- O QUE? - eu gritei sem acreditar no que estava ouvindo - isso é uma brincadeira não é?
- Eu pareço estar brincando pra você? - meu pai disse sério.
- Eu não preciso de um professor particular, ainda mais um... Nerd qualquer que o senhor encontrou por ai - disse zangada.
A mais nova invenção do meu pai agora era me arrumar um professor particular, mais não um professor de verdade e sim um nerd que estudava na minha escola, fala sério, a última coisa que eu preciso no momento é perder o meu precioso tempo com um idiota qualquer. Se eu não conseguia aprender na escola, o que fazia meu pai pensar que eu poderia aprender fora dela? Ridículo.
- Não me interessa o que você acha que precisa Rachel, eu já contratei o rapaz, e ele vai estar aqui amanhã depois da aula, e acho muito bom que você esteja pronta pra recebê-lo.
- Mais pai, isso não é justo - eu reclamei fazendo bico, às vezes isso funcionava.
- Não adianta fazer essa cara Rachel - ele disse em tom autoritário ficando zangado - eu estou cansado desses seus caprichos, você passa o dia todo no shopping com suas amiguinhas e não estuda, agora chega... Se você não fizer essas aulas e melhorar suas notas até o fim do semestre eu vou cortar os seus cartões de crédito, sua mesada e não vou mais pagar aquelas estúpidas aulas de teatro esta me entendendo?
Eu o encarei sem acreditar que ele estava mesmo fazendo aquilo comigo... Como eu viveria sem minha mesada e sem minhas aulas?
- UH eu te odeio - deixei escapar sem querer no meio da raiva e sai do escritório batendo a porta.
Eu subi correndo até o meu quarto e me joguei na cama... Eu tinha que fazer alguma coisa pra me livrar dessas aulas particulares, assim eu teria menos tempo pra praticar interpretação. Ao contrário do que meu pai pensava, eu não passava o dia todo no shopping com minhas amigas - pelo menos não boa parte do tempo - e sim treinando atuação. Pois é, esse era o meu sonho, ser uma atriz e não cuidar dos negócios da família como meu pai esperava que eu fizesse. Como ele não tivera um filho homem, sobrou o fardo pra mim, mais eu não servia pra isso, eu não tinha nascido pra viver sentada atrás de uma mesa de escritório, eu tinha nascido pra brilhar, ser famosa e adorada por todos.
Meu pai não sabia o que eu fazia no meu tempo livre, quer dizer, pra ele o teatro era um Hobby pra mim, eu não tinha coragem de dizer a ele que era o que eu queria fazer da vida, a única que sabia era minha mãe, e os empregados da casa e minhas amigas também... Melhor dizendo, meu pai era o único que não sabia. Todos me davam apoio e me ajudavam a seguir o meu sonho sem que ele descobrisse, mais eu não sabia até quando poderia esconder.
- Rach - ergui os olhos pra ver minha mãe parada na porta me encarando.
- Mãe - eu me levantei da cama e corri até ela - você precisa falar com o papai... Precisa tirar essa ideia da cabeça dele.
- Eu não acho que posso fazê-lo mudar de ideia querida - Shelby se desculpou.
- Mãe, eu não preciso dessas aulas, a senhora sabe disso... Tente o fazer entender, por favor - eu implorei.
- Querida, você sabe o que seu pai pensa sobre o seu problema, ele não vai deixar pra lá... O melhor que você pode fazer é assistir essas aulas, tentar melhorar suas notas e não discutir com ele, a não ser que esteja disposta a perder sua mesada, seus cartões e suas aulas... Você escolhe, pode ser do jeito fácil ou do difícil.
- Ah que ódio - resmunguei irritada - isso é injusto mãe. Eu não quero ter aula com esse garoto... Aposto que é um nerd esquisito e chato, e se ele for um psicopata?
- Claro, ele vai atacá-la com seus livros - Shelby zombou - você esta fazendo tempestade em copo d'água.
- Pode ao menos tentar conversar com ele mãe? Por mim? - insisti fazendo minha melhor carinha de pidona.
- Eu vou tentar - minha mãe me garantiu - mais não prometo resultados, você conhece bem o seu pai.
- Oh, obrigada mãe - eu sorri e a abracei - a senhora é incrível.
Eu a soltei e corri de volta pra cama, me jogando no meio das almofadas e alcançando o telefone.
- O que vai fazer? - minha mãe perguntou curiosa.
- Preciso fazer compras, urgentemente - expliquei discando o número das minhas amigas.
- Você não existe - ela revirou os olhos e saiu do quarto.
Eu liguei pras minhas amigas... Quinn e Santana e pedi que elas viessem até minha casa pra que fossemos juntas ao shopping. Sempre que eu estava estressada, o melhor remédio era ir às compras, eu me sentia bem imediatamente. Quinn e Santana eram como irmãs pra mim, éramos tipo uma coisa só, fazíamos tudo juntas. Eu era cercada de gente na escola, todos querendo ser meus amigos e me agradar, mais amigas de verdade apenas Quinn e Santana, nelas eu podia confiar de verdade. Quando se é rico e bem sucedido como minha família é difícil quem gosta de você de verdade, mais com o tempo eu aprendi a diferenciar... Não tenho ilusões de que todos que andam comigo me amem de verdade, alguns apenas sentem inveja, mais esse é o preço que se paga ao ser popular. Eu não ligava pros outros, só o que importava pra mim... Era eu mesma. Podem chamar de egoísmo, mais é assim que se sobrevive na selva.
- O que aconteceu? - as meninas perguntaram quando estávamos dentro do carro, eu tinha meu próprio carro, cor de rosa, a minha cara, mais quando estressada preferia não dirigir, então pedi que o chofer do meu pai nos levasse.
- Meu pai enlouqueceu - eu disse de mau humor - ele contratou um nerd maluco pra me dar aulas particulares, ele quer que eu melhore minhas notas ou vai cortar minha mesada e minhas aulas.
- Deus, que maldade - Quinn disse horrorizada.
- Eu sei - fiz bico - não sei o que fazer pra que ele mude de ideia, ele esta decidido.
- Seu pai tem um temperamento difícil, acho que o melhor a fazer é obedecer e esperar que ele perceba como essa ideia é estúpida e completamente ridícula - Santana disse.
- Talvez você tenha razão, talvez ele perceba como esta sendo cruel - eu disse esperançosa.
Santana era muito sábia, sempre que uma de nós precisava de um bom conselho era só procurar por ela, ela sempre sabia o que dizer pra te fazer sentir melhor. Santana também vem de uma família rica, a segunda mais rica depois da minha. O pai dela é dono de várias lojas espalhadas pelo mundo todo, e a mãe dela uma estilista mega famosa, a minha preferida por sinal, juntos eles formam uma dupla imbatível... É bom ser melhor amiga dela, ganhamos prioridade e descontos nas lojas, além de presentes caros e de bom gosto, não que eu precise disso.
Quinn também é de família muito rica, seu pai é dono de uma empresa mega importante, eu não sei exatamente o que ele faz - não me interessa mesmo - mais sei que é importante. Quinn é a mais divertida de nós, ela esta sempre nos divertindo com suas piadinhas e se eu precisar de um conselho de moda é só falar com ela... Santana é a filha da estilista, mais Quinn é que tem um gosto incrível, ninguém melhor do que ela sabe combinar.
Assim que chegamos ao shopping o primeiro lugar onde fomos foi a uma joalheria, eu precisava urgentemente de joias novas.
- O que acham desse anel? - eu perguntei enquanto movia a mão, admirando a peça.
- É lindo, isso é um rubi? – Santana perguntou.
- É sim, é uma peça exclusiva - eu disse sorrindo - vai combinar com o meu esmalte vermelho.
- E esse cordão? - Quinn perguntou mostrando a joia pra nós - é lindo né? A propósito, eu vou sair com o Puck no sábado, ah acho que prefiro esse aqui - ela falou rápido se afastando um pouco de nós.
- Você disse que vai o que? - eu perguntei correndo atrás dela e a impedindo de fugir de mim.
- Ele me convidou pra sair - ela fez careta - eu não resisti... Ele é tão lindo, com aquele moicano.
- Uh, já estava na hora - Santana disse animada - isso merece uma comemoração e vamos precisar encontrar a roupa perfeita, você precisa estar arrasando nesse encontro.
- Vão me ajudar? - ela perguntou sorrindo.
- Claro - concordamos.
Enquanto dávamos à volta no shopping comprando tudo que víamos pela frente Quinn contou como foi que eles marcaram aquele encontro. Ela era apaixonada pelo Puck há um bom tempo, mais ele nunca se manifestara. Ele era um bom partido, rico, o pai era dono de várias lanchonetes pela cidade e era bonito... A combinação perfeita.
Nós compramos roupas, joias, sapatos, bolsas... Fomos ao salão de beleza e demos um jeito nos cabelos e fizemos as unhas, aquela tarde maravilhosa me ajudou a relaxar e até me esqueci da loucura do meu pai por um tempo. Eu ainda estava contando com o fato de que minha mãe falaria com ele, talvez ela o fizesse desistir, mais de qualquer forma eu daria um jeito de não ter que fazer essas aulas estúpidas, eu não precisava disso.
Quando acabamos as compras, eu e as meninas paramos em uma lanchonete do shopping pra comer alguma coisa, estávamos um pouco cansadas pelo peso das sacolas, eu tinha que lembrar de trazer alguém da próxima vez pra carregar as bolsas pra mim.
- Então Rach, como vai o Jesse? - Santana perguntou enquanto bebia um gole de sua coca-cola Light.
- Eu não sei - respondi simplesmente, não demonstrando muito interesse.
- Como assim não sabe? - Quinn me encarou como se eu fosse maluca.
- Não falo com ele desde que terminamos - dei de ombros mordendo uma batata frita, eu me arrependeria de ingerir toda aquela gordura depois, mais compensaria na hora do jantar.
- Vocês terminaram? - Santana arregalou os olhos surpresa - mais por quê? – Jesse St. James era meu namorado, ou ex-namorado agora, eu terminara com ele há algumas semanas. Nós namoramos por uns sete meses, mas ele era chato demais, rico e lindo devo acrescentar, mais extremamente chato, ele não sabia se divertir e não me dava á atenção que eu queria. Eu não estava à procura de alguém que falasse o tempo todo de si mesmo e dos negócios do pai e sim de um cara que gostasse de mim de verdade e me fizesse sentir uma mulher... O Jesse não entendia disso.
- Ele é um gato, mais não tem pegada nenhuma - eu revirei os olhos - eu preciso de um homem de verdade.
- Tenho uns gatos na minha lista pra te arrumar se você estiver afim – Santana informou divertida - a fila é grande amiga, homem atrás de você é o que não falta, é só falar e eu arrumo rapidinho.
- Não preciso disso agora - sorri agradecida - preciso me concentrar em me livrar do professor que meu pai me arrumou, eu me preocuparei com namorados depois.
Santana estava certa, eu só precisava estalar os dedos pra arrumar um novo namorado, mais meu objetivo agora era salvar minhas aulas de interpretação e minha mesada, elas eram minha prioridade no momento e enquanto comíamos varias maneiras de fazer esse professor novo desistir me passaram pela cabeça, se meu pai não cedesse então atacaria do outro lado, mais de um jeito ou de outro eu acabaria vencendo.
