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Vento Frio

Subindo a alameda, retirei a fotografia da mansão que pegara da pasta de Sorata sem que ele percebesse. Olhava em volta, a rua estava deserta. Comparando a imagem que tinha em mãos com uma mansão logo à frente percebi que chegará ao alvo desejado. A casa era ainda mais bela vista de perto.

Quando o vento soprou mais forte e eu concheguei-me contra meu casaco, um carro luxuoso parou em frente à mansão. Os vidros eram espelhados, logo eu não conseguia ver a pessoa que o dirigia. O motorista também não desceu de pronto. Parado, do outro lado da rua eu observava. "Pode ser o dono da mansão."

Demoraram-se mais alguns minutos até que o condutor do possante abriu a porta. "Dona da mansão".

A jovem que sairá do carro estava vestida com um conjunto que caia muito bem em seu corpo de silhueta regular. Seus cabelos de comprimento médio jogados no ombro balançavam em meio ao vento frio daquele fim de tarde. Ao fechar a porta do carro seus olhos se encontraram com os meus, pude ver então que ela esboçava um sorriso tímido. Não sorri de volta, mas fiquei parado fitando-a intrigado.

Quando a linda moça virou para abrir o portão da casa. Eu a interrompi meio bruscamente.

- Com licença? – não perceberá que caminhara para lá tão rápido.

Ela revoluteou-se para mim assustada.

- Desculpe – disse percebendo o espanto dela.

Quando ela moveu sua cabeça negativamente, o sorriso tomou conta novamente da sua face, era encantador, combinava perfeitamente com o traço de seus lábios rosados.

- Seu sorriso, ele... – corei. – Ah, desculpe – disse rindo ao ver o seu rosto de constrangimento, tratei de mudar o assunto. – É a mansão! Ela é linda hein! O senhor Sorata me deve uma.

- O... O vendedor? – ela me perguntou soando.

- Uhum – proferi sorrindo voltando meu olhar para o dela – eu estava interessado em comprar esta mansão.

Ela ficou calada e desviou os olhos dos meus. Eu realmente não tinha um bom papo com garotas.

- Não se preocupe. A casa não era um capricho meu. Na verdade eu não tinha propósito algum para ela.

Ela voltou a olhar para mim, e desta vez resolvi me apresentar.

- Meu nome é Syaoran Li – estendi a minha mão direita, para que ela tocasse com a sua.

Ela pegou na minha, sua mão era afável e seu toque macio, mas sua pele estava fria.

- Sakura Hime – ela voltava a sorrir.

- Lindo nome – eu ainda segurava as suas mãos, olhando-a atônito – Assim, como a dona.

Vi suas bochechas ruborizarem quando soltei suas mãos. Esperei ela dizer algo, pois ela estava um tanto calada. Mas o silêncio começava a tomar conta de nós.

- Tem algum propósito para a casa? – resolvi quebrar o clima entre nós. Ela teria que responder aquela pergunta.

- Sim. Na verdade, é somente para moradia – ela fitava a casa com o olhar distante.

- Hunn. É, deve ser realmente muito bom morar neste lugar – eu olhava para seus olhos. Ela agora pressionava as mãos contra a grade do grande portão da mansão.

- Algum problema? – percebendo a apreensão na atitude dela.

- Não, nenhum – ela voltava para mim sorrindo.

- Bem, desculpe o incomodo Hime – disse por fim – Foi um prazer conhece-lá – sorri docemente virando-me indo embora quando ela me surpreendeu.

- Li, o senhor... – ela estava sorrindo ainda mais – o senhor não aceita conhecer a mansão? Isto é, depois que ela estiver pronta, e eu residindo nela, o senhor não quer tomar um chá comigo na mesma?

Exatamente como eu aguardava. Ela me fazendo um pedido.

- Claro! Mas com uma condição.

- Hum? Qual seria? – indagava.

- Não me chame de Senhor Li, me faz parecer velho – eu ria.

Ela riu junto. Retirei do bolso do meu casaco um cartão e a entreguei.

- Meu telefone é o segundo, referente ao meu nome.

- Advocacia Kimihiro. O senhor então é advogado? – ela me fitava. Demorei um pouco para respondê-la preso ao seu olhar esmeraldino.

- Sim – disse por fim rindo. Ela apenas sorria agora.

- Ok Li, telefonarei em breve.

Ela estava colocando um fim na conversa.

- Esperarei ansiosamente Hime.

Cumprimentamos, mas agora a saudei com um beijo no rosto. Pude notar rapidamente que suas bochechas corarem. Rumei então para meu apartamento em passos vagarosos, pensando na dona do belo sorriso e dos olhos esverdeados.

Quando cheguei à portaria, o porteiro me saudou parecendo me chamar, o ignorei e passei apressadamente por algumas pessoas que conversavam em inglês. Desviei do elevador optando pela escadaria, já que eu morava no 4° andar do prédio. Quando estava quase em frente à porta do número 46 não precisei de chaves para abri-lá, notei que ela estava aberta. Assustado, entrei vagarosamente no apartamento quando fui tomado pelo forte odor de álcool.

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No próximo capítulo

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O vento soprava como de costume, porém o sol daquela manhã estava mais caloroso. Watanuki deitado na cama ao lado soltou uma exclamação de dor ao abrir as cortinas do quarto. Era o efeito da bebida na noite anterior.
Vesti um dos meus melhores trajes e caminhei para a cozinha. Não havia muito ali para tomar café da manhã, o que me deixou irritado. Preparei então algumas torradas. Quando eu me sentei para comer as únicas que restavam, Wata apareceu na porta arrastando os pés no chão.