Besides the faith and despair
Resumo: Ele ainda tinha sua fé, mesmo em meio à guerra ele a mantinha... Porem quando aquela dama abriu seus olhos... Ele sentiu o coração oscilar... :Baseado no mundo de Sandman: TenNeji .UA (Paralelo á 'Be my dream')
Respondendo a reviews:
Mih03: Obrigada pelos elogios, e aqui está a 'continuação'! 8D
Hyuuga ALe: Aqui está, NejiTenten!! (Risos) Confesso que fiquei em duvida se escrevia ou não essa segunda parte, mas bastou a sua review para que eu começasse a sorrir e resolvesse escrever (É... Sua animação me motivou! (risos))
Gata Negra: Pois é... Servir para ter continuação não serve, mas não vou falar nada de InoGaara, essa é uma história paralela aos acontecimentos de 'Be my dream'... Quanto ao Kanku-chan e o Naru-chan... Eles terão participação mais para frente... Assim como o restante terão sua próprio one-shot (Chique, né? XD)
Mokona Kuramae: Tem razão, mas o problema é que 'Luxuria' e 'Desejo' são a mesma coisa... Ou seja, infelizmente a idéia não rola!(chora) Huhuhuhu... Espere e verá o que acontecerá com nossos 'queridinhos' (risada maligna), provavelmente essa fic se tornará uma coletânea de shortfics todas entrelaçadas! Hina-chan já é citada na fanfic!(risos) Assim como a Sakura!(mais risos) Ou seja... Pode ser que os casais sejam HinaNaru e SasuSaku... Ou talvez não!(aura maligna ao fundo) Huahuahauha... Farei eles sofreeeeerem! (mais risadas malignas e raios ao fundo)
Você poderia usar a idéia dos pecados capitais em uma fic!! Eu leria!! (sorriso baka) Desde que não fosse uma InoShika... (Casal favorito de Naruto: TemaShika S2)
O silêncio na igreja era absoluto, os fiéis rezavam em voz baixa e pediam á Deus por misericórdia... No entanto Ele parecia não estar ouvindo os gritos por socorro...
Aquela guerra havia estourado há vários meses, não era algo que veio a público, pois aquela era uma cidade pequena... Sobreviviam da terra, ganhavam pouco dinheiro e não tinham recursos... Naquele momento as coisas saíram do controle, quando passaram a aceitar forasteiros em sua cidade...
Neji foi contra a hospedagem permanente daqueles homens, todos com um brilho assassino nos olhos, mas os aldeãos eram muito bons e cegos por não conhecerem o mundo lá fora...
Ele, o padre daquela cidade, nada pôde fazer quando os inimigos descobriram a localização daqueles forasteiros... Trouxe o povo para dentro da igreja e a trancou, era o santuário de Deus e ninguém poderia violá-lo...
O padre tentou ligar para o vaticano, pediu por ajuda, queria que ao menos as crianças da vila não tivessem que passar por aquilo... Mas só recebeu uma resposta fria vinda de um dos bispos...
- Padre Neji, você serviu bem á igreja, mas não podemos fazer nada no momento... Tentaremos entrar em contato com o governo do país onde está, mas não podemos prometer que a ajuda venha rápido...
E a ajuda não veio, meses depois de a pequena guerra ter começado e nenhum resgate veio... A comida era pouca, toda vinda da horta que o padre cultivava nos fundos e mesmo aquela comida tinha que ser pega de noite, quando a guerra cessava e os guerreadores paravam para descansar... Alguns já haviam perecido nessas aventuras em busca de comida, mas sacrifícios eram necessários...
Agora, no presente triste e horrendo, Neji estava em sua sala... Rezando mentalmente para que a ajuda chegasse, tinha fé em Deus e sabia que ele seria justo... Mas estava claro que o 'homem' não queria socorrê-los...
Foi quando a viu, correndo na frente da porta da sala entre aberta... Uma moça de cabelos castanhos, presos em um coque frouxo, o vestido verde-acinzentado voando levemente sobre o corpo extremamente magro...
Levantou-se em um salto, quem era ela? Ouviu uma voz feminina... Abriu a porta e viu um pedaço de tecido verde se movimentar na curva do corredor, seguiu-a...
A igreja era antiga, datava do tempo da colonização das Américas, mas ainda estava conservada... Era toda feita de pedra e mármore, e era graças á isso que os guerrilheiros não adentravam. Tinha vitrais semelhantes á de Notredame, um portão enorme feito de madeira e ferro, era uma fortaleza em forma de igreja...
Subiu para o andar mais alto da igreja, seguindo-a... Ela murmurava coisas que ele não entendia e seguia até a torre...
Quando a alcançou teve uma visão que fez seu sangue gelar... O coque havia se desfeito, o sol batia no vitral e reluzia sobre a figura dela sentada em uma janela aberta... Os olhos castanhos tinham o brilho do desespero, o vestido caia disciplinarmente até o chão... Era como olhar a Madona do Fuso (1) original...
- O que faz aqui? – Ele perguntou. Sua voz saindo sem que ele quisesse...
Ela não respondeu nada, só ficou ali sentada, fitando-o demoradamente com uma expressão gentil...
- Quem é você? – A voz dele baixou de maneira solene... Estava começando a compreender algo... – Está aqui por causa das pessoas, não é?
Ela assentiu, deixando os cabelos caírem para frente...
- Você é... A morte? – Ele perguntou temeroso...
Ela balançou a cabeça negativamente...
- Você é... Algo parecido? – Ela sorriu, afinando os olhos, parecia envergonhada... – Você... Pode falar?
Ela não respondeu só se virou para olhar a janela...
- Vai ficar aqui por muito tempo? – Ele se aproximou dela...
A dama de cabelos castanhos pareceu triste quando assentiu... Olhou-o com aqueles orbes castanhos nublados e desapareceu...
- Espere! – Ele tentou alcançá-la, mas seus dedos a atravessaram...
- Padre? – A voz de um dos aldeões foi ouvida ao pé da escada...
- Sim?
- Está tudo bem? – Neji desceu e concordou... – O telefone na sua sala está tocando sem parar já faz...
Neji não esperou mais, correu para a sala e atendeu ao telefonema, era do Vaticano...
- Padre? Conseguimos contatar o governo, em alguns dias eles irão parar essa guerra... Amanhã leve as pessoas para o subsolo da igreja e espere... – A pessoa que ligou não se identificou e assim que terminou a frase desligou o telefone...
A esperança brotou novamente em Neji... Reuniu á todos e contou as novidades...
- Preciso de alguns homens para abrir a câmara... – Ele falou indo na direção de um portão enferrujado em um canto da igreja e pegando uma lanterna sobre uma mesa...
Seis homens o seguiram, desceram por uma extensa escada e quando chegaram se depararam com uma enorme parede de pedra...
- Preciso que empurrem essa pedra para o lado... – Neji deixou a lanterna no chão e tateou a parede, achando um espaço vazio, começou a empurrar a pedra, sendo imitado pelos homens que vieram com ele...
A pedra pouco a pouco cedeu, até bater na parede... A passagem estava totalmente aberta, um vento frio passou por eles...
- Ótimo... Ainda está inteira... – Neji sorriu, aquele esconderijo estava em desuso há muito tempo... Tinha receio de que ele tivesse desmoronado... Pegou a lanterna e rumou para a superfície...
Todos ficaram animados com a novidade, as mulheres decidiram limpar o lugar, os homens iam pegar comida e as crianças... Bem elas só tinham que ficar longe de encrencas...
Neji pôde sorrir abertamente novamente, o resgate já estava a caminho, as coisas estavam dando certo... Sim... Ainda havia esperança...
Subiu as escadas e rumou á um dos banheiros da igreja, não era grande, nem luxuoso, mas ainda tinha água...
Lavou o rosto e o secou em um pano velho que estava ao lado da pia... Levantou a cabeça e encontrou um par de olhos castanhos muito profundos o encarando...
Quase gritou com o susto, aquela estranha ainda estava cercando-o...
- Afinal, o que você é? Um demônio?! – Ele pareceu irritado...
Ela franziu as sobrancelhas, em uma cara de choro, e balançou veementemente a cabeça em sinal negativo... Neji suspirou, vendo-a bater no vidro para chamar sua atenção, tentava falar alguma coisa enquanto balançava a cabeça, mas ele não podia ouvir...
- Não posso te escutar... Sinto muito... – Ele pousou a mão sobre a dela no espelho, sentindo só a superfície fria sobre a palma... Encarou os olhos castanhos, a tristeza que havia neles era muito grande, sentiu-se tentado a tocar o rosto daquele ser, sentiu seu sangue ferver com os pensamentos impuros que lhe vieram á mente ao mergulhar naqueles orbes profundos...
Afastou-se do espelho, vendo que ela ainda tentava falar alguma coisa... Saiu do banheiro, não queria mais ficar próximo á ela...
- "Ela é somente um fruto da minha imaginação... Não é real!" – Ele falava para si mesmo, tentando se convencer de que ela não existia...
Os homens voltaram, trazendo alguma comida, á essa altura as mulheres já tinham limpado um pouco o subsolo e as crianças ainda brincavam em frente á cruz no salão da igreja...
Neji olhou os vitrais iluminados pela luz da lua, tinha certeza de que vira a moça refletida nos vitrais... Virou o rosto e continuou ajudando as pessoas da vila...
Arrumaram tudo, desde sacos de dormir á até vários cantis de água...
- Amanhã à tarde iremos nos abrigar, até lá sigam com os turnos de vigilância... – Neji falou em tom audível, não podiam se dar ao luxo de relaxar... A guerra ainda acontecia lá fora...
Durante a noite tiros eram ouvidos, barulhos altos e assustadores, Neji ainda lia alguns livros da construção daquela igreja... O vento que passou por eles, na hora em que a passagem fora aberta, era fresco... Devia ser uma rota de fuga, tinha que haver alguma passagem para o mundo lá fora...
Jogou-se para trás, apoiando as costas na cadeira, esfregou os olhos... O sono o estava vencendo, decidiu cochilar um pouco, era um capricho, mas fazia tempo que não dormia...
Sua consciência de repente ficou limpa e vazia, o sono sem sonhos tomou conta dele... Sua respiração suave se fez ouvir no quarto, a luta lá fora tinha parado... O silêncio da noite era confortador...
Ele acordou ao sentir algo gelado tocar seu rosto, olhou para o lado e viu aquela garota afastar o rosto de perto do dele... Ela sorria de um jeito triste, havia um brilho de lágrimas em seus olhos... Ela sibilou algo que ele pode entender como um 'bye, bye' e sumiu...
Ficou olhando ela partir, colocou os dedos por sobre aonde ela o havia beijado, seus lábios eram gelados e delicados com flocos de neve, sentiu um vazio ao perceber que ela não estava mais nos reflexos...
Amanheceu. Neji não havia dormido mais, não conseguia tirá-la da sua mente... Sabia que estava cometendo um erro, mas acabou criando um sentimento pela dama de aura e olhos tristes...
Se apaixonar por uma ilusão, que patético...
Mais de uma vez naquele dia se pegou pensando nela, bastava sua mente vagar um pouco que ela aparecia em seus pensamentos...
Se pudesse vê-la, se pudesse tocá-la... Mas ela já não estava mais ao seu redor, ela tinha partido...
- Padre... – Uma senhora lhe chamou, tirando-o de seus pensamentos...
- Sim?
- O senhor se sente bem? – A senhora parecia preocupada, as rugas lhe davam um ar sério e frágil...
- Sim, só estou um pouco avoado, os problemas de sempre... – Ele disfarçou, não estava louco, não ainda...
- Ah... Sim... – A senhora sorriu e ele pôde ver, por trás das rugas de preocupação, a bela mulher que ele conheceu ao chegar à cidade...
Até ele mesmo estava mais velho do que aparentava, apesar de ter somente 25 anos parecia estar beirando os 36... A guerra faz isso, torna jovens em velhos, tira a esperança e a alegria das crianças... A guerra cria monstros, nada mais do que isso...
Ele se ajoelhou perante o altar, há quanto tempo não fazia isso? Ajoelhar e rezar com o coração saltando, movido por sentimentos? Desde que deixou sua antiga cidade... Sim... Desde aquela época nunca mais sentiu o coração se mover, era um padre, mas o amor que havia nele secou...
Um barulho alto, novos tiros...
- Vão todos para dentro do esconderijo... – Ele falou alto, a movimentação começou, os aldeões corriam e pegavam todos os mantimentos...
Neji decidiu subir para pegar os livros, se algo acontecesse com eles à história daquele lugar se perderia... As escadas nunca lhe pareceram tão compridas...
Pegou os livros e anotações e jogou-os dentro de uma sacola de tecido cru... Não tinha muito tempo...
Olhou de relance para o espelho e viu algo se mover... Seria ela?
Correu atrás da sombra, decidido a dizer a ela... Dizer que ele mesmo não entendia seus sentimentos, queria-a longe, mas ao mesmo tempo não suportaria não poder mais admirar os olhos dela...
Parou em frente á uma porta, estava entreaberta e ele pôde ver movimentos dentro do quarto... Abriu-o devagar, com medo de assustá-la...
Mas não era a moça dos cabelos castanhos e olhar triste quem se encontrava ali... Era outra mulher, bela e com um ar exótico...
- Olá... – Ela falou, sorrindo, o cabelo cor de areia balançava ao vento que entrava pela janela... – Então é você o protegido dela? – A moça riu... – Realmente, ela deve ter ficado ao seu lado durante um bom tempo...
- Do que você...? – Ele tentou falar...
- Desespero é muito 'boazinha' quando se apega á um humano isso torna meu trabalho difícil... – A loira riu... – Mas tenho uma boa notícia para você, rapaz...
Neji só a encarou... E sentiu suas pernas o guiarem para perto da janela... Ficando de frente para a moça...
- Você não vai morrer hoje... – Ela o encarou com os olhos verdes brilhando em divertimento... No momento seguinte vozes foram ouvidas no andar de baixo, Neji se virou assustado pelo barulho, e uma pedra atravessou a janela e o atingiu em cheio na nuca...
Escuridão era o que havia naquele lugar... Uma escuridão tão densa que poderia ser tocada pelas mãos humanas...
Uma voz sibilou algo em seu ouvido, uma canção de ninar...
What are little boys made of? What are little boys made of? Frogs and snails and puppy dogs' tails… What are little girls made of? What are little girls made of? Sugar and spice and all that's nice…
Seguiu a voz na escuridão e quanto mais andava mais claro as coisas ficavam... Viu uma cadeira de balanço, um castiçal ao lado e uma mulher cantava aquilo repetidamente...
- Achei que não ia mais vê-la... – Ele falou a voz rouca e tremula...
- Não deveria mais me ver... – Ela respondeu...
- Como se chama? – Quis se aproximar, mas seus pés não se moviam...
- Muitos me chamam de 'Senhora das noites sem lua' ou de 'Rainha das almas perdidas', mas eu tenho um nome... – Ela se virou, os olhos brilhavam em uma cor vinho por causa da chama da vela... – Eu sou Tenten, a Desespero dos Perpétuos...
Ele não entendeu bem o que significavam aqueles títulos, sua mente estava nublada...
- Porque não falou comigo antes? – Ele reuniu forças e se aproximou da cadeira, mas somente um passo...
- Não posso ser ouvida fora de meus domínios, àqueles que já me ouviram ainda em seus corpos acabaram perecendo... – Ela pareceu muito triste...
- Então... Eu...
- Está vivo... Minha irmã não foi buscá-lo, ela tinha que levar somente os aldeões... – Tenten explicou... – Eu os observei durante toda essa guerra, sinto por eles terem perdido a vida de maneira tão horrível...
- O que... O que aconteceu?! – Ele se exaltou...
- Não se esforce tanto... Sua alma vai acabar se partindo... – Ela falou em tom suave... – Você deveria ter caído no mundo de meu irmão, Sonho... Mas acabou caindo próximo de mais do meu reino...
- Reino...?
- Sim... Bem vindo aos confins do Desespero... – Ela sorriu... A penumbra se dissipou e ele pôde ver inúmeros espelhos por todos os lados...
- Espelhos... – Ele se aproximou de um, olhando uma moça chorar em seu travesseiro...
- Esse é o meio que tenho para observar os humanos... Não devo tocar ou falar com eles fora de meu mundo... – Ela se debruçou sobre um dos espelhos... – Se eu o fizer... A existência deles se quebra...
- Mas... Porque isso? – Ele não compreendia...
- Durante a guerra que você presenciou... Você somente pôde sentir minha presença e isso muitas vezes o mortificou, não é mesmo? – Ela pareceu calma... – Se o 'desespero' puro o tocasse ou falasse com você... O que acha que teria acontecido?
- Eu... Teria... Enlouquecido... – Ele compreendeu, ela estava presa ali... – Porque faz isso? Você não gosta de fazer mal ás pessoas, porque insiste nisso?
- É meu trabalho... – Ela sorriu meigamente... – Mas... Você nem ao menos sabe com quem está falando, mortal... O desespero tem várias faces...
- Mas só conheço uma delas e é você... E sei que não gosta de ferir as pessoas... – Ele falou com firmeza...
- Não as firo... – Ela voltou a se sentar... – Acha mesmo que alguém poderia ser feliz sem sentir o desespero? Porque você acha que as pessoas conseguem sorrir quando algo realmente bom acontece? Porque elas já sentiram minha presença, já tiveram uma prova do poder que eu tenho sobre elas...
Ela fez uma pausa, sua expressão ainda era a mesma... Ele se aproximou mais um passo...
- Sabe... Você foi o único humano que conheci que tentou me alcançar... – Ela sorriu, encolhendo os ombros... – A maioria a me ver no espelho ou ao me encarar refletida em alguma janela se afasta com medo... Mas você... Tentou me tocar... Duas vezes...
Ele não sabia o porquê daquilo também, ela pareceu meio confusa...
- Mas creio que deva desculpas... –Ela falou suspirando pesadamente...
- Por quê?
- Decidi algo que não era da minha conta... – Tenten o encarou... – Li o livro de meu irmão para te avisar, avisar para não entrar naquela passagem, mas você não me ouviu...
- Como? – Ele arregalou os olhos perolados, a boca aberta...
- Ao fazer aquilo eu mudei o seu futuro... Impedi que morresse, mas você vai sofrer muito... Desculpe-me... – Ela continuou, abaixando os olhos, deixando-os semicerrados...
- O que aconteceu? – Neji ficou impaciente novamente...
- Eles provavelmente não vão te contar... – Ela fechou os olhos... E virou o rosto... – Você já vai acordar... Quando recobrar a consciência abra o livro da história daquela igreja na ultima página, vai entender o ocorrido... – Ela não se virou, nem mesmo se mexeu... – Adeus...
E ele voltou a si... Estava em um hospital...
- O que aconteceu? – Ele olhou ao redor, uma enfermeira se aproximou dele com um sorriso...
- O senhor foi atingido por uma pedra, padre... – Ela sorriu ainda mais e puxou alguns papeis de uma pasta... – Vieram alguns senhores aqui e deixaram o senhor na nossa emergência, mas isso foi há dois dias...
- E o restante? Trouxeram mais alguém? – Ele tentou se levantar, mas sua cabeça latejou...
- É melhor que não se mexa, tinha um corte bem feio na cabeça... – Ela o fez se deitar novamente... – Não trouxeram mais ninguém, somente o senhor...
- A sacola... Que estava comigo...
- Está aqui... – Ela apontou para a cadeira de madeira ao lado da cama...
- Pode me entregar o livro de capa azul, por favor? – Ele tocou a testa com a ponta dos dedos, estava realmente dolorido...
- Claro... – Ela pegou o livro de dentro da sacola e o entregou a Neji...
Ele abriu o livro na ultima página e uma folha solta caiu em seu colo, ela estava muito bem presa em um pequeno vão que havia entre as páginas e a capa...
Leu a folha, era muito antiga, nem mesmo havia data nela... Somente algumas anotações em uma língua urálica meio arcaica... Conseguiu entender alguma coisa sobre provar a culpa dos infiéis dentro de um labirinto de dor...
Descrevia o jeito de punir todo aquele que cometesse algum crime na cidade, a pessoa era jogada dentro de uma câmara aonde seria morta se não fosse inocente, nunca houve sobreviventes...
A mente de Neji começou a trabalhar, assim que viu o desenho da porta de pedra com os mesmos escritos daquela em que os aldeões se refugiaram tudo ficou claro...
Os dedos dele tremiam, estavam mortos... Todos mortos pelas armadilhas ancestrais... E se ele não tivesse ido buscar os livros também teria morrido...
Continuou lendo... De acordo com a anotação o dispositivo era acionado assim que a porta se fechava... E parava de funcionar após um dia... E sempre estava equipado com flechas e armas extremamente afiadas...
As palavras de Tenten vieram á sua mente... "Sinto por eles terem perdido a vida de maneira tão horrível..."
Fazia sentido... Ele havia levado todos á morte, ele tinha sido o culpado... Mas... Como? Como a porta tinha sido fechada?
- Enfermeira, pode me arranjar um telefone? – Ele puxou-a pelo braço, tremendo de ira e de nervoso...
- Cla-claro... – Ela puxou o telefone para perto de Neji, pousando o aparelho em um canto da cama...
Ele ligou para o Vaticano, seus dedos tremiam ao discar... Sua consciência estava no limite...
- Porque me mandaram ir para o subsolo com os aldeões? – Foi o que ele perguntou assim que atenderam...
- Peço que se identifique, por favor... – A voz do outro lado soou assustada...
- Padre Neji, o que cuidava de uma pequena aldeia em guerra... – Cuspiu as palavras...
- Irei passá-lo para o Bispo...
E a ligação foi transferida...
- Neji? Há quanto tempo...
- Peço que me explique o que aconteceu naquela igreja, porque me mandaram descer ao subterrâneo se lá era uma armadilha? – Ele perguntou impaciente...
- Mas... Nós não mandamos padre... Nem ao menos estou sabendo de nada sobre isso... – O bispo estava realmente surpreso com o fato e sua voz não escondia isso...
- Então quem foi? – Neji rosnou, estava com raiva, tanto dele mesmo, quanto de qualquer ser humano...
- Não há registro de nenhuma chamada para sua antiga igreja, padre... A última vez que nos falamos foi quando a guerra ainda estava no começo... Depois daquilo tentamos contatar o governo Finlandês e conseguimos a alguns dias que eles fossem até a igreja, os que começaram a guerra estavam em um número bem pequeno e foram facilmente derrotados... Mas quando entraram na igreja não conseguiram achar ninguém exceto o senhor...
- Senhor, peço que mande alguns homens para abrir a passagem subterrânea, se ela estiver fechada peço que a abram imediatamente e não a fechem... – Ele falou sobressaltado...
- Mas porque isso, padre?
- Os aldeões podem estar vivo ainda, senhor... Temos que resgatá-los! – Neji falou em tom áspero... O bispo somente suspirou e falou que faria o possível...
Ele ainda tinha esperanças de que estivessem vivos, eles não poderiam ter morrido...
Levantou-se rapidamente e decidiu que iria voltar lá ele mesmo se fosse preciso...
- Ah... Senhor padre, por favor... – A enfermeira tentou impedi-lo - Não está em condições para andar...
Neji não ouviu, seguiu em direção á porta, mas foi parado por um enfermeiro alto e aparentemente muito mais forte que Neji, o padre até poderia derrotar aquele gigante se estivesse em condições para tanto...
Ele foi sedado, estava agora na cama, olhando pela janela... A vida que havia nele havia secado... Já fazia alguns dias que estava naquele hospital, mas suas feridas não saravam...
Não pensou mais nela, não sentiu mais sua presença... Não sentia mais nada, era uma casca vazia...
Fechou os olhos pela primeira vez desde que acordou... Estava cansado, mas não queria dormir, estava com fome, mas perdeu a vontade de comer... Tudo no que ele acreditava parecia falso...
Mergulhou no mundo dos sonhos mais e mais e ali permaneceu, sendo observado por três pares de olhos...
- Irmã, você já o salvou e o condenou á uma vida cheia de sofrimentos, deveria ir falar com ele... – Temari ralhou com a mais nova...
- Sabe que eu não posso Morte... Não tenho coragem de encará-lo... – Tenten se encolheu...
- Se as duas não têm o que fazer ótimo, mas eu tenho que cuidar do meu mundo! – Gaara falou grosseiramente...
- Do seu mundo ou da sua namoradinha, irmãzinho? – Temari riu, zombeteira, dançando ao redor de Gaara... – Como o amor é lindo! Sempre muda as pessoas, mas nunca muda as pedras! – Ela riu da expressão zangada de Gaara...
O mais novo bufou e sumiu como poeira, Temari sorriu vitoriosa, sem Gaara por perto... Tenten poderia ir falar tranquilamente com o humano dela...
- Vá logo de uma vez, Desespero! Ele deve estar esperando por isso! – Temari empurrou a mais nova para dentro do sonho dele...
Tenten xingou Temari mentalmente, não queria vê-lo, não queria sofrer e observar o rosto dele sem expressão... Mas mesmo assim seguiu em direção á ele...
- Neji... – Falou com um fio de voz... A expressão dele não mudou...
Ele permanecia sentado em uma cadeira de mogno, olhava para o chão e ao mesmo tempo para o nada... Mesmo em seus sonhos a vontade de viver havia se esgotado...
- Neji, você não pode ficar desse jeito... – Ela se aproximou ainda mais dele, se ajoelhando ao seu lado... – Você é um humano, sua vida é um como um suspiro... Dissipa-se no ar e é esquecida... Você tem que voltar e continuar a viver Neji ou... – Ela sentiu as lágrimas se formarem nos olhos castanhos... – Ou eu não vou conseguir me perdoar...
As lágrimas dela fizeram algum efeito nele, a expressão vazia aos poucos foi mudando... Ele não disse nada, só esticou o braço e tocou a face dela...
Tenten pulou de susto, ninguém havia tocado-a, exceto seus irmãos... Nem anjos, nem demônios, nenhum deles ousava tocar em Desespero... Temiam que o pior acontecesse caso tocassem na senhora dos quartos vazios...
Ele a observou, a mão dele parada no ar... Tenten em pé ao lado da cadeira com a face relaxando aos poucos devido ao susto...
Ela fechou os olhos firmemente, sentindo uma ultima lágrima escorrer a face pálida... Abraçou-o fortemente, beijando os cabelos compridos dele, aconchegando a cabeça daquele humano em seu peito...
Ele seria o primeiro e o ultimo humano que ela tocaria, o primeiro e ultimo que ela se permitiria abraçar...
Neji puxou-a, sentando-a em seu colo e beijando a face molhada... Não precisavam de pressa... Ele não iria a lugar algum agora...
Iria permanecer no mundo dos sonhos enquanto seu corpo não morresse... Iria permanecer ao lado dela enquanto sua alma não fosse levada...
(FIM)
Enquanto isso com Karin e Temari...
- Ok, dessa vez a culpa foi sua, tenho certeza!! – Temari apontou o dedo acusadoramente para Desejo...
- Do que está falando, irmã? – Ela perguntou parando de lixar as unhas...
- Desespero e um humano?! Desejo... – A loira falou em tom de ameaça...
- Irmãzinha amada, quantas vezes tenho que falar que o mundo, infelizmente, não gira ao meu redor? Talvez eu tenha dado uma mãozinha... – Foi impedida pela aura ameaçadora que se desprendia do corpo de Temari e tentava lhe atacar... – Mas só pela parte dele, credo! Nem me deixa terminar a frase!
- Sei... Só aviso uma coisa, Desejo... Se eu sentir que tem dedo seu nessa história... Eu levo seu humano embora... Destino vai brigar comigo, mas vai valer a pena só por ver o seu sofrimento! – Temari sorriu maquiavélica...
- Que educação, hein? Invade minha casa, me acusa injustamente e ainda me ameaça? Irmãzinha você precisa de férias... – Desejo fez uma pausa e deu um sorriso malicioso – Ou melhor... De um namorado!
- Karin... Ouse planejar qualquer coisa e nem mesmo todos os nossos irmãos juntos vão te salvar! – Morte falou com raiva e sumiu no espelho, fazendo-o cair assim que desapareceu de seu reflexo...
- Sete anos de azar, maninha... – Desejo sorriu brincalhona... – Hmmm... Vejamos quem pode ser o amado de minha irmã Morte... A lista é tão extensa que até cansa minha beleza!
E lá ficou Desejo devaneando sobre o futuro amor de sua irmã mais velha...
"Amid faith I'll miss you ... Amid the despair I met you..."
Nota: Madonna do Fuso – Obra de arte pintada por Da Vinci em 1501, seu original não existe mais, há somente cópias baseadas na pintura original, retrata a Virgem Maria sentada com o menino Jesus em seu colo, ele segurando algo semelhante a cruz, mas que na verdade é um fuso de fiar...
N/A: A Desespero original é bem diferente da desta estória, mas eu não poderia colocar a Tenten andando nua por aí (Ou poderia?)... Ela é minha Perpétua favorita, a senhora do vazio, o medo que reflete nos olhos de safira de um gato... Ou seja, eu vivo entrando e saindo do mundo dela á cada instante! (risos) Essa é a verdade... Visito muito o mundo dela e da Delírio, pode-se dizer que somos velhas conhecidas!(risos)
Mas voltando a história, adoro TenNeji, mas essa ficou um tanto mais triste que a outra... Acho que é por causa da personagem que a Tenten representa, Desespero é assim, quieta, melancólica... Tive que adaptar o desespero para a Tenten, ao contrário da original que tem um olhar tão obscuro e frio (E é um tanto cruel), ela adquiriu um certo 'gosto' pelo trabalho... A Tenten-Desespero acabou por ter mais suavidade e meiguice(Bem diferente da Desespero original), que é típico da personagem de Naruto, mas sem perder o foco de seus afazeres... No original Desespero só aparece refletida em espelhos, nesta estória ela aparece em tudo o que reflete, como as vidraças da igreja ou vidros quebrados...
Neji, na minha imaginação, seria um poeta cheio de dividas ou um padre em meio á guerra... Passei a gostar da versão do padre, já que poderia colocar Desespero como uma figura divina... No mundo da HQ (# 21, Estação das Brumas) há um dogma no Afeganistão que declarou Desespero como uma deusa e proclamou todos os recintos vazios como seus locais sagrados... Acho que isso faz bastante sentido, mas não, o Neji não está no Afeganistão... Ele está ao norte, próximo á Finlândia...
Eu estou com um devaneio qualquer me minha mente sobre uma longfic de 7 capítulos (Cada um com um irmão e um casal), estava pensando sobre Desejo e o 'humano dela' (risos)...
O pessoal que gosta e lê Sandman deve estar querendo comer meu fígado (Acompanhado de purê de batatas selvagens, trufas e um vinho tinto ia bem! (risos)), mas esta estória é meramente baseada em Sandman... Os valores comuns para com a história original não são aplicados aqui!(risada maligna, seguida de uma pose de Aizen)
Até á um próximo devaneio, meus queridos!
Não se esqueçam... A fé move montanhas, mas reviews desencalham autores! o.ó
APERTE 'GO' E SALVE UM AUTOR!
