Disclaimer: Saint Seiya - The lost Canvas é obra de Masami Kurumada e Shiori Teshirogi.

Como já estava pronta, eis a segunda parte dos "Contos da meia noite",

gostaria de alertar os leitores de que a ordem cronológica dos contos não é

sequêncial, ou seja, a parte II não é uma sequência seguida da I,

"algum tempo se passou" de uma parte pra outra , ok x)

espero que estejam agradando!:)~

Agradeço os reviews! ^^

Boa leitura!

Contos da meia noite

Parte II

"Por que?...Como ele pode, depois de tudo oque fiz a ele, a dedicação integral, cresci para servi-lo, para amá-lo!Não consigo compreender o porquê de tamanha ingratidão...Aqueles...aqueles RATOS não podem ser mais importantes do que eu, não, ninguém pode ser mais importante que eu, se não fosse minha devoção, se não fosse meu empenho...Como pode?..."

Uma mistura de ódio e mágoa tomavam conta do coração da jovem. Não se conformava com aquela situação, não podia e nem queria abaixar a cabeça e aceitar os fatos que a assombravam. O imperador do inferno mantinha uma sombra em seu coração, um sentimento contido que o fazia lembrar-se do amigo Tenma e da irmã Sasha, ambos o atual cavaleiro de Pégaso e não outra senão a própria deusa Athena, sua maior inimiga desde os primórdios.

Girou o corpo, ficando de frente para um espelho com moldura rústica, encarou a própria face por alguns uma beleza ímpar, desde os sedosos cabelos de coloração negra como o céu noturno, a pele alva e macia, os traços delicados acentuados pelos lábios rubros e volumosos, até os olhos esverdeados levemente amendoados que a tornavam exótica e suprema perante as demais mulheres, sem dúvidas, a beleza de Pandora poderia ser comparada a de uma deusa.

No entanto, oque a jovem mais almejava possuir estava muito além do seu próprio alcance. Era demais desejar o amor carnal de um deus, ainda mais se o deus em questão fosse o Imperador dos mortos, Hades, o qual desde as eras mitológicas era conhecido por ser o "deus que não sabia oque era o amor". Desde o rapto de sua esposa Perséphone, a qual jamais o amou de fato sem ódio em seu coração, até as eras atuais, na qual sua esposa se encontrara longe, junto de Adônis, ou quem sabe outro a quem resolveu dar aquilo que negou em absoluto ao próprio marido. Esse era de fato o karma do deus dos mortos, e ele próprio estava conformado com isso.

Suas ambições pela crosta terrestre eram oque o deus mantinha em sua mente, juntamente com os meios que teria que seguir para concretizá-las, sua sacerdotisa, era de fato, algo que o mesmo jamais sequer daria o desgaste de lembrar, vagamente a encaixava em uma de suas armadilhas para Athena e seus cavaleiros da justiça, porém, tinha a preferência de conseguir oque almejava com as próprias mãos.

A alta madrugada se aproximava, a exaustão de mais um dia de serviços enfim contagiava a jovem, mas não o bastante para fazê-la entregar-se ao sono, a indignação rompia-lhe o peito, uma espécie de ferida interna fazia com que seu coração latejasse em meio a tanto amor e ódio por seu senhor,os quais a consumiam gradativamente.

Ajoelhou-se diante da confortável cama, agarrou o lençol de cetim azulado e o puxou para si num gesto rápido, carregado de ódio, continuando sempre a indagar-se com a mesma ladainha, sabia que aquilo não iria levá-la a lugar algum, porém, de alguma forma, sentia-se mais aliviada quando desabafava consigo mesma.

- Pobre Pandora...

Uma voz vinda da entrada de seus aposentos trazia a sacerdotisa de volta para a realidade, rompendo-lhes a própria voz.

Assustada, a jovem vira o corpo encarando o responsável por tais palavras.

Parado ao lado da pesada e escura porta de madeira maciça, a figura do deus dos mortos se encontrava. Sorria debochadamente, os olhos azuis, estreitavam-se a medida que fitava os semblante assustado de sua serva, parecia se divertir com a cena que acabara de assistir, para o desespero da jovem.

Ainda mantinha-se no corpo do hospedeiro, o jovem pintor italiano, Alone, e assim pretendia ficar até que enfim tivesse terminado a pintura do apocalipse, o chamado Lost Canvas.

Pandora não sabia oque dizer, explicar-se seria inútil, ela o conhecia bem demais para tentar convencê-lo de que aquilo que estava dizendo com tanto ardor não passava de um ato ignóbil. Conformou-se em abaixar a face, concentrando o pouco de controle que mantinha sobre si para evitar que o choro rolasse por sua face mostrando ao seu senhor o quão fragilizada estava.

- É de fato uma bela declaração de amor, eu admito, nunca pensei que pudesse ser tão tola, Pandora.

O sorriso do deus se ampliava a medida com que o mesmo se aproximava, lentamente, do corpo encolhido da jovem.

Um soluço escapa dos lábios da serva, fazendo com que a mesma levasse uma das mãos até a boca, observando com cautela os pés de Hades, agora defronte a ela.

- Levante-se Pandora, imediatamente, já demonstrou demais o quão fraca é!

Trêmula, Pandora erguia o tronco com cautela, temendo cair, desastrosamente perante o seu deus, tornando aquela situação mais vergonhosa. Sem coragem suficiente para fita-lo, mantinha-se encolhida, cogitando mentalmente uma suposta punição, tinha noção absoluta do quanto havia passado os limites com suas palavras rancorosas, qualquer castigo vindo de seu amado senhor seria pouco comparado com seu atrevimento.

- Me indago o quão ignorante és, Pandora, assumo que me impressiona vossa atitude débil em questionar-se sobre um suposto reconhecimento que eu, um deus, deveria ter para com um "nada", como você...

Hades cruza seus braços, divertindo-se silenciosamente com a situação da jovem. Fechou os olhos, mantendo o sorriso debochado no canto dos lábios, balançava a cabeça negativamente, como se estivesse assimilando tal situação, logo, soltou um riso curto, carregado de sarcasmo.

- Desejas tanto ter seu deus?É amor carnal que me pedes, serva atrevida?

Divertia-se a cada palavra dita, gargalhando debilmente a medida que sua serva, já sem força suficiente para manter controle sobre si, deixava as lágrimas quentes rolarem por sua delicada face, outrora pálida, agora corada, num misto de raiva e vergonha.

- Queria que eu, o Imperador do inferno a corteja-se?Uma humana infeliz, uma marionete em minhas mãos!Quem pensas que é, mulher?Com que direito se dá o alvedrio de almejar tais sentimentos vindos de mim?

Pandora estava transtornada, estática, já sem conseguir ligar os pensamentos que percorriam freneticamente por sua mente confusa.

Ao perceber o estado em que a sacerdotisa se encontrava, o deus dos mortos, a toma em seus braços com vigor, segurando sua face delicada com uma das mãos, a fazendo encarar sua face.

- Olhe para mim enquanto eu falo, Pandora!

Hades esbravejava , mordendo os próprios lábios em seguida, voltando a sorrir debochado, fitando o olhar apavorado de Pandora.

Não se dando por satisfeito, o Imperador das trevas brincava com os dedos pálidos e finos pelas madeixas em tom ébano de sua serva enquanto a mesma procurava-se organizar os próprios pensamentos e assimilar aquela situação.

- Como disse no início, pobre de você, jovem Pandora, se ainda está viva é apenas por misericórdia de seu rancor pela falta de reconhecimento, almejou uma utopia repugnante, porem provou ser de fato uma serva devota, e foi isso que a salvou, de fato...minhaquerida...

O deus dizia, frisando ironicamente a última palavra, sem tirar os olhos dos de Pandora. Era excitante aquela situação de tê-la como uma presa indefesa tomada em seus braços. Deixou as marcas de seus dedos na face delicada da moça enquanto decidia sua próxima atitude. Sem pensar muito, a puxou repentinamente para mais junto de si, cobrindo os lábios semi abertos da jovem com os seus, invadindo sua boca com a língua, ávido em sentir o gosto da serva ousada. Deixou a cabeça pender para o lado, encaixando com perfeição seus lábios nos dela, aprofundando o beijo com urgência enquanto a apertava cada vez mais nos braços, deslizando suas mãos pelas formas esguias da jovem. Com um chupão nos lábios umedecidos de sua presa, Hades finaliza o beijo, encarando-a novamente, soltando o corpo da jovem, sem cuidado, sobre a cama. Girando o corpo em seguida, permanecendo de costas para a sacerdotisa.

Pandora mantinha-se na mesma posição que fora lançada, sua mente totalmente tomada pela confusão. O choro novamente a consumia, não entendia a atitude de seu senhor, e nem pretendia entender, procurava somente assimilar aquilo que acabara de vivenciar da melhor forma possível, sabia que seria único, e pretendia guardar o momento até o fim de sua própria existência.

Hades, mantendo seus olhos cerrados, caminhava até a entrada dos aposentos, dizendo algumas palavras em tom cínico, antes de deixar o cômodo.

- Aprecie enquanto pode Pandora, pois essa será a primeira e única vez que vais saber oque é um beijo!Sua alma me pertence, a solidão será sua sina , conforme-se com vosso destino, jamais saberá oque é ser amada. Para mim, você não passa de um passatempo,uma serva, uma peça de um jogo no qual será descartada irrevogavelmente na primeira oportunidade que eu tiver...

Mas, para o infortúnio do Imperador, nenhuma de suas palavras finais puderam ser assimiladas pela jovem.

Enquanto gosto do beijo do deus dos mortos se fizesse presente nos lábios de Pandora, ela não iria ouvir, ou sequer pensaria em outra coisa se não o curto momento de júbilo absoluto que acabara de vivenciar.

Fim

N/A: Vale lembrar que o site tem 'comido' algumas palavrinhas.

Por mais que eu tenha revisado, as vezes sempre tem algum errinho, peço desculpas aos leitores!^^'

Pandora Solo