Parece que o cara não estava acreditando muito que eu fosse encarar o desafio, pois ele demorou bastante para se posicionar.

"Tem certeza que não quer desistir?" Eu perguntei levantando o visor.

"Tenho, vou adorar te deixar para trás." Ele disse antes de colocar seu capacete.

JB sorriu e bateu em seu ombro antes de se posicionar a nossa frente.

"Como você já sabem, só podem correr quando o pano tocar o chão. Liguem os motores."Assim que JB mandou Edward ligou e mostrou, como o intuito de me amedrontar, o potencial do motor. Eu tenho que admitir que a Yamaha R6 azul dele tinha potencial, mas o cara era muito apressado. Tinha cara de dar tudo de si no começo da corrida.

JB soltou o pano, demorou em torno de 3 segundos para ele atingir o chão, nesse tempo senti meu corpo todo se moldar a moto, o garoto impaciente fazia o motor rugir alto. Quando o pano atingiu o chão eu acelerei, Edward estava na frente, mas como eu imaginei suas forças eram logo para a largada, gradativamente eu atingi os 300 Km por hora e alcancei-o. Era assim a 300km pro hora que eu me sentia livre... era livre.

Cheguei no ponto de volta e desacelerei um pouco colocando meu pé apara dar o apoio, eu já estava arrancando novamente quando o Edward atingiu a volta. A partir daquele momento eu dei tudo de mim e forcei minha moto ao máximo.

Cheguei alguns segundos na frente do meu desafiante.

"Como assim uma garota ganhou?" Perguntou Emmett.

"Avisei que não era para subestima-la." Disse JB.

"Boa B." gritou Sam.

"Valeu B." gritou Max.

"Dale garota." Disse Lizz.

"Guarda a minha grana JB." Eu disse sorrindo para ele.

Eu fui para onde todos os outros estavam e começamos a conversar e beber.

"Parabéns." Alguém sussurrou no meu ouvido.

Quando eu me virei para agradecer me deparei com Edward sorrindo eu apenas sorri e assenti com a cabeça. Ele beijou minha testa e começou a se afastar.

"Não que ir?" Eu perguntei indo em direção a ele.

"Onde?" Ele parou e se virou perguntando.

"Beber. Eu pago." Eu disse sorrindo.

"É só se for a final você pegou todo o dinheiro que eu tinha." Ele disse sorrindo.

"Tentaram te avisar você que não ouviu." Eu respondi sorrindo.

"Aonde vamos?" Ele perguntou se aproximando.

"Me segue se conseguir." Eu respondi me virando e caminhando de volta para a minha moto.

Eu avisei a JB que iria sair para beber, me despedi do pessoal e subi na moto. Edward já me esperava, eu acelerei e fui ate um bar que eu costumava freqüentar com JB e geral. Nos entramos e eu pedi duas cervejas para Harry o dono do bar.

"Você vem muito aqui?" Edward me perguntou.

"Desde que fugi de casa é aqui que venho para relaxar das corridas." Eu respondi.

"Fugiu de casa?" Ele perguntou arqueando a sobrancelha.

"É eu fugi a um pouco mais de um ano." Eu disse tomando um gole de cerveja.

"Por que fugiu?" Ele perguntou curioso.

"Por que eu não conseguia ser a princesa comportada que meu pai queria que eu fosse." Eu respondi olhando a mesa tentando afasta da memória a terrível fase da minha vida.

"Eles queriam que você fosse puritana em quanto você na verdade era um demônio, é isso?" Ele perguntou sarcasticamente.

Eu ri da colocação dele.

"Não eles queriam que eu vivesse a mesma mentira que eles, por causa da imagem, do nome, da posição social e do dinheiro. Em quanto eu não ligava para nada disso e queria apenas ser feliz." Eu expliquei.

"Quem ouve você falar acha que você é milionária." Ele brincou.

"Na verdade meu pai é bilionário. Isabella Marie Cullen única herdeira da família Cullen."eu disse estendendo a mão a ele.

Ele a apertou boquiaberto.

"Nossa... " ele disse atordoado.

"Eu sei. Pode fazer o monte de perguntas que estão rodando na sua cabeça." Eu disse sorrindo da cara de confusão que ele tinha.

"Er... O que houve para você resolver fugir? Você não tinha tudo? Porque escolheu o nada? Por que se arrisca tanto correndo?" ele soltou a língua.

"Calma respira. Bem eu resolvi fugir por que meus pais já estavam planejando me casar com um idiota qualquer. Eu tinha tudo no sentido material, no quesito sentimental eu não tinha nada. Eu escolhi o 'nada' como você fala por que foi aqui que eu me senti livre. E foi correndo que eu consegui me liberta, não acho que me arrisco sei o que estou fazendo quando corro." Eu expliquei.

Ele apenas sorriu e balançou a cabeça dizendo que tinha compreendido tudo.

"JB é seu..." ele tentou perguntar, porem corou.

"Namorado? Não ele é meu melhor amigo, sou como ele diz sua protegida. Ele me ajudou quando eu precisava e nos cuidamos um do outro. Ele se tornou minha família." Eu expliquei.

Era incrível como eu conseguia me soltar com Edward, eu que geralmente não falava com ninguém era conhecida como a garota fechada, agora em menos de algumas horas estava me abrindo com um completo desconhecido. O que estava acontecendo comigo, porque aquele homem tinha aquele efeito sobre mim.

O jogo de perguntas estava todo voltado para mim e isso estava me incomodando. Era difícil conversar com alguém que sabe tanto de você, porem que você nem ao menos sabe o sobrenome.

"Agora chega de falar de mim. Diga seu nome." Eu disse sorrindo para ele.

"Edward Masen Swan" ele respondeu antes de dar um gole na cerveja.

"História." Eu exigi. Afinal eu acabara de contar a ele a minha vida.

"Não tenho história, eu cresci em um orfanato. Com 18 anos eu sai de lá, comecei a correr com a moto de um cara, eu dava parte do dinheiro que ganhava para ele, depois juntei dinheiro o suficiente comprei minha moto e vivo disso ate hoje assim como você."

"O que temos aqui um outro rejeitado. Achei que fosse a única." Eu brinquei antes de beber outro gole.

"Mas você tem seu amigo." Ele retrucou.

"Sim tenho a companhia dele, mas a minha liberdade eu vivo sozinha. E você?" eu perguntei.

"Idem." Ele disse sorrindo.

"A loira não é sua..." eu perguntei envergonhada.

"Namorada? Não, Sara é a namorada de Emmett. Ela é para mim o que JB é para você. Melhor amiga." Ele disse rindo.

"Entendo... Idade?" Perguntei curiosa.

"22 e você?" Ele perguntou em seguida.

"19." Eu disse rindo.

"Jogo das perguntas e respostas?" Ele me perguntou arqueando uma sobrancelha.

"Como?" Perguntei sem entender nada.

"Você pergunta e eu respondo, depois eu respondo a minha própria pergunta. Em seguida eu faço o mesmo, topa?" Ele propôs.

"Beleza você pode começar." Eu disse bebendo um gole.

"Dia ou noite?"

"Noite. Sou uma filha da lua." Eu respondi mostrando minha tatuagem de meia lua na nuca.

"Idem." Ele respondeu rindo.

"Tatuagem?" Perguntei.

"Um dragão nas costas." Ele respondeu.

"Alem da lua tenho uma fênix." Eu disse levantando e mostrando a tatuagem na cintura.

"Posso?" ele perguntou aproximando a mão da minha cintura.

"Claro." Ele tocou e eu senti uma corrente elétrica passando pelo meu corpo. Ele analisava cada detalhe da tatuagem, passava dedo em cada traço da marca em minha pele.

"Posso ver a sua." Eu perguntei tirando ele do transe.

Ele afirmou coma a cabeça e ficou de pé tirando a jaqueta de couro e levantando a camiseta vermelha que usava.

Sua tatuagem era rica em detalhes e eu não consegui evitar de tocar. Sua pele era quente e fez com que o choque percorresse novamente o meu corpo. Ele permaneceu imóvel durante toda a analise que fiz de sua tatuagem.

"Valeu." Eu disse me sentando assim que terminei de observa-la.

"Motivo das tatuagens?" ele perguntou se sentando novamente.

"A lua teve dois motivos, primeiro eu adoro a noite e segundo para afrontar o meu pai. Já a fênix eu fiz assim que fugi de casa para comemorar uma nova fase. Uma fase de liberdade." Eu expliquei.

"Então você se considera o pássaro que renasce das cinzas." Ele me indagou.

"Exatamente. Sempre sobrevivi a tudo. Sempre renasci das cinzas. E você, qual o motivo?" Eu afirmei já retirando o foco da conversa de mim.

"Fiz o dragão, depois que sai do orfanato. Ele representa força e determinação." Ele explicou.

"Cor?" Eu perguntei.

"Preto. Você?" Ele respondeu de imediato.

"Vermelho." Eu respondi.

"Dia da semana?" ele indagou em seguida.

"Quinta-feira." Eu respondi.

"Terça-feira." Ele sorriu.

"Interessante. Motivo do dia escolhido?" Eu perguntei.

Ele sorriu e os dois responderam juntos. "Corrida."

"Sensação que sente ao correr?" Ele perguntou.

Mas uma vez nos respondemos juntos depois de um breve momento "Liberdade!"

Nos caímos ma gargalhada. Éramos diferentes e ao mesmo tempo iguais. Os dois sobreviventes de diferentes situações. Que aprenderam a viver e a curtir a liberdade, mesmo com as marcas que o passado deixara.

"Quem diria, uma garota que se revoltou e começou a correr em busca da sensação de liberdade" Edward disse rindo.

"O que tem isso?" Eu perguntei sem entender sua colocação.

"É estranho ouvir uma garota dizer que corre por causa da liberdade. Geralmente garotas não correm e as poucas que fazem isso é por causa de um namorado ou algo do gênero. Você é diferente... especial eu diria." Ele explicou serio e depois tocou levemente minha bochecha.

"Meu pai no seu lugar daria o nome de distúrbios mentais ao invés de especial." Eu disse sorrindo.

"Ele não sabe a filha especial, maravilhosa, engraçada e corajosa que tem." Ele disse acariciando o meu rosto.

Eu senti minhas bochechas corarem e desviei os meus olhos para a mesa. Porem eu logo tiver que encarar novamente seus olhos verdes. Eles me prendiam de alguma fora. Edward sorriu um lindo e perfeito sorriso torto que me fez perder totalmente o rumo. Ele com simples gestos e ações me deixava sem pernas. Tinha algo nele que chamava a minha atenção, além da beleza e da personalidade, havia algo que nos unia e eu não conseguia explicar.