Capítulo II – O Acordo.
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"Pois eu sei que nós dois temos o mesmo destino então"
O dia que não terminou – Detonaltas.
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Diante de tais palavras, não restou à moça de cabelos rosados fazer coisa alguma. É certo de que tudo o que falara e pregara anteriormente se desmanchara como vento em monte de areia seca. Há quem se pergunte qual o poderio que um homem pode exercer sobre uma mulher. Há também quem diga que eles já não exercem influência alguma em uma sociedade contemporânea.
Mas alvo de discórdias ou não, a verdade é que se essa mulher o amar, a conversa já toma por si só um rumo diferente. O instinto feminino que visa agradar e receber não se confunde ao ouvir a voz do homem amado. Bem, talvez isso pareça cafona, mas para ela não parecia.
Talvez uma das coisas mais intrigantes a se observar no comportamento da Haruno era esse interesse pelo romântico. Receber flores era algo que ela considerava perfeito, ouvir o melódico "eu te amo" ao amanhecer era uma verdadeira dádiva aos seus ouvidos.
Tudo isso era parte do sonho infantil e maduro da mulher de olhos verdes. Mas apesar de nunca ter recebido nenhuma flor e muito menos ter ouvido a famosa frase que desmancha a pose de qualquer pessoa do sexo feminino, ela o amava.
Ridículo amor, dizia ela. Mas ela também continuava a frase com o seu apelo conformativo, "Mas eu o amo tanto". Deixando de lado os pensamentos, se é que algum conseguiu se manifestar durante a frase dele, ela desempacou e ao passo de querer parecer forte, bateu a porta na cara do Uchiha.
Sasuke rolou os olhos e suspirou fundo ao receber a portada em sua cara e em outras situações, já teria ido embora sem controlar seus nervos. Mas ele precisava conversar com ela.
Não porque estava arrependido e descobrira que ela era o verdadeiro amor de sua vida, muito menos porque sua fome não tinha a mesma intensidade desde que não estavam mais juntos. O fato, como já pode parecer óbvio, é que seria muito bom para sua imagem ter ao seu lado alguém que o caracterizasse como confiável.
Sasuke poderia muito bem ir até uma cidadezinha do interior e buscar por uma pobre e bela camponesa que se desmanchasse toda ao ter os olhos negros do Uchiha sobre si. Ele não reclamaria se isso acontecesse, afinal se o saldo em sua conta era desejável alto, o saldo de suas aventuras sexuais também era estruturado para ser top.
Mas a verdade é que não poderia ser qualquer uma. A esposa de Uchiha Sasuke não poderia ter um sotaque carregado ou não compreender ao menos uma língua estrangeira. Também não poderia saber tudo e usar vestidos decotados o tempo todo.
E Sakura era o encaixe perfeito. A moça havia freqüentado uma boa universidade, sabia idiomas e se comportava como uma dama. Apesar de irritante, era uma mulher invejável. Contou até dez e tocou a campainha novamente.
Ela que sabia ser o moreno, ignorou. Mas Sasuke era insistente, pelo menos se comportava como quando queria algo. O toque incessante e enlouquecedor dele a fez se irritar e abrir a porta.
- Fale – disse ela, sem paciência.
Sasuke não esperou que ela o convidasse a entrar. Ele mesmo o fez e bateu a porta do apartamento atrás de si.
- Ouça bem, Sakura – iniciou ele. – Preciso que volte comigo – continuou.
Não pôde esconder a expressão de esperança ressurgir em sua face. Mas como tudo dura pouco, pouco também durou a face visivelmente atingida pelo pedido dele.
- Precisa?! – disse, curiosa.
- Preciso também que viaje comigo aos Estudos Unidos – prosseguiu seu diálogo calmamente.
Depois de tantos anos juntos dele, seria imbecilidade dela e total falta de atenção não saber que ele queria algo. Sasuke era previsível demais quando queria.
- E o que significa tudo isso? – perguntou. – Algum tipo de negócio? – concluiu, espertamente.
- Na verdade, sim – suspirou. – Preciso que viaje comigo e se apresente como a Senhora Uchiha.
- Oh, sim – iniciou. – Volto com você, me torno sua esposa por um curto período de tempo e você consegue o que precisa – explicou sadicamente. – Logo após seus investimentos, que presumo ser essa a sua preocupação, você rompe o acordo – terminou.
Sasuke sabia que Sakura era astuta. Ele nada disse, sabia que ela aprontaria um escândalo.
- Então o senhor Uchiha Sasuke me propõe um contrato? – ironizou, já caminhando para a porta.
- Isso – disse, um pouco desajeitado.
- E o que eu ganho com isso? – perguntou, disfarçando a ira.
- Dinheiro – disse, tranquilamente.
- Ah! – exclamou, encenando surpresa. – E de quantos nós falamos?
- Falamos do mesmo valor de sua pós-graduação – iniciou ele. – Eu pago o seu Mestrado – concluiu.
- Golpe baixo, não é mesmo?! – disse, abrindo a porta. – Suma da minha casa agora – gritou.
- Sem escândalos, Sakura – disse ele, puxando a Haruno e fechando a porta novamente. – Será que não vê que isso é proveitoso para você?! – disse, ríspido.
- Não, isso é nojento – encerrou ela.
- Eu diria que isso é inteligente – contrariou ele. – Sei que quer concluir seu projeto, mas como você não passou entre os bolsistas, teve de trabalhar e pagar – continuou. – Depois de não conciliar o trabalho, você ficou desempregada e sem condições para continuar pagando. – concluiu.
Sakura ouviu as palavras do moreno e pareceu analisar a situação. Realmente, ela tivera de pagar para continuar o curso, mas após a perca do emprego por mau desempenho, só gerou a perda definitiva da vaga por inadimplência. Realmente, a proposta passou de asquerosa a bem-vinda.
Ela poderia muito bem aceitar. Oras, e porque não? Ela teria de fingir por alguns dias e isso não seria difícil, pois ela realmente o amava, por mais que o orgulho afetado dela não o deixasse admitir no exato momento. Sakura sentou no sofá, e de costas para ele, continuou a pensar a situação. Ele prometera, mas o que o faria garantir que faria?
- Você terá de assinar um acordo comigo – disse, depois de longos minutos. – Quero uma segurança de que realmente irá pagar meus estudos – completou.
- Isso não será um problema – disse ele. – Providencie seus documentos e passaporte – avisou ele. – Temos pouco tempo até a viagem.
Ela cambaleou a cabeça num gesto afirmativo e não o olhou mais. Sasuke por mais frio que fosse, sabia que não seria fácil para ela encenar aquilo que ela gostaria de na realidade ser. Se existia alguma compaixão em sua alma, ela se mostrou quando ele por impulso se sentou do lado da moça e se colocou a acompanhá-la em seu diálogo mudo.
- É um acordo, Sakura – disse ele, quebrando o silêncio. – Não temos nada a perder – falou, passando a mão nos cabelos rosados dela.
Sakura pareceu capitular o gesto dele. Ele pareceu indiferente ao fazê-lo embora o tivesse realizado.
- Você está bem, Sasuke? – perguntou, receosa.
- Estou – disse, depois de uma longa pausa.
Ele iria perguntar se ela também estava, mas era evidente que não. Ele sabia o quanto ainda mexia com os nervos dela e apesar de não desejar estar na companhia da moça, ele não a odiava. E nem tinha motivos para isso, afinal ela era irritante, mas sempre o tentara agradar de maneira invejável. Ela simplesmente não despertava o amor dele. Mas ele era grato a ela, ao menos em certas coisas.
Dando uma olhada no apartamento, viu o pote de sorvete e a cena do filme travada, provavelmente ela estava entretida em outra atividade e ele não atrapalharia, uma vez que já não tinha mais motivos para ali se achar.
- Obrigada, Sakura – falou ele, antes de dar-lhe um beijo no rosto e deixar a casa.
Mal sabia ele que ela jamais se importaria se ele a atrapalhasse, ela na verdade queria que ele realmente o fizesse. O seu marido de aluguel não precisava de contratos para ter sua atenção.
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Os cabelos ruivos e lisos dela pouco se moviam a cada movimento dele. O corpo branco e decorado com uma rosa desenhada próxima à virilha o fazia manter a atenção focada. Apesar de não conhecer aquela que o fazia gemer, ele admitia que ela despertara-lhe desejo. Não que ele não a conhecesse necessariamente, ela a conhecia sim, mas não intimamente. Bem, não conhecia a personalidade ao menos, pois da intimidade dela no momento ele era conhecedor e administrador.
Parou o movimento dela sobre si e a virou, ela já tinha se divertido demais o vendo ser controlado daquela maneira. Sentiu os dedos suados dela percorrerem a espinha e suas mãos lhe puxarem para si. Também sentiu o suspiro de alívio e desejo dela contra o ouvido ao entrar novamente.
Seus olhos negros tentavam-se manter abertos, mas não permaneciam a todo momento e a grande responsável por isso era ela. Os dedos que outrora o puxavam, agora se entremeavam por entre seus fios escuros.
- Gosto de seus cabelos – ouviu ela murmurar entre gemidos.
Preferiu ignorar o comentário apesar de ficar agradecido, ele não tinha tempo para agradecer ou pensar em algo para dizer a ela. Ele também não se importava em agradá-la, pois ele a queria para satisfazer sua vontade e não sabia se a veria mais.
Para ele pouco importava, pois Itachi não sentia nada alem de atração e sabia muito bem que ela também não o via de maneira diferente.
Fechou os olhos e aumentou o ritmo ao sentir que ela já suspirava apressadamente e que seu corpo começava a se contrair. Em todas as vezes que isso acontecia, ele não conseguia se segurar por muito mais tempo. Depois que as ouviam em seu ápice, ele também se permitia chegar ao seu.
Caiu cansado ao lado dela e não conseguiu suspirar por completo ao ouvir o aparelho celular tocar. Com um pouco de impaciência, viu o numero e atendeu a chamada sem muita hesitação.
- Vou fechar negócio com uns investidores nos próximos dias, mas temos de conversar sobre isso antes – falou a voz fria e inconveniente.
- Certo – falou, soltando todo o seu cansaço. – Me avise quando chegar – completou, antes de desligar o telefone e apreciar o corpo delgado dela se enrolar num lençol e caminhar para o banheiro.
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N/A: Yooo XD! Bem, neste capítulo já deu para ter uma idéia de como a fic irá se desenrolar. Agradeço a todas as reviews, pois elas incentivam muito.
E é aquela velha história: ou manda reviews e continua a ler a fic, ou não manda e eu não continuo! T.T
Sim, sou chantagista. E isso é um acordo, ok?
Kissus a todos e um especial à Raymara-chan (moçinha do meu kokoro) XD.
Dêem Go!
