada no bebê para se certificar que estava tudo bem e virou-se caminhando em direção a porta. Abriu-a com o mesmo cuidado, porém, não estava preparado para o que veria por detrás dela.

– Saga! O que estava fazendo aí? Por onde esteve todo esse tempo? – O cavaleiro de Sagitário o encarava num misto de surpresa e incredibilidade. Seu cosmo se elevava a cada palavra proferida.

Saga não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Como fora tão ingênuo a ponto de pensar que as coisas seriam fáceis? As palavras vinham e morriam em sua garganta, não conseguia articular sequer uma frase coerente em sua cabeça.

– Acalme-se Aioros... E deixe-me explicar...

– Explicar o quê? Está tudo claro como água, Saga de Gêmeos! O seu sumiço, as alterações no modo de ser do mestre... Eu esperaria isso de qualquer outro cavaleiro, mas nunca de você! Diga-me agora, onde está o verdadeiro Shion?

O cavaleiro de Gêmeos sentia-se cada vez mais acuado. Por mais que tudo parecesse conspirar ao seu azar, ele não podia simplesmente ficar ali parado. Conhecia Aioros desde que eram crianças e sabia o quanto o cavaleiro poderia ser impulsivo. Além disso, se Aioros continuasse a elevar o cosmo, outros cavaleiros perceberiam tal alteração e aí sim as coisas poderiam complicar...

– Ele não está aqui... – Abaixou o olhar.

– E onde diabos ele está! – Aioros tinha a face contorcida de pura fúria. Sua voz e seu cosmo aumentavam a cada instante.

– Ele está morto. Eu o matei.

Um silêncio sepulcral caiu sobre ambos. Aioros, com os olhos arregalados e a respiração alterada devido a fúria, parecia ponderar sobre qual seria a pena mais indicada para aquele assassino. Saga, por sua vez, ainda mantinha os olhos baixos, sua cabeça fervilhando de idéias. Tinha que sair de lá, tinha que despistar Aioros, mas... como? Foi tirado de suas reflexões ao ouvir a voz do cavaleiro de Sagitário, que notavelmente tentava deixar sua voz controlada, contida. Não poderia perder a calma num momento como aquele.

– Receio que já saiba ou, pelo menos, imagina qual será sua punição. Acompanhe-me.

Saga fez um gesto afirmativo com a cabeça. Enquanto andavam pelos infinitos corredores do lugar, uma idéia tomava forma em sua mente. Seria uma loucura. Mas, tal loucura o salvaria. Tocou na pequena ampulheta presa a um cordão em seu pescoço. Teria que usá-la mais cedo do que imaginara, mas só depois de acabar com todas as provas de que estivera ali, segundo Cronos havia lhe ordenado. Apertou com força o cabo da adaga dourada que ainda mantinha em sua mão e olhou para Aioros que andava apressado na frente. Sabia que quando o amigo ficava muito nervoso, deixava sua defesa descuidada, podendo ser atacado facilmente.

Ele simplesmente não pensou. Caso pensasse, com certeza hesitaria, e ali era a sua vida que estava em jogo. Além disso, ele poderia ter outras chances. Concertaria seu passado, seria revivido e ainda poderia pedir desculpar pessoalmente a Aioros.

Em movimentos extremamente rápidos, levantou a adaga em direção às costas de Aioros, acertando-o em cheio, deixando-o ajoelhado tanto pela dor, quanto pela surpresa. Saga sabia que uma punhalada não seria o bastante para nocautear um cavaleiro como Aioros, que recomeçou a expandir o cosmo. Porém, antes de tentar qualquer coisa, foi atingido repetidas vezes, até que seu cosmo e sinais vitais desaparecessem.

Saga estava completamente atordoado pelo que acabara de fazer. Largou a adaga ensangüentada e o cavaleiro desacordado no chão, enquanto uma lágrima caia solitária pela sua face. Não teve que esperar muito tempo para ouvir vozes e cosmos se aproximando. Tinha duas opções: ficava e esperava que os donos dos cosmos viessem para constatar o crime que ele havia cometido e o prendessem, ou então usava a ampulheta e se despedia daquela maldita realidade.

Sua mente fervilhava de pensamentos e possibilidades. Mas, dada a importância de sua "missão" ele não poderia pôr tudo a perder. Entregar-se naquele momento significava ser preso e ir a julgamento pelas leis do Santuário, as quais, provavelmente, o condenariam a morte. Arrependeu-se de ter agido por impulso, embora de qualquer forma, a morte era o seu destino certo ali, pois Aioros, obviamente, o denunciaria.

Constatou com frustração que ele não tinha mais nada a fazer naquela realidade e que desperdiçara sua primeira chance. Levou as mãos a pequena ampulheta virando-a para o outro lado, começando uma nova contagem de tempo. Simultaneamente, tudo escureceu ao seu redor.

Continua...