Capitulo Único

Enfim o trio da lamentação havia chego no castelo de Hades, eles sabiam que a partir dali tudo seria arriscado, seus corações ainda sangravam pela morte de sua amada Deusa, entretanto dentro dos domínios de Hades tudo que poderiam fazer era demonstrar indiferença e cobrar pelo pacto feito, com isso tudo pareceria real, ou pelo menos eles acreditavam nisso com todas as forças, pois uma vez diante de Hades e toda a dor sofrida seria recompensada, poderiam antes de voltar ao descanso eterno terminar aquela Guerra Santa.

- Saga, Mu e os outros chegaram em breve, devemos ser rápidos para não levantar suspeitas - disse Shura diretamente ao cosmo do companheiro.

- Ele esta certo, devemos nos apressar e terminar com isso o mais rápido possível, ou nosso disfarce será comprometido - completou Camus.

- Vamos a sala onde fica Pandora é logo a frente - finalizou Saga.

Os acordes da harpa tocada pela bela mulher podiam ser ouvidos, os três estavam parados a porta com o lençol onde supostamente repousava o corpo sem vida da Deusa, internamente seus corações latejavam ao imaginar que Athena havia morrido, porem jamais deixariam isso transparecer ao inimigo.

- Trouxeram o corpo de Athena no prazo de doze horas. Não esperava menos dos cavaleiros de Ouro, outrora conhecidos como os mais fortes - disse a serva do imperador da morte.

O ambiente que os rodeava era sombrio, assim como o Deus ao qual eles haviam jurado lealdade o local vibrava ao som da própria morte vinda das notas extraídas do instrumento tocado pela mulher.

- Bom trabalho, agora retirem esse manto e me deixem ver o cadáver.

- Antes disso - Saga se adiantou - o imperador Hades nos prometeu a vida eterna em troca da morte de Athena, podemos contar com isso ainda?

Os três homens se ajoelhavam em reverencia a ela e ao nome citado, isso os rasgava internamente, estar de joelhos para o inimigo era o mesmo que jogar fora o resquício de orgulho que ainda tinham, mas era necessário, a mascara não podia cair, não ainda.

- Por que perguntam isso agora? O imperador jamais faria promessas vazias, obviamente podem confiar nele - disse Pandora em tom de questionamento.

- Está bem, gostaríamos de mostrar o cadáver de Athena diretamente ao Imperador.

Pandora voltava os olhos para o teto adornado de figuras angelicais que ficavam em volta de uma cúpula que dava para o céu, o pedido lhe parecia uma afronta, mas obviamente não permitiria que o desejo deles fosse contemplado.

- O que? Não! Hades é um Deus. Ele não aparece diante dos homens. Eu verei o corpo e isso será suficiente, então podem retirar o manto!

Saga e os demais encaravam Pandora, era um duelo de interesses onde nenhum dos lados parecia pronto a ceder, e foram durante esses segundos que a representante de Hades decidiu que deveria terminar aquele jogo e ordenou que Zeros, um dos espectros, retirasse o manto.

Foi uma questão de segundos entre o manto ser lançado contra o espectro, Shura se posicionar perigosamente sobre Pandora e Zeros perceber a traição do trio dourado.

Enquanto isso os demais cavaleiros de Ouro chegavam ao castelo e encontravam resistência em sua passagem, uma orda de espectros se aproximava e antes que qualquer coisa fosse dita Aiolia se postava a frente dos demais.

- Relâmpago de Plasma.

Incontáveis feixes eram disparados tomando vidas e mais vidas, os cavaleiros de ouro tinham um semblante sombrio, sabiam que seus cosmos estavam limitados, porem a tristeza e a dor de seus companheiros e de Athena alimentavam seus corações e seus punhos em busca de justiça.

- Avancemos, Aiolia já limpou o caminho, Mu.

- Certo, Milo, vamos.

Os três começaram a caminhar quando ouviram o som de passos e viram que alguém se aproximava. A luz da lua do lado externo do castelo iluminava o rosto do juiz Radamanthys, ele sorria ao ver a devastação e buscava os homens leais a Athena.

- Parece que insetos estão aqui.

Os três estavam reunidos a um canto, eles e o espectro se encaravam, era como se ambos se estudassem, porem mesmo com a desvantagem numérica o subordinado de Hades não parecia sequer preocupado.

- Fora de nosso caminho - pronunciou-se Aiolia.

- Aonde pensam que vão?

- Por que pergunta, é obvio que viemos para proteger Athena - respondeu Escorpião.

- Vocês cavaleiros me dão pena - o juiz dizia sorrindo.

- O que disse? - questionou Leão.

- Os cavaleiros não passam de um pequeno incomodo para o Imperador Hades. Por serem tão insensatos chego a ter pena de vocês apesar de sermos inimigos.

- Pode tentar nos intimidar, mas depois irá se arrepender.

- Me arrepender? Eu? Jamais me arrependi de algo na vida.

- Agora chegou a hora de provar isso então , saia do caminho, Relâmpago de plasma.

O cosmo do guardião da quinta casa se elevava e os feixes de luz eram disparados, Radamanthys sequer esquivava e recebia o golpe diretamente, sendo lançado para trás e batendo na parede do castelo, todavia caia sobre a mão como se nada houvesse ocorrido.

- Mas o que?!

- Como são patéticos - o subordinado de Hades respondeu a pergunta do leonino.

Milo sem esperar uma conclusão sobre aquele dialogo avançou ferozmente com o indicador preparado e o cosmo concentrado no dedo.

- Agulha Escarlate.

Nove agulhas eram disparadas simultaneamente, todas acertavam o algo e lançavam ele contra a parede do castelo com força suficiente para abrir um buraco no lugar. Mu por sua vez não perdia tempo e emendava seu próprio ataque ao dos companheiros.

- Extinção Estelar.

- Ainda não entenderam? - Radamanthys questionou no momento que o golpe de Mu se desfez - Aqui é o território do Imperador Hades, se caírem nesse precipício jamais voltaram da morte e encontraram o Cocytus. Neste lugar são tão indefesos quanto um bebe.

Concentrando o cosmo ele avançava velozmente contra os cavaleiros, se desviava de Mu e de Milo e atacava o peito de Aiolia, que sem chances era lançado para longe.

- AIOLIA! - exclamavam os dois dourados.

Após o primeiro ataque ele se voltava contra os outros dois, segurando Mu pelo rosto e retirando-o do caminho enquanto acertava um chute no pescoço de Milo, para logo depois lançar uma rajada cósmica em seu rosto.

- Cristal Wall.

A defesa de Áries se erguia, mas logo era desfeita pelo simples toque da mão do adversário, que revertia o golpe contra o cavaleiro.

- Essa é a verdadeira força de um Espectro? - questionou Leão.

Enquanto essa batalha se desenrolava Saga e os demais ameaçavam Pandora e revelavam o intuito de eliminar Hades, todavia o tempo limite de suas vidas começava a se esgotar e eles iam ao chão.

Seus corações se apertavam, não pela iminência da morte, mas por que se não fizessem algo rápido todo o esforço seria em vão, teriam retornado a morte sem cumprir seus objetivos e isso era imperdoável em suas concepções.

- Precisamos descobrir onde está Hades - disse Camus ao cosmo dos outros.

- Exatamente, mesmo que apenas um levante, eliminar Hades é a prioridade - acrescentou Shura.

- Pegue nosso cosmo e siga em frente, Saga.

- Não, Camus, não séria útil fazer isso, ainda não sabemos onde está o imperador, devemos tentar descobrir isso, e só então tomarmos uma decisão.

- Você está certo, mas devemos ser rápidos, minhas forças estão me abandonando muito rápido - disse Shura.

- Precisamos de um Milagre - completou Saga.

Os demais dourados lutavam com tudo o que tinham, porem Radamanthys se mostrava invencível.

- Cápsula do Poder.

- Antares.

- Extinção Estelar.

Os três golpes avançavam contra o juiz, que por sua vez fechava-se na capa e via os ataques se desviarem dele e ficarem circundando-o para logo depois se chocarem contra o chão.

- É tudo o que vocês podem fazer?

Novamente ele avançava em alta velocidade, acertava Milo no estomago com uma joelhada que o fazia arfar por ar, enquanto isso o adversário o segurava pelo ombro e disparava uma rajada cósmica no braço que até então o atacava.

- Realmente insetos.

Antes mesmo que o espectro terminasse de falar o corpo de Escorpião ia ao chão, Mu nada podia fazer quando a mão do oponente se fechava em seu rosto, no maximo falava algo antes que o leonino se pusesse novamente em posição de combate e elevasse o cosmo.

- Relâmpago de plasma.

Novamente o golpe era lançado, porem desta vez tinha como objetivo deter uma lança de energia disparada pelo oponente, contudo era inútil, pois não apenas seu golpe foi devorado pelo outro, como ainda foi acertado e foi ao chão.

- Ainda vai lutar? Para que derramar mais sangue? - questionou o juiz ao ver Aiolia se pondo em pé novamente.

- Isso não é nada comparado ao sangue e lagrimas derramados por Athena, Saga e seus companheiros. Nada disso é suficiente.

Novamente o cosmo de Leão se elevava e ele atacava com tudo que tinha, mas novamente seu golpe era detido, seu punho era travado e seu corpo era lançado contra o chão sem que o espectro o soltasse.

- Isso é o que ganham por serem sentimentais, pensei que fossem me divertir mais do que isso.

O corpo do leonino era arrastado pelo espectro, ainda sendo segurado pela mão ele era posto para fora do castelo ficando pendurado na divisa do abismo que o mandaria ao Cocytus, e sem nada poder fazer ele caia após ser solto pelo oponente.

- AIOLIA! - exclamavam os outros dois.

Antes que fosse tarde a corrente de Andrômeda o segurava, devolvendo a ele a oportunidade de lutar. Os cavaleiros bronze haviam chego, mas isso não importava, eles já haviam se dado conta, e acima de tudo Seiya e os outros tinham de ajudar Saga e os demais.

- Não vocês não devem lutar Seiya - disse Mu.

- Andrômeda, guarde suas correntes - falou Aiolia.

- Atenção cavaleiros de bronze, saiam daqui rápido.

- Calem-se, serão todos lançados ao Cocytus - Radamanthys disse liberando seu ataque.

Sem pensar duas vezes Aiolia se pôs a frente de Shun e recebeu o impacto do golpe, Mu fez o mesmo por Seiya, e Milo pelos demais.

- Seiya me escute - O Ariano disse segurando o outro pelo braço - Faça-nos um favor e sigam em frente, nós cuidaremos dele.

Apesar de Pégaso tentar argumentar o defensor da primeira casa se mantinha firme.

- Confie em nós, os cavaleiros de ouro cuidaram desse maldito.

- Rápido, vocês precisam ajudar saga e os outros - Milo disse complementando.

- Não devem se meter em uma luta que nós iniciamos, os cavaleiros de ouro que aqui estão se livrarão dele.

Enquanto os cavaleiros de bronze questionavam Mu deixou que o cosmo ficasse brando e falou para Seiya.

- Diga-me Seiya, alguma vez já menti para você?

Promessas eram feitas antes que os cavaleiros de bronze seguissem em frente, deixando os orgulhosos dourados para trás, em um embate sem chances de vitória.

- Quanta honra cavaleiros de Ouro, quase me fizeram chorar, mas na verdade não querem que eles vejam vocês morrerem, não é isso?

- Honra? Isso é uma coisa que você nunca teve - disse Milo.

- Levaremos uma lembrança para Athena antes de partirmos para o outro mundo - falou Aiolia.

- Preparem-se, Cavaleiros de Ouro.

- Revolução Estelar.

- Agulha Escarlate.

- Relâmpago de Plasma.

- Grande Precaução.

Os golpes se chocavam, porem assim como nas demais vezes era o juiz quem se saia melhor, e devido a isso os corpos dos dourados eram arremessados contra as partes restantes do castelo.

- Vocês deveriam saber o lugar de vocês, seu inúteis.

Radamanthys estava dando as costas para retornar ao castelo quando sentiu os cosmos dos adversários se erguendo novamente.

- Vocês não sabem quando morrer?

- Mu, Milo, preciso de tempo, tentarei minha ultima cartada.

- Acha que pode feri-lo com isso? - perguntou Milo.

- Posso tentar pelo menos.

- É o bastante para mim - disse Mu.

Os dois dourados avançaram enquanto o terceiro segurava o punho direito e elevava o cosmo. Antes mesmo que chegassem os pés do inimigo os acertava a face, eles iam ao chão com o impacto do ataque, mas antes que o inimigo pudesse avançar sobre o irmão de Aiolos suas pernas eram seguradas.

- Você não vai a lugar algum - disse Milo.

- Me largue seu monte de lixo.

- Ataque, Mu.

Áries se preparava para atacar, todavia seu punho era pego pelo braço do espectro que lançava o Ariano contra Escorpião, fazendo com que seus corpos se chocassem, para enfim ser libertado ao mesmo tempo que ouvia.

- Invocação de Fótons.

Milhares de luzes surgiam em volta de Aiolia que agora estava de olhos fechados, mas antes que pudesse ir para a segunda etapa o inimigo surgia por cima dele e utilizando-se de sua lança energética quebrava o braço que estava concentrando energia para o leonino.

- Ridículo, um golpe que precisa de tanto para ser disparado é uma tática de desespero, una-se aos outros lixos.

Radamanthys pega Aiolia pelo pescoço e o jogava contra Mu e Milo, porem este não caia como o esperado, pelo contrario ele caia em pé e em formação junto aos dois que já o esperavam.

- Que Athena nos perdoe um dia - disse Milo.

- Mesmo sem perdão seremos covardes e usaremos isso para garantir o futuro de Seiya e dos outros.

A exclamação de Athena, o golpe proibido estava para ser utilizado, porem antes que eles pudessem concluí-la o inimigo surgia a frente deles com o cosmo elevado e um golpe já em execução.

- Grande Precaução.

O impacto a queima roupa do golpe quebrou a formação dourada, que mesmo que sendo arrastada tentasse se manter acabou por ser vencida, não havia mais forças para eles, e enfim o castelo acabou.

- Seiya, nos perdoe - Mu disse antes de ser engolido pelas trevas que cercavam o castelo de Hades.

- Estamos caindo no Cocytus - falou Milo.

- Devemos agora acreditar neles, e somente isso.

Os três desapareciam, mas sua determinação não, pois feixes dourados subiam em direção de Saga e dos demais.

- Acabou - murmurou Shura.

- Eles fizeram o maximo que podiam, mas sem poder lutar com tudo não resistiram.

- Isso mesmo Camus, e nós estamos para ir encontrá-los, nosso tempo esta se esgotando, mesmo que eles tenham enviado uma parcela de cosmo para nós, não há mais nada a fazer, todos os cavaleiros de Ouro abandonaram seu orgulho e honra, mas no fim são os cavaleiros de bronze que irão lutar por nós, eu sinto muito, mas gostaria que fosse diferente.

- Hyoga, eu gostaria de poder guiá-lo mais um pouco, mas infelizmente não poderei, siga seu caminho e cresça sempre.

- Shiryu, lembre-se que parte de mim esta em você, portanto seja sempre o homem mais fiel, esteja com Athena por mim.

- Seiya, Shun, nossos desejos, nosso orgulho, nossa honra, tudo entregamos a vocês, cavaleiros de bronze, agora e sempre desejamos que Athena possa uma vez mais sorrir.

Zeros ainda os chutava, mas logo foi interrompido pela chegada dos cavaleiros de bronze, Pandora havia abandonado o local e mesmo aos encontrar não fez menção de querer impedi-los, por fim era hora de dar adeus.

Os honrosos cavaleiros de Ouro haviam dado seu melhor, mas a Guerra apenas estava para começar, e mesmo que seus nomes estivessem condenados eternamente, eles enfim haviam passado adiante o poder e a determinação para que a próxima geração pudesse seguir em frente e defender Athena.