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Veja Como Correm
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Todas as pessoas daquela sala se entreolhavam furtivamente, muito desconfortáveis. Estavam em alto mar, ninguém poderia ter entrado ou saído desde que tinham zarpado, oito dias atrás.
Um de nós, era o pensamento estampado em todos os olhos matou Tomoe Himura.
Saitou, aparentemente calmo, mas acendendo um cigarro depois do outro e sequer se dando ao trabalho de apagá-los, conseguira reunir todos os seus passageiros na sala de jantar, o maior cômodo do navio. Ele corria seus olhos por todos os presentes, observando suas reações.
Então, de repente, uma vozinha infantil começou a cantar.
"Três ratos cegos, três ratos cegos. Veja como correm..."
"Pare com essa maldita música!" Foi o grito agudo de Megumi. Ela cobriu as orelhas com as mãos, quase tremendo. A melodia estivera ecoando em sua cabeça pelos últimos minutos.
"Acha que era a essa musiquinha que... se referiam?" Misao torcia as mãos. Ela estava pálida, um sorriso nervoso em seus lábios. "Veja como correm, veja como correm... Fugindo do fazendeiro, com seus rabinhos cortados..."
Ela se interrompeu de repente e estremeceu. Aoshi colocou seu casaco sobre os ombros da menina, embora soubesse que não era de frio que ela tremia.
"Isso tudo é loucura!" Disse Yahiko de repente. "Uma pessoa teria que ser completamente louca para fazer uma coisa dessas. Nenhum de nós poderia..."
"Tudo indica que um de nós pôde," Cortou Saitou. "Qual?"
Houve um silêncio curto, que Enishi interrompeu. Ele derrubou a cadeira conforme se levantava nervosa e rapidamente. "Vocês non vêem? Non perceberam ainda? Quem matou a minya mana—quem matou Tomoe, foi o Battousai! Non é a primeira vez que ele mata alguém!"
Kenshin levantou os olhos pela primeira vez em muito tempo, o choque evidente em seus olhos. "O que você—"
"Comecem do começo." Interrompeu Saitou categoricamente. "Quem é Battousai?"
"É mon querido," Enishi sorriu arreganhado, como um animal selvagem que mostra seus dentes. "cunhado."
"Há muitos anos atrás," Veio a voz incerta de Kenshin, que se forçava a falar destes fatos pela primeira vez em muitos anos. "no Xogunato, eu fui um monarquista. Todos já devem ter ouvido falar de Battousai, o retalhador."
Um arquejo exasperado percorreu a sala.
"Battousai, o monarquista?" Perguntou Kaoru, de olhos arregalados. Kenshin concordou com a cabeça, tristemente. "Mas porque você—"
"Eu fiz o que achei que era necessário para trazer uma era de paz. Mas é inegável que matei muita gente e mereço ser culpado por isso."
Soujirou interviu, então, com seu sorriso característico. "Mas pelo que sei, Battousai não é um fora da lei. Era um soldado, como tantos outros."
"Um soldado?!" Gritou Enishi. "Battousai é um assassino!"
Kenshin voltou a esconder seus olhos atrás da longa franja ruiva. "Foi Tomoe quem me tirou daquele inferno que era o Xogunato," Ele murmurou, mas o silêncio na sala permitiu que todos o ouvissem. "eu nunca, nunca iria matá-la."
Havia tanta sinceridade naquela voz que fez-se um minuto de silêncio, interrompido apenas pelo ácido rosnado de Enishi e, em seguida, pela cruel voz de Saitou.
"Tudo isso é muito bonito," Foi o que ele disse. "Mas acho que temos que colocá-lo na frente da lista de suspeitos, Himura. Battousai ou não, você era o único companheiro de quarto da assassinada."
O ruivo concordou fracamente com um aceno de cabeça.
"Aliás, senhor Shinomori, permita-me dizer que você é o segundo colocado na lista." Prosseguiu o capitão, o mais friamente que conseguiu.
Aoshi lançou-lhe um olhar mortal. "Eu? Por quê?"
"Se me lembro corretamente, quando a senhora Himura disse estar com dor de cabeça, você muito prontamente deu-lhe uma aspirina do seu bolso." Conforme a explicação foi dada, todos os olhares se dirigiram ao guarda-costas, e mesmo Misao involuntariamente apertou o casaco contra si. "Você deve ter recebido um treinamento especial para tornar-se guarda-costas. Acho que não estou me deixando levar quando suponho que isso envolta um estudo geral sobre venenos."
"De fato." Foi a resposta seca. "Mas creio que, se o assunto é veneno, a senhorita Takani é nossa maior expert, uma vez que é médica." Megumi corou, mas nada disse. "Acho que também seria apropriado chamar o chef de cozinha."
"Hiko? O que você quer com o Hiko?"
"O jeito mais fácil de envenenar uma pessoa não é através de uma aspirina," Explicou Aoshi. "Seria infinitamente mais fácil envenenar a comida. Para não mencionar mais eficiente."
Saitou assentiu e mandou que ordenassem que Seijuuro Hiko viesse depressa. O chef apareceu, alguns minutos depois, ainda tirando seu avental e parecendo muito contrariado.
"O que foi agora? Eu estava decidindo o que fazer para o almoço! Você acha melhor um roastbeef com bata—"
"Se a situação continuar como está eu nunca mais vou tocar numa comida sua, Hiko," Interviu Saitou impiedosamente. "Tem uma mulher morta nesse navio. Ela foi envenenada. Acho que você pode deduzir por que está aqui."
Seijuuro Hiko abriu a boca para responder, mas fechou-a em seguida. Abriu de novo e voltou a fechá-la. Por fim, com uma expressão sombria, quase solene, ele finalmente murmurou. "Qual o nome dela?"
"Tomoe Himura."
"Jamais conheci nenhuma Tomoe Himura. Aliás, jamais conheci Tomoe alguma, então não me venha dizer o nome de solteira dela! Por que eu envenenaria alguém que jamais conhe—" Hiko interrompeu-se ao notar o sorriso maligno de Saitou. "O que foi?"
"Nome de solteira? Como sabia que ela era casada?"
A maior parte das pessoas teria empalidecido diante da pergunta, mas não Hiko. Ele manteve sua expressão solene. "Foi um palpite."
"Sei. Acho que você não vai reclamar se eu disser que não posso te tirar da lista de suspeitos."
"Acho que estamos todos esquecendo de um detalhe muito importante." Veio Soujirou com um ar prestativo. Todos se voltaram para ele. "Himura-san, quando o senhor voltou para a sua cabine, ela estava trancada?"
Kenshin pensou um pouco, depois respondeu lentamente: "Não. Ela deixou aberta para que eu pudesse entrar depois."
"Bem," O garoto prosseguiu, sempre com um sorriso quase estampado no rosto. "então, temos também de suspeitar de qualquer um que tenha saído da sala de jantar ontem à noite!"
"Isso é absuldo!" Gritou Enishi, de repente. "Ele está mentindo! Está tentando fazer com que non suspeitemos dele!"
"Mas veja, Enishi," Kenshin interviu brandamente. "como nossa cabine é de casal, só tem uma chave. O senhor Saitou poderá confirmar. Se ela tivesse trancado a porta eu não teria conseguido entrar ontem a noite."
Enishi calou-se, os dentes trincados e o cérebro trabalhando desesperadamente para contornar aquele argumento. Saitou soltou uma baforada de fumaça.
"Existe a possibilidade dela ter se levantado para abrir a porta para você, mas eu classifico como improvável. Então, quem deixou o cômodo durante o jantar de ontem?"
Houve um silêncio desconfortável. Uma Megumi incerta o interrompeu.
"Eu fui até o toalete, se me lembro bem... Creio que Yahiko, Misao... e o senhor também, capitão."
Saitou mastigou o nada em sua boca como se tivesse um gosto péssimo. "Mais alguém?"
Todos se entreolharam, forçando suas memórias, até que Yahiko bateu o punho contra a mão aberta. "Sanosuke! Ele ficou no quarto o tempo todo, já que está proibido de entrar na sala de jantar."
Só então se lembraram do clandestino. Era a primeira vez que o viam sentar reto numa cadeira, e não completamente largado. "Eu fiquei dormindo o tempo todo. Não que espere que qualquer um de vocês acredite em mim, claro."
"Perdoem a pergunta, mas, hum..." veio a voz tímida, mas infinitamente mais controlada do que antes, de Misao. "algum de nós está eliminado da lista de suspeitos?"
"Enishi, por motivos óbvios, creio eu." Disse Kenshin, sorrindo tristemente. O cunhado rangeu os dentes em resposta. "E até agora não encontramos nenhum motivo para desconfiar de Seta-san nem de Kaoru-dono."
"Certo. Acho que podemos nos retirar agora." Falou Saitou, acendendo seu último cigarro. "Andem acompanhados pelo maior tempo possível. Se tiverem que ficar sozinhos, tranquem a porta e a janela na cabine."
Misao estremeceu, apertando o casaco do guarda costas contra si. "Acha que corremos riscos, capitão?"
"Se eu acho?" Saitou sorriu cruelmente. "Você mesma nos deu a resposta, senhorita Makimachi. Os ratos cegos são três."
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A maior parte dos passageiros saiu nervosamente da sala de jantar, olhando para os lados como se esperassem que um assassino fosse aparecer de cada porta fechada. Cada um lançou seu último olhar para o corredor antes de fechar a porta. O barulho de vários trincos se fechando simultaneamente foi ouvido.
Exceção feita a Kenshin Himura, Hajime Saitou e Enishi Yukishiro, que entraram na cabine onde estava o corpo inerte de Tomoe.
"Eu gostaria que você reconstruísse para mim o que aconteceu ontem à noite." Disse Saitou, sem demonstrar emoção alguma. Kenshin olhou-o suspirou. Tudo o que queria era ser deixado sozinho o mais depressa possível.
"Não há muito o que reconstruir. Eu voltei para minha cabine depois do jantar. Tomoe tinha deixado a porta sem trancar, pois a chave tinha ficado comigo. Quando cheguei, ela já estava dormindo. Eu me deitei para dormir em seguida."
"Ela já estava morta há essa hora?" Enishi estremeceu de ódio diante da pergunta.
"Não sei. Acho que estava." Murmurou o ruivo fracamente.
"A janela estava trancada? A cama fica diretamente abaixo da janela." Saitou destrancou a janela e fez uma medição com o próprio braço. "Acho que seria possível alguém passar pelo lado de fora e, quem sabe, injetar o veneno nela durante a noite."
"A janela já estava trancada quando cheguei."
O tom de voz quase apiedou Enishi. Era uma resposta maquinal, como se o cérebro estivesse tentando bloquear todas as emoções temporariamente. Depois, o jovem sacudiu a cabeça para afastar estes pensamentos.
"Última pergunta," Falou saitou, indiferente. "o que faremos com o corpo?
Houve um silêncio. O olhar de Kenshin se perdeu no espaço.
"Há um quarto vazio no navio, ao lado da cabine de Aoshi. Podemos deixa-lo lá até o fim da via—"
Saitou não chegou a terminar a frase. O punho fechado de Enishi chocou-se contra seu rosto inesperadamente.
"Você!" Gritou o jovem, enlouquecido de ira e dor. "Pare de tratar a minya mana como se ela fosse uma coisa que você pode jogar onde melior lhe convier! Ela não é um corpo! Ela tem nome! Ela se chama Tomoe!"
Enishi tentou outro soco, mas, surpreendentemente, Saitou bloqueou-o com a mão. O rapaz puxou o punho de volta, com um rosnado. Kenshin adiantou-se para separar a briga.
"Chega, Enishi," ele disse calmo, mas sério. "Está tudo bem. O capitão não quis ser desrespeitoso. É algo em que teríamos de pensar mais cedo ou mais tarde: Tomoe não vai poder ficar aqui."
"Por que você a matou?" Enishi rosnou baixo. "Pela metade dela da herança? Ou por acaso você e aquela—aquela tal de Kaoru..."
Enishi parou conforma chegava a uma conclusão inevitável. Kenshin arregalou os olhos em entendimento. "Eu nunca—"
"Senhor Yukishiro, creio que esteja indo um pouco longe demais," Veio Saitou de repente, pondo-se entre os dois. "As rixas pessoais entre vocês dois podem ser resolvidas depois,"
Kenshin desviou os olhos para o chão, no esforço de não descontar sua angústia em Enishi e cometer o segundo assassinato daquela manhã. Então, seu olhar foi capturado por algo parecido com um papel amassado no chão. Ele ajoelhou-se para pega-lo.
O segundo rato cego.
Seus olhos se arregalaram "Desde quando—"
Então soou um estalido alto, quase ensurdecedor. Um tiro. Kenshin, os sentidos aguçados pela nota que acabara de ler, atirou seu corpo para o lado, mas sentiu uma dor aguda no braço atravessá-lo.
"O qu—" Enishi e Saitou voltaram seus olhares para a janela um segundo tarde demais. O capitão ainda captou o vislumbre de uma figura por pouco mais que um nanossegundo. Ouviu-se o barulho de alguma coisa caindo na água.
Kenshin apertou o braço, trincando os dentes. Ainda assim, ele gritou com esforço: "Vão atrás dele!"
Saitou e Enishi dispararam pelo corredor em direção a proa, mas sabiam que já seria tarde demais. Qualquer dos tripulantes teria tempo o suficiente para ter entrado em sua cabine. Conforme eles corriam, algumas portas se abriram, revelando cabeças curiosas e assustadas.
Chegaram até a proa e se separaram, cada um percorrendo um dos lados do navio em busca de uma janela aberta. Apenas Saitou encontrou Megumi debruçada sobre sua pequena janela.
"O que foi aquele tiro? Alguém passou correndo por aqui!" Ela disse, num princípio de histeria.
Mesmo que Saitou quisesse lembrar o nome dela, não tinha tempo para isso. Sem parar de correr, gritou-lhe. "Mulher com cara de raposa, vá ver o senhor Himura, ele foi atingido."
Megumi voltou-se exasperada e abriu a porta da cabine cautelosamente. Kaoru seguiu-a de perto. Aoshi estava parado no meio do corredor, com uma assustadiça Misao agarrada ao seu braço. Enishi também apareceu no canto mais distante do corredor, ofegante da corrida. "Nada!"
A pequena multidão se formando convenceu a jovem médica de que estaria segura, então ela rapidamente saiu em direção à última cabine, onde Kenshin a aguardava. Ele rasgara uma tira da própria roupa e improvisara uma atadura para estancar o sangramento.
"Ken-san, o que houve?" Ela perguntou, ajoelhando-se ao lado dele e tirando bandagens e um anti-séptico da sua bolsa. "Quem atirou em você?"
"Alguém lá fora." Ele respondeu laconicamente. Megumi surpreendeu-se por ele não esboçar nenhuma reação quando sua bandagem improvisada foi retirada, apesar da operação ser normalmente dolorosa. "Se puder fazer isso o mais depressa possível... creio que nosso capitão vai chamar outra reunião."
"Sinto muito, mas não vou fazer isso o mais depressa possível." Ela respondeu, irritada. "Vou tirar uma bala de dentro do seu braço, pelo amor de Deus! Agora, por favor, deite-se. Vou anestesiá-lo. Isso pode doer um pouco."
Enquanto isso, no corredor, uma pequena reunião começou a se formar.
"Temos que vasculhar os quartos. Se alguém tiver um revólver, apreendam-no." Instruiu Aoshi, sério. "Podemos nos dividir em dois grupos, assim será mais rápido."
"Dois grupo de pelo menos três," Disse Saitou, outro cigarro já queimando em sua boca. "É possível que haja dois cúmplices nesse caso, mas não três."
Soujirou deu um passo à frente. "Bom, talvez seja bom informar que eu tenho um revólver, antes que vocês o achem."
Seis pares de olhos se voltaram para ele instantaneamente. "Por que não disse isso mais cedo?" Perguntou uma Misao quase histérica, agarrada no braço do guarda costas.
"Nenhum de vocês perguntou." Ele respondeu, dando de ombros. "E acho que, dada a presente situação, é fácil concluir porque eu não queria me separar dele tão cedo."
Todos concordaram em silêncio e acompanharam o rapaz até a cabine que ele dividia com Enishi Yukishiro. Soujirou abriu sua mala e retirou o revólver de dentro do bolso de seu sobretudo no armário, tirando as balas restantes antes de entregá-lo nas mãos de Aoshi.
"Havia três balas lá dentro," contatou Yahiko, observando as peças metálicas na palma da mão de Soujirou. "mas espaço para seis."
"Opa, acho que isso me põe na lista de suspeitos de novo?" Perguntou o rapaz, sorrindo como de costume.
"Podemos comparar depois com a bala no braço de Kenshin," Disse Kaoru, franzindo a testa. Se Soujirou era o assassino, porque entregaria seu revólver ao invés de escondê-lo?
Aoshi entregou a arma vazia e Enishi, que lhe lançou um olhar indagador. O guarda costas explicou calmamente.
"Pelo que vi, você estava dentro do recinto quando atiraram no Himura, o que o torna o menos suspeito até agora entre todos nós. Além do mais, parece forte. Seria difícil tomarem o revólver à força de você."
"Vou pegar o assassino da mana a calquer custo." Ele rosnou, apertando o cano do revólver entre as mãos. Aoshi concordou com um aceno de cabeça.
"Pare de agir como se você estivesse no comando, Aoshi. O navio ainda me pertence." Falou Saitou, de repente, soltando uma baforada de fumaça. "Vamos continuar com a nossa busca pelo navio. Eu, Soujirou e a... menina com cara de texugo." Ele fez um gesto qualquer em direção à Kaoru. "Vamos revistar este lado do corredor. Aoshi e os dois pirralhos revistam o outro."
Houve um minuto de silêncio, depois Saitou voltou-se para Enishi. "Pensando bem, vá com eles. Seria muito fácil enganar aquelas duas crianças."
Yahiko e Misao murmuraram alguns breves protestos, e eles partiram.
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"Um revólver, duas espadas de madeira, uma katana, uma seringa hipodérmica e um bisturi." Contou Yahiko, cruzando os braços. "É tudo o que tem nesse navio."
"E a bala no braço de Kenshin não era a mesma do revólver de Soujirou, como suspeitávamos." Constatou Saitou. "Provavelmente nosso assassino jogou a arma no mar. Deve ter sido aquele barulho que ouvimos."
"Onde vamos guardar tudo isso?" Perguntou Misao.
Houve um momento de silêncio. Todos se perderam em reflexão, trocando olhares desconfiados. Kaoru tossiu, incerta.
"Antes de mais nada... Aoshi-san," Ela voltou-se para o guarda costas. "O senhor anda desarmado?"
Aoshi não disse nada, mas seus braços cruzados pareceram apertar-se um pouco.
"Aquele bastão no seu quarto, era a bainha de uma espada, não era?" Ela arriscou. "Aliás, a julgar pelo comprimento, acho que são duas espadas curtas na mesma bainha."
"Posso perguntar por que não tinha nos dito isso até agora, Kaoru-dono?" Perguntou Kenshin, sempre cordial, mas com um quê de desconfiança.
Ela pareceu em dúvida por dois ou três segundos. "Eu estava esperando que ele a entregasse... por isso esperei até agora."
A voz grave de Aoshi cortou o que quer que ela fosse acrescentar. "Muito perspicaz, mas eu não posso entregar aquelas espadas. Preciso delas para proteger Misao."
"E nós precisamos delas para nos proteger de você!" Disse Yahiko corajosamente. "Até eu entreguei minha shinai. Precisamos recolher todas as armas!"
Aoshi lançou a Kaoru um último olhar mortal antes de sair rapidamente e voltar com suas kodachis. Lançou as espadas sobre a mesa, junto com as outras armas, e disse, baixo: "Satisfeitos?"
"Contanto que você não tenha mais armas disfarçadas, sim." Falou Sanosuke, mascando sua habitual espinha de peixe.
"Eu tenho uma sugestão." Interveio Misao. Sua força parecia ter retornado. "Vamos trancar todas as armas em um... cofre, ou algo assim, e trancar o cofre dentro de um armário. Aí é só deixar as chaves com pessoas diferentes."
"... É uma boa idéia." Ponderou Megumi. "Mas quem ficará com as chaves?"
"Eu ficarei com uma e o Himura com outra." A fala de Saitou não deixou abertura para nenhuma outra sugestão. Não era uma pergunta. "Afinal, ele é a provável próxima vítima, e eu estava dentro do quarto quando ele foi atacado, o que elimina a possibilidade de sermos cúmplices. Seria muito difícil a qualquer um de nós arrancar a chave do outro."
Todos concordaram silenciosamente. Mas as armas seriam guardadas depois.
"Bem," Recomeçou Saitou. "acho que ficou bem claro que Kenshin Himura é o próximo alvo do nosso assassino."
"Mas por quê?" Perguntou Kaoru. "Talvez algum antigo inimigo de Battousai?"
"Essa possibilidade passou pela minha cabeça," Confessou Kenshin, pensativo. "mas nesse caso, seria mais apropriado me deixar para ser o terceiro rato cego. Mas sabem, enquanto estava anestesiado... eu me lembrei de uma coisa. Antes de se casar comigo, Tomoe foi noiva de um tal de Akira Kiyosato."
"Te garanto que não tem nenhum Akira Kiyosato à bordo." Saitou descartou a idéia, mas mesmo assim o ruivo continuou.
"Não me surpreende. Esse homem está morto." Todos os olhares se voltaram para ele, ávidos por mais informação. "Tomoe descobriu que Kiyosato tinha uma família, e que tinha tomado-a como amante."
"Aquele maldito desgraçado." Sussurrou Enishi entre dentes.
"Eu a convenci a abandoná-lo. Isso já faz quase dez anos. Mais ou menos um mês depois, chegou até nós a noticia de que Kiyosato tinha se suicidado... depois de assassinar toda a sua família." Ele fechou os olhos. "Quer dizer, quase toda."
"Eu me lembro dessa notícia." Aoshi estreitou os olhos, tentando lembrar as imagens de tantos anos atrás. "O filho mais novo... conseguiu sobreviver, não foi?"
"Ou filha. Não consigo me lembrar bem." Disse Kenshin. "Depois a criança foi adotada por uma outra família. Mas deve ter sido um trauma e tanto... um verdadeiro inferno. E eu sei bem como isso é."
"Quantos anos essa criança deveria ter agora?" Perguntou Saitou, inclinando-se para frente.
"Não consigo me lembrar," Disse Kenshin. "Eu e Tomoe evitamos ao máximo saber detalhes da notícia. Mas ela deve ter mais ou menos vinte... Talvez menos..."
"Não sabe nem o sexo, nem a idade." O capitão sorriu um pouco mais docemente que de costume. "Muito obrigada por essa informação inútil que se aplica a quase qualquer um nesse navio. Menos o Hiko. Agora voltemos ao assunto mais importante: manter você vivo essa noite."
"Precisamos de pelo menos duas pessoas montando guarda." Sugeriu Aoshi, ativando seu cérebro de soldado. "De preferência o Sanosuke, já que ele está instalado no quarto em frente e terá a melhor visão e—"
"Eu." Veio a voz meio rosnada de Enishi. "Quero manter um olho no Battousai por mim mesmo."
"É perfeito. Se não me engano, seus quartos são ligados por uma porta, não?" Enishi concordou com a cabeça. "Destranque a porta e você está uma visão do lado de dentro do quarto. O Soujirou vai vigiá-lo."
Todos concordaram com o plano e em seguida Saitou ordenou que o grumete trouxesse um cofre. As armas foram trancadas lá dentro. O cofre, então, foi guardado dentro de um alçapão na cozinha. Todos foram testemunhas quando uma chave foi entregue a Kenshin e Saitou guardou a outra.
"Bem, já são quase nove da noite." Observou Megumi quando completou-se toda a operação. "Mas acho... que nenhum de nós vai querer comer esta noite, certo?"
Alguns concordaram fracamente com a cabeça, outros mantiveram um silêncio de aprovação. Silenciosamente, se dirigiram juntos, pois não tinham coragem de se separar, para o corredor.
"Boa noite, Yahiko, tome cuidado." Advertiu Kaoru, abraçando o filho de criação, que corou e a empurrou. As enquanto todas as últimas instruções eram dadas aos vigias, Megumi dirigiu-se baixinho a Kenshin.
"Ken-san..." Ela disse, prestativa. "Hum... Pode me chamar se tiver qualquer incômodo com seu braço durante a noite. E... Hum..."
"O que foi, Megumi?" Ele sorriu, cansado. "Pode dizer."
"É sobre Tomoe. Hm... Eu analisei o corpo dela de manhã." A médica torceu as mãos nervosamente. "Tenho razões para suspeitar que ela estava grávida."
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AN: Mwahuahuahua cofcof Huahua!
#Se protege das pedras# Não joguem em mim! Eu fui persuadida a deixar o final desse jeito! Joguem nela! #Aponta pro lado#
Continuo aceitando teorias conspiratórias. Dei um monte de pistas nesse capítulo, então não vou me surpreender se alguém acertar o assassino (Claro que não vou admitir nada antes de postar o final, mas as teorias conspiratórias mais malucas ganham menção honrosa!)
Até o próximo capítulo!
Hell's Angel & Heaven's Demon
