Parte 2
Cain da um sorriso e vai até a cama deitando-se assim como Veck havia mandado. Este o olha obedecendo as suas ordens corretamente e um breve pensamento passa pela sua cabeça.
Pensou em como seria ótimo se Yami também se 'comportasse' como Cain, mas esse pensamento foi interrompido por Cain o chamando.
" – Poderia me falar mais sobre a Associação dos Hunters? "
" – Sim, claro. Ainda falta algumas coisas que não lhe expliquei. " – fala Veck sentando-se na cama ao lado de Cain " – Todos os vampiros temem eles, pois possuem em suas mãos uma espécie de marca em forma de lua minguante com um dragão. È assim que se reconhece um. "
Cain estava muito interessado no assunto, ouvia tudo que Veck falava mas não conseguia parar de olhar seus olhos, estranhando a nova cor. Este nota isso e fica um pouco incomodado, então para a surpresa de Cain, Veck fica de costas para ele.
" – Desculpe-me Veck! Devo ter lhe ofendido " – diz Cain sentando-se e colocando as mãos no ombro de Veck.
" – Já estou um pouco acostumado... Não ligue. " – diz virando-se e abrindo um sorriso falso " – Deite-se, eu vou continuar. "
Cain deita-se novamente.
" – Certo, voltando ao assunto. Se um Hunter encostar a palma da sua mão em qualquer parte de um vampiro, ele é paralisado na hora... E com as armas certas ele pode matar facilmente qualquer vampiro "
"— Que legal! "
"— Legal? " – Veck começa a rir "— Eu é que não quero ser caçado por eles. "
Os dois passaram a tarde inteira conversando. Veck ensinara a Cain tudo, ou quase tudo, o que conhecia sobre a Associação dos Hunters. Com o cair da noite Luna aparece no quarto, chamando Veck para se preparar para a batalha.
Cain insistia para ajudar-los, mesmo com os dois avisando e alertando de todas as maneiras que era melhor ele descansar. Este insistiu dizendo que poderia ser ao menos um pouco útil, servindo de escudo, para que Veck pudesse conjurar as magias mais tranqüilamente. Veck e Luna se entreolham por alguns segundos, pensando se realmente isso seria uma boa idéia, já que Cain ainda não estava realmente recuperado.
Após alguns segundos pensando no que Cain havia falado, acabam concordando com este. Saindo assim, os três do quarto. Andando pelos corredores escutam um enorme barulho assim como o navio começou a balançar violentamente.
"— Deve ser o ataque do inimigo! " – diz Luna , olhando para os dois e começando a correr, acompanhada por estes.
"— Devem ter sido teletransportados. " – afirma Veck, olhando rapidamente para Cain, conferindo se ele estava bem, recebendo deste um sorriso gentil.
Veck então percebe que estava sendo preocupado demais em relação a Cain, não precisava ser tão cuidadoso... Afinal Cain já tinha idade o suficiente para se cuidar e ele realmente deveria fazer algo útil, pois até agora só serviu de 'estoque de comida' para si.
Um sorriso malicioso se formou no rosto de Veck, ao lembrar de como a energia maligna de Cain, ou melhor, de Yami era tão saborosa. Chegando os três ao convés, notam uma horda de monstros repugnantes já atacando a tripulação de Luna, que contra-atacava com perfeição. Sua tripulação era realmente muito bem selecionada, não tinha espaço para fracos.
Alguns monstros pareciam gosmas verdes, do tamanho de um cachorro. De suas bocas saiam um liquido negro gosmento. Havia também alguns mortos vivos cobertos de sangue. No meio destes seres, existia uma pessoa coberta por um manto negro, só se podia notar seus olhos penetrantes como uma águia com uma coloração verde escuro.
Os três após analisaram o campo de batalha, partem para a luta. Luna correu para um ponto mais afastado e mais alto, acertando os inimigos com suas rápidas e precisas flechas.
Cain correu para o meio do local executando golpes com a espada com graça e maestria, destruindo os inimigos que passavam pelo seu caminho rapidamente.
Já Veck estava um pouco afastado, conjurando rápidas magias para acabar com os inimigos, não precisava conjurar algo muito potente, já que os inimigos eram de níveis baixos. Mas depois de um tempo mesmo aniquilando os inimigos, novos começavam a surgir.
O único que não se movia no meio dessa luta toda, era o homem com capuz escuro que parecia não tirar os olhos de Veck, que acabava com a maioria dos monstros com apenas uma magia. Cain nota esse olhar fixo em Veck, e algo o faz ficar com imensa raiva, partindo então para cima deste homem encapuzado.
Fez um movimento rápido com a espada, mas este desviou rapidamente com leveza e graça. O inimigo então junta as mãos e começa a conjurar algo extremamente rápido. Segundos depois começa a surgir uma espada em frente deste, em um rápido movimento ele empunha essa espada, partindo a atacar Cain. Em movimentos rápidos e ferozes fez um show de esgrima.
Sorte que Cain não era nenhum amador, e soube se defender e revidar na hora certa. A batalha já estava demorando um tempo, os monstros tinham diminuindo seu numero, mas os marujos de Luna já estavam cansados assim como alguns já estavam feridos.
Luna olhando bem o campo de batalha, decide mandar todos entrarem, pois ela, Veck e Cain eram mais que o suficiente para lidar com os que sobravam. Alem do que, ela tinha quase certeza que o homem que lutava com Cain era o líder desse grupinho de monstros, e se ele fosse derrotado, os outros ficariam desorientados e seria bem mais fácil mata-lo.
Rapidamente os marujos escutam as ordens de Luna, saindo do local. Veck vendo o ato de Luna, intensifica suas conjurações. Mas para ao escutar um grito de dor de Cain, olhando rapidamente para este.
"— Cain! " – grita Veck correndo em sua direção, parando ao seu lado e vendo a profundidade do corte "— Você está bem? "
"— Não ligue para isso, ele é o real problema! " – fala olhando com nojo o ser a frente que lambia a lamina da espada, sorvendo seu sangue, e olhando-o como se fosse uma presa.
"— Saboroso " – fala este ser, com seu dedo contornando os lábios "— Este sangue é simplesmente... Sublime. "
"— Sangue? " – Veck se vira finalmente para ser melhor o homem "— Você é um vampiro? "
"— Hum... Então você é o 'brinquedinho' favorito do Mestre... " – falou o ser, levando suas mãos ao capuz, o removendo.
Seu rosto era de aproximadamente um homem de 20 anos de idade, seu cabelo era curto meio adulado e loro. E era possuidor de um sorriso macabro. Este ser passou a olhar Veck com um certo nojo e desprezo.
"— Não sou nada daquele ser desprezível! " – gritou Veck com o tom da vol visivelmente irritada.
"— Hum... Era por 'isso' que o Mestre ficava noites e dias acordado... O que você tem que eu não tenho? " – perguntou o vampiro, meio inconformado.
"— Você deve ser um vampiro novo, ainda não deve saber de nada! "
"— Já tenho mais de 130 anos! " – responde o vampiro "— E isso não é de seu interesse. "
"— Veck... " – Cain se ajoelha, segurando no local que havia um corte um pouco profundo em seu braço.
Veck então se lembra de Cain, amaldiçoando-se por não ter feito algo antes em relação ao machucado. Ajoelhou-se também ao lado, conjurando uma rápida magia.
"— Holly-Restauração. " – falou Veck colocando sua mão no machucado de Cain.
Isso não iria fazer a ferida sumir, mas por hora seria mais que o suficiente. O ferimento começou a fecha-se vagarosamente. O vampiro a frente apenas observava o estúpido ato de Veck.
"— O que veio fazer nesse navio no final das contas!? " – pergunta Veck olhando para o ser.
O vampiro recua uns passos. O olhar no que Veck o olhava era de um assassino, sombrio e perverso. Um frio subiu por sua espinha, assim como um sorriso sensual se formou em seus lábios.
" Realmente se parecem... Esse olhar penetrante." – pensou o vampiro preso no olhar de Veck " Mas uma coisa não esta batendo, o Mestre disse que seu cabelo era todo prateado e seus olhos eram como duas lindas esmeraldas claras... Será que realmente é esse o cara que estou atrás? " – concluiu ainda em pensamentos.
"— Vamos, diga o que quer? " – a frase saiu em quase uma ordem dos lábios de Veck
"— Você é realmente o vampiro chamado Vectorius Razard? " – perguntou o vampiro, tinha que ter certeza.
"— Sim, este é meu nome. " – responde Veck levantando-se e trazendo Cain consigo. "— Agora... Pare de enrolar e responda a minha pergunta."
"— Por hora, só vim trazer uma mensagem de 'nosso' Mestre. Mas achei algo realmente bom... " – fala dando um sorriso macabro, olhando fixamente Cain "— O sangue desse humano é o mais saboroso que já tive o prazer de provar. "
Cain sentiu-se humilhado por estar sendo tratado apenas como um objeto, ou um almoço.
"— Seu insolente! " – grita Cain, correndo para cima deste com sua espada.
Veck estava querendo saber qual seria a maldita mensagem, mas Luna estava tendo um pouco de dificuldade. Já que deixou os outros inimigos todos para ela. Correu então para mais perto da garota. Recebendo desta um sorriso aliviado. Começou rapidamente a conjurar uma de suas magias.
"— Vamos dar um fim primeiro a esses monstros. " – fala Veck para Luna .
Esta se afasta um pouco de Veck, tomando a atenção dos monstros para ela. Para assim Veck poder conjurar mais tranqüilo. A garota desviava graciosamente dos ataques que vinham dos monstros, pulando para traz e rapidamente disparando uma flechada.
Para os que atrevessem a chegar muito perto, ela possuía uma pequena adaga prateada, que com precisos ataques acertava o monstro, para logo em seguida se afastar preparando para flecha-lo.
No outro canto do navio Cain e o estranho vampiro estavam travando uma turbulenta batalha, fora o ferimento causado antes pelo inimigo, pareciam que os dois estavam empatados.
Cain se esforçava ao máximo para acerta-lo, mas a maldita agilidade de vampiro não deixava acontecer tal ato. Mas com o esforço que fazia, o ferimento voltara a se abrir, fazendo com que começasse a sangrar. Os olhos do vampiro faiscaram ao olhar o braço ensangüentado de Cain.
"— Você é um alimento interessante, seu gosto é simplesmente deleitoso. " – disse soletrando a ultima palavra em tom malicioso.
"— Não ouse me tocar! " – gritou Cain, dando-lhe outra espadada.
O vampiro desvia furtivamente, e em um movimento rápido desarma Cain, parando atrás deste segurando suas mãos e as puxando para trás prendendo-as.
"— O que!? " – gritou cain confuso. "— Me solte! "
"— Por que? " – falou o outro em seu ouvido. "— A diversão... Só esta começando "
Sem mais delongas, o vampiro morde o braço de Cain, perto de onde havia feito o corte. Uma dor horrível se espalhou pelo corpo de Cain, sentia como se mil agulhas estivessem sendo fincadas em si.
O vampiro por outro lado, estava deliciado com o sangue de Cain, não sabia como um homem podia ter um sangue tão doce e saboroso, sentia que podia se viciar fácil neste sangue.
"— Argth! Larga-me! " – gritava Cain se debatendo, mas com o tempo começava a perder a consciência.
Veck estava entretido aniquilando os monstros junto com Luna, mas para ao escutar a voz de Cain procurando rapidamente este pelo navio. Fica pálido ao olhar a cena, em que Cain estava sendo mordido por aquele vampiro.
Com um ódio profundo apoderando-se de seu peito, acaba por deixar Luna encarregada de acabar com os monstros restantes, indo correndo em direção a Cain para socorre-lo.
"— Cain! "
Luna escuta a voz de Veck, notando que este queria ir até Cain. Então com uma rajada de flechas aniquila os inimigos que estava atrapalhando a passagem de Veck.
"— Ve... Veck... " – chamou baixo o nome do amigo, já perdendo suas forças e sua vista escurecendo.
"— Não toque no que é MEU! " – gritou Veck se aproximando e puxando o vampiro que estava a morder Cain.
Este então vai ao chão inconsciente. Veck olha furioso o amigo desfalecido no chão, não agüentando sua ira, da um soco na cara do vampiro desgraçado que ousou fazer isso com SEU alimento. Viu com mais ódio este levar a mão ao rosto sorrindo futilmente para Cain.
"— Sublime... Esse cara possui um sabor único... Se eu pudesse faze-lo meu... " – falou o vampiro limpando o sangue de Cain e depois lambendo os dedos, saboreando o restante do liquido. "— Se eu tivesse o poder... Ele seria meu. "
"— Diga logo o que veio fazer aqui! " – grita Veck segurando o vampiro pela gola e puxando-o.
O Veck fica cara a cara com vampiro, este então nota o olhar assassino de Veck. Sentiu um frio mortal na espinha.
"— Seus olhos... Se parecem com os dele... Seu olhar... Frio e assassino. "
"— Como!? " – Veck pisca os olhos "— Não! Não me compare com ele... Nunca! " – fala Veck jogando o vampiro no chão.
Veck olhava para o outro vampiro no chão, ainda aturdido com as palavras ditas por este. Mas logo se recupera.
"— Diga logo o que quer e saia! " – ordena Veck
"—Meu tempo aqui esta acabando mesmo... " – comentou o vampiro, levantando-se e limpando sua roupa "— Você ainda é escravo do Mestre, e ele o quer de volta. Já que o Mestre é muito bondoso, esta disposto a perdoa-lo por ter fugido... Após uma breve punição, é claro. "
"— Nunca... "
"— Mas você poderá continuar seu treinamento e até talvez ter o privilégio de se tornar um vampiro completo."
"— Eu não quero nada disso! " –gritou Veck "— Não depois do que ele me fez... Ele... Ele... "
"— Águas passadas, o Mestre precisa de você novamente. " – após falar o vampiro solta uma gargalhada maquiavélica, se aproximando de Cain.
"— Se afaste dele, se quiser voltar vivo! "
"— Por que estima tanto os humanos...? " – perguntou encarando Veck "— Humanos são sujos e repugnantes, como ratos! São como cobras, covardes e traiçoeiras! Tecem teias de mentiras como aranhas. "
"— Não! Os humanos não são todos assim! Você já foi um, deve saber. " – tenta argumentar Veck, recebendo do outro uma cara de desprezo.
"— Que inocente... Talvez eu entenda o que o Mestre vê em você... "
"— Já deu seu recado, então trate de ir embora! E leve esses seres repugnantes com você. "
O vampiro caminha a passos lentos em direção a Veck, desviando por esse, aproximando-se de seu ouvido.
"— O Mestre ainda precisa de você... Saiba que nunca poderá fugir dele... " – sussurra.
"— Eu nunca voltarei, avise isso a ele! "
"— Não se preocupe, mas saiba que vou relatar tudo o que aconteceu ao Mestre " – falou passando pelo Veck, ficando de costas para este "— E avise para aquele humano, que eu volto para me alimentar dele outro dia. "
O vampiro continuou andando até o meio do navio. Deu alto assobio e os monstros pararam de atacar, desaparecendo em seguida.
Luna senta-se no chão completamente exausta. Finalmente poderá descansar, já estava ficando quase sem flechas, e se isso ocorresse ela estaria em sérios apuros.
"— Quase esqueci de me apresentar... Que grosseria minha. " – Comentou o vampiro virando-se para Veck novamente "— Vitor Áster, este é meu nome. " – após pronunciar seu nome, desapareceu em instantes.
Veck olhou para o lugar onde antes estava o ser que se nomeou Vitor Áster. A raiva apoderou-se de seu ser, só de pensar em seu Mestre. Mas um gemido baixo o chamou a atenção, tirando em instantes essa raiva de seu peito ao lembrar de Cain.
Virou-se para este, vendo-o no chão, com uma poça de sangue que saia de seu braço, que agora alem de cortado estava com buracos nada gentis da morrida daquele outro vampiro. Veck correu ate Cain.
"— Cain... Você está bem? " – disse Veck ajoelhando-se ao lado.
"— ...Argth... " – a única coisa que saiu da boca de Cain foi um gemido rouco.
Cain estava em um estado deplorável, tivera ficado inconsciente a maior parte do tempo, e estava acordando só agora sentindo muita dor.
Para a extrema sorte de Veck. Pois Cain não tivera escutado o que ele falou. Pois se Cain começasse a desconfiar que o mordia, conhecendo-o, este nunca iria perdoa-lo.
Luna da um suspiro aliviada, vendo que a situação melhorou, mas estava muito preocupara com Cain, então se levantou indo de encontro aos dois.
"— Vocês estão bem? " – perguntou a garota.
Veck olha para a Luna, apenas concordando com a cabeça, para logo em seguida erguer-se trazendo Cain apoiado em seu ombro. Caminhou a passos lentos, levando-o para até o quarto em que por enquanto este estava dormindo. A garota, só por precaução, acompanhou-os até o lugar.
Assim que chegaram no lugar, Luna arrumou a cama, e Veck colocou cuidadosamente o Cain, meio sonolento, na cama.
"— ... Veck.... " – chamou pelo amigo, abrindo lentamente seus olhos, sentindo sua consciência voltar aos poucos.
"— Calma Cain, já vamos cuidar desse ferimento, apenas fique parado... " – comentou Veck, olhando para o corte no braço de Cain.
Por um momento Veck se perdeu nos seus pensamentos. Aquele cheiro. Aquela cor. Olhava o braço ferio, até com uma certa luxuria. Seus olhos brilhavam com uma intensidade mística, parecia maliciosidade misturada com possessividade.
Algo ali o estava chamando a atenção, sabia o que era, mas ainda não queria acreditar. Lembrou-se do que Vitor disse após morder Cain. Sublime, esta foi a palavra para descrever o sangue. E podia afirmar que era verdade.
Luna nota o jeito estranho e fixo no qual Veck olhava para o ferimento. Chegou mais perto deste, cocando em seu ombro, despertando-o assim do estado em que Veck se encontrava.
"— Vou ao meu quarto, acho que tenho algumas ataduras... Luna acho bom você, como é a capitã, ir cuidar da sua tripulação. " – comenta Veck, olhando-a de forma gentil.
Mas a garota não sabia se saia ou não. Era arriscado deixar Cain sozinho com Veck, principalmente no estado abalado em que este se encontrava. Algo estava estranho, mas acabou por acatar o pedido de Veck, saindo do quarto.
"— Veck... Eu vou virar vampiro? " – falou baixinho Cain, parecia muito cansado.
"— Não. Ele não tem esse poder. "
"— Por que não tem? " – pergunta Cain, com sua típica curiosidade.
"— Por que ele ainda não tomou o sangue de seu Mestre. "
"— Então você também não pode? "
"— Não, mas esqueça isso, vou ao meu quarto procurar alguma atadura... Posso demorar um pouco. " – falou já saindo do quarto.
Veck sabia perfeitamente onde estavam as ataduras que predicava, mas necessitava esfriar um pouco a cabeça. Chegou ai seu quarto e rumou para o banheiro, chegando neste, abriu a torneira e não fez mais simplesmente nada.
Ficou apenas a olhar a água cair. Seus pensamentos passavam pela sua mente, como a água que caia sem parar da torneira. Não sabia mais o que estava fazendo. Não sabia mais o que sentia.
Decide finalmente fazer algo, lavando seu rosto. Seus olhos desviaram da pia, partindo para o espelho. Soltou um longo suspiro, estava cansado de tudo isso. Ainda possuía aqueles olhos com coloração escarlate, assim como as pontas de seu cabelo possuíam a mesma cor.
Nem mesmo ele sabia o porque disso só acontecer consigo. Toda vez que tomava sangue, isso acontecia. Sim, ele já tinha tomado sangue antes. Não foram mais que sete vezes, sendo cinco dessas por influência de seu Mestre...
Mas todas as vezes acontecia a mesma coisa. E sempre notava que seu Mestre ficava extremamente satisfeito quando isso ocorria, e o estimulava a mais e mais se alimentar. Isso o torturava a alma.
Sabia também, que em mais nenhum outro vampiro isso acontecia, nem nos que se alimentavam de energia espiritual como ele. Era algo raro, extremamente raro, talvez por esse fato seu Mestre o queria de volta.
Lembrava-se de tudo com tanta perfeição, que chegava a dar náuseas. Mesmo já tento passado quase cem anos. As torturas. A maldição. A perda. Tudo, tudo por causa de seu Mestre.
Uma dor horrível começou a apoderar-se de seu ser, talvez fosse melhor afastar tais recordações de sua mente, antes que isto o consumisse por completo.
Terminou de lavar seu rosto, enxugando-o e saindo do banheiro. Pegou rapidamente as ataduras que estavam guardadas entre seus pertences e rumou para o quarto ao lado.
"— Desculpe a demora... " – falou após entrar no quarto de Cain.
"— Claro. " – disse sorridente, disfarçando a dor.
Veck adentrou mais no quaro, notando que Cain segurava uma toalha em cima do corte. E que esta estava quase toda vermelha.
"— A senhorita Luna esteve aqui, deixou uma bacia com água morda e algumas toalhas. " – comentou Cain, apontando para a mesa no canto do quarto, que estava com os itens citados "— Ela não pode ficar pois está ajudando o medico com os feridos. "
"— Certo... Sente-se que eu faço tudo, apenas relaxe... "
Caminhou lento até a bacia, pegando-a e levando para mais perto de Cain, colocando-a em cima do criado-mudo ao lado da cama. Logo em seguida, sentou-se na cama, pegando a toalha que Cain usava no corte.
" Sangue... " – Pensou Veck.
Essa palavra ficou ecoando pela sua mente. Tinha que se controlar. Sendo um vampiro de energias, não precisava de sangue para sobreviver. Mas mesmo assim, aquele cheiro, aquela cor...
"— Veck? " – chamou pelo amigo, estranhando o fato deste não fazer nada.
"— De-Desculpe... "
Veck decidiu parar com aquela criancice, já era bem experiente, não podia se deixar levar só por causa de alguns instintos. Continuou assim então a cuidar do ferimento de Cain.
"— Isso está um pouco mais grave do que pensei... Talvez tenha se agravado por ter usado a espada, mesmo estando ferido. "
"— Vai demorar muito a cicatrizar então...? " – pergunta Cain, meio preocupado.
"— Se eu deixar do jeito que está, talvez demore quase um mês... Mas.. Fique quieto um instante Cain. " – Veck fecha seus olhos, começando a murmurar encantamentos "—Holly-Restauração. " – pronunciou logo em seguira, tocando no ferimento.
Este começa vagarosamente a se fechar, mas não conseguiu cicatrizar completamente.
"— Como eu usei essa magia a pouco tempo em você, e ainda no mesmo ferimento... Ela não surtirá muito efeito... Mas acho que já é o suficiente " – comenta Veck, feliz por ver que o ferimento ficara menos preocupante.
"— Saber magia, é bem útil "
"— Concordo, agora acho que demorará apenas uns três ou quatro dias para estar normal. " – avisa Veck "— Mas esta roupa não tem jeito. " – comenta rindo do estado em que ficara a camisa de Cain.
"— Que pena, eu gostava dessa camisa... " – falou meio aborrecido, terminando de rasgar a sua camisa "— Melhor ficar sem esses trapos. "
"— Mas não pense que acabei de cuidar desse ferimento não. Fique quieto que pode doer um pouco... Mas você acostuma. " – avisou Veck, segurando as ataduras nas mãos.
"— Cert-Arrhg! Veck, você podia ser mais delicado! " – comenta Cain, sentindo dor "— Não use tanta força... "
"— Desculpe. " – pede "— Mas já estou acabando... Agüente um pouco mais. "
"— A-Aii... "
"— Para quem levou uma espadada, você está reclamando de dor por pouca coisa " – comenta rindo.
"— A culpa é sua. Se fosse você quem estivesse assim, eu não usaria tanta força "
"— Mas é bom usar força... Vai sarar mais rápido. "
"— Certo... "
"— Viu, nem doeu tanto, já terminei. " – avisa Veck.
"— Obrigado. "
"— Bem... Agora que já fiz o que tinha que fazer. Vou embora. "
"— Já? " – a voz de Cain saiu meio triste.
"— Sim. Tenho que pagar uma promessa que fiz a Luna... Se não é capaz dela me matar... "
"— Que promessa? " – perguntou sem pensar.
"— Hum... Ela pode estar um pouco cansada, mas sei que ela agüenta... " – o sorriso de Veck estava um tanto predador e malicioso.
"— Bem... Continuo sem saber sobre o que se trata, mas tudo bem. Boa noite. "
" Sim... Vai ser boa... " – pensou Veck "— Boa noite Cain, descanse bastante essa noite... talvez amanha já chegamos ao destino. "
Veck saiu do quarto e Cain dica a ver a porta fechada a sua frente, pensando em tudo que ocorreu no dia. Sentia ódio daquele maldito vampiro que ousou o morder, e naquela dor horrível que sentiu ao ter seu sangue roubado de suas veias.
Sorte que Veck nunca faria tal ato consigo, pois sabia que o amigo não o trairia assim. Nunca o perdoaria caso isso ocorresse. Nem percebeu quando dormiu, tão envonto em pensamentos no amigo. Amanha finalmente sairiam do navio e partiriam para o templo ao sul dos pântanos.
O tempo se passou, e o sol já fazia sua presença no céu. Estava uma manhã muito fria. Cain lentamente começa a despertar, notando assim que acorda, que não sentia mais dor em seu braço. Decide então tomar um banho. Teve muito cuidado para não molhar as ataduras em seu braço ferido, já que doera muito da ultima vez para coloca-las.
Saiu do banheiro, rumando para um enorme armário, escolhendo assim a roupa que usaria. Olhou por alguns instantes, analisando o que usaria. Vestido-a em seguida.
Optou por uma camisa negra longa sem mangas, com alguns detalhes em roxo, assim como um sol em suas costas. Esta combinava com uma cala, um pouco justa, de couro em um tom pairando entre roxo e negro. Usava ainda luvas e botas que vinham até seus joelhos.
Após terminar de se vestir, sai do quarto. Reparou de relance que a porta ao lado acabou-se de se fechar, então Veck já devia estar acordado. Rumou então para este quarto.
Chamou pelo nome do amigo algumas vezes, mas nada aconteceu, quando foi bater na porta notou que esta estava só encostada. Acabou entrando, vendo Veck jogado na cama, suas roupas amassadas, meio abertas, cabelo bagunçado do, alem deste parecer bem cansado.
"— Veck? " – chamou pelo amigo, parado na porta.
"— ...Cain? "
"— O que aconteceu? "
" Ingênuo... " – pensou Veck "— ... Quantos anos disse mesmo que tens? "
"— dezoito... " – respondeu Cain, não entendendo o por que da pergunta.
"— Cain... Você é muito inocente... "
"— Inocente!? "
"— Hum... Agora pensando, deve ser culpa da educação que teve... "
"— ...? "
"— Se eu estou desse jeito, imagine o estado de Luna... " – disse com um sorriso malicioso nos lábios.
"— A senhorita Luna? " – perguntou Cain, meio confuso ainda, parando e pensando em tudo.
Cain bota a mão na boca, quando finalmente descobre o que acontecera. Um leve rubor fica em seu rosto.
"— Vejo que notou. "
"— Eu... Eu vou deixar você descansar. " – falou Cain saindo as pressas do local.
" Com certeza ele ainda é virgem... " – pensa Veck, vendo Cain quase correr dali.
Cain andava apressado pelos corredores, ainda estava vermelho, e com uma dor estranha em seu peito. Talvez por causa do ferimento. Em pouco tempo ficou entediado, não tinha nada para se fazer. Decidiu então ficar a observar o mar lá da proa.
Naquele dia, o céu parecia ridiculamente belo. Não tinha ninguém para conversar, já que Veck estava descansando e Luna também.
"— Hei, principezinho! "
Cain virou-se confuso, para ver quem era. Estranhou o fato de serem um grupo de marujos, que estavam passando por ali.
"— O principezinho, não quer fazer algo de útil e ajudar no trabalho pesado? " – perguntou um dos marujos, parando perto de Cain.
Cain pensou em reclamar por ter sido chamado de 'principezinho'. Mas desistiu, em seguida. Afinal, não tinha nada para fazer e um pouco de trabalho não faz mal a ninguém. Acabou por abrir um lindo sorriso e concordando com a cabeça, para a surpresa do marujo.
O dia se seguiu tranqüilo, com Veck e Luna repousando e Cain, junto com a tripulação, arrumando os estragos causados pela luta de ontem.
"— Terra a vista! " – gritou o marujo no mas alto mais alto do navio.
Um sorriso se forma no rosto de Cain, que sai correndo em direção ao quarto, para arrumar seus pertences. Chegando lá, começa a guardar tudo rapidamente. Mas em meio a tudo aquilo, avistou sua espada.
Não sabia se a odiava, por tê-lo amaldiçoado ou se a agradecia, por com ela ter salvado seu reino. Guardou tudo, e saiu do quarto, indo para o do Veck. Aquela dor no peito voltou.
"— Posso entrar? " – perguntou, batendo na porta.
"— Claro. "
Entrou meio cauteloso, após ouvir a afirmação de dentro do quarto. Veck estava sentado na cama, terminando de secar seus cabelos com uma toalha.
Silencio. Ambos estavam mudos. Após um tempo, Veck termina de secar seus cabelos, e olha sorridente para Cain.
"— Notou algo diferente? " – pergunta Veck.
Cain então nota, que o cabelo de Veck e seus olhos tinham voltado a sua coloração original deixando de possuir aquele misterioso escarlate. Os cabelos estavam na mais pura e reluzente prata, e seu olhar estava verdejante.
"— Normal... Voltou ao normal " – falou totalmente alegre.
"— Sim. "
"— Bem melhor assim. "
Silencio novamente. Veck já estava estranhando fato de Cain não querer começar alguma conversa, talvez tivesse algo estranho com este. Decidiu então ele mesmo tentar começar um dialogo.
"— Agora reparando em suas roupas... " – comenta Veck "— Você gosta muito de preto e roxo, não é? "
"— Verdade. Do mesmo jeito que você gosta de prata e verde. " – responde rindo baixo.
"— Realmente. "
"— Ah! Lembrei-me agora, falta pouco para chegaremos. " – avisa Cain.
"— Que bom. Então vamos arrumar tudo e pegar os cavalos. "
Algumas horas depois. Ambos estavam no convés do navio com tudo pronto. Já se podia ver, lá no horizonte, o local no qual iriam desembarca.
O dia estava nublado, possivelmente mais tardar, poderia estar chovendo. Um vento gélido passa por Cain o fazendo tremer, levando assim suas mãos aos braços em uma tentativa, em vão, de se aquecer.
Estava ficando muito frio para Cain, então este decide esperar dentro do navio, pelo menos lá estaria bem mais aconchegante.
Veck debruça-se na borda do navio. Aquele clima estava tão agravável para ele, que algumas doces memórias viveram a mente.
"— Even... " – uma palavra saiu em um sussurro inaudível de sua boca " Caso não consiga remover a maldição do Cain... Talvez o único jeito seja voltar para esta cidade.... " – pensou, lembrando-se do reino no qual nascera.
Finalmente o navio atraca, e Cain, começa a se despedir da triplicação, já que acabaça conhecendo a todos. Em quanto Veck esperava-o já em terra firme, analisando a área em volta.
O céu estava mais acinzentado que antes, e um vento gélido insistia em passar pelas arvores da região. Era uma floresta densa porem, parecia que algo na região estava as arvores doentes, tudo naquele lugar parecia morto e sem vida.
"— Infelizmente, esse é o único caminho... A Floresta das Ilusões... " – fala Veck, já pensando no pior.
"— Não vai se despedir da senhorita Luna? " – pergunta Cain, descendo do navio, trazendo consigo seu cavalo.
"— Não... Talvez ela demore a acordar. Em todo caso, é bom nos tentarmos sair da floresta antes que escureça. " – explica Veck, ressuscitando seu cavalo.
Depois de algum tempo, ambos já estavam montados, com tudo pronto já indo em direção a floresta.
Apressadamente uma garota corria feito desesperada pelo navio, passando por tudo e a todos, chegando finalmente ao convés. Olha espantada vendo que já era tarde demais. Já tinham partido. Ainda era possível vê-los, mas o navio já tinha zarpado.
"— Vectorius! Seu desgraçado. " – gritou Luna, na beirada do navio.
Os cabelos cor fogo balançavam ao vento, esta possuía pequenas lagrimas nos olhos, que já começavam a descer pelo rosto. Veck e Cain param de cavalgar, mas apenas Cain, que se vira para observar a garota.
"— Veck, não é melhor ir lá? " – pergunta Cain, virando-se para o amigo.
"— ... " – este apenas ignorou os dois.
"— Vectorius! Eu te amo! " – gritou a garota aos quatro ventos.
"— Veck... Tem certeza que não vai mesmo lá? " – pergunta Cain novamente.
Veck então da um sorriso cínico e confiante, só visto por Cain que podia jurar que Veck em um pequeno momento parecia ser uma outra pessoa, uma que só se aproveitou de Luna e depois a descartou.
"— Veck...? "
Este então apenas levanta a mão, e volta a cavalgar em direção a floresta, sendo seguido por um confuso Cain.
Luna fica arrasada, fora igual da ultima vez. Não importava o quanto lutasse, nunca conseguia o amor de Veck. Mas apesar dede tudo, este não estava mais como antes, estava até mais gentil. O Veck de antigamente era quase um ser sombrio, ainda era ligado muito ao passado e as torturas empregadas por seu mestre.
Não tinha mais nada a fazer, a não ser esperar um dia pela volta de Veck. Ficou lá parada, debruçada na beirada do seu navio, vendo os dois se distanciarem mais e mais. A única coisa ainda realmente visível, era os símbolos do Sol nas costas de Cain e o da Lua nas costas de Veck.
"— Os seres 'solares' são aqueles que conseguem produzir luz própria, e até iluminam os outros. " – fala Luna em um sussurro, olhando para o símbolo nas costas de Cain "— Mas os seres 'lunares' são aqueles que só conseguem brilhar graças a presença dos 'solares'... " – termina a frase, olhando agora para o símbolo em Veck, dando um suspiro alegre no final " Vectorius... Apesar de tudo, parece que você está começando a se livrar do passado. Somente para ajudar o Cain... " – pensa, não conseguindo vê-los mais.
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Cain e Veck já estavam cavalgando a horas pela floresta. Mal algo parecia incomodar Veck, que olhava tudo a volta com muito cuidado.
"— Veck, algo o está preocupando? "
"— Para dizer a verdade, sim. " – respondeu Veck
"— O que seria? "
"— Essa floresta... A Floresta das Ilusões ... "
"— Já ouvi historias delas, por aventureiros pe passavam pelo reino. Mas nunca me contavam ao certo como ela era. " – comenta Cain, dando uma boa olhada ao redor.
"— É bom não nos separarmos, essa floresta é famosa por pregar peças aos viajantes. " – pede Veck "— Entendeu Cain? " – fala virando-se para este, percebendo que estava sozinho no local. "— Aquele garoto... "
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Cain tinha avistado uma criança vestida toda de branco, correndo pela floresta e acabou por ir em direção a esta, não escutando o pedido de Veck.
A garota corria e corria, parecia se divertir dando pequenas risadas. Cain continuava atrás desta, até que ela para.
O lugar aonde a garota parou era na frente de um enorme lago, cujas águas eram limpas e cristalinas, dando um contraste à floresta sem vida.
"— A senhorita está perdida? Precisa de ajuda?" – pergunta Cain, descendo do cavalo.
"— ... "
Nada foi ouvido em resposta. A garota apenas permaneceu parda olhando-o agora com desdém.
"— Estais bem? " – perguntou novamente Cain.
"— ... "
Novamente nada foi pronunciado por parte da garota. Cain estranhava isso. Foi só quando este avista um sorriso macabro cindo da garota, quem se lembra de Veck, procurando este em volta. Notando finalmente que devia ter se perdido.
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"— Esse garoto, realmente só me da trabalho! " – gritou Veck, em alto e bom som, para quem sabe assim este escutasse.
Mas a única coisa que conseguiu foi afugentar um bando de aves negras de uma arvore, que voaram do desta. Cavalgando mais pelo lugar, sente algo em seu rosto, olha para cima percebendo que esta começando a chover. Só não recebera mais chuva antes, por causa das arvores.
"— Chuva... " – falou, levando a mão ao rosto e retirando a gora de chuva " Melhor me abrigar e esperara chuva passar, já que vai ser quase impossível achar Cain assim... " – pensou logo em seguida
A chuva em instantes ficou mais forte. Veck cavalgou rápido até uma grande arvore que avistara. Desceu de seu cavalo, vendo este virar em seguida apenas uma pilha de ossos.
" Agora é só esperar... " – pensou sentando-se na arvore.
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Cain, que estava em outra parte da floresta, começava a sentir os pingos de chuva em si. O lugar aonde se encontrava não possuía muitas arvores. Por isso estava começando a se molhar.
"— Que garoto ingênuo..." – a voz veio da garota, que fez Cain olha-la confuso. "— Isso ainda vai te matar... "
"— O que disse? " – perguntou Cain, com um pouco de raiva.
"— Já começou... "
"— A chuva? " –
"— ... "
E pela terceira vez, a garota não responde a suas perguntas. Cain já estava começando a ficar com raiva, já que estava perdido por causa dessa garota que se recusava a responde-lo.
Foi aproximando-se da garota, a fim de tira-la do meio da chuva. Apesar de estar um pouco com raiva desta, não poderia deixar uma criança na chuva. Mas para surpresa de Cain, ao tentar toca-la, sua mão atravessou o corpo desta.
"— Como!? " – falou espantado, vendo a garota se distanciar um pouco de si e começar a rir.
"— Obrigada moço... Estávamos entediadas... " – responde a garota.
Cain, rapidamente se afasta mais desta, desconfiado de tudo. Teria caído em uma armadilha?
"— Eu não fiz nada. "
"— Nos deu um ótimo brinquedo, alma de um atormentado com o passado. "
"— 'Atormentado com o passado'? " – perguntou Cain, achando estranho o rumo que aquela conversa estava tomando.
"— ... "
Cain, recebendo de resposta o silencio da garota, reflete sobre o que esta estava falando antes. Após alguns instantes compreende do que se tratava.
"— Veck!? " – perguntou Cain, extremamente preocupado. "— O que você fez com ele!? "
"— Não lhe fizemos mal... Apenas... " – e a garota fica muda.
Cain já estava muito preocupado0 com Veck. Sabia que este tinha poderes o suficiente para se virar, mas se ele tivesse caído em alguma armadilha... Sentia-se culpado, foi ele próprio que levou Veck a isso, quando se afastou deste.
"— Apenas...!? " – já não estava mais agüentando o suspense que aquela garota, ou seja lá o que é aquilo, estava proporcionando.
"— Você é o que para o vampiro? " – perguntou a garota aproximando-se de Cain.
"— Amigo! "
"— Interessante... " – ironizou "— Já que é assim, lhe darei um presente... " – a garota olhava-o de forma divertida.
"— .... "
Dessa vez quem nada disse fora Cain. Não entendia o por que de tudo isso. Afinal presenteá-lo por ter traído seu amigo. Entregando-o em uma armadilha...?
"— Eu não quero nada, apenas diga-me aonde Veck esta! " – ordenou Cain, para a garota.
Esta fez uma cara de espanto, pelo tom da voz que viera de Cain. Mas nada fez, continuou lá parada, com um sorriso no rosto, como se tivesse gostado apesar do espanto.
"— Já começou... Só vai parar quando tudo acabar. " – falou ela, ajoelhando-se e fazendo um circulo pequeno a frente "— Venha. Venha se divertir com agente... Conheça o passado, as memórias... O que tanto atormenta seu 'amigo'. "
Após a garota falar, uma luz dourada surge no circulo que esta tinha feito no chão. Em instantes começa a surgir um espelho redondo, no qual ela o segura e posiciona no seu colo. Uma luz começa a emanar deste, e lentamente a imagem de Veck deitado em meio as raízes de uma grande arvore aparece.
"— Veck!? " – fala Cain, correndo e ajoelhando-se a frente da garota, olhando fixamente o espelho "— Que bom que estais bem... " – comentou aliviado.
Cain começou a observar melhor o espelho em si, com sua típica curiosidade. Ele era de tamanho médio, com a borda toda negra com varias inscrições nela.
"— É o Espelho das Almas. " – comenta a garota.
"— E o que ele faz? "
"— Mostra o que esta acontecendo com a vitima que escolhermos. " – responde ela
"— 'Vitima'!? "
"— Silencio! Preste a atenção no espelho. " – responde autoritária "— O espelho nos mostrará o que está atormentando a alma dele... O que ele está sonhando agora. "
De repente umas nuvens começam a aparecer na imagem, como se estivessem rodeando Veck. Aos poucos a imagem fica embaçada. O que deixa Cain muito confuso. Mas depois de alguns segundos aparece a imagem de uma vila coberta de neve.
"— Que a diversão comece " – avisou a garota, extremamente maliciosa.
CONTINUA...
15/11/08
Nota da autora:
Demorei, mas atualizei ( =D )
Ainda possui mais um bom pedaço a historia já feita em meu caderno, mas decidi que não vou deixar mais o capitulo ficar tão grande. É cansativo de se ler, e acaba dando dor de cabeça ( XD )
Muita coisa ainda vai acontecer, dês de Hunters atacando Veck e Cain, a reaparição de mortos. Sei que sou má, mas adoro faze-los sofrer ( XP )
Aguardem, que ainda tem muito mais.
Agradecimentos:
Agradeço a todos que mandaram Review. Nossa, até a pouco tempo atrás a historia não possuía nem sequer um comentário ( Ç.Ç ) mas os tempos mudam. Eu sei que é por causa da participação especial do Veck e do Cain na minha fic 'Choco Bloody'. Mas o que importa é que alguém gosta desta historia, apesar das confusões existente nela ( XD )
Agradeço também a Mizuka, pelo apoio e pelo desenho extremamente lindo do Cain/Yami. Espero o do Veck Hein ( \o\ \o/ /o/ )
By: Toynako
