Título: Bond
Autora
: Lady Bogard
Casal: AoixKai, MxU (aderindo à Revolução dos Ships)
Classificação: NC-17
Orientação: yaoi
Sinopse: "Os pecados dos pais são pagos pelos filhos". Ele suportaria tudo para proteger a mãe; mas, de repente, seu destino parecia um fardo tão pesado...
Gênero: fantasia, angust, romance
Beta: Eri Chan
Disclamer: the GazettE pertence à PSCompany. Eu escrevo sobre eles apenas para me divertir e distrair outras pessoas. Sem fins lucrativos.
Observação: Universo Alternativo, fic presente de aniversário para Litha chan (gomen pelo atraso! XD).


Bond
Lady Bogard

Parte II
O encontro

Shiroyama não gostava de esperar. Mas não tinha escolha. O avião acabara de aterrissar, e ele se dirigira para o saguão do aeroporto, onde encontraria o Mensageiro do Clã do Galo, que estava malditamente atrasado.

Podia sentir que era observado. Quase se esquecera da sensação, pois vivera os últimos quatro anos na América, onde era livre, somente mais um na multidão, e não o único herdeiro de um dos quatro Clãs que controlavam os bastidores do Japão. O Clã do Dragão.

Ali ele era vigiado e seguido pra onde quer que fosse. Não tinha liberdade. Sempre haveria alguém nas sombras, protegendo-lhe cada passo.

Conformado, jogou o resto do cigarro no lixo e esticou-se, relaxando o corpo tenso. Aliás, conformar-se era o que mais fizera nos últimos tempos...

Estava pensando em comprar algo para beber quando notou uma pessoa se aproximando, seguindo em sua direção. Virou o rosto para observar o belo estranho. Um loiro alto, com franja longa demais, vestido com um terno preto de corte invejável, austero. Completamente destoante da maquiagem pesada e andrógena.

"Uma pessoa interessante." Aoi mentalizou ao fitar o recém chegado nos olhos. Ficou em pé assim que o loiro chegou mais perto.

O jovem reverenciou formalmente. Depois sorriu:

– Shiroyama Yuu-Sama? – Aoi concordou com a cabeça. Esperou o resto do cumprimento – Aoi Long sama, dozo yoroshiku onegai shimasu. Uruha desu.

Ouvir-se sendo chamado pelo título oficial foi estranho. Fez Aoi se lembrar do motivo de estar ali, naquele local. Cumpriria com suas obrigações.

Numa voz um tanto rouca, respondeu ao cumprimento:

– Dozo. – seu alto posto hierárquico permitia a grosseria.

Uruha não se importou. Fez um gesto e convidou-o a sair do aeroporto.

– Aoi Long sama, gomen pelo atraso... O trânsito está terrível. – Uruha explicou-se.

– Me chame de Aoi, está bem? – o moreno aliviou. Não estava a fim de ser chamado formalmente o tempo todo. Sentia-se um velho...

– Hn. Imagino que esteja nervoso com esse encontro...

O assunto não era pra ser tratado diretamente com um Mensageiro, e, de acordo com a tradição, Yuu poderia se ofender com a insinuação. Mas depois de viver tanto tempo longe, Aoi não era mais tão afetado pelas manias japonesas. E era até um alívio poder conversar com alguém.

– Aa. Você podia ter me enviado uma foto dela.

Uruha diminuiu o passo e encarou o Herdeiro do Dragão demoradamente antes de falar:

– Você queria uma foto? – sua voz saiu um tanto esquisita. Um alerta soou na mente de Aoi.

– Hai. Nunca vi um clã esconder tanto alguém quanto o Clã do Galo escondeu essa garota.

Uruha voltou a andar normalmente.

– Você... Você... – calou-se. Conseguira, com aquele mistério inexplicável, despertar a curiosidade de Shiroyama, mas o moreno ficou na dele, sem indagar nada.

Caminharam lado a lado até chegar a um carro preto, um modelo total flex bem modesto. Uruha passou as mãos pelo cabelo e pareceu ficar sem jeito:

– Gomen, gomen. Não tinha uma limusine. Você sabe... A situação...

Yuu sabia. Sua mãe lhe contara tudo, todos os detalhes até perder contato com a amiga. Sabia que firmar a promessa com um clã rival havia destruído o prestigio da mãe de sua futura esposa. Bastante por sinal.

Mas Aoi não se importava em acolher uma mulher em condição financeira ruim. Tinha o bastante para bancar a esposa e uma família. E, evidentemente, agora que terminara a faculdade assumiria os negócios do Clã.

– Está tudo bem. – afirmou sem hesitar.

Uruha descontraiu-se um pouco:

– Ne, ne... Sobre sua noiva... – olhou de lado para Aoi – Vai ter que acertar tudo com o irmão dela.

– Irmão?

– Hn. Ele explica tudo melhor. Eu só vou servir de testemunha para o acordo.

Fez essa última revelação e concentrou-se na estrada. Yuu desviou os olhos para a cidade, fitando os prédios sem realmente os ver. Não conhecia nada do local, por que nunca fora ali.

E não tinha a menor vontade de ficar apreciando a paisagem. A cada quilômetro avançado, seu estômago se revirava e ele tinha vontade de sair correndo e se enterrar em algum buraco. Merda!

Muitos minutos depois, após desviar para um bairro mais tranqüilo, Uruha estacionou o carro em frente a uma casa de aspecto agradável. Não era grande, porém bem conservada e aprazível.

O loiro desceu do carro e esperou que Aoi o imitasse:

– É aqui. Iko.

– Aa. – apesar da aparência tranqüila o moreno era um maremoto por dentro. As mãos suavam frio e os joelhos tremiam. Estava tão nervoso que temeu desmaiar ao ver a noiva. Mas que merda ele tinha na cabeça? Mal completara 23 anos, era jovem e já ia se meter naquela encrenca?

As opções? Casar ou casar.

Respirou fundo duas vezes. O pescoço tencionou-se. Seu corpo todo parecia uma mola esticada. Cada passo que o levava a casa era como um passo para a forca. E uma forca com nó de grosso cânhamo...

– Aoi-san...? Sente-se mal?

Despertando, o moreno meneou a cabeça. Não estava passando mal. Estava entrando em pânico. Era bem diferente.

Uruha não acreditou na resposta, mas deixou passar. Abriu a porta e Aoi se viu em uma sala tipicamente oriental, com quadros estilizados na parede branca, mesa baixa e shoujis com estampa de flores. Começou a relaxar um pouco.

Notou, sobre a mesa, os aparatos completos para a cerimônia do chá. Uma calorosa recepção.

– Sente-se, onegai. – e foi se posicionar quieto no canto da sala.

– Aa.

Assim que Aoi se sentou, um dos shoujis se abriu e um garoto passou por ele.

– Shitsurei shimasu! – pediu com voz agradável.

Aoi observou o recém chegado. Tinham quase a mesma estatura. Porém o outro mantinha os cabelos negros e repicados a altura dos ombros. A face era mais pálida que a de Aoi, e os gestos mais comedidos. E devia ter uns dezenove anos.

Calmamente sentou-se a frente de Yuu e reverenciou formalmente:

– Aoi Long sama?

– Hn. Shiroyama Yuu, do Clã do Dragão, para cumprir com a palavra de Shiroyama Tomoe, minha mãe.

– Uke Yutaka desu, Kai Ji desu. Yoroshiku onegai shimasu.

Apesar da tranqüilidade expressa pela face do rapaz, Aoi percebeu que ele estava um tanto nervoso. E evitava olhar muito longamente em sua direção. Intrigado, Aoi se perguntou o que estaria incomodando-o.

Se sua noiva fosse bonita como o irmão, já se daria por satisfeito. E ele era simpático... É... talvez desse sorte!

– Kochirakoso. – foi mais educado com Kai do que com Uruha, afinal Yutaka estava praticamente no mesmo nível hierárquico que ele.

Finalizada a apresentação, Kai começou a preparar o chá para servir seu visitante. Parecia perito na arte, apesar da pouca idade. Aoi acompanhou os movimentos fluentes e precisos com interesse. Respeitava certas tradições.

– Ne...? – Kai quebrou o silêncio apesar de saber que não era apropriado. Foi o momento em que pareceu ficar mais nervoso. – Está tudo bem para Aoi Long? Essa... situação?

Aoi notou que algo estava mesmo acontecendo, mas ele não pegara o que. Olhou de relance para Uruha, no entanto o loiro olhava fixamente para o chão. E parecia quase... esconder a sombra de um sorriso!

Cada vez mais intrigado Yuu finalmente respondeu:

– Talvez eu ficasse mais confortável se pudesse conhecer sua irmã. – foi direto. Estava cansado de tanta enrolação. Ninguém lhe mostrava uma foto da garota. O Clã do Galo a mantinha como um segredo tão bem guardado que ninguém ouvira falar dela aqueles anos todos! Ou ela tinha alguma doença terrível ou alguma deformação, era a única explicação que podia encontrar pra todo mistério.

Ao ouvir as palavras de Aoi, Yutaka derrubou a xícara delicada. A porcelana se partiu e o chá quente manchou a belíssima toalha. O rosto, já pálido, ficou mortalmente translúcido:

– Quer conhecer minha irmã...?

– É lógico. – irritou-se – Como poderei me casar com ela sem a conhecer antes?

O choque era visível na expressão de Kai. O rapaz do Clã do Galo parecia não saber o que fazer. Uruha sufocou uma risadinha e resolveu esclarecer logo as coisas para o pobre Shiroyama:

– Kai-chan não tem irmã. Ele é filho único.

– Ee?! – Aoi não compreendeu o que Uruha queria dizer. Cravou os olhos em Kai exigindo silenciosas e imediatas respostas. A expressão do moreno se tingiu de um leve e adorável corado – Mas então...?

E Yutaka pronunciou as trêmulas palavras que Shiroyama jamais esperaria ouvir de outro homem:

– Quem vai se casar com você, Aoi Long, sou eu.

Continua...


#rola#

Nunca planejei meter um mocréia no meio! Era o Kai desde o princípio! Enganei os bobos na casca do ovo! #foge#

Isso é uma fic PRESENTE e não VINGANÇA!!! XD~

Ah, "Long" e "Ji" são as palavras chinesas para "Dragão" e "Galo". Logo, Aoi Long e Kai Ji são os nomes dos dois referentes ao Clã: "Dragão Aoi" e "Galo Kai" – Fonte: Santa Wikipédia.