Hey pessoas!

Primeiramente, obrigada pra quem leu e deixou review! Reviews pra mim, especialmente nessa fic, são MUITO importantes!

E sim, esse post de hoje é um presente meia-boca pra Laari (eu moro longe dela T.T) porque hoje é aniversário dela!! PARABÉNS AMORA, QUE VOCÊ SEJA MUITO FELIZ!! (e esteja gostando desse negócio aqui,hehehe).

Avisos: Vou logo dizendo que a Temari talvez esteja um pouco OC. Mas não dá pra ser muito problemática quando o seu namorado de dois anos e amor de uma vida inteira está com probleminhas de memória, certo? É o que eu penso. A Ino está aqui do jeito que eu queria que ela fosse no manga/anime, e ó, aqui ela é minha personagem-chave 8D (mas talvez isso fique mais explícito só no próximo capítulo) Ah sim, e eu separei os XXX melhor dessa vez! XD

Então, boa leitura pra quem se habilitar!


2 - Descoberta Dolorosa

- Amnésia pós-traumática?

- Exatamente. – A hokage confirmou, apoiando o queixo nas mãos. – Devido ao golpe que recebeu na cabeça, Shikamaru sofreu uma amnésia retrógrada, que fez com que ele se esquecesse dos eventos anteriores ao acidente.

Temari recostou-se na cadeira e fechou os olhos, sentindo um gosto amargo na boca e a cabeça rodar levemente. Ainda não havia se recuperado do choque de descobrir que ele não sabia mais quem ela era, ou quem eram as outras pessoas que estavam no quarto. Abraçou seus próprios braços, sentindo o frio se apoderar dela. Ino se aproximou e colocou a mão em seu ombro tentando, em vão, confortá-la.

- Mas ele não vai se lembrar de nós... Nunca mais? – Yoshino perguntou aflita enquanto Shikaku segurava a mão da esposa firmemente, tentando transmitir-lhe segurança apesar de aparentar estar tão abalado quanto ela.

- A amnésia pós-traumática é um quadro reversível, mas não podemos precisar quando a memória dele vai retornar completamente. Shizune e eu vamos realizar alguns exames. Geralmente nesses casos, os pacientes mantêm a sua personalidade e a memória implícita – Tsunade explicou com uma expressão severa no rosto – Como andar de bicicleta, essas coisas que se aprende quando se é criança, e por isso creio que ele ainda se lembre do básico dos jutsus do Clã. Talvez agora no começo do tratamento ele tenha alguma dificuldade em manter memória recente, mas isso também vai melhorar. E então vamos precisar da ajuda de todos vocês.

Os Nara, Ino e Temari olharam a Hokage ansiosamente, esperando as instruções. Naquele momento porta se abriu e Chouji entrou na sala acompanhado por Sakura, que se colocou ao lado de Shizune.

- Eu vim o mais rápido que consegui – o Akimichi murmurou tentando recuperar o fôlego.

- Você chegou num momento oportuno. – a voz autoritária da Godaime ecoou pelo escritório. – O Shikamaru já está confuso o suficiente por ter acordado e se deparado com tantas pessoas ao seu redor. À partir de amanhã vocês vão visitá-lo e conversar com ele, para ver se assim o ajudam a se lembrar de vocês, do que faziam juntos, do que ele gostava. Vocês – ela disse olhando para Yoshino e Shikaku – vão ser de vital importância e por isso eu quero que estejam com ele o maior tempo possível. Ele ainda vai ter que ficar em observação por um tempo aqui no Hospital, então essa terapia vai ter que ser feita aqui mesmo.

O casal balançou a cabeça em concordância e Tsunade continuou.

- Depois Ino e Chouji vão também auxiliá-lo, já que eram colegas de time e amigos de infância. Mas vão com calma, dêem a ele uma informação nova de cada vez e tempo para que ele a processe.

- Hai. – os dois responderam baixo, em uníssono.

- Quanto a você, Temari – Os olhos castanhos da Hokage se voltaram para ela, refletindo emoção contida – Por enquanto, você não vai poder vê-lo.

- O QUE?! – Ela exclamou mais alto do que gostaria, sentindo como se tivesse levado um soco no estômago.

- Você é um evento um pouco mais recente na vida dele, e eu quero ir aos poucos com o Nara...

- VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO!! – Temari gritou, as lágrimas já rolando livremente por seu rosto enquanto se levantava da cadeira em que estava sentada, a expressão uma mistura entre a raiva e o desespero. Chouji se apressou e abraçou a kunoichi, segurando a cabeça dela firmemente contra seu peito para que ela não se debatesse.

- É para o bem dele, Temari-san – ele murmurou enquanto ela segurava as mangas da roupa dele com força.

- Vai ser por pouco tempo – Tsunade disse séria. – E é para que ele se recupere com maior velocidade.

Temari havia parado de ouvir, enquanto lutava para parar de chorar. Ela prometeu a si mesma que não ia mais chorar... Porque aquilo tudo estava acontecendo? E justamente naquele dia? Que pecado grave ela havia cometido para ser punida com aquela crueldade toda?

- Eu recomendo a vocês irem para suas casas, pois vou proceder a alguns exames agora. Voltem amanhã e tentem se acalmar. Ele não morreu, e apesar de seu estado ainda inspirar cuidados, com tempo vai se recuperar.

Assim que todos deixaram a sala, Chouji ainda abraçando Temari, Tsunade instruiu Shizune e Sakura, especificando o tipo de exame que deveria ser feito. Quando as duas saíram do escritório ela suspirou longamente. Sentia-se solidária a Temari, apesar de não poder demonstrar; sabia como era perder alguém que se ama. Mas no caso dela, perder essa pessoa em vida era muito mais difícil. Levantando-se também saiu do escritório.

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- Airgato, Chouji.

Chouji sorriu para ela sem, no entanto, deixar de abraçá-la. Estavam em frente ao Hospital, sentados em um dos bancos de concreto que lá havia. Ino se aproximou e lhe estendeu um copo de água que ela aceitou sem levantar os olhos, com a mão trêmula.

- Acho que você deveria ir dormir lá em casa hoje, Temari. - Ino sorriu gentilmente enquanto se sentava do outro lado dela no banco.

- Não, não precisa. Eu fico bem sozinha.

- Esse é o problema! – Chouji balançou a cabeça.

- Não acho que você deva ficar sozinha hoje – Ino continuou. – Peço pra minha mãe fazer uma coisa bem gostosa para comer, a gente se entope de comida, assiste um filme ruim qualquer que passar na TV e eu falo na sua cabeça até que você fique exausta e durma, que tal?

Temari sorriu, percebendo que Ino estava abrindo mão do regime dela para tentar ajudá-la. Não sabia quando exatamente ela e a Yamanaka haviam se tornado tão amigas, mas havia acontecido. Na verdade, o antigo time 10 havia a adotado como quarto membro e ela, que nunca havia pensado que teria amigos em Konoha, se viu ao lado de dois dos mais dedicados.

- Ino, ela não tem muita escolha, vamos levá-la pra sua casa.

- Eu já falei que não precisa!

- Uh como é cabeça dura! – Ino comentou com Chouji, ignorando-a totalmente - Anda Chouji, se ela protestar, carregue-a pelos cabelos!

Eles riram e Temari acabou cedendo, pois assim se distrairia um pouco. Na casa de Ino, elas conversaram e riram junto com o Inoshi e a esposa, e a kunoichi de Suna quase esqueceu o motivo de seu desespero algumas horas antes. Quase.

Dormiu de pura exaustão e mergulhou num sono sem sonhos.

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Hospital de Konoha, quarto 23
13:45

Chouji estava sentado numa poltrona ao lado da cama de Shikamaru, sem saber muito bem como começar. O Nara o observava com uma curiosidade quase inocente e o rapaz de ossos largos se sentia um pouco desconfortável com a análise minuciosa a que estava sendo submetido. Olhou para Shikaku, apoiado na janela do outro lado do quarto, e o jounnin fez que sim com a cabeça. Respirou fundo.

- Então... Eu...

- Você não me é totalmente estranho – Shikamaru cortou antes que o outro pudesse terminar a frase, fazendo com que ele arregalasse os olhos. – Mas ainda assim não sei quem é você...

- Bem... Eu sou Akimichi Chouji, do clã Akimichi. – Olhou para o Shikamaru ansioso, mas ele não deu mostras de reconhecer seu nome. Continuou com as explicações. – Nós somos melhores amigos desde que éramos crianças.

- Tanto tempo assim? – Shikamaru franziu cenho e olhou de soslaio para Shikaku - Meu... pai disse que eu tenho vinte anos...

- Você tem vinte anos, e eu também! – Chouji concordou - Nós somos amigos desde mais ou menos os cinco ou seis anos de idade. Fomos também companheiros de time quando éramos gennins...

Shikamaru fixou o olhar num ponto invisível a sua frente. Estranhamente, tudo parecia fazer sentido, lhe dava a sensação de ser familiar, mas ele não conseguia se lembrar de nada... Havia simpatizado com aquele rapaz, ficou feliz em saber que eles haviam sido amigos por tanto tempo.

Chouji, nervoso com o silêncio persistente, puxou um pacote de batatinhas de sua bolsa ninja e abriu o saco num gesto automático. Shikamaru ouviu o barulho e virou-se para o amigo com olhos arregalados. Droga, ele conhecia aquele barulho, aquele gesto... Então porque, por Kami-sama, não conseguia se lembrar? Estreitou os olhos, estava lá, ele sabia que estava, mas ao mesmo tempo nada lhe vinha a mente. Sentiu um pouco de raiva, mas balançou a cabeça tentando dissipá-la.

- Então – começou a falar, enquanto o amigo comia uma batatinha – Você é meu melhor amigo, nós nos conhecemos desde pequenos e eu era seu companheiro de time junto com aquela menina loira de cabelo comprido que veio aqui mais cedo.

- Isso... – Chouji balançou a cabeça afirmativamente, sorrindo – Nós três éramos treinados pelo Asuma-sensei, que infelizmente morreu...

- Asuma. - Shikamaru repetiu. Já haviam lhe dito aquele nome mas ainda assim não lhe dizia nada, apesar de ter a impressão de que havia sido alguém importante.

- Vocês sempre jogaram shogi juntos, mas ele sempre perdia porque você é muito inteligente. Você só perde no shogi para o seu pai.

Shikamaru voltou a olhar para Shikaku, que continuou sério. Apesar de não se lembrar exatamente, ele sabia que aquele homem era seu pai. Até porque já havia percebido que eles se pareciam muito, alguém havia lhe levado um espelho para que se barbeasse. Ele franziu o cenho: estranho saber como se barbear e não se lembrar de conhecer o rapaz sentado ao seu lado, que dizia ser seu melhor amigo há tanto tempo...

- Você gosta de se deitar para ver as nuvens e acha tudo problemático, pois sempre foi meio preguiçoso. – Chouji continuou, ainda devorando o lanche.

- Problemático?

Ele repetiu a palavra mais algumas vezes, experimentando a sensação de pronunciá-la. Franziu o cenho quando não achou nada de interessante.

- Eu digo isso?

- O tempo todo.

- Uhm.

- Você também acha que mulheres são todas problemáticas e que a Ino poderia engordar uns quilinhos...

- Yare, mas isso é fácil de perceber. É... Eu tenho alguma coisa contra mulheres?

- Não... – Chouji dobrou o saco vazio e colocou em um dos bolsos. Percebeu o olhar estranho que Shikamaru lhe destinou e finalmente entendeu – NÃO, NÃO!! Você gosta de mulheres, gosta muito!

- Ah. Mas então me diga... – apertou os olhos, tentando loucamente se lembrar do nome dele. Que nome ele havia dito? Ah, sim - Chouji...

O Nara se encostou melhor no travesseiro, movendo as pernas lentamente, fazendo uma pequena careta ao senti-las dormentes, enquanto o amigo o olhava, ansioso para ser útil e responder o que ele quisesse saber.

– Eu tenho uma namorada?

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Ino olhou para Temari, que lhe segurava pelos ombros e a impedia de sair.

- Eu não posso fazer isso, Temari, a Hokage vai me matar!

- Ela não precisa ficar sabendo! Por favor Ino, quando ele estiver dormindo...

A Yamanaka suspirou e olhou para a loira parada a sua frente, os olhos verdes quase lhe implorando. Sabia que a Sabaku era orgulhosa e não ficaria por aí pedindo favores, ainda mais para ela, se não fosse uma coisa realmente importante. E droga, ela sabia o quanto era importante.

- Tá bem, mas só quando ele dormir.

Temari abraçou a médica-nin num impulso.

- Arigato!

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O Akimichi arregalou os olhos, mas antes que respondesse Shizune entrou pela porta segurando uma bandeja com remédios.

- Hora do seu remédio, Nara-san!

Chouji suspirou audivelmente, aliviado por não ter que responder. Afinal era um assunto no qual ele preferia não se meter, não lhe dizia respeito, apenas importava a Shikamaru e a namorada dele. Levantou-se enquanto o amigo tomava os comprimidos.

- Acho que já vou. Amanhã eu volto para a gente conversar mais um pouco.

- É uma boa idéia, Chouji, pois esse remédio vai deixá-lo sonolento – Shizune sorriu.

- Até mais Shikamaru.

O Nara acenou com a cabeça e se afundou nos travesseiros, digerindo as informações novas e se esquecendo da pergunta não respondida. Em alguns minutos, adormeceu.

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- Vai agora. O tio Shikaku saiu para comer alguma coisa e deve demorar uns minutinhos para voltar.

- Ino, eu nem sei como vou pagar esse favor.

- Pode deixar que eu certamente penso em algo. Agora vai!

Temari entrou silenciosamente no quarto, fechando a porta atrás de si. Shikamaru dormia tranquilamente e ela se aproximou da cama lentamente.

Sorriu ao ver que ele estava com o cabelo preso no penteado usual e meio virado de lado; ele adorava dormir de lado. Estendeu a mão pensando em tocar o rosto dele, mas parou no meio do caminho. Aquele não era o Shikamaru dela, era um rapaz que sofreu um acidente grave e não tinha mais memória. As conseqüências daquele ato egoísta dela poderiam ser graves se ele acordasse

Suspirou tristemente, limitando-se a ajeitar o lençol que o cobria. Sentiu o nó voltando a se formar em sua garganta, mas tentou repelir a sensação. Você prometeu que não ia mais chorar. Ele não sabia mais quem ela era, talvez levasse anos para lembrar. Seria melhor se ela saísse da vida dele, permitindo assim que ele encontrasse uma outra pessoa? Seu peito doeu com a possibilidade. Ele não se lembrava dela, mas ela sim se lembrava de tudo o que haviam compartilhado. Mas e se ele não se lembrasse, e se não se apaixonasse novamente por ela, e se não a quisesse mais? Fechou os olhos por um instante, tentando ordenar os pensamentos. Então uma pergunta se formou em sua mente, aquela que ela estava com medo de se fazer desde que soube que ele estava com amnésia.

Você vai ter forças para lutar por ele e com ele, Sabaku no Temari?

Sentiu o chakra de Ino se intensificando, era o sinal de que o tempo havia acabado. Sorriu ternamente para a figura adormecida e saiu do quarto tão silenciosamente quanto havia entrado. Quando ela fechou a porta, um par de olhos escuros fixou-se onde ela havia estado e um Shikamaru bem acordado franziu o cenho. Aquele cheiro...


N/A: Eu estou fazendo algumas pesquisas enquanto escrevo essa fic, porque afinal não sou nenhuma pessoa entendida de medicina, e tô tentando me manter um pouquinho dentro da realidade. Amnésia é na verdade uma coisa mais comun do que se pensa, e mais delicada também. A parte em que a Tsunade explica a doença é verdade, não é sempre como nos filmes, que uma pessoa perde a memória, descobre que era uma pessoa má e resolve ficar boa, pelo menos não no caso da amnésia retrógada (existe também a anterógrada, que envolve criar novas memórias e reter informações). Eu vou acabar não me mantendo muito na doença real (vou fazer uma coisa mais cinematográfica, ihuull), pois as nuances da doença são complicadas, e porque ter problemas de memória é muito mais triste do que o drama que eu pretendo desenvolver.

Opiniões, palpites, achou alguma coisa estranha e etc., vc sabe o que fazer.