Aviso legal: O capitulo contém uma pequena lembrança da noite passada, se você não está preparado para ler algo escrito de forma ''crua'' e detalhadamente sobre o que aconteceu com Alice algumas horas depois, não leia. A minha intenção não é forçar as pessoas a lerem o que não querem, por tanto, a escolha é sua a partir de agora.
Não chora, não chora.
Bella, você está bem?
Feche seus olhos, eu não quero que veja isso.
Se você fechar, ela morre.
Oh, você tem um rabo fodidamente apertado.
Seu porco.
Essas pequenas lembranças me fizeram abrir os olhos e eu tentei me levar, só que, aparentemente, estava tudo dolorido.
Para onde ela está indo? Por que não nos deixam em paz? ALICE!
Só então eu me dei conta de que a única pessoa com quem eu realmente me importava, a única pessoa viva neste mundo que me tornava alguém melhor, não estava comigo onde quer que eu estivesse. Eles haviam lhe levado para uma porta que eu se quer reparei direito e me levaram para uma bem diferente.
Mais uma vez, cansada de estar tão fodidamente impotente, forcei o meu corpo a se levantar e dei uma olhada em todo o local, chegando a conclusão de que eu estava num quarto absolutamente branco com uma única cama em seu centro, guarda roupas e só.
Chequei meus braços, minhas pernas, minha barriga e tudo mais o que eu conseguia ver. Aparentemente, as manchas ainda estavam vermelhas de todos os lugares em que eu fui ferrada e estavam doloridas como o inferno.
Ao menos eles não me mataram.
Morrer significava morrer e ser uma infectada, o que me faria voltar a vida.
Morrer não era mais como antes.
Não desejando estar ali para quando alguém viesse, me enfiei em baixo da cama e tentei me encolher o máximo possível, embora fosse absolutamente doloroso e vergonhoso porque issso só me lembrou das merdas que foram feitas com o meu corpo. Naquele breve e adorável escuro, eu desejei voltar no tempo e não começar com toda esta merda de Apocalipse, mesmo a culpa não sendo totalmente minha.
Quando o loiro voltou para o quarto, ele carregava uma arma em sua mão direita e tinha o seu membro rígido como um claro sinal de que uma de nós iriamos ter de fazer algo para ele. A escolhida, para o nosso azar, foi Alice que fora puxada para se ajoelhar de frente ao homem que se sentava na beirada da cama e, apontando a arma para a sua cabeça, ele mandou-a chupá-lo se não quisesse morrer ali. Ela o fez enquanto seus outros homens garantiam que eu assistisse toda aquela cena.
O loiro não parou, ele forçou Alice a levá-lo até o final, ele a fez engoli-lo até que ela se engasgasse e ele gostou de ver aquilo. Ele realmente adorou porque depois, ela teve que chupar sua arma enquanto ele se masturbava diante a visão de uma garota completamente a sua mercê.
Eu quis chorar quando essas imagens me atacaram, mas pareceu que isso não seria certo naquele momento porque estava tentando me esconder de quem quer que eles fossem. Malditos. Homens. Filhos. Da. Puta. Como eles podiam ter a indecência de fazer algo assim com duas mulheres?
E mais uma vez, durante todos os dias e frações de segundos, lembrei a mim mesma de que tudo aquilo era a minha culpa pois, infelizmente, eu tive a ideia genial de criar um vírus capaz de trazer os mortos á vida. Apesar do meu QI ser maior do que o normal, acredito que eu era uma enorme burra porque não dava para acreditar que criei isso e não pensei nas consequências, quero dizer, como alguém sabe que vai criar um Apocalipse Zumbi no meio do mundo? E que isso vai realmente funcionar?
A resposta é bem simples: Isabella Swan.
Minha culpa, minha e minha.
Por conta disso, agora nós estávamos aqui, ou melhor: Eu estava aqui, esperando saber que raios aconteceu, esperando ter uma chance para me salvar, salvar minha amiga e o que mais der para fazer antes de morrer nas mãos desses seres, antes de qualquer coisa ruim.
Me encolhi mais um pouco e trinquei os dentes. Se eu não fosse uma sem bunda preguiçosa, nada disso teria acontecido. Eu teria visto eles entrando. Eu saberia avisá-la. Pegaria nossas coisas.
PORRA. NOSSAS COISAS.
Escondi-as antes mesmo deles entrarem e isso só aumentava as chances de que caso saíssemos daqui, não estaríamos completamente só. Teríamos armas. Teríamos ao menos sacos de dormir. Droga. Deveríamos voltar para aquela cabana se pretendêssemos ter alguma chance. Só teria que elaborar um plano, só isso.
Pense, Bella, Pense. Você é como a Viúva Negra, assassina profissional, o que pode fazer? O que dá pra fazer?
Batida.
Batida.
Batida.
Pausa.
Batida.
Batida.
Barulho, resmungo, barulho.
Passos.
Permaneci encolhida abaixo da cama e tentei não respirar de forma barulhenta, evitando chamar atenção do desconhecido ou dos desconhecidos já que eu não estava prestando tanta atenção assim naquilo e tentando ficar focada somente em mim pois eles não deveriam me descobrir. Pensem que eu fugi. Pensem.
Reunindo toda a minha força, deslizei para a única saída da esquerda daquela cama e ainda abaixada, rezei para ter algo para agarrar e utilizar, entretanto, não havia nada ali que me pudesse ser útil e minha única opção foi respirar fundo, guardar todo o ar para mim e me levantei num pulo - modo de dizer - e disparei numa corrida para a porta.
Eu consigo. Eu consigo. Eu consigo. É claro que eu consigo, sou obrigada a conseguir, por nós, por mim e por Alice, pela nossa sobrevivência.
Não importava o quão rápida eu consiga ser, braços fortes conseguiram me agarrar pela cintura e me trouxeram de volta para alguns centímetros de distância. Aquilo me deixou um tanto quanto chateada e deixei que minhas unhas disparassem nos braços brancos e peludos que me agarraram. Argh!
Elas pareceram não causar efeito algum e tudo o que me restou foi usar minha última opção viável: Tentei me soltar a qualquer custo, tentando suavizar seu agarro e quando achei ser o momento certo, tombei minha cabeça para trás, acertei meu crânio em seu queixo e o vi urrar por conta do impacto.
A partir do momento em que ele conseguiu me soltar, ir para cima dele me daria mais alguma boa chance e fechei minha mão num belo punho, acertando o que consegui da sua garganta e soou como se ele estivesse divido entre tossir e checar se seu rosto estava ok. Não me dando por satisfeita, investi contra ele mais uma vez, só que ao invés de golpeá-lo, me lancei em sua direção e consegui derrubá-lo. Muito bem, Bells, muito bem.
''Vadia, eu vou pegar você, maldita.'' Rosnou o homem para mim e fiquei orgulhosa de ter conseguido derrubar um armário, entretanto, não dava para lhe dar espaço e corri embaraçosamente para fora daquele quarto, me vendo num maldito corredor de cerâmica. Certo. Era só correr. E eu corri o máximo que podia, deixando meu ouvido atento para o menor sinal de Alice.
Curvas, curvas e em nenhum momento passei pelo o que seria o quarto do qual eu tinha fugido. Não me deixei parar para buscar folego em nenhum momento, teria de conseguir achar uma saída assim e eu acharia, acredite nisso. Sou Isabella Swan, alguém que conseguiu derrubar monstros durante anos e que acabou de derrubar um armário que disse que iria me pegar.
Desci uma dezena de degraus antes de chegar ao que parecia ser o primeiro andar e ao encontrá-lo incrivelmente vazio, julgando que estava numa sala extensa já que haviam diversos sofás, tomei a coragem e caminhei em direção a porta, puxando a maçaneta num único sopro de vida e percebi que estava trancada. ÓTIMO. Ó-T-I-M-O.
Olhando mais uma vez para o cômodo, eu deslizei para de trás do sofá e tentei me esconder ali temporariamente. Claro que era uma ideia de merda, quero dizer, quem em sã consciência tem uma idéia de jiríco destas? Mas antes ficar de quatro do que deitada. Nesta posição onde Napoleão perdeu a guerra, dava para se movimentar melhor e golpear partes baixas que causavam uma dor enorme e excruciante no sexo frágil que, eu te garanto, não era o feminino.
Respirei tudo o que consegui e sobre as costas do sofá, tentei analisar mais uma vez aquela bonita sala e fui gravando cada pequeno detalhe para usar no futuro. Não dava para dizer que era algo bonito com todos aqueles tons e simplicidade, mas era suficiente acomodativo, eu moraria ali. Sofás em quantidade necessária, tapete, janelas, cortinas, portas, tudo o que dava para ser necessário, além do fato de que a energia ali funcionava muito bem.
Quando vozes começaram a soar, tentei não ser tão desesperada e me mantive quieta, de quatro, encolhida. Se eu ficasse quietinha, eles poderiam pensar que eu era uma estátua como o Kurt disse para o Blaine em um dos episódios de Glee.
Oh, não, eu estou divagando novamente e isso não podia acontecer justo agora. Ideias, ideias, cadê vocês?
Elas pararam. As vozes pararam.
Não sendo tão estúpida quanto julgavam que eu fosse, me mantive paralisada ali e me abaixei mais um pouco antes de dar uma espiada por trás do sofá só para saber se tinha alguém naquela sala. Não. Não havia ninguém. Da melhor maneira que pude, me coloquei de pé novamente e escorei-me na janela, tentando pensar em alguma coisa que pudesse me tirar daqui.
O que a baixinha faria?
O vidro. Isso.
Encarei aquela janela como se ela fosse a minha única chance de salvar Alice e tentei não pensar em como aquilo poderia doer em mim, mas sim em como aquilo poderia chamar a atenção necessária.
Minhas mãos se fecharam em punhos e eu desejei encontrar infectados do que aqueles humanos imbecis, então, dei o primeiro golpe contra o vidro e nada aconteceu. O segundo golpe. O terceiro. O quarto. Mais força, Isabella, mais força. Dei alguns passos para trás e coloquei uma perna na frente da outra, protegi minha cabeça com os braços e me lancei ao encontro da janela.
Meu corpo pousou no chão rodeado de cacos de vidro que eram os restos daquela janela e eu me levantei vendo que boa parte dos meus braços sangravam por conta dos pequenos cacos, aquilo não me mataria porque era como quando se quebrava algo e sem querer se cortava, só que a quantidade era grandiosa. A única coisa realmente chamativa ali fora o pedaço de quatro centímetros, eu acho, que se alojou no meu abdômen.
Senti falta das minhas roupas. Se eu estivesse com elas, poderia facilmente arrancar aquilo e parar o sangramento que também não me mataria, mas podia causar um incomodo do diabo. Não querendo perder tempo com toda aquela analisa, arranquei o vidro e coloquei meus pés para trabalhar, tentando descobrir onde estava.
Quando segui por uma trilha de escadinhas de concreto, vi que aquela parte do terreno era inclinada e tive a visão de mais casas e um campo de futebol próximo a um grande salão, tinha bastante mato aparado e a bandeira dos EUA estava posta em algum lugar ali.
Somente quando os degraus acabaram, eu me vi rodeada de gente que andava para cima e para baixo com os seus afazeres, com suas crianças, com suas coisas, suas roupas, suas vidas. Esbugalhei meus olhos e dei mais uma olhada em todo o local para então ter a seguinte revelação: Esse lugar era absolutamente murado e soava como uma base militar. Na verdade, era uma base militar.
Nós estávamos numa base militar cheia de desconhecidos.
Levei minha destra até o sangramento do meu abdômen e fiz uma certa pressão enquanto continuava andando pelos cantos daquela base, entendendo perfeitamente bem porque era cheia de árvores, casas e porque o terreno era enorme. Ali era seguro, mas até quando? Continuei fazendo meu mapeamento por entre as sombras das árvores e tentando não chamar muita atenção para o meu estado.
Se eu me lembrava bem, nós estávamos na base militar de Seattle e havia um pequeno lago em alguma parte daqui pois o meu pai já me trouxera neste mesmo local quando as coisas ainda estavam razoáveis e bem. Quando o mundo não foi transformado nisso que ele é hoje, em outras línguas.
Õ.o.O.o~~~.O.õ.O~.
Enquanto me lavava naquele lago modesto, lembrei de todas as encrencas que Alice e eu enfrentamos ao decorrer dos anos e de como eu a conheci e de como soube que seriamos melhores amigas a partir de então, mesmo que ela odiasse o meu senso de covardia e trabalhasse muito para me mudar. Nós juramos que não importa o quão ruim estivermos, iriamos sempre salvar a outra e confiar uma na outra, por isso, neste momento, eu só pensava no que podia fazer para ajudar aquela anã de jardim.
Nós passamos por tanta coisa juntas; Teve aquela vez na California que um grupo de mercenários nos perseguiu porque eles sabiam quem eu era e queriam que eu pagasse, então nos levaram para uma igreja e começaram a nos torturar até que tivessem a confirmação de meus lábios de que eu era Isabella Swan, a responsável por tudo. Também tivéssemos de fugir de um grupo de canibais que queriam nossas carnes, de manadas de zumbis cuja a nossa munição não daria conta. Precisamos comer comida que ultrapassou a validade e pegamos uma grande dor de barriga. Acolhemos um jovem, uma vez, que foi mordido por um infectado e implorou para continuar vivo. Eu amputei sua perna esquerda inteira, deixando um cotoco bem feito. Eu nem sei se ele sobreviveu. Nós também sobrevivemos ao Texas, nós sobrevivemos ao Brasil onde, aparentemente, alguns bandidos tinham tomado a CPOR* e usaram das suas armas para nos usar. Nós fomos roubadas diversas vezes até que optamos por esconder coisas nas nossas roupas. Nós vimos pessoas, conhecemos essas pessoas e nos importamos com elas até a hora em que morreram por eles, ou por nós. Nós nos acostumamos a ser frias e isentas de sentimentos que pudessem nos prejudicar. Todos nós estávamos sujeitos a dor, mas podíamos escolher se queríamos sentí-las ou se a ignoraríamos.
Nós escolhemos que era melhor ignorá-la.
Com o tempo e o isolamento, o ver que o governo Londrino já não se importava mais se haviam sobreviventes, coube a nós a tarefa de também ligar um breve aviso de ''cuidado, sou um robô sem expressão e sentimentos'' e sobrevivermos ao fim do mundo desta maneira. Não era fácil, afinal, quantas vezes nós ficamos num lugar seguro, absolutamente trancado e ouvimos pessoas gritando porque estavam sendo devoradas? Quantas vezes, no inicio disso tudo, nós fomos saqueadas, assaltadas, surradas, abusadas, humilhadas? Antes, éramos um grupo, cogitávamos ser um, aceitávamos a todos, hoje não mais.
Não há como reagir quando se está acostumado ao que vai acontecer. Você sabe como isso termina, você sabe que antes de tudo, é melhor uma bala na cabeça do que uma faca no coração.
Me chame de doida. Do que você quiser, mas infelizmente, ninguém nunca sabe o quanto pode aguentar até que começa uma série de tragédias em sua vida. O Apocalipse foi só a primeira delas, depois veio as mortes, a culpa, as coisas que fiz para me manter viva, as coisas que precisei sofrer para ser mais forte e as frases de Arrow que simplesmente murmurei para mim nos momentos mais difíceis.
Esse era um daqueles momentos em que eu podia entender o porquê do café quente nunca ter incomodado a Thea quando foi lançado sobre sua mão sem querer. Ela escolheu não sofrer pela dor, ela se transformou.
É com esse tipo de pensamento que eu saio do lago, dando-me por vencida entre a queimação, a ardência e o fato de que nunca vou estar limpa o suficiente. É necessário passar por isso tudo, digo a mim mesma enquanto toco meus pés no solo e aproveito aquela brisa sem nenhum murmuro ou gemido dos infectados.
Alice. Tudo o que consigo é manter meus pensamentos nela e em como ela deveria estar já que, obviamente, eles poderiam ter feito algo pior com ela. E se eles refizeram tudo aquilo? Ela não aguentaria, era uma adulta se fazendo de forte, mas a humilhação era demais até para quem conseguia estar acostumada com aquilo.
Por favor, senhor e amado Deus, não deixe que ninguém encoste nela mais do que já encostaram.
Quando resolvo que está na hora de realmente dar a cara a tapa, dou meia volta e refaço o caminho para a área movimentada, ganhando os olhares de todas as pessoas que reparavam no meu corpo nu e marcado. Eles sabiam, não sabiam?
Senti meu estômago embrulhar uma porção de vezes enquanto esperava que algum conhecido da noite passada me ver, me notar, judiar de mim como eles bem sabiam fazer e, mais uma vez, desejei ter uma arma ao meu lado. Havia coisa pior do que isso? Não. Nunca.
Minhas unhas acertavam a palma das minhas mãos toda vez que eu pegava alguém passeando perto demais, ou quando nenhuma senhora ousava me dar abrigo, proteção. Eles sabiam. Era impossível esperar algo de alguém naqueles tempos, era um milagre eles estarem vivos e eu sabia que queriam se manter assim.
Chegou uma hora em que eu já não sabia por onde estava, mas ouvia cochichos de todas as partes. Haha, vejam, ela está tão necessitada disso mesmo, disse a mim mesma.
''Senhorita, senhorita.'' Um grande homem musculoso gritou no meio das pessoas, correndo em minha direção. Eu parei e girei o meu corpo para encará-lo. Era um cara alto, forte, absolutamente musculoso e tinha um sorriso que ia de uma orelha a outra. Um sorriso que trazia suas covinhas para o mundo real. Ele soava tão ingênuo e doce, mas, ainda sim, recuei diversos passos. ''Não se assuste, por favor, é só que você está chamando muita atenção nessa falta de trajes e está assustando as crianças.'' Ele murmurou de forma doce, doce até mais.
Com toda a dignidade que me restava, tirei alguns fios do rosto e fixei meu olhar nele. ''Oh, sinto muito, eu deveria ter me lembrado de separar uma roupa antes de fugir dos filhos da puta que me estupraram e me trouxeram para cá só Deus sabe onde porque, aparentemente, acordei há sabe-se lá quanto tempo e, agora, estou andando no meio de pessoas que concordam com suas práticas só para se manterem vivos.'' Rosnei sem conseguir conter a minha língua e vi que ele riu, ótimo. Grande e estúpido babaca que achava graça nas desgraças alheias.
''Emmett Cullen, uma das pessoas que, segundo você, concordam com as práticas deploráveis desses homens e que, no momento, é um dos líderes dessa comunidade.'' O homem se apresentou e, mais uma vez, sorriu mostrando seus dentes brancos. Ugh. ''Você deve ser amiga de uma pequena resmungona, não?'' Eu apenas assenti diante isso. ''Você é a tal de Bella por quem a minha prima Alice, recém encontrada, está chamando, confere?'' Oh, merda. Alice Cullen. Emmett Cullen.
''Se eu disser que sim, você vai me jurar de pé junto que ela está bem e que ninguém encostou nela mais do que ontem?'' Perguntei calmamente, tentando evitar que minha preocupação fosse tão descarada.
''Oh, você pode ver isso por si mesma, mas antes, acho que lhe devo umas roupas.'' Ele coçou a cabeça enquanto dizia isso e eu tentei buscar semelhanças entre ele e Alice. O mesmo tom de cabelo. Os mesmos olhos. Aquele mesmo jeito de ser convincente.
''Sua blusa, que tal? Você é tão alto que eu acho que isso ficaria em mim como um vestido.'' Cruzei os braços esperando que ele entendesse e, quando isso aconteceu, o armário 2.0 com covinhas, me lançou sua blusa e eu a vesti. ''Viu? Perfeita. Agora, se puder, me leve até onde ela está e eu juro que se estiver mentindo, vou acabar com sua raça.'' Ameacei de forma gélida e ganhei uma indicação para onde eu deveria seguir.
Emmett Cullen, durante todo o nosso percurso para uma das demais casas daquele lugar longe da inclinação da qual eu vim, foi um ótimo companheiro silencioso que se manteve longe de mim e só abria sua boca para dizer ''ali'' e ''ali''. Apesar de ser um cara enorme, ele não tentou encostar um dedo no meu ombro ou em qualquer parte do meu corpo e eu gravei bem cada pequeno detalhe do local por onde passávamos.
Quando chegamos na Infantaria, segundo ele, que era um galpão sem portas, aberto para quem pudesse ver e era completamente feito de madeira, encontramos quatro homens amarrados em postes que não pertenciam ao lugar e com suas costas completamente em carne viva. Eu reconheci o homem loiro e isso fez com que eu, de forma automática, soubesse que o restante deles estavam conosco naquela noite.
Meus olhos procuraram Alice, mas não encontrei-a ali e encarei Emmett, esperando alguma resposta. Ele deu ombros e seguiu para dentro do galpão e eu, não querendo ficar sozinha ali, o segui. Meus ombros não relaxaram em nenhum momento, eu só queria saber onde minha amiga estava e se podíamos ir embora, mesmo sendo egoísta da minha parte.
O grandão ficou parado num banco e eu fui para o seu lado, esperando pacientemente algumas respostas sem que ele, de fato, me ouvisse perguntando e, por longos segundos, nada veio.
''Você estava no hospital, Bella, na verdade, estava na enfermaria da base militar e, aparentemente, precisou deixar um homem agonizando para sair de lá porque não tem nenhuma paciência e acabou se machucando mais.'' Ele começou e, realmente, me lembrou Alice quando ela resolvia que era hora de me dar sermão. ''Esses homens foram recrutados recentemente para se juntar a nossa comunidade e fazer parte dos nossos caçadores, por assim dizer e um dos seus deveres é convidar os sobreviventes a se juntarem a nós, entretanto, não foi bem isso que aconteceu com vocês e eu realmente sinto muito, de verdade. Alice acordou logo no primeiro dia em que eles as trouxeram para cá e logo reconheci aquele ser irritante assim como o seu irmão, então, ela nos contou tudo o que se lembrava e Edward fez questão de mostrar o que acontece com quem encosta na sua irmã.'' Ah, agora tudo fazia sentido. ''Você só acordou três dias depois, então...''
Eu fiquei em silêncio, repassei todas as palavras ditas, todos os acontecimentos.
''Você está mentindo.'' Foi tudo o que consegui dizer sem tirar os olhos daqueles homens que estavam sendo torturados e fechei minhas mãos em punhos. ''Onde Alice está?''
Silêncio. Silêncio. Silêncio.
''Emmett, responde a porra da pergunta.''
''Foi ela quem estava fazendo isso com eles, uma hora por dia durante todos os dias em que você dormiu, então, não, eu não sei onde ela está no momento.'' Admitiu.
Bufei instantaneamente e caminhei para fora dali porque eu queria ter certeza de que ela estava bem, de que as coisas iam bem. Foi quando alguém me puxou pelo cabelo e fez com que eu caísse no chão.
Gemi. Oh, isso podia piorar?
''O que você está fazendo com a camisa do meu marido?'' Uma bela loira sibilou enquanto me encarava.
''Emmett?'' Ameacei levantar e ela colocou seu pé esquerdo próximo a minha garganta, negando-me uma saída.''Não faça isso.''
''Não fazer? Por que raios você está com a camisa do meu marido, vagabunda?'' Oh, meu bom senhor, eu só queria ver Alice, só isso.
''Rose!'' Ouvi a voz de Emmett gritar. A mulher não se moveu nenhum pouco, continuou me encarando enquanto a sombra do grandão ficava cada vez mais próxima.
''Emmett...'' Rosnou a senhorita peitos violentos.
''Edward.'' Um cara entrou na conversa e, meu Deus, isso não estava acontecendo.
Eu agarrei a perna da loira e puxei-a para o outro lado, retirando-a do meu pescoço e fazendo com que ela caísse no chão. Eu ri. ''Bella.'' Não era para se apresentar agora? Sim, acho que sim.
Sem nenhum dos homens me dando uma mão para levantar, o que eu dispensava, me coloquei do pé e encarei-os rapidamente antes de encarar a loira e encará-los mais uma vez. Foi ai que ouvi um gritinho atrás de mim que dizia as únicas palavras que eu quis ouvir. ''E eu sou Alice.''
Eu girei meu corpo e lhe agarrei como se aquilo fosse a única coisa a ser feita antes de morrer e ela, obviamente, retribuiu meu aperto. Meus olhos se encheram de lágrimas, oh droga, eu queria chorar tanto naquele momento, mas eu não podia, não na frente daqueles desconhecidos que observavam tudo. ''Droga, Alice, não me deixe sozinha de novo nem se cerejas formigarem sua bunda, por favor, eu não sobrevivo um dia sem você, gnomo, por favor.''
Segundo dia após Bella acordar.
Eles me deram roupas novas, comida, banho e um colchão para deitar. Eles foram legais conosco, eles foram legais demais conosco e embora adorasse ter colchão e banho, eu sabia que precisava sair dali. Todas as pessoas eram felizes dentro de uma base militar, mas o meu lugar não era aqui e jamais seria, eu comecei com tudo isso e eu deveria me ocupar de não estragar o que sobrou de sobreviventes, quem sabe em quantas mais coisas eu poderia enfiá-los.
Minha melhor amiga concordou em me apoiar em qualquer decisão que eu tomasse e ela jurou jamais contar para eles a minha verdadeira identidade, eu seria conhecida só como ''Bella'' porque meu sobrenome não importava, meu sobrenome jamais importaria uma vez que fosse mais seguro não ter um. Ter um sobrenome era mais perigoso quando lembrava-me o meu pai me chamando de pequeno Cisne.
Oh, droga, lembrar de Charlie era tão doloroso, ele era o único que me apoiou no inicio disso tudo e jurou me proteger e eu precisei acabar com a vida dele. Merda, papai, merda.
Passei todo o meu dia dentro de um alojamento dos antigos soldados que ficaram lá quando ainda existiam soldados, evitei sair e conhecer a nova comunidade, evitei me apegar demais ao que poderia ter ali. Família. Uma chance. Um recomeço. Não nasci para isso, não era tão digna e, por tanto, me pareceu necessário ficar aqui por mais tempos do que o comum.
As únicas pessoas com quem conversei foram Alice e seu primo, Emmett, ele me disse que a esposa estava envergonhada, mas que era orgulhosa para pedir desculpas e eu simplesmente dei de ombros e deixei para lá. Eu a entendia e sabia que para ela, família era o mais importante. E por ser mais importante, Alice não saberia quando estivesse na hora de partir.
Assim que a janela em cima da minha cama deixou claro que estava no final da tarde, eu peguei um par de roupas e sai para ir ao lago mais uma vez, ninguém nunca sabe quanto tempo tem para aproveitar essa belezinha e depois eu iria tomar uma banho numa ducha, não ali. O local só me lembrava o meu pai, apenas isso. Tudo aqui me lembrava o meu pai, era no mínimo estranho e nostálgico.
Fiz todo o meu caminho em silêncio e sem levantar suspeitas, aprendi em todos os filmes que vi que olhar demais dava muito na cara que você poderia estar aprontando algo, então, não olhei para ninguém e apenas segui para onde deveria seguir.
Uma vez no lago, sentei em sua beirada e arranquei meus chinelos, deixando que meus pés sentissem aquela calmaria e aquele conforto que a água me trazia.
Meu pai me trouxe aqui antes disso tudo acontecer e, eventualmente, não havia nenhum lugar para onde eu olhasse que eu não pudesse ver o meu Chefe de Policia preferido. Charlie Swan sempre foi amado e adorado pelas pessoas, ele sempre teve amor ao militarismo e as responsabilidades. Isso aqui era como um parque para ele.
Suspirei docemente e desejei que ele estivesse aqui com seu bigode e toda aquela coisa de ''eu sou reservado até com a minha filha''.
''Você não deveria estar no alojamento?'' Aquela voz rouca e conhecida soou um tanto quanto alto demais e me fez balançar a cabeça negativamente. Fiquei quieta e não lhe dei nenhuma resposta para o que quer que fosse. ''Aqui existem regras, Bella, e uma das regras é que quem está sob os meus cuidados deve se recolher antes do por do Sol.''
Silêncio.
Ignorando.
Ignorando.
''Tudo bem, faça como você quiser.'' Ele me disse e eu dei de ombros, fingindo que ninguém estava ali e sentindo apenas aquela doce água. Uhu. Isso era realmente relaxante. ''Se você não pode viver sob minhas regras, então saia.''
Ótimo.
''Não precisa pedir duas vezes, Edward, é só me avisar quando seu próximo grupo de caçadores for sair e deixar que eles me dêem uma carona, ou apenas abram os portões para mim.'' Devolvi rapidamente, não me abalando nenhum pouco.
Ele era alguém absurdamente mandão e controlador, um líder nato para uma comunidade que precisava dele e descobri isso logo após nos conhecermos quando Rosalie Hale estava com seu pé em cima da minha garganta. Ele odiou o que fiz com seu homem, ele odiou o simples fato de eu respirar e de Alice ter insistido para que eu permanecesse ao lado dela, então, não tinha muito o que dizer sobre.
Ele fazia essa comunidade funcionar, ele os mantinha vivos e eu deveria respeitar.
''Na próxima Quarta, querida.'' Ele frisou bem a última palavra e eu revirei os olhos. ''Esteja pronta assim que soar o primeiro alarme.''
''Pode deixar.''
''Agora, por favor, vá para o seu alojamento e se mantenha segura por toda a noite.''
''Vá você para onde quer que você dorme e se mantenha seguro por toda a noite.''
''Será que você não entende a gravidade da situação?'' Ele resmungou. ''Aqui pode ser seguro, mas existem regras para que permaneça assim no caso de um ataque, uma brecha para essas merdas e você não está cooperando.''
''Edward, não existe gravidade uma vez que eu estava muito segura até os seus machos invadirem a cabana em que eu e Alice estávamos e resolverem nos estuprar. Eu estava bem segura sem tudo isso, sem gente me dizendo o que fazer, eu estava segura lá fora, sem muros para me proteger, sem banhos diários e essa besteira toda, então, por favor, não me diga sobre gravidade e perigo.''
''Eles pagaram por isso.''
''E o meu corpo, hein? E a minha dignidade? Elas não foram e jamais serão reembolsadas.'' Rosnei me levantando e trazendo o par de roupas comigo, agarrando-os sob meu estômago. ''Foda-se se você os torturou, devolveu tudo na mesma moeda, foda-se, eu me cuidei sozinha e isso aconteceu e não estou morrendo ou sofrendo por isso, acho que notou que sou bem fortinha e que sei me cuidar. Quatro anos, cara, quatro anos fazendo xixi por etapas porque ficar muito tempo em um canto era perigoso.''
''Eu...'' Mas eu o parei, não deixei que ele continuasse o que fosse que sua boca inventasse de dizer, eu não deixei que nada saísse dela.
''Não, você nada. Entenda uma única coisa: Durante quatro anos, muitas merdas aconteceram comigo antes que alguém pudesse vir com um mimimi de ''horário de se retirar'' ou o que for que você chama isso. Então, não se preocupe, Quarta-feira eu vou embora junto com seus homens e, se puder, não diga a Alice, quero ela tão segura como você quer que sua gente fique. É bem simples. É só isso.''
Nota da Autora: Eu preciso fazer alguns esclarecimentos antes de poder prosseguir com a fanfic: Primeiramente, Isabella Swan passou por poucas e boas durante esses quatro anos, então, as reações dela ao que aconteceu no capitulo passado são diversas e elas foram moldadas no que a Bella se tornou hoje, após ver tanta merda no mundo e fazer coisas do tipo. Vamos ter a consciência de que isso é uma obra fictícia e que cada pessoa reage a um estupro da sua forma e que cada pessoa tem ''n'' motivos para ter tais reações, sinto muito se não ficou explícito antes que a reação da Bella foi aquela porque muitas coisas aconteceram com ela, mas espero que agora tenha ficado claro. A minha Isabella Swan é diferente das que eu já vi por ai, não espere que ela chore de primeira, ela é alguém forte que sobrevive num mundo cheio de infectados querendo sua carne, ela prefere aguentar aquilo e ter a chance de viver do que ter uma bala no coração e ser um deles. É uma escolha difícil, mas ela é um ser humano e pode errar, pode aceitar, ser quem ela quer ser e como ela quer ser. Como autora, eu me sinto feliz em não ter ninguém controlando a minha Bella já que, no meu ponto de vista, ela é uma personagem que evoluiu por conta das coisas que aconteceram e que, algumas, foram citadas aqui. É como o Carl em The Walking Dead, ele deixou de ser uma criança cedo para poder sobreviver. Enfim, eu não aguentei segurar esse capitulo, haha, precisei postar porque estava muito empolgada. Então, espero que tenha agradado vocês e nós nos vemos no próximo sábado, ou segunda, haha.
CPOR: Uma base militar que fica em frente a no RJ.
