YAMANAKA consultoria sentimental ltda


-Senhorita Yamanaka?

-Pois não?

-Seu pai se encontra?

-Oh, me desculpe. Ele não está. Eu posso ajudá-lo?

-Eu creio que sim. Há certas despesas que ainda não foram pagas – o senhor a sua frente a fitou como em repreensão e despejou um maço de contas sobre o balcão da loja.

Não mesmo!

Ino o encarou ofendida. Ele a olhava como se ela fosse a culpada.

A garota quase se sentiu envergonhada ao se dar conta: acontece que era.

[Flash-back]

-Ino, filha, tem certeza que não será muita responsabilidade para você?

-Qual é pai, o que pode dar errado em três meses? Vá tranqüilo. Eu trabalho na loja desde que me entendo por gente.

-Sim, mas nunca ficou sozinha por muito tempo na administração – seu pai lhe lembrou.

A garota suspirou. – É verdade. Mas não pode ser tão difícil – e então sorriu com mais confiança do que sentia, apenas para seu pai ficar calmo. Aquela viagem era uma grande oportunidade que ele não podia perder. – Ora, papai, não confia em mim?

[Fim do flash-back]

E agora, dois meses depois, ela simplesmente estava ferrada.

Estava fazendo malabarismo com as contas. Tudo havia se tornado uma bola gigante de neve sem que ela se desse conta... Não ficava dinheiro em caixa, por mais que a loja estivesse muito bem, de tantas contas atrasadas que tinha.

Ela tivera que pagar a energia de dois meses atrás, porque se não o fizesse iriam cortar e ia ser um desastre total para a loja - todas suas flores, sem a devida refrigeração, iriam murchar. Havia ainda as contas de água. E, Kami-sama, os fornecedores, aos quais devia uma pequena fortuna. E ela nem estava falando das contas de casa!

O salário de Sato obaa-san, Ino lembrou nervosa. Sato era uma velha senhora adorável, mas sem qualquer "serventia" por assim dizer - em verdade, ela estragava as flores que tentava cortar.

Mas Ino sorriu como se não soubesse de nada. – Oh, Kami-sama, eu não fazia idéia que tínhamos essas contas. Eu não recebi nenhuma! – e piscou os olhos de forma inocente, o homem a sua frente a encarou incerto. – Mas não se preocupe, senhor...

-Kasami. Hishiro Kasami.

-Senhor Kasami – sorriu docemente. – Resolverei o mais brevemente possível - o senhor pareceu hesitar. – Até o fim de semana efetivarei o pagamento das contas. Eu só estou um pouco ocupada no momento... Como pode ver, só estamos eu e Sato obaa-san – a loira apontou para a senhora que cochilava sobre uma cadeira de balanço – Bem, ela é muito idosa e frágil e eu não posso deixá-la sozinha, nem mesmo com qualquer responsabilidade.

O senhor Kasami pareceu enternecido com o tom carinho de Ino ao falar da senhora Sato. – Eu compreendo senhorita Ino. Mas, por favor, não demore a resolver essas pendências.

-Eu não irei. Não se preocupe – lhe dispensou um sorriso brilhante. – E, pelo senhor ser tão atencioso, lhe darei este lindo buquê.

-Oh, não, não, não será necessário.

-Por favor, eu faço questão... Eu tenho certeza que a sua esposa ficará muito feliz.

Ele hesitou por um instante, mas assentiu por fim:

- É, eu acho que vai sim - Hishiro sorriu levemente, aceitando as flores. Então ele se despediu alegremente de Ino e saiu da loja.

Ino enterrou o rosto nas mãos, gemendo baixinho antes de murmurar um palavrão.

-O velhote já foi?

A jovem kuinochi levou um susto ao observar a senhora Sato ao seu lado. – Não estava dormindo?

A velha lhe sorriu um sorriso sem dentes. – Ah criança! Você tem tanto que aprender...

Ino achava mesmo que sim. Tipo como administrar uma loja. Como não ser morta por seu pai quando esta mesma loja estivesse liquidada, se a primeira opção falhasse... Ou como Sato obaa-san chegara tão perto ao seu lado, sem ser notada.

-Vai dar tudo certo, querida – a mulher disse apertando seu braço.

Ino sorriu um tanto desesperada. – Tem que dar.


(Continua)