NARUTO NÃO ME PERTENCE- E SIM A MASASHI KISHIMOTO

ESTA HISTÓRIA TAMBÉM NÃO- É UMA ADAPTAÇÃO DO LIVRO DE SUZANNE ENOCH!

P.S:Só para esclarecer, o apelido do Sasuke é "Bit", é fácil se confundir se não souber disso...

Lady Tenten Halley observou lorde Neji entrar no salão de baile e perguntou-se por que as solas das botas lustrosas do visconde não esfumaçavam, já que o homem caminhava pelas trilhas do inferno. O restante dele certamente ardia em chamas enquanto, moreno e diabolicamente sedutor, dirigia-se às salas de jogos. Ele nem sequer notou quando Elinor Blythem lhe deu as costas.

— Eu odeio aquele homem — Tenten murmurou.

— Como disse? — lorde Lee perguntou, empreendendo os passos da quadrilha.

— Nada, milorde. Estou pensando em voz alta.

— Pois então partilhe seus pensamentos comigo, lady Tenten. — Lee tocou a mão dela, virou-se e desapareceu atrás da srta. Partrey antes de voltar novamente a encará-la. — Nada me agrada mais que o som de sua voz.

Exceto, talvez, o ouro que tilinta em minha bolsa. Tenten suspirou. Ela se tornava cada vez mais intolerante.

— Está apenas sendo gentil, milorde.

— Essa é uma impossibilidade no que lhe diz respeito, milady.

Quando deram outra volta no salão, ela notou que Neji saía de seu campo de visão. Provavelmente o devasso ia fumar um charuto com seus amigos igualmente libertinos. A presença do visconde havia estragado a noite agradável. Como fora sua tia quem organizara a soirée, não podia imaginar quem o convidara.

Seu parceiro de dança se juntou a ela outra vez. Tenten presenteou o garboso barão com um sorriso determinado. Tinha de eliminar o diabólico Neji de seus pensamentos.

— Está muito disposto esta noite, lorde Lee.

— A senhorita me inspira — o barão disse.

A dança terminou. Enquanto o barão pegava um lenço no bolso, Tenten avistou Sakura e Hinata juntas à mesa de refrescos.

— Obrigada, milorde — Tenten agradeceu e fez uma cortesia antes que ele a convidasse para um passeio pelo salão. — Milorde me exauriu. Poderia me dar licença?

— Eu... É claro, milady.

— Lee? — Sakura exclamou por trás do leque quando Tenten se juntou a elas. — Como aconteceu?

— Ele queria recitar o poema que escreveu em minha homenagem, e o único jeito de calá-lo logo depois da primeira estrofe foi aceitando o convite para dançar.

— Ele escreveu um poema para você? — Hinata a tocou no braço e guiou as amigas em direção às cadeiras dispostas em um canto do salão.

— Sim. — Grata ao ver Lee selecionar uma das debutantes como sua próxima vítima, Tenten aceitou a taça de vinho que um criado lhe oferecia. Após três horas de quadrilhas e valsas, seus pés latejavam. — E você sabe que palavras rimam com Tenten?

— Não. Conte-me — Hinata pediu, rindo.

— Nenhuma. Ele inseriu "en" ao final de cada palavra. "Oh, Tenten, sua beleza é minha luzen, seu cabelo é tão nobre quanto uma moeda de ouren, seu..."

Sakura ficou chocada.

— Meu Deus, pare agora mesmo. Ten, você tem o talento de fazer os homens dizerem as coisas mais ridículas do mundo.

Tenten meneou a cabeça e ajeitou uma mecha castanha que havia escapado da presilha.

— Meu dinheiro tem esse talento.

— Não seja tão cínica. Afinal, ele se deu o trabalho de escrever um poema — Hinata argumentou.

— Você tem razão. É triste notar que me tornei ranzinza aos vinte e quatro anos.

— Vai escolher Lee para sua lição de cavalheirismo? — Hinata perguntou. — Parece que ele poderia aprender algumas coisas, como, por exemplo, que as mulheres não são parvas.

— Para ser franca, não creio que ele valha o esforço. — Tenten sorriu. — Aliás... — Um movimento na escadaria a alertou. Neji voltou ao salão, de braço dado com uma mulher. Mas não se tratava de qualquer mulher, ela notou, irritada; era Hanabi Johns.

— Aliás o quê? — Sakura seguiu o olhar da amiga. — Oh, Deus! Quem convidou Neji ?

— Eu não fui.

A srta. Johns devia ter dezoito anos. Portanto, era doze anos mais nova do que Neji . Porém, no que se referia a atos pecaminosos, ele a superava em séculos. Tenten escutara rumores de que o visconde cortejava uma dama e, dadas a fortuna da família e a inocência da jovem, Hanabi era o alvo perfeito, a pobre moça.

Quando Neji segurou as mãos de Hanabi, Tenten cerrou os dentes. O visconde disse algo e, com um sorriso, soltou a jovem e se afastou. O rosto de Hanabi enrubesceu e, em seguida, empalideceu, antes de ela fugir do salão.

Tenten se levantou e encarou as amigas.

— Não será Lee — declarou, surpresa com a própria determinação. — Pensei em um aluno diferente, alguém que necessite de uma lição imediatamente.

Os olhos de Hinata se arregalaram.

— Está pensando em lorde Neji ? Você o odeia. Nem sequer fala com ele.

A risada de Neji ecoou do outro lado do salão. O sangue de Tenten ferveu. Obviamente, ele não se importava em magoar uma jovem. Oh, sim, Neji precisava de uma lição! Afinal, ele fora o motivo que as levara a fazer a lista. E Tenten sabia que tipo de lição pretendia lhe ensinar. Aliás, não conseguia pensar em ninguém mais qualificada do que ela própria para essa façanha.

— Sim. E, é claro, terei de partir o coração do visconde, embora eu não tenha certeza de que ele o possua. Mas...

— Quieta — Hinata disse, acenando discretamente.

— Quem possui o quê?

Tensa, Tenten se virou.

— Eu não falava com milorde.

Neji Uchiha fitou-a com seus intensos olhos perolados. Certamente, ele não possuía um coração, já que conseguia sorrir de forma tão charmosa e sensual logo depois de reduzir outra mulher às lágrimas.

— Mas aqui estou — Neji continuou —, somente para lhe dizer como está linda esta noite, lady Tenten.

Ela sorriu, embora por dentro estivesse furiosa. Agora o visconde a elogiava, enquanto a pobre Hanabi estava em algum canto escuro chorando.

— Escolhi este vestido pensando em milorde — Tenten disse, alisando a saia. — Gostou mesmo?

Neji não era tolo e, embora sua expressão não mudasse, ele recuou um passo. Tenten não segurava o leque, mas o de Sakura estava a seu alcance, caso ela pretendesse atacá-lo.

— Gostei, sim, milady. — O exame minucioso de Neji a deixou com a estranha sensação de que ele sabia diferenciar seda e algodão.

— Então, usarei este traje em seu enterro — Tenten revelou, sorridente.

— Ten... — Sakura murmurou.

— Quem disse que será convidada? — Com um sorriso malicioso, ele se virou. — Boa noite, senhoritas.

Oh, ele definitivamente precisava aprender uma lição!

— Como vão suas tias? — Tenten perguntou antes que ele se afastasse.

— Minhas tias?

— Sim. Não as vi esta noite. Como elas vão?

— Tia Edwina vai muito bem — Neji respondeu, ressabiado. — Tia Milly está se recuperando, embora não tão rapidamente quanto ela deseja. Por quê?

Tenten não tinha a menor intenção de explicar-se. Melhor seria deixá-lo na ignorância até que ela elaborasse os detalhes do plano que começava a criar.

— Por nada. Por favor, mande lembranças minhas a elas.

— Farei isso. Senhoritas.

— Lorde Neji .

Tão logo ele se foi, Sakura soltou o braço de Tenten.

— É assim que pretende fazer um cavalheiro se apaixonar por você? Estava me perguntando o que eu tenho feito de errado.

— Ora, não posso simplesmente me jogar nos braços dele. Neji ficaria desconfiado.

— Então, como vai conquistá-lo? — Hinata, sempre otimista, agora estava cética.

— Antes que eu faça qualquer coisa, preciso falar com uma pessoa. Conversarei com vocês amanhã.

Tenten saiu em busca de Hanabi Johns. Neji havia desaparecido, mas isso não a impediu de continuar atenta. Uma das características mais irritantes do visconde era que ninguém sabia onde ou quando ele poderia aparecer. De súbito, lembrou-se de que não lhe perguntara quem o tinha convidado para a festa.

Uma busca extensa não revelou nenhum sinal da bela debutante e, preocupada, Tenten foi ao encontro da tia, a fim de retomar seus deveres de anfitriã. Ser acompanhante de tia Frederica implicava certas responsabilidades, e passar a noite sorrindo para os convidados, quando preferia ir até seu quarto para tramar estratégias, era uma delas.

Fazer Neji Uchiha se apaixonar por ela era um risco grande, mas o visconde precisava aprender aquela lição. Neji já havia partido vários corações. Por isso, ela precisava obrigá-lo a se redimir.

X

Neji Uchiha desviou a atenção do London Times quando ouviu uma batida à porta de sua residência. O preço da cevada caíra novamente, dois meses antes de sua plantação estar pronta para a colheita.

Ele suspirou. As perdas provavelmente sugariam o lucro que conseguira obter com a colheita da última primavera. Estava na hora de outra reunião com seu advogado, Beacham, para avaliarem a venda ao mercado americano.

Mais uma vez, uma batida à porta ecoou pela residência.

— Dawkins, a porta! — Neji chamou, tomando um gole de café. Pelo menos, algo bom advinha das colônias. E, dado o preço do café e do tabaco, talvez conseguissem cobrir o prejuízo da cevada.

Ao escutar, pela terceira vez, a batida à porta, ele dobrou o jornal e se levantou. As excentricidades de Dawkins, embora engraçadas, mantinham o bom homem ocupado com a prataria ou cochilando em uma das salas. O restante dos criados, no mínimo, devia estar às voltas com a família. Ou então havia fugido sem aviso prévio.

Com a sorte que estava tendo ultimamente, era provável que uma manada de advogados e cobradores o esperasse à porta da frente para cobrar suas dívidas.

— Sim? — Neji disse ao abrir a porta. — O quê...

— Bom dia, lorde Neji . — Lady Tenten Halley, em seu vestido verde, lhe fez uma cortesia.

Neji ficou boquiaberto. Normalmente, a visita de uma mulher tão linda seria algo bom. Porém, não havia nada de normal em se tratando de Tenten Halley.

— O que está fazendo aqui? — perguntou, notando que uma criada se encontrava logo atrás dela. — Não está armada, está?

— Somente com meus talentos — ela retrucou. Neji fora atingido pelos talentos dela em mais de uma ocasião.

— E por que está aqui?

— Porque vim visitar suas tias. Por favor, afaste-se. — Erguendo as saias, ela passou por ele.

O perfume de lavanda invadiu o vestíbulo.

— Não quer entrar? — Neji a convidou com atraso.

— Você não leva jeito para mordomo — Tenten disse. — Poderia, por favor, conduzir-me às suas tias?

Neji cruzou os braços.

— Já que não levo jeito para mordomo, você poderia procurá-las sozinha.

A bem da verdade, ele estava curioso para saber por que Tenten resolvera visitar a Mansão Uchiha. Ela conhecia aquele endereço havia anos, mas era a primeira vez que se dava o trabalho de aparecer.

— Alguém já lhe disse como é rude? — Ela o encarou.

— Já. Você o fez em várias ocasiões, se bem me lembro. No entanto, caso queira se desculpar, ficarei feliz em conduzi-la para onde quiser ir.

Um rubor súbito coloriu a face alva de Tenten.

— Nunca pedirei desculpas a você.

Ele não esperava que isso acontecesse, mas continuava insistindo a cada oportunidade.

— Muito bem. Lá em cima, primeira porta à esquerda. Estarei tomando meu desjejum, caso precise de meus serviços. — Neji voltou ao seu café e ao jornal.

Enquanto ela subia a escada, escutou-a resmungar. Sorrindo, ele se sentou à mesa novamente. Tenten Halley atravessara Mayfair para visitar suas tias, embora as tivesse visto quinze dias atrás, antes de tia Milly ter sofrido outro ataque de gota.

— O que diabos ela está tramando? — murmurou.

Dado o passado que tinham, não confiava em Tenten. Neji se levantou, deixando os resquícios do desjejum sobre a mesa, para o caso de os criados resolverem aparecer. Onde estavam todos naquela manhã?

— Tia Milly? — ele chamou ao subir a escadaria.

Três anos atrás, quando convidara as tias para morar com ele, abrira mão da sala localizada no segundo pavimento da mansão, onde agora eram encontrados rendas, bordados e todo o tipo de adereços femininos.

— Tia Edwina? — Neji entrou no espaço ensolarado. — Ora, não sabia que tinham uma visita esta manhã. E quem seria esta encantadora dama?

— Oh, fique quieto! — Tenten rebateu e virou de costas para ele.

Millicent Uchiha, vestindo uma versão assustadora de um quimono oriental, apontou sua bengala em direção ao sobrinho.

— Sabe muito bem quem veio nos visitar. Por que não me disse que ela nos mandou lembranças, menino levado?

Neji abaixou a bengala e beijou o rosto pálido da tia.

— Porque estavam dormindo quando cheguei, e a senhora informou a Dawkins que não queria ser incomodada esta manhã, minha borboleta cintilante.

Ela riu.

— É verdade. Pegue biscoitos para mim, por favor, querida Edwina.

A figura angular que se achava em um canto da sala se pôs em movimento.

— Claro, irmã. E você, Tenten, já tomou seu café da manhã?

— Já, srta. Edwina — Tenten replicou com tamanha candura que Neji se assustou. Ele, ela e a candura não costumavam conviver. — E, por favor, fique onde está. Vou buscar os biscoitos para a srta. Milly.

— É um tesouro, Tenten. Sempre digo isso a sua tia Anko.

— Gentileza sua, srta. Edwina. Se eu fosse mesmo um tesouro, já teria vindo vê-las, em vez de fazê-las viajar por Mayfair para visitar tia Anko e a mim. — Ela se levantou e pisou de propósito no pé de Neji ao pegar o prato de biscoitos na bandeja de chá. — Como preferem seu chá, srta. Milly? Srta. Edwina?

— Oh, não se dê o trabalho de tanta formalidade, querida. Não preciso ser lembrada a toda hora que sou uma solteirona velha. — Milly riu de novo. — E a pobre Edwina é ainda mais anciã.

— Que bobagem — Neji interveio com um sorriso. Precisou se conter para não esfregar o pé dolorido. Pelo jeito, Tenten usava sapatos de aço, já que não podia pesar uma tonelada. Ela era alta e esguia, com quadris arredondados e seios avantajados, detalhes que Neji apreciava muito em uma mulher. E essas características haviam causado o problema que existia entre ambos. — São jovens e lindas como a primavera.

— Lorde Neji — Tenten começou, amável e educada, enquanto distribuía chá e biscoitos somente às tias —, tive a impressão de que não queria juntar-se a nós esta manhã.

Então ela queria se livrar dele. Mais um motivo para Neji ficar, embora não tivesse a intenção de deixá-la pensar que estava curioso quanto ao que as três conversariam.

— Eu procurava Bit e Itachi — improvisou. — Eles vão me acompanhar a Tattersall esta manhã.

— Acho que os vi no salão de baile — Edwina disse. Sempre usando roupas pretas, e acomodada em um canto da sala onde o sol da manhã não batia, ela se assemelhava a uma das personagens infames de Shakespeare. — Por algum motivo, todos os criados também estão lá.

— Espero que Itachi não esteja tentando explodir alguma coisa outra vez. Podem me dar licença, senhoritas?

Quando retornava a seu lugar, Tenten tentou pisar novamente no pé dele. Mas, dessa vez, Neji estava preparado e se precipitou até a porta antes que ela pudesse feri-lo.

Tinha a intenção de descobrir por que Tenten queria tanto conversar com suas tias. No entanto, sabia que poderia obter mais detalhes depois que ela fosse embora. Por ora, precisava informar a seus irmãos que eles o acompanhariam ao mercado de cavalos.

No terceiro pavimento, onde se localizava o salão de baile, o som de aplausos reverberou pelo corredor. Aquilo explicava onde estavam os criados, mas não aliviava a ansiedade de Neji quanto ao que Itachi poderia estar aprontando.

Ele abriu as portas do salão e quase foi atingido por uma flecha.

— Maldição! —Neji abaixou-se rapidamente.

— Jesus! Neji, você está bem? — Largando o arco, o segundo-tenente Itachi Uchiha, da Marinha Real de Sua Majestade, cruzou o espaço amplo e segurou-o pelos ombros.

— Obviamente — Neji ralhou —, quando eu disse que não era para acender pólvora dentro de casa, falhei ao não acrescentar que o uso de armas mortais no salão de baile também está proibido. — Ele apontou a figura imóvel, sentada no parapeito da janela. — Não ria!

— Não estou rindo – Sasuke respondeu

— Ótimo. — Os criados começaram a se retirar do salão. — Dawkins!

O mordomo se deteve.

— Sim, milorde.

— Cuide da porta da frente. As tias têm visita.

— Imediatamente, milorde.

— Quem está aqui? — Itachi perguntou, arrancando a flecha cravada no batente da porta.

— Ninguém. Guarde seu brinquedo novo onde o Yuu não possa encontrá-lo e venha comigo. Vamos a Tattersail.

— Vai comprar um pônei para mim?

— Não, para Yuu.

— Não tem dinheiro para comprar um pônei.

— Temos de manter as aparências. — Neji olhou outra vez para a janela do salão. — Vem conosco, Bit?

Como já era de se esperar, o homem moreno meneou a cabeça.

— Não. Tenho algumas correspondências para ler.

— Vá, pelo menos, fazer um passeio com Gaara hoje à tarde.

— Provavelmente, não.

— Ou cavalgar.

— Talvez.

Preocupado, Neji desceu a escada com Itachi.

— Como ele está?

O irmão deu de ombros.

— É mais próximo dele do que eu, Neji. Se Bit não conversa com você, como eu conseguiria essa façanha?

— Sempre acredito que a culpa é minha e que ele se mostra falante com os demais- Itachi sacudiu a cabeça.

— Ele é uma esfinge. Mas acho que Sasuke sorriu quando quase atingi você com a flecha, se isso lhe serve de consolo.

— Já é alguma coisa.

Embora preocupado com a contínua reticência do irmão do meio, Neji acreditava que a presença de Tenten Halley em sua casa era ainda mais perturbadora. Algo estava acontecendo, e tinha a nítida sensação de que em breve descobriria o que era.

Naquele momento, porém, precisava comprar um pônei para seu irmão caçula com um dinheiro que não tinha para gastar. Mas se havia algo que causava orgulho à família era a habilidade com cavalos, e Neji já protelara demais a iniciação do pequeno.

— Quem está com as tias? — Itachi insistiu. Neji suspirou. Eles descobririam cedo ou tarde.

— Tenten Halley.

— Tenten... Por quê?

– Não faço idéia. Mas, caso ela pretenda incendiar a casa, prefiro estar bem longe daqui. — Era um exagero, claro; porém, quanto menos falasse dela, melhor.

X

Embora houvesse decidido ficar o mais longe possível dos Uchiha, Tenten sempre tivera afeto por Milly e Edwina.

— Então — ela explicou —, depois que Greydon se casou, minha tia não necessita mais de companhia. Ela e a nora, Emma, estão se dando muito bem e não quero atrapalhá-las.

— E você não pretende voltar a Shropshire, certo? Não durante a temporada de verão.

— Oh, não. Meus pais ainda têm três filhas a serem apresentadas à sociedade. Duvido que me queiram em casa para servir de péssimo exemplo para as minhas irmãs.

Edwina acariciou a mão de Tenten.

— Não é um péssimo exemplo, querida. Milly e eu nunca nos casamos e jamais lamentamos a ausência de um marido.

— Claro que tivemos vários admiradores — Milly contou. — A questão é que nunca encontramos o homem certo. Não sinto falta do casamento. Admito, porém, que estando com esse pé assim, sinto saudades de dançar.

— Por isso, estou aqui. — Tenten respirou fundo. Era hora de movimentar a primeira peça do tabuleiro. — Pensei que talvez precisasse de alguém para ajudá-la a se recuperar, e eu gostaria de me sentir útil...

— Oh, sim! — Edwina a interrompeu. — Outra mulher na casa seria esplêndido! Com todos os meninos Uchiha em Londres até o final do verão, seria um alívio ter alguém civilizado para conversar.

Tenten sorriu, segurando a mão de Milly.

— O que acha, Milly?

— Estou certa de que você deve ter coisas mais interessantes a fazer, em vez de seguir uma solteirona que sofre de gota.

— Bobagem. Assumirei a tarefa de vê-la dançando outra vez — Tenten respondeu, segura. — E será um prazer fazer isso.

- Diga sim, Milly. Vamos nos divertir tanto!

Milly Uchiha sorriu.

— Sim.

Tenten bateu palmas, escondendo seu alívio com o entusiasmo.

— Maravilhoso!- Edwina se levantou.

— Pedirei a Dawkins que prepare um quarto para você. Receio que, com todos os irmãos na cidade, a ala oeste esteja ocupada. Você se incomoda com o sol da manhã?

— De jeito nenhum. Acordo cedo. — Sem dúvida, não conseguiria dormir, sabendo que o diabólico Neji Uchiha estava sob o mesmo teto. Aquele plano era uma insanidade. Mas, se ela não o pusesse em prática, quem o faria?

Enquanto a irmã se retirava, Milly permaneceu em sua poltrona confortável, rodeada de travesseiros e com o pé enfaixado acomodado sobre um banco.

— Estou muito feliz por tê-la conosco — ela disse, tomando chá. — Mas tenho a forte impressão de que você e Neji não se dão bem. Tem certeza de que quer fazer isso?

— Seu sobrinho e eu temos nossas diferenças, sim — Tenten admitiu, cautelosa. Neji, obviamente, interrogaria as tias para saber por que ela as visitara. Logo, precisava começar a armar sua armadilha — Mas nada disso impede que eu passe algum tempo com você e Edwina.

— Se tem certeza...

— Tenho certeza. Vocês me deram um objetivo. Detesto me sentir inútil.

— Preciso escrever para sua tia, pedindo permissão para que você fique aqui?

— Oh, é claro que não! Tenho vinte e quatro anos, Milly. E ela ficará feliz em saber que estou com você e Edwina. — Ela se levantou. — Aliás, preciso falar com tia Anko e cuidar de alguns assuntos. Quer que me mude ainda hoje?

Milly riu.

— Ainda me pergunto se você tem noção do que está prestes a fazer, mas, sim, será ótimo tê-la conosco durante o jantar. Vou pedir à sra. Goodwin que coloque mais um prato na mesa.

— Obrigada.

Tenten chamou a criada e se dirigiu para a carruagem da tia.

Milly Uchiha se aproximou da janela para ver a carruagem da duquesa partir.

— Sente-se, Milly! — Edwina exclamou ao voltar para a sala. — Ou vai estragar tudo.

— Não se preocupe, Winna. Tenten foi buscar seus pertences, e Neji está em Tattersall.

— Não consigo acreditar que tenha sido tão simples.

Milly voltou a se sentar na poltrona e sorriu para a irmã, apesar de suas reservas.

— Bem, ela nos poupou o trabalho de ir à casa de Frederica para pedir-lhe que nos emprestasse a sobrinha durante a temporada, mas não alimente tantas esperanças.

— Bobagem. Tenten e Neji tiveram aquela briga há seis anos. Você prefere que ele se case com uma daquelas debutantes afetadas? Esses dois formam o casal perfeito.

— Sim, como fogo e pólvora.

— Você vai ver, Milly.

– É disso que tenho medo.

X

Tudo tinha corrido muito bem, Tenten concluiu, ainda chocada com o que acabara de fazer. Bastara insinuar a mudança para as duas senhoras fazerem todo o restante por ela. Quando retornou à Mansão Hawthorne, no entanto, a realidade começou a se impor.

Havia concordado em residir por tempo indeterminado na Mansão Uchiha, onde veria Neji diariamente. E iniciara um plano que não sabia se teria coragem suficiente para levar até o fim. Um plano que colocaria Neji em seu devido lugar e lhe ensinaria as conseqüências de partir corações.

-Ninguém merece mais do que ele — murmurou.

A criada, sentada diante dela, piscou várias vezes.

— Milady?

— Não é nada, Mary. Só estou pensando alto. Importa-se em mudar de residência?

-Não, milady. Será uma aventura.

Conseguir que a criada fosse sua aliada no plano era uma coisa; convencer a tia, porém, seria diferente.

— Tenten, você ficou louca! — Anko Brakenridge, a duquesa de Wycliffe, sentou-se no sofá com uma xícara de chá na mão. O líquido respingou no pires.

— Pensei que gostasse de Milly e Edwina Uchiha! — Tenten protestou, na tentativa de manter a expressão inocente.

— E gosto. Pensei que você não gostasse de lorde Neji. Passou seis anos reclamando do beijo que ele lhe roubou para ganhar uma aposta ou algo parecido.

Foi preciso muito controle para que Tenten não corasse.

— Isso parece uma tolice após tanto tempo, não acha? Além do mais, a senhora não precisa de mim, e meus pais também não. A srta. Milly se beneficiaria com uma acompanhante.

Anko suspirou.

— A despeito de precisar ou não, Tenten, gosto de sua companhia. Esperava perdê-la apenas para o casamento. Com sua fortuna, não há motivos para ir de senhora em senhora até que a velhice a obrigue a também necessitar de companhia.

Havia um motivo poderoso para Tenten continuar solteira, mas jamais o revelaria.

— Não quero me casar, e não posso servir o Exército ou seguir o sacerdócio. A preguiça não combina comigo. Fazer companhia a uma amiga me parece a ocupação mais tolerável... até eu atingir uma idade na qual a sociedade entenderá que meu único desejo é devotar tempo e dinheiro à caridade, não ao casamento.

— Bem, você parece ter planejado tudo. Quem sou eu para impedi-la? — Anko perguntou, resignada. — Vá e dê lembranças minhas a Milly e Edwina.

— Obrigada, tia Anko.

Para sua surpresa, a tia a abraçou.

— Sabe que será bem-vinda a qualquer momento. Por favor, lembre-se disso.

Tenten beijou-a no rosto.

— Vou lembrar. Obrigada.

Ainda precisava falar com Hanabi Johns no baile Ibbottson, quinta-feira. Mas, nesse ínterim, tinha um plano a elaborar.

X

Quando Neji desceu para jantar, a casa se encontrava estranhamente silenciosa. A família devia estar reunida na sala de jantar, mas o silêncio era diferente do habitual. A Mansão Uchiha parecia estar à espera de um evento bombástico.

Ou talvez, ele ponderou antes de abrir a porta, a visita de lady Tenten tivesse alterado sua percepção das coisas. Ele entrou na sala e... parou, boquiaberto.

Ela estava lá, sentada à mesa e rindo de algo que Itachi dissera. A expressão de surpresa devia estar estampada em seu rosto porque Tenten o encarou, desafiadora.

— Boa noite, milorde — ela disse sorrindo, embora os olhos verdes transmitissem frieza.

— Lady Tenten — Neji a cumprimentou.

— Está atrasado para o jantar — o irmão caçula, Yuu, anunciou. — Tenten diz que isso é falta de educação.

Era a primeira vez que o Chibi a encontrava, e já haviam dispensado as formalidades. Neji se sentou à cabeceira da mesa, irritado ao notar que algum idiota posicionara Tenten à sua direita.

— Da mesma forma que ficar para o jantar sem ser convidado.

— Ela foi convidada — Milly declarou.

Nesse momento, Neji percebeu que, pela primeira vez em dias, ambas as tias estavam presentes à refeição. Amaldiçoando Tenten por ter desviado sua atenção da família, ele se levantou.

— Tia Milly, bem-vinda de volta ao caos. — Ele rodeou a mesa e a beijou no rosto. — Mas devia ter me chamado. Eu ficaria feliz em carregá-la até aqui.

— Que bobagem! — a tia disse, corada. — Tenten trouxe uma cadeira de rodas quando voltou. Ela e Dawkins me empurraram até a sala de jantar. Foi divertido.

Neji encarou a convidada.

— Ela voltou?

— Sim — Tenten confirmou com doçura. — Vou me hospedar aqui.

— Não vai, não.

— Vou.

— Não é...

— Ela vai ficar aqui — Edwina o interrompeu. — Tenten se ofereceu para ajudar Milly. Então, fique quieto e sente-se, Neji Michael Uchiha.

Ignorando a risadinha do irmão caçula, Neji voltou a fitar Tenten. A atrevida sorriu para ele novamente.

Pelo jeito, as maldades que ele fizera na vida tinham sido tão excessivas que seu castigo eterno estava chegando cedo. Com um sorriso falso, Neji se sentou.

— Entendo. Se acredita mesmo que ela possa auxiliá-la, tia Milly, não tenho nenhuma objeção.

— Não tem nenhuma objeção? — Tenten repetiu, indignada. — Ninguém lhe perguntou...

— Eu gostaria de apontar, lady Tenten — ele continuou —, que resolveu se hospedar em minha casa com cinco cavalheiros solteiros, sendo que três deles são adultos.

— Quatro — Gaara o corrigiu. — Tenho dezessete anos. Sou mais velho que Romeu quando se casou com Julieta.

— Mas é bem mais novo que eu — Neji alegou, encarando o irmão. A falta de disciplina em geral não o incomodava, mas Tenten não precisava de mais munição para usar contra ele.

— Não se preocupe com minha reputação, lorde Neji — ela disse, evitando fitá-lo. — A presença de suas tias prove a respeitabilidade de que necessito.

Por alguma razão desconhecida, ela estava determinada a ficar. Neji descobriria o motivo mais tarde, quando não houvesse meia dúzia de pessoas atentas a cada palavra que ambos diziam.

— Pois muito bem — ele concedeu. — Mas não diga que não avisei.

Embora não fosse imune ao charme de Tenten, Neji havia aprendido a aparentar indiferença. Itachi, dois anos mais novo e com uma reputação tão devassa quanto a sua, não era tão habilidoso. Por outro lado, Sasuke, com vinte e seis anos, poderia estar jantando sozinho, dado o grau de alienação. Gaara se deleitava e Yuu, de repente, mostrava-se fascinado por aprender boas maneiras à mesa. Neji conseguiu jantar sem sofrer um ataque apoplético e, no final, refugiou-se na sala de bilhar para fumar e praguejar. Não havia mais nada entre ele e Tenten; ela deixara isso muito claro. Porém, o que quer que estivesse acontecendo o desagradava sobremaneira. Irritava-o saber que teria que ir até ela para conseguir suas respostas. A menos que pudesse investigar com Milly e Edwina, que obviamente também haviam sucumbido ao charme da dama e certamente desconheciam o que ela estava aprontando.

— Ela já se recolheu.

Neji levou um susto. Bit se achava à soleira da porta de braços cruzados.

— O quê? Sasuke, a Esfinge, decidiu falar por vontade própria? É um milagre ou você pretende piorar as coisas?

— Pensei que gostaria dessa informação, caso estivesse cansado de se esconder. Boa noite. — Sasuke desapareceu no vestíbulo.

— Não estou me escondendo.

A verdade era que simplesmente criara regras para si no que dizia respeito a lady Tenten Halley. Se ela o atacasse, Neji responderia com gentileza; caso se insinuasse em um grupo do qual ambos faziam parte, ele não objetaria. E ela poderia continuar a agredi-lo com seus leques sempre que quisesse, porque Neji, particularmente, acreditava que a bela dama, no fundo, desejava tocá-lo. O contato não causava dor e lhe dava a oportunidade de comprar leques novos para ela, o que, para seu deleite, irritava-a ainda mais.

Mas aquela determinação de morar na Mansão Uchiha era diferente. Não havia nenhuma regra para isso, e ele precisava criar algumas antes que algo acontecesse.

Resignado, Neji apagou seu charuto e subiu.

X

Tenten, sentada diante da lareira, olhou para o livro em seu colo. Não havia dormido nada a noite anterior. Pensar em seu plano a mantivera acordada até o amanhecer.

Aquela noite, contudo, parecia ainda pior. Ele se encontrava na mesma casa, talvez no pavimento superior, talvez no mesmo corredor.

Uma repentina batida à porta quase a derrubou da cadeira,

— Acalme-se, pelo amor de Deus — murmurou para si mesma. Pedira um copo de leite morno a Dawkins, o mordomo, e seria improvável que Neji tentasse invadir seus aposentos àquela hora da noite. — Entre.

A porta se abriu, e Neji adentrou o cômodo.

— Está confortável? — ele indagou.

— Saia já daqui!

— Deixei a porta aberta. Portanto, abaixe o tom de voz se não quiser uma audiência aqui em questão de minutos.

Tenten respirou fundo. Ele tinha razão. Se sucumbisse ao pânico de ficar a sós com Neji, destruiria qualquer chance de lhe ensinar a lição que ele precisava aprender.

— Está bem. Vou dizer em voz baixa. Saia!

— Primeiro, quero saber o que está tramando, Tenten.

Ela nunca soubera mentir, e Neji estava longe de ser um tolo.

— Não sei por que imagina que eu esteja "tramando" alguma coisa. Minha situação mudou ao longo do último ano e...

— E você está aqui para cuidar de minhas tias com toda a bondade que lhe é peculiar — ele completou, apoiando-se no consolo da lareira.

— Exatamente. — Tenten preferia que ele não se sentisse tão à vontade em seu quarto. — O que mais eu poderia fazer, dadas as circunstâncias?

— Casar-se. Vá torturar seu marido e deixe-me em paz.

Tenten largou o livro e se levantou. Não queria discutir aquele tópico em particular. Na verdade, preferia que ele não o tivesse mencionado. Entretanto, se ela não se referisse ao assunto, Neji jamais acreditaria em nenhuma palavra gentil que ela dissesse agora ou no futuro, e muito menos se apaixonaria por ela.

— O casamento, lorde Neji , não é uma opção para mim, como deve saber.

Por um longo momento, ele a encarou com uma expressão sombria.

— Para ser franco, Tenten, sua virgindade perdida não importaria à maioria dos homens, já que seus dividendos são consideráveis. Eu poderia mencionar uma centena de cavalheiros que se casariam com você à primeira oportunidade.

— Não preciso, nem quero, um homem que se interesse apenas por meu dinheiro — ela retrucou. — Além disso, fiz um acordo com suas tias. E vou honrar minha palavra.

Neji endireitou o corpo. Ele parecia ainda mais alto e, antes que pudesse evitar, Tenten recuou.

— Preciso saber quanto pagou por aquela cadeira de rodas — Neji disse, voltando-se para a porta. — Quero reembolsá-la.

— Não é necessário — ela afirmou, tentando recobrar a compostura. — É um presente.

— Não aceito caridade. Mande o recibo para mim amanhã.

Ela conteve um suspiro de irritação.

— Está bem.

Depois que a porta se fechou, ela permaneceu onde estava por um longo tempo. Quando perdera a virgindade, como colocara Neji, ela se imaginara apaixonada. No dia seguinte, porém, descobrira que o visconde a seduzira para ganhar uma aposta... e uma de suas meias. Aquilo a magoara enormemente.

Apesar de Neji não ter se gabado de sua vitória para a alta sociedade, ela jamais o perdoara. E agora lhe mostraria como era doloroso ser traído. Talvez assim ele entendesse o que significava ser honrado e pudesse até mesmo se tornar um marido decente para uma jovem ingênua como Hanabi.

Com isso em mente, deitou-se e tentou dormir. Hanabi Johns precisava entrar no jogo para que Tenten não se sentisse tão impiedosa quanto Neji Uchiha era. Talvez devesse resolver logo essa questão. Esperar o baile Ibbottson daria a lorde Neji mais três dias para arruinar a vida da srta. Johns.

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A srta. Hanabi Johns se mostrou surpresa ao ver Tenten em sua casa na manhã seguinte. Com os cabelos negros presos no alto da cabeça e um vestido amarelo, Hanabi se assemelhava ao retrato da mais pura inocência.

— Lady Tenten — ela disse, com os braços repletos de flores.

— Srta. Johns, obrigada por me receber. Posso ver que está ocupada. Por favor, não deixe que minha presença a atrapalhe.

— Oh, obrigada. — A jovem sorriu e colocou as flores no vaso mais próximo. — Minha mãe adora rosas. Eu odiaria que elas murchassem, caso as deixasse sem água.

— São lindas. — Embora Hanabi não a tivesse convidado para sentar, Tenten se acomodou no sofá da sala.

Concentrada, a srta. Johns ajeitou as rosas à procura do ângulo perfeito. Bom Deus, aquela menina não tinha a menor chance contra Neji !

— Posso lhe oferecer chá, lady Tenten?

— Não, obrigada. Na verdade, eu gostaria de conversar com a senhorita. Trata-se de um assunto pessoal. — Ela olhou a criada que afofava as almofadas de outros móveis.

— Um assunto pessoal? — Hanabi riu. — Que intrigante! Hannah, isso é tudo. Pode ir.

— Sim, senhorita.

Assim que a criada saiu, Tenten se sentou em uma cadeira mais próxima de Hanabi.

— Sei que parece estranho, mas tenho um motivo legítimo para ter vindo até aqui sem avisar.

— Que motivo?

— A senhorita e lorde Neji . Há uma ligação entre ambos, não há?

Os olhos negros ficaram marejados.

— Oh, eu não sei... — A srta. Johns choramingou. Tenten correu e abraçou a jovem.

— Pronto, pronto — disse, amável. — Era isso que eu temia.

— Temia?

— Sim. Lorde Neji é muito difícil.

— Creio que sim. Às vezes, penso que vai me pedir em casamento e, de repente, o visconde muda o rumo da conversa. Nesses momentos, passo a duvidar se ele ao menos gosta de mim.

— Mas espera que ele a peça em casamento?

— Ele vive dizendo que precisa se casar, dança comigo em todos os bailes e até me levou para passear no Hyde Park. Claro que espero um pedido de casamento. Aliás, minha família toda o espera.

Hanabi se mostrou tão indignada que Tenten chegou a duvidar das intenções de Neji .

— É muito razoável. — Neji fizera o mesmo com ela, seis anos atrás, e Tenten também havia esperado o pedido de casamento. Tudo o que recebera, no entanto, fora a ruína, o roubo de um par de meias e um coração despedaçado.

— Nesse caso, tenho algo a confidenciar.

— Tem? — Amélia enxugou os olhos com um lenço cujo bordado combinava com seu vestido.

— Sim. Lorde Neji , como deve saber, é um grande amigo de meu primo, o duque de Wycliffe. Por causa disso, tive várias oportunidades ao longo dos anos de observar o comportamento do visconde em relação às mulheres. Ouso dizer que tal conduta sempre me horrorizou.

— Concordo.

Até agora tudo bem.

— Portanto, decidi que lorde Neji precisa aprender a se comportar diante do sexo oposto.

Hanabi a encarou, curiosa.

— Não entendi.

— Bem, eu me hospedei na Mansão Uchiha para ajudar a tia de lorde Neji a se recuperar da gota. Planejo aproveitar essa chance para demonstrar a ele como seu comportamento em relação à senhorita é deplorável. Sei que minha idéia é incomum e que talvez, em um curto espaço de tempo, lorde Neji possa parecer interessado em mim. Mas garanto que meu único objetivo é ensinar-lhe uma lição que acabará por encorajá-lo a pedi-la em casamento e o transformará em um marido melhor.

O argumento ao menos pareceu lógico para Hanabi.

— Faria isso tudo por mim? Nós nem sequer nos conhecemos.

— Somos mulheres, e ambas nos ofendemos com o comportamento de lorde Neji. Para mim, seria uma satisfação imensa ver que pelo menos um homem aprendeu como tratar uma dama.

— Lady Tenten — Hanabi se reaproximou das rosas —, acho que, se conseguir ensinar a Neji uma lição que o convença a se casar comigo, ficarei muito agradecida. — Ela franziu o cenho, preocupada. — Porque, para ser franca, ele me confunde com freqüência.

— Sim, ele se excede nesse aspecto.

— A senhorita o conhece melhor do que eu e, como é mais velha, suponho que seja igualmente sábia. Assim sendo, ficarei feliz se puder ensiná-lo essa lição. Quanto mais cedo, melhor, porque quero muito ser uma viscondessa.

Tenten sorriu, ignorando o insulto referente à sua idade.

— Então estamos acertadas. Como eu disse, em um primeiro momento a situação vai lhe parecer estranha, mas tenha paciência. No final, tudo dará certo.

Satisfeita, Tenten e sua criada entraram na carruagem e retornaram à Mansão Uchiha. Neji não saberia o que iria atingi-lo até ser tarde demais. Assim que seu plano chegasse ao fim, ele nunca mais pensaria em mentir para jovens vulneráveis ou roubaria suas meias enquanto estivessem dormindo. Depois disso, Neji ficaria feliz em se casar com Hanabi Johns.

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— Então, Beacham, conte-me as novidades.

O advogado parecia pouco à vontade quando se sentou diante de Neji, mas ele não considerou o comportamento como um sinal ruim. Aquele parecia ser o estado natural do homem.

— Fiz o que me pediu, milorde. — O advogado folheou a pilha de papéis até encontrar o que queria. — No último relatório, a cevada americana estava sendo vendida por sete xelins a mais do que é vendida aqui.

Neji fez alguns cálculos.

— São cento e quarenta xelins a tonelada, mais o custo do navio, que é de cem xelins por tonelada, certo? Não creio que valha a pena ou o esforço para um lucro de vinte libras, Beacham.

— Não são exatamente esses os números... — o advogado começou.

— Beacham, vamos em frente.

— Sim, milorde. Para onde vamos, milorde?

— Para o algodão:

Beacham tirou os óculos e limpou as lentes em um lenço. O manuseio dos óculos normalmente era um bom sinal.

— Com exceção das ovelhas Cotswold, o mercado do algodão está moroso.

— Eu crio ovelhas Cotswold.

— Eu sei, milorde. — Os óculos voltaram ao nariz.

— Todos sabemos disso. Continue. Meu verão depende das Américas, menos as despesas.

Os óculos, dessa vez, permaneceram onde estavam, o que fez Neji concluir que passara tempo demais em jogatinas estudando as fraquezas de seus oponentes. Por outro lado, ao longo do último ano, obtivera mais dinheiro em apostas do que pelos meios normais.

— Eu estimaria um lucro de aproximadamente cento e trinta e duas libras.

— Aproximadamente.

— Sim, milorde.

Neji soltou a respiração e logo a prendeu de novo quando uma silhueta feminina em um vestido amarelo passou diante da porta aberta do gabinete.

— Ótimo. Vamos prosseguir.

— Ainda assim é um risco, milorde, já que o tempo e a distância se somam à equação.

Sorrindo, Neji se levantou.

— Gosto de correr riscos. E sei que não é o suficiente para que minha situação se altere. Mas pode parecer que estou fazendo dinheiro, o que é importante.

— Se me permite a franqueza, milorde, eu gostaria que seu pai tivesse sido mais perspicaz quanto às finanças.

Ambos sabiam que o pai de Neji havia desperdiçado dinheiro com itens insignificantes, o que servira apenas para alertar os credores e seus pares. O resultado fora um desastre total.

— Eu lhe agradeço sua discrição e lealdade para conosco, Beacham. — Neji se dirigiu à porta. — É por isso que ainda trabalha para mim. Prepare a correspondência, por favor.

— Sim, milorde.

Neji encontrou Tenten à porta da sala de música.

— Onde esteve esta manhã? — ele perguntou. Assustada, ela o encarou com expressão de culpa.

-Não é da sua conta, Neji. Vá embora.

A reação o intrigou.

— Esta é minha casa. Tenho uma carruagem e um coche. Ambos estão à sua disposição. Você não precisa de transporte de aluguel.

— Pare de me espionar. Faço o que quero. — Hesitou, como se imaginasse que ele a seguiria até a sala de música. — Estou ajudando suas tias como amiga. Não sou sua criada. Portanto, quem, como, onde e quando vou a algum lugar é problema meu.

— Exceto em minha casa — Neji pontuou. — O que você quer na sala de música? Minhas tias não estão lá dentro.

— Estamos, sim — a voz de Milly retrucou. — Comporte-se.

Para sua surpresa, Tenten se aproximou.

— Decepcionado, Neji? Esperava conseguir me atormentar mais?

Ele conhecia bem aquele jogo.

— Qualquer expectativa em relação a você já foi satisfeita em meu caso, não foi? — Neji acariciou as madeixas castanhas que emolduravam o rosto delicado.

— Então, vou lhe dar algo mais com que se preocupar — ela rebateu, furiosa.

Neji só notou o leque que Tenten segurava quando o objeto o atingiu na mão.

— Droga! Sua atrevida! — ele grunhiu, esfregando a mão quando pedaços de marfim e papel caíram no chão. — Você não pode sair por aí batendo em cavalheiros.

— Eu nunca bati em um cavalheiro — ela respondeu e desapareceu na sala de música.

Irritado, Neji desceu a escadaria. Agora teria de encurtar seu almoço no White's para comprar outro leque. Ele sorriu. Apesar da precária situação financeira, comprar novos leques para Tenten era uma despesa da qual não abria mão. Nada a irritava mais que seus presentes.

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Neji observou o grupo de jovens damas reunidas em um canto do salão de baile Ibbottson. As que não eram tão jovens se achavam próximas à mesa de refrescos, como se a comida as tornasse mais interessantes para os lobos que as circundavam. Nunca vira Tenten em meio àquele mercado de carne, a menos que ela estivesse conversando com alguma pobre infeliz que fizesse parte daquilo.

Neji nunca conseguiria imaginar a filha de cabelos castanhos do marquês de Harkley unida à seção das solteironas sem esperança. A idéia de que ela pudesse ser forçada a tal condição por causa de suas ações de seis anos atrás era ridícula. Tenten era inteligente, bem-educada, talentosa, alta e linda. Também possuía uma fortuna fabulosa, algo que em si já era o suficiente para atrair pretendentes.

Ora, se soubesse na época em que condições seu pai deixaria as propriedades Uchiha, teria levado mais a sério conquistar o afeto de Tenten. Se ela não tivesse descoberto aquela aposta idiota e se convencido de que aquele fora o único motivo que o levara a seduzi-la, eles se encontrariam no momento em uma situação totalmente diferente.

— Aquela não é sua Hanabi? — perguntou tia Edwina.

— Ela não é minha Hanabi. Vamos, por favor, deixar isso bem claro. — Tudo de que não precisava era um mal-entendido entre ele e uma esposa em potencial. Com a escassez de dinheiro, estava prestes a se tornar um pretendente falido. Aliás, poderia muito bem acabar ao lado da tigela de ponche, junto com as donzelas em exposição.

— Você escolheu outra? — a tia indagou, segurando-lhe o braço. — Quem?

— Pelo amor de Deus, titia, pare de bancar a casamenteira. — Ao vê-la aborrecida, ele suspirou — Provavelmente será Hanabi. Mas gostaria de verificar toda a cesta de frutas antes de escolher meu pêssego.

— Você está se reconciliando com o casamento — Edwina riu.

— Por que diz isso?

— No mês passado, o casamento representava um veneno mortal. Agora é uma cesta de frutas e pêssegos.

— Sim, mas pêssegos têm caroços.

Uma cadeira de rodas parou em cima dos pés de Neji.

— O que tem caroços, querido? — Milly perguntou. Milly Uchiha era uma mulher rotunda, e seu peso, combinado com o da cadeira, o fez ver estrelas. A tia sorriu para ele de forma matreira. Ainda fitando-a, Neji empurrou a cadeira para trás. Assim que seus pés se libertaram, pôde respirar novamente.

— Pêssegos têm caroços, tia.

— E o que isso tem a ver com tudo o mais?

— Ele vai se casar com um pêssego — Edwina respondeu. — Mas tem medo de caroços.

Não tenho medo de caroços —Neji retrucou.

— É apenas uma questão de sabedoria.

— Então uma mulher é um pedaço de fruta... — Tenten apareceu. — E isso tornaria milorde o quê?

— Vamos deixar a pergunta como retórica, por favor.

— Qual é a graça disso?

Tenten estava de bom humor. Em outras ocasiões, Neji teria se divertido com aquela conversa. Mas já que pretendia passar a noite se convencendo de que conseguiria tolerar um pêssego chamado Hanabi Johns, não queria gastar a energia que seria necessária para enfrentar aquela mulher que o atormentava.

— Por que não continuamos a brincadeira mais tarde? — ele sugeriu. — Com licença, senhoras.

Neji se dirigiu ao rebanho de donzelas à espera dos predadores. Havia várias herdeiras entre elas, prontas para oferecer seus dotes em troca de um título. Hanabi Johns parecia a menos ofensiva, embora todas partilhassem a mesma mediocridade afetada.

— Milorde.

Neji se deteve ao escutar a voz feminina atrás de si.

— Lady Tenten. — Ele se virou.

— Eu... me lembro, de alguns anos atrás, que havia algo que milorde sabia fazer muito bem — ela disse, ruborizada.

Tenten não podia estar falando do que ele imaginava.

— Como disse?

— Sua valsa — ela esclareceu, ainda mais corada — Lembro-me de que sabe valsar muito bem.

— Está sugerindo que eu a convide para dançar? — Neji indagou, curioso.

— Pelo bem de suas tias, acho que deveríamos parecer amigos.

Aquilo foi inesperado, mas Neji estava disposto a jogar.

— Mesmo correndo o risco de ser recusado, lady Tenten, gostaria de valsar comigo?

— Sim, milorde.

Quando lhe estendeu a mão, Neji notou que os dedos dela tremiam.

— Prefere esperar uma quadrilha? Assim, não precisaremos dançar o tempo todo juntos.

— Claro que não. Não tenho medo de você.

Dito isso, Tenten segurou-lhe a mão e permitiu que ele a conduzisse até a pista de dança. Neji hesitou ao abraçar a cintura esguia. Ela estremeceu de novo, mas não vacilou.

— Se não está com medo, por que treme tanto?

— Porque não gosto de você, lembra-se?

— Você não permite que eu esqueça.- Tenten o encarou por um breve instante antes de desviar o olhar. Do outro lado do salão, Neji avistou o primo dela, o duque de Wycliffe, observando-os com explícita surpresa.

— Acho que Wycliffe vai desmaiar — Neji comentou para ter algo a dizer.

— Eu disse que deveríamos dançar para garantir às suas tias que podíamos nos dar bem — ela retrucou. — Isso não quer dizer que precisa conversar comigo.

Já que não podiam conversar, ele ao menos aproveitaria aquele momento. Tenten continuava graciosa ao valsar, tal qual se mostrara seis anos atrás. Esse era um dos problemas de tê-la como hóspede: Neji não havia superado completamente o desejo por ela. Tenten fora ávida e passional, e ele tivera o prazer perverso de ser o primeiro a possuí-la, apesar da tortura eterna que ela lhe infligia por causa disso.

— Já que vamos agir de modo amigável, permita-me recomendar que não cerre seus lábios com tanta força — ele murmurou.

— Não olhe para meus lábios.

— Posso olhar para seus olhos ou seu nariz? Seus lindos seios talvez?

Ela corou profundamente e o encarou, orgulhosa.

— Minha orelha esquerda. - Neji riu.

— Está bem. É uma bela orelha, devo admitir. E está no mesmo nível que a outra.

Os lábios rubros se contraíram, mas ele fingiu não notar. Afinal, estava concentrado nas orelhas. E, embora não olhasse para o restante do corpo, podia senti-lo. A saia rodada envolvia suas pernas, os dedos delicados apertavam e soltavam sua mão e, quando a virou, os quadris se tocaram.

— Mantenha distância — ela resmungou.

— Desculpe-me. É um velho hábito.

— Não valsamos há seis anos, milorde.

— Você é difícil de esquecer. - Os olhos cor de chocolate fitaram os dele.

— É um elogio? Meu Deus, acabaria sendo assassinado!

— Não. E um fato. Desde nossa... separação, você quebrou dezessete leques em mim e recentemente esmagou dois dedos de meu pé. Tudo isso é difícil de esquecer.

Quando a valsa terminou, Tenten se afastou. — Já cumprimos nosso papel. — Ela fez uma cortesia e se foi.

Pensativo, Neji observou o movimento dos quadris enquanto ela caminhava. Amigável ou não, Tenten conseguira fazê-lo esquecer que havia prometido a primeira valsa da noite a Hanabi. Agora aquela jovem sonsa o ignoraria até o fim da festa.

Ele a observou até vê-la desaparecer atrás do grupo de dançarinos. Somente um pé esmagado e uma valsa naquela noite. E, se suas suspeitas estivessem corretas, as lesões tinham apenas começado.

No momento em que a valsa terminou, as amigas de Tenten correram até ela.

— Então é verdade!

— Você conseguiu, Ten? Não acredito...

— Por favor, meninas. Preciso de ar fresco.

Juntas, Sakura e Hinata praticamente empurraram Tenten até a janela mais próxima. Tão logo a abriu, ela respirou profundamente o ar noturno.

— Melhorou? — Hinata perguntou.

— Quase. Mais um instante, por favor.

— Leve o tempo que precisar. Eu mesma preciso de alguns momentos para acreditar que a vi dançando com lorde Neji . Ele sorriu para você, sabia?

— Também vi. Ele já se apaixonou por você?

— Quietas. — Tenten fechou a janela e se sentou. — Claro que ele não se apaixonou por mim. Ainda estou preparando a armadilha para enredá-lo.

— Não acreditei quando Donna Bentley me disse que você havia se mudado para a Mansão Uchiha. Disse que nos contaria o que estava planejando, Tenten.

Tenten notou o tom de censura na voz de Sakura, porém nada podia fazer para remediá-lo.

— Eu sei, mas tudo aconteceu mais rapidamente do que eu esperava.

— Sem dúvida. E quanto aos rumores?

— As tias dele são muito amigas da duquesa — Tenten explicou. — Estou ajudando a srta. Milly enquanto ela se recupera da gota.

— Faz sentido, quando você coloca nesses termos — Hinata disse, aliviada. — E ainda não ouvi nenhuma versão diferente desta.

— Ten, tem certeza de que quer continuar com isso? — Sakura perguntou. — Sei que fizemos aquelas listas, mas agora tudo é real.

— Além disso, todos sabem que você odeia lorde Neji .

E todos achavam que o motivo era o fato de ele a ter beijado para ganhar uma aposta. Ninguém conhecia a verdadeira história: nem as tias dele, nem as amigas de Tenten e tampouco os nobres da alta sociedade. Somente Neji Uchiha. E ela pretendia manter esse segredo muito bem guardado.

— Meu ódio não é razão suficiente para eu lhe ensinar uma lição?

— Creio que sim, mas pode ser perigoso, Ten. Ele é um visconde, dono de grandes propriedades. E também possui certa reputação.

— E sou prima do duque de Wycliffe e filha do marquês de Harkley.

Seis anos atrás, Neji tivera a oportunidade de destruir sua reputação e não o fizera. Porém, a vingança que ele poderia querer, caso descobrisse o plano, era outra história. Tenten estremeceu. Se Neji desconfiasse, tudo iria por água abaixo.

— Tenho de admitir — Hinata disse — que estou empolgada. Saber de seu plano quando ninguém mais tem conhecimento dele é excitante.

— E ninguém pode saber, Hina —- Sakura advertiu, olhando para trás a fim de verificar se alguém as escutava. — Se descobrirem que tudo não passa de um jogo, Ten estará arruinada.

— Eu jamais diria qualquer coisa — Hinata protestou. — Sabe disso.

— Sei que posso confiar em vocês, amigas — afirmou Tenten.

— E que esse tipo de subterfúgio não condiz com nosso estilo — Hinata continuou.

Ela tinha razão.

— Não se esqueçam de que serão as próximas. — Tenten sorriu.

— Estou esperando para ver se você sobrevive ou não. — Sakura a fitou, séria. — Tenha cuidado, Ten.

— Pode deixar.

— Lady Tenten.

O cavalheiro que surgiu do outro lado do salão era o oposto de Neji , felizmente. Afinal, ainda não estava pronta para outro confronto.

— Lorde Westbrook. — Tenten sorriu, aliviada. O marquês se curvou.

— Boa noite. Srta. Haruno, srta. Hyuuga, meus cumprimentos às duas.

— Lorde Westbrook.

— Vejo que assumiu para si outra tarefa — ele comentou, fitando Tenten. — Os Uchiha devem estar muito gratos por sua assistência.

— A gratidão é mútua, posso lhe garantir.

— Seria otimismo de minha parte pensar que reservou uma das danças para mim?

Tenten encarou o garboso marquês de cabelos castanhos. Se o objetivo era fazer Neji se apaixonar por ela, teria de fingir estar enamorada dele, mas gostava de Kakurou, lorde Westbrook. Era mais cavalheiro que a maioria dos homens que a cortejavam e muito mais distinto que o visconde patife.

— Estou livre para a próxima quadrilha — ela o informou.

— Voltarei em alguns minutos. — Ele sorriu. — Minhas desculpas, senhoritas, por interromper a conversa.

— Esse homem — Sakura comentou quando o marquês se afastou — não precisa de nenhuma lição.

— Por que, então, ele ainda está solteiro? — Hinata perguntou.

Sakura olhou para Tenten.

— Talvez ele esteja interessado em alguém e espere que essa pessoa lhe dê abertura.

— Que bobagem — Tenten disse, levantando-se.

— Por que está corada?

— Não estou corada. — Como Westbrook não precisava de seu dinheiro, ele não a acharia interessante, se viesse a descobrir a indiscrição que ela e Neji haviam cometido. — Venham comigo conversar com Milly e Edwina. Elas dizem que sentem falta de uma conversa feminina civilizada.

— É nossa especialidade — Sakura disse.