Cap. 2 O capitão!

- Terra à vista! – Gritou um marujo do alto do mastro.

O imediato do navio ordenou que descesse e mandou chamar o capitão.

- Vão chamar o capitão – ordenou.

- Mas ele está no quarto há imenso tempo, meu imediato! E se o incomodar-mos? – Exclamou o mesmo marujo pequeno e esguio do mastro.

- Se fosse a ti não estava preocupado com isso e sim em cumprir a minha ordem, senão tens de te haver com a minha amiga. – Riu maliciosamente o imediato e apontou a arma à testa do marujo, que saiu disparado rumo ao convés.

Passados uns minutos, apareceu um homem de vinte e poucos anos, moreno, olhos escuros e cabelo curto também escuro. Vinha vestido ao melhor estilo pirata mas a tapar o tronco tinha apenas um colete.

- Jeff o que temos aqui? Deve ser muito importante para me virem acordar do meu sono relaxante! – disse o capitão.

- Meu capitão avistamos uma ilha. Seguimos viagem ou paramos para dar uma vista de olhos? – disse Jeff, o imediato que ostentava um ar cansado.

O capitão não respondeu. Começou a caminhar pelo navio de um lado para o outro como se a pergunta de Jeff fosse uma questão de guerra ou paz.

- Detesto quando faz isto. – pensou Jeff. Era amigo do capitão à anos e sabia que quando começava a divagar sobre o que havia de fazer, era sinal que não vinha boa coisa. Tinha a mania que era bom este capitão, cheio de tiques. Mas no fundo era um grande líder e lutador além de ter bom coração.

- Atracámos! – Exclamou de tal maneira inesperada que assustou alguns marujos. – Vinha mesmo a calhar uma água de coco.

- Largar âncora! Trabalhem seus marujos rafeiros! – Berrou Jeff. – Aproveitamos para abastecer o navio meu capitão?

- Exacto. Mantimentos, a minha água de coco e sabe-se lá mais o quê. Tenho a leve sensação que aquele lugar tem algo fascinante! – Exclamou olhando a ilha com um olhar brilhante, mais brilhante que o nome do navio: Lua Brilhante.


Elizabeth acordou com o cantar dos pássaros. Vestiu uns trapos velhos e saiu para fora. O dia estava lindo e o mar calmo. Teve uma sensação estranha e decidiu tomar um banho de cachoeira, mas não sem ir a um lugar. Atrás da cabana cavou um buraco e achou o tão famoso baú contendo o coração de Will.

- Tenho de te pôr num lugar mais seguro. – disse.



Entrou no meio da selva e encontrou uma árvore de fruto. Decidiu que o baú ficaria ali já que era um lugar de difícil acesso mas de boa memória para quem estava habituada a colher mangas de lá. Depois da tarefa, caminhou até à cachoeira, que embora fosse pequena ainda dava para dar um bom mergulho. Pousou uns frutos recolhidos para comer depois, um punhal que Will lhe deixou (nem para arranjar uma pistola serve) e despiu-se. Não tinha complexos. Estava numa ilha deserta e ninguém a veria nua.

- Ao menos aqui estou longe daqueles olhares desejosos que muitas vezes se vêm nos marujos dos navios. – pensou. Logo de seguida mergulhou.