Cap. 2

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"O lugar era só dela. Ninguém podia entrar e ela sentia uma paz tão grande toda vez que se lembrava disso. Ninguém via, então seus desejos, dúvidas, choros, medos eram totalmente seus. Não havia quem a aconselhasse, quem a abraçasse e nem que a dissesse o que fazer. Era absolutamente ela e ela mesma.

Com certeza -se quisesse- aquele mundo poderia mudar de cor, quem sabe verde,amarelo ou vermelho, mas, sem saber como, aquilo tudo já havia sido transformado em um azul tão tenso, vibrante, incerto que a deixava confusa. Afinal, tudo aquilo pertencia a ela ou aquele universo tão fantástico que Sakura havia criado para si mesma poderia ser encontrado, transformado e habitado por outros? Não exatamente por outros, só que era difícil se imaginar dividindo aquele lugar tão seu, seu refúgio, com alguém que a fizesse estremecer toda vez que estivesse por perto ,que a fizesse sentir seu coração ir a 10.000 km/h em apenas um segundo. Aquilo era insano! Como ele se atrevia a chegar, a mudar e a tomar a única coisa que realmente a pertencia? Sakura odiava aquilo. Odiava como foi fácil para ele roubar sem pensar no que aquele ato a faria sentir. O que havia acontecido ao lugar só dela? Ao lugar que ela podia sonhar, podia viver sem medos, vergonhas? Foi tudo tão fácil para ele.

Foi tão fácil para ele que quando beijava uma de suas amigas poderia facilmente pensar que era ela, que na verdade eram os cabelos tão incomuns dela que ele veria quando abrisse os olhos novamente, que era a boca dela preenchendo a dele em um ato tão intimo que só ela poderia fazer, que seria, nos próximos os anos, o corpo dela que se estremeceria ao ser preenchido com o dele, que seria ela quem daria vida as suas conquistas mais mágicas, que era ela ali, no início de tudo. Tão fácil para ele...

Foi assim que em um certo dia ela decidiu nunca mais voltar àquele mundo, preferiu se esconder nos sorrisos falsos, nos sentimentos incompletos, nos lugares que os afastassem, na realidade que ela construiu sem que qualquer coisa que ele pudesse fazer trouxesse os sentimentos que lhe mostrara existir, afinal, nenhum deles a fez bem e ela já não agüentava passar mais um dia a mercê de todos eles.

Sasuke a fazia chorar. Sakura odiava chorar."

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Quando saiu daquele quarto, sentiu seu coração se desesperar ao encontrar um par de olhos pequenos a fita-la curiosamente. Eles vinham acompanhados de bochechas gorduchas, lábios finos e vermelhos e um nariz pequeno em um corpo igualmente pequeno, que também tinham cabelos tão escuros como a noite que deixavam aquele ser divino. Sakura sentiu seu ultimo fio de cabelo arrepiar. Andou alguns poucos metros e respirou fundo.

-Olá.

A criança sentada em um dos bancos a analisou com seus olhos um pouco molhados. Soluçou uma vez e com uma voz tremula lhe respondeu:

-Oi.

Sakura queria chorar. Estava se sentindo dolorida por dentro. Aquele não foi um dos seus melhores dias. Então, como se não soubesse perguntou:

-Onde estão seus pais? – viu um dedinho apontando para onde ela havia vindo.

–Eu quero ir lá. Quero o meu papai. –ela nunca pensou ver tamanha tristeza em uma criança tão nova.

Abaixou-se a uma altura em que pudesse olhar aquela criança nos olhos. Separou suas mãozinhas que se apertavam em desespero e a levou.

Ao voltar para o quarto encontrou Hinata com o tronco estendido em cima do corpo ferido de Sasuke. Ela chorava incessantemente enquanto ele lhe acariciava os longos cabelos e lhe dizia que tudo iria ficar bem. Não demorou muito para ser notada.

Sasuke levantou dolorosamente o corpo ao ver a mão de Sakura segurar hesitante aquela pequena mão. Os braços dele se estenderam e como um vulto a pequena criança se entrelaçou em seus braços e o abraçou como se sua vida estivesse completa naquele momento.

E, de novo, ele estava lhe trazendo sentimentos que ela nunca gostou de experimentar. O sentimento que lhe lembrava o fato de nunca ter tido uma família de verdade, o fato de lembrar seu irmão sempre lhe dizendo: "Por que você nunca consegue fazer algo por nós? Por que é muito mais fácil e conveniente pra você ajudar as pessoas de fora do que sua própria família? Por que você não consegue me ajudar? Por que você não me salva de 20 anos dessa tortura? Você sabe que eu não agüento mais!", enquanto simplesmente o olhava muda e quebrada demais para conseguir ao menos se levantar e dizer que só tinha 13 anos e não queria ter que suportar toda aquela desgraça, que já estava cansada de tantas brigas e de um pai que nem ao menos sentia que se importava com qualquer um dos filhos. De uma mãe que só lhe amava para poder ver a mágoa corroer todos os ossos do filho que ela inveja, dizer o quanto ele era inútil e depois sorrir e beijar a filha "amada" para não só machucar uma alma, mas como também mostrar a sociedade e boa mãe que ela era. E voltou a se sentir esgotada e impotente quanto àquela época. Mas ele não sentia aquilo, ele simplesmente seria indiferente a ela como sempre foi. E a vida seguiria.

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Ela olhava para o teto tentando não pensar em nada, com um dos piores convites que já recebera pousado em sua barriga. Ele estaria fazendo 24 anos e ela foi cordialmente convidada a participar de uma pequena comemoração. Nunca sentiu tanta raiva em sua vida. Ela sabia exatamente quem estaria lá e ela não gostaria de revê-los. Seria um tanto cruel. Seria recordar o passado e o que Sakura mais odiava era o passado e com certeza eles iriam relembrar o mesmo, principalmente o fato que todos eles sabiam o quanto ela era apaixonada pelo Uchiha e acarretaria em diversas coisas. Sakura estremecia só de pensar. Mas ela iria. Não lhe daria o gostinho de saber que ainda a perturbava, pois sabia muito bem que havia sido ele quem fizera questão de chamá-la e, já que ele queria tanto revê-la, pois que assim fosse.

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Bom, faz mó tempo que eu postei a 1ª cap. e não foi tão bem recebido assim

Espero que melhore, espero mesmo! E thanks Pricililica, seu comentário me deixou muito feliz! Mesmo, mesmo!

Reviews? Please?

Gradicida!