Autora: Lynne Graham.

Título original: Mistress Bought and Paid For.

Essa história não me pertence. Apenas estou a postando no universo de Card Captor Sakura.


CAPÍTULO II

Apenas quando Syaoran quebrou o silêncio que Sakura realmente pôde acreditar que ele estava ali presente. Piscou várias vezes, tentando recuperar o fôlego. Agora percebia que a raiva que sentia dele continuava ardente como nunca. O lábio superior transpirava e as pernas estavam bambas. Ela o encarou, destemida, apesar de se sentir insegura por dentro, uma mescla de medo e admiração, curiosidade e repugnância.

Espertamente, ele aproveitou a hesitação de Sakura e se aproximou. Ela recuou de forma instintiva. Apesar de Sakura ter um metro e oitenta de altura sem usar o salto, ele ainda conseguia vê-la de cima. O estômago revirava de nervoso e ela ficou tensa ao notar que sentia algo que há um tempo estava esquecido. Todos os sentidos estavam aguçados e os mamilos, rijos e dormentes.

As bochechas pálidas logo ficaram vermelhas pela vergonha e perplexidade. Finalmente, conseguiu falar.

▬ O que você veio fazer aqui?

Syaoran fechou a porta da casa com tranqüilidade. Sentia-se poderoso e se regozijava por isso.

▬ Você não sabe?

Constrangida pela forma como seu corpo respondia à presença dele, Sakura ergueu o queixo de modo desafiador, o que teria causado espanto a qualquer um de seus familiares. Sentia-se encurralada, com raiva e ferida. A ferida que ainda se cicatrizava havia se aberto assim que o viu. Lembrou de como tinha gostando de Syaoran Li e de como ele a havia magoado. Aparentemente, não dava para perceber, mas por dentro Sakura era outra pessoa por causa disso. E a mudança não havia sido para melhor.

▬ Como posso saber?

▬ Achei que seu sexto sentido fosse dizer alguma coisa... – Syaoran disse com um olhar malicioso.

▬ Pois não disse! – ela respondeu cruzando os braços e tentando controlar a tremedeira que iria acabar denunciando-a.

▬ Vim aqui porque queria ver você. – ele respondeu calmamente.

Sakura ficou perdida por alguns segundos naqueles brilhantes olhos chocolates que constantemente visitavam seus sonhos. Olhos que refletiam apenas sentimentos superficiais e a imagem dela mesma. Ela sabia que ele tinha fama de insensível e mulherengo. Ao mesmo tempo, o que tinham vivido pareceu real e genuíno, desnudando a imagem de garanhão que ele fazia questão de passar.

Balançou a cabeça tentando espantar aqueles pensamentos. Não queria que Syaoran Li fizesse parte das suas lembranças. Nem das ruins, nem das boas. Queria esquecer que por dois loucos meses ele havia sido tudo para ela e ninguém mais no mundo importava.

▬ Não quero...

Sabia que só dependia dela fazer com que ele fosse embora. Mas ao mesmo tempo sabia que, por motivos que tinha medo de examinar mais a fundo, não conseguiria mandá-lo embora ainda.

Syaoran inclinou um pouco a cabeça para frente e o olhar dele sobre Sakura era de tirar o fôlego.

▬ Não quer...?

O frio na espinha virou um vento polar. Por um instante, ela se alarmou com o fato de que talvez ele a conhecesse melhor do que ela a si mesma.

▬ Como você me achou?

▬ Tenho meus contatos.

Ela ficou pálida como um fantasma. Então, ele sabia do dinheiro que havia sido roubado. Claro que ele sabia, pensou. Queria cavar um buraco e se enfiar lá dentro, pois não conseguia criar coragem para olhar Syaoran nos olhos.

Aproveitando o momento de fraqueza de Sakura, Syaoran deu um passo para mais perto dela. Ele sabia que ela havia perdido a fortuna que tinha quando se conheceram, mas somente agora, ao notar na sala pouco mobiliada e humilde, que ele se dava conta de como ela havia decaído.

▬ O que aconteceu com a janela?

▬ O vidro quebrou... – ela murmurou.

▬ Já ligou para o vidraceiro?

▬ Ainda não. Foi ontem à noite.

O olhar atento de Syaoran reparou no pedaço de papel amassado na lareira. A pedra também estava lá, e ele não tardou a supor o que devia ter acontecido. Franziu a testa.

▬ Você foi ameaçada? Por acaso foi dar queixa na polícia sobre isso?

Num movimento brusco, ela arrancou o pedaço de papel da mão de Syaoran.

▬ Por que não cuida da sua vida? – falou sem ar, mortificada e humilhada.

▬ A polícia precisa saber disso. O maníaco que escreveu isso pode ser perigoso e acabar lhe fazendo mal. Você não pode ficar nessa casa sozinha.

▬ E para onde quer que eu vá? – perguntou num tom desesperado.

O incidente da noite passada era mais um motivo para não ir para a casa da prima. Do contrário, poderiam fazer mal a ela e à família. Tomoyo, o pai e o irmão viviam numa fazenda isolada, afastada da cidade, e não poderia nem pensar em colocar a vida deles em perigo.

▬ Posso ajudar. – murmurou Syaoran, sem, contudo, alterar o tom.

Sakura percebeu que estava tremendo. Desviou o olhar para o teto. Estava confusa, sentindo-se incomodada e perdida. Foi então que, pela primeira vez, se deu conta de que estava com um robe velho e o cabelo todo despenteado. Morreu de vergonha.

▬ Escuta, preciso me vestir. Não vou ficar aqui discutindo com você.

Como ele poderia ajudá-la?Ela queria perguntar, mas não teve coragem. Também não conseguiu mandá-lo embora. Será que não tinha orgulho? Já tinha chegado ao fundo do poço?

Enquanto a observava subir as escadas, Syaoran conseguiu ver parte das coxas alvas de Sakura e aquela visão teve um efeito imediato sobre seus hormônios. O clima tenso e fortemente sensual o estava deixando excitado. Ele sentiu aquela atração feroz desde o momento em que pôs os olhos nela. Porém, tinha certeza de que após a primeira noite de amor deixaria de desejá-la. Ela estava assustada. Se ele oferecesse dinheiro de imediato, provavelmente ela se entregaria na mesma hora, ali mesmo. Ela também o queria, pensou, de súbito. Os olhos dela não conseguiam esconder a atração por ele. Tinha experiência o bastante para identificar no gesto e no olhar de uma mulher quando ela estava sexualmente excitada. No entanto, ela parecia querer negar aquela realidade, sempre se esquivando, evitando encontrar os olhos dele. Um homem elegante e educado esperaria e prolongaria ogranfinale,ele disse a si mesmo, com um sorriso nos lábios.

Havia um livro de jardinagem aberto sobre a pequena mesa de jantar e Syaoran o folheou curioso, com um franzir de testa. O lugar era bem pequeno, com uma cozinha modesta. No entanto, o jardim, como pôde notar com certo interesse, era um dos mais bonitos que já vira, coberto de flores e uma grama verde e macia. Apanhou o telefone e ligou para um dos emprega dos, pedindo que providenciasse um vidraceiro imediatamente, para o endereço onde estava.

•••

Sakura estava no banheiro, no andar de cima, penteando o cabelo. Depois escovou os dentes, enquanto se despia para trocar de roupa. Nervosa, vestiu um jeans e uma blusa. Afinal, como podia estar calma e controlada, se no andar debaixo se encontrava o homem que havia conquistado sua confiança e conseguido fazer com que ela se apaixonasse por ele? No andar inferior, estava o galã sedutor que havia se fingido de sério e feito com que ela acreditasse que teriam um relacionamento sério. Ela havia sido vítima de uma farsa e ele era um aproveitador cruel que só estivera com ela para ter mais uma vantagem para contar aos amigos idiotas e machões como ele.

Sakura fechou o zíper da calça com as mãos trêmulas. Infelizmente, havia ficado tão magoada e rancorosa por aquela traição, que acabou sendo vítima de outra. Tinha caído na burrice de acreditar que a vingança seria a melhor reação para o que havia sofrido. Mas as conseqüências daquele impulso ingênuo acabaram, no final das contas, arruinando a carreira de modelo dela.

Mas que diabos Syaoran Li estava fazendo no País de Gales? Por que teria ido visitá-la? Para ajudá-la? Ela não conseguia entender a razão de ele querer ajudá-la após tanto tempo e depois de tudo que havia acontecido. No dia em que foi embora da mansão de Syaoran com Yukito, Sakura havia acertado em cheio o ego de Syaoran. E havia sido exatamente isso que desejara quando tomou a decisão de partir, lembrou com pesar. Syaoran Li tinha um coração de pedra e mereceu o golpe que levou. Mesmo assim, Sakura se arrependeu. Mas e agora? Será que ele fora até lá para se divertir à custa da desgraça dela? Para humilhá-la, agora que ela estava na pior?

Sem pressa, Sakura desceu a escada.

▬ O que você quer comigo? – perguntou desconfiada.

▬ O que a maioria dos homens quer? – Syaoran respondeu com uma pergunta, num tom suave e tranqüilo.

Ao mesmo tempo, passou os dedos por alguns fios ruivos de cabelo que caíam sobre a face oval de Sakura. Os olhos verdes brilhavam e os lábios, levemente entreabertos, deixavam à mostra a pele rósea e úmida do interior da boca. Ele não estava prestando atenção no que ela dizia, deslumbrado com aquela imagem linda na sua frente.

O sangue coloriu as bochechas de Sakura. Ela controlou-se e deu uma risada desaforada.

▬ Pelo menos não está bancando o bom moço como da última vez.

Os olhos chocolates faiscaram e Syaoran inclinou o semblante arrogante para mais perto. Não perdeu tempo em rebater a provocação.

▬ Um bom moço iria sofrer na sua mão. Eu faço muito mais o seu estilo.

▬ Você está delirando!

▬ Delirando como Yukito Tsukishiro? – rebateu Syaoran, sem titubear.

A observação maldosa deixou Sakura sem chão e ela se virou de lado, irritada, deliciando Syaoran com o belo perfil.

▬ Ainda não respondeu o que veio fazer aqui.

De lado, seu corpo magro, porém elegante, a fazia parecer ainda mais frágil. Sem hesitar, ele pegou as mãos dela e as envolveu nas suas. Surpreendida, ela gaguejou.

▬ O-O que... E-Está fazendo?

▬ Apenas me certificando... – verificou os braços de Sakura em busca de alguma marca suspeita que indicasse que ela estivesse usando drogas injetáveis. Satisfeito por não encontrar nada, soltou-a.

▬ Eu não uso drogas... Nunca usei, nem nunca vou usar! – protestou furiosa.

▬ Bom ouvir isso.

Mas ela precisava se alimentar melhor, concluiu Syaoran, ao estudar os ombros esguios e estreitos da modelo e, em seguida, os pequenos seios. Ela não estava usando sutiã. Ele ficou tenso e com raiva dos pensamentos e desejos que passaram pela sua cabeça. Que espécie de homem era ele? Um adolescente que não sabia controlar seus hormônios? Desde quando o corpo feminino representava tanto mistério para ele?

▬ Você veio aqui só para me insultar?

▬ Não, tudo que faço tem uma razão concreta. Você está enfrentando um processo criminal.

Chocada com aquela afirmação verdadeira, porém abrupta, Sakura ficou alguns segundos sem ter o que dizer.

▬ Você não sabe de nada... Como?

▬ Crimes que envolvem dinheiro, fraude, e uma mulher bonita e suspeita sempre acabam em punições severas. – murmurou Syaoran, brandamente. – Roubar dinheiro de caridade, então, é pior ainda. Foi uma péssima idéia. Sobretudo roubar dinheiro de crianças carentes.

Ela ficou ainda mais pálida e gélida.

▬ Não quero falar sobre isso.

▬ Estava devendo dinheiro? Alguém estava atrás de você para cobrar alguma dívida? Você roubou uma boa quantia, mas não estou vendo evidências de que tenha sido gasta. Pelo menos, não ainda.

Syaoran não tinha dúvidas de que ela era culpada, pensou Sakura, e a dor se externou na face cansada. Bastou ouvir os rumores e ele a taxou de ladra e de mau caráter, sem pensar duas vezes.

▬ E o que você tem a ver com isso? Por que se preocupa? – ela o inquiriu, virando-se destemidamente em sua direção.

Ele a encarou com um olhar frio.

▬ Não me preocupo. Mas posso ajudá-la a não ir para a cadeia...

Sakura se contraiu e arregalou os olhos, ao mesmo tempo em que um fio de esperança a arrepiou dos pés à cabeça.

▬ E como você pode fazer isso?

▬ Devolvendo à instituição de caridade o dinheiro que você pegou, além de fazer uma generosa doação para garantir que o perdão será concedido.

▬ Não é assim tão simples.

▬ Não seja boba. Nunca falo sobre algo que não possa fazer. – a boca carnuda e sensual de Syaoran enrugou-se. – Uma aproximação bem discreta já foi tentada com o diretor da fundação e a reação dele à sugestão foi mais do que positiva.

Sakura contraiu com força os dedos das mãos.

▬ Mas por que você iria repor o dinheiro que sumiu?

▬ Obviamente, porque quero algo em troca. – Syaoran revelou, com malícia.

O coração de Sakura disparou. Ela encontrou pura luxúria nos olhos chocolates de Syaoran. De fato, respirar normalmente havia se tornado um desafio dos mais difíceis para ela. Ele a comia com os olhos e seu rosto bronzeado e sensual gerou uma carga elétrica por todo o corpo de Sakura. Era uma sensação que oscilava entre o prazer e a angústia, seguida de um calor que a deixou trêmula.

Ele deu um sorriso sexy e irresistível.

▬ E tenho certeza de que você vai gostar da troca, cara mia.

Sakura não conseguia se concentrar de jeito nenhum.

▬ Não estou entendendo o que você quer dizer com isso.

▬ Ah, não? Estou fazendo uma proposta bastante simples. Quero você na minha cama.

Sakura sentiu como se tivesse levado um murro e perdido os sentidos.

▬ Não acredito no que estou ouvindo.

▬ A condição é que você se empenhe de corpo e alma no papel de minha amante.

▬ Isso não faz o menor sentido.

Os olhos chocolates de Syaoran eram frios como a neve.

▬ Faz todo sentido. Ver você satisfazer todas as minhas vontades e fantasias será consideravelmente agradável. Não sou um cara que se satisfaz com facilidade. Você vai ter que se esforçar.

Sakura estava branca como um fantasma.

▬ Você não pode me desprezar e me desejar ao mesmo tempo! – disse ela, confusa e aturdida.

▬ Por que não?

▬ Porque é imoral.

▬ Imoral? – perguntou com sarcasmo. – Nunca disse que tinha moral.

▬ Não estou acreditando na sua cara-de-pau. Não posso crer que você tenha vindo até aqui me propor isso. – ela estava mortificada e furiosa. – Você pode não ter princípios, mas eu tenho.

▬ Eu pelo menos não roubo criancinhas. – ele respondeu inalterado.

▬ Você só está interessado em tirar vantagem da minha desgraça sem nem saber se sou inocente. Isso é monstruoso!

▬ Fiz uma fortuna com oportunismo, minha flor.

▬ Pois dessa vez você se deu mal, porque prefiro apodrecer na prisão a ser sua amante!

O olhar dele encontrou o dela.

▬ Não tenho tanta certeza disso.

A força daquele olhar a dominou como uma teia invisível, intimidadora e paralisante. No entanto, ela não deixou de sentir raiva. Conseguiu reunir forças e quebrou o feitiço, respondendo rispidamente:

▬ Pois eu tenho certeza.

Sakura passou por ele, com a intenção de mostrar-lhe o caminho da rua, quando Syaoran passou a mão, suavemente, pelas costas dela, deixando-a imobilizada. Ele inclinou o rosto envolvente e imponente na direção da face de Sakura e seus lábios provocantes procuraram os dela. Isso era tudo o que ela temia e desejava, em segredo. Com delicadeza, ele deixou que a língua entrasse pelos lábios entreabertos dela e explorasse o seu interior. A expedição foi densa e prolongada. Ela gemeu bem baixinho e ouviu seu próprio murmúrio queixoso de quem havia se rendido e se resignado. Queria morrer de vergonha.

No entanto, continuava ali, com a boca aberta, sem qual quer controle da excitação que dominava seu corpo naquele instante. O conflito interno a fez tremer. Ela se sentia como se estivesse no olho de um furacão

Syaoran deu um passo para trás. Ele não havia se esmerado tanto assim para que ela cedesse tão rápido.

▬ Não vai atender ao telefone?

Só depois que se viu separada dele, ela recobrou os sentidos e ouviu o telefone tocando. Saiu apressada mente para atender. Reuniu forças para voltar ao estado normal, mas foi inútil. O poder que ele exercia sobre ela era forte demais. Do outro lado da linha, estava o advogado dela. Sakura ficou lívida quando ele contou a ela que a polícia queria interrogá-la nova mente naquele mesmo dia, e não quatro dias depois, como havia sido combinado.

Não precisa ir se não quiser. Mas é claro que, quanto mais cooperar com a polícia, melhor será para você. Além disso, eles devem ter descoberto alguma novidade para estarem chamando antes do previsto.– informou o advogado.

Sakura respirou fundo.

Tudo bem, eu vou.

Os lábios estavam dormentes e as pernas, bambas. Talvez uma visita extra à polícia fosse um castigo por ter agido mais uma vez como uma tola com Syaoran Li, ela imaginou. Como tinha aceitado um beijo do homem que mais odiava no mundo? Por que se humilhar e manchar seu orgulho por um estúpido beijo? Será que a tensão e o estresse tinham de queimar do todos os seus neurônios? Por que o destino havia trazido Syaoran Li para a sua casa num dos piores momentos de sua vida, quando estava mais frágil?

Com passos acelerados, ela alcançou a porta da saída e a escancarou.

▬ Acabo de receber um agradável convite para comparecer à delegacia. Você vai ter que ir embora.

▬ Chamei um vidraceiro para consertar a janela. – informou Syaoran.

Sakura trincou os dentes.

▬ E por que fez isso?

▬ O que importa é que fiz e que ele deve estar chegando a qualquer momento – respondeu Syaoran, indiferente ao tom irritadiço de Sakura. Retirou um cartão do bolso da calça e entregou a ela. – Meu número... Para quando você cair na real e aceitar o inevitável.

▬ Você não é, nem nunca foi, um acontecimento inevitável na minha vida.

Syaoran a olhou de cima a baixo dos seus quase dois metros de altura e, ao encontrar o olhar dela, Sakura sentiu como se os olhos chocolates dele soltassem verdadeiras faíscas de fogo na sua direção.

▬ Em geral, conversas entre homens e mulheres são carregadas de duplo sentido e também fazem pouco sentido. O beijo disse tudo que eu queria saber.

Ela estremeceu na mesma hora, pela lembrança humilhante daquele incidente. Seu corpo, indiferente a ele, havia respondido positivamente de maneira inevitável. Era impressionante como tudo para ele se resumia à atração física. Lembrou-se que costumavam conversar por telefone e se perguntou se o suposto interesse que ele demonstrava escondia um profundo tédio pelas demoradas conversas, em que ela era a interlocutora principal. Sempre fora uma tagarela irremediável.

Enquanto mergulhava no passado, Syaoran se despediu com um breve aceno com a cabeça e saiu da casa, indo direto para a limusine que o esperava. O largo e opulento automóvel saiu rápida e suavemente, assim que Syaoran fechou a porta, desaparecendo do campo de visão de Sakura num passe de mágica, como se o carro e seu dono nunca tivessem estado ali. Cinco minutos depois, chegou o vidraceiro para repor o vidro quebrado. Todo sorridente, o homem revelou que, pelo valor que lhe haviam pagado para realizar aquele serviço, estava mais do que contente por ter deixado os outros pedidos de lado e ido direto a casa dela.

•••

À tarde, enquanto caminhava rumo à delegacia, Sakura teve uma necessidade incontrolável de remoer as lembranças daquela manhã, desde o momento em que Syaoran tocou a campainha da casa até a hora em que partiu. Como num sonho absurdo, ele havia oferecido repor o dinheiro desaparecido à instituição de caridade, em troca dos favores sexuais de Sakura. Se pelo menos ele soubesse da total falta de experiência que ela tinha sobre aquele assunto, nunca teria proposto uma loucura daquelas, pensou. No entanto, há pouco mais de dezoito meses, Sakura tinha ficado tão apaixonada por Syaoran que por muito pouco não aceitou ser o que ele quisesse ou pedisse a ela.

Não tinha orgulho desse momento de debilidade. Porém, responsabilizou sua fraqueza pelo fato de que conhecia Syaoran desde seus quatorze anos, quando o viu pela primeira vez numa revista. Na época, ele tinha vinte e dois anos. Convencida de que ele era o homem mais lindo e charmoso do mundo, cortou a foto da revista e a guardou. Não a esqueceu em uma de suas gavetas. Pelo contrário, passou boa parte da adolescência devorando aquela foto com os olhos e beijando-a até que a imagem, desbotada pela baba e os dedos que a tocavam, por horas de flertes platônicos, ficasse quase irreconhecível.

Muitas vezes, pensava que teria sido melhor nunca tê-lo conhecido, pois assim poderia manter o eterno sonho da adolescência, em vez de descobrir a dura realidade de que o príncipe encantado era, na verdade, um homem frio e calculista.

Seis anos se passaram depois que ela o viu na foto para que tivessem tido a oportunidade de se conhecer. Durante esses anos, Sakura foi ganhando visibilidade com a carreira de modelo, o que a permitiu circular no mundo exclusivista e elitizado de Syaoran. Certa vez, ela o viu numa das discotecas que freqüentava e sentiu um arrepio por todo o corpo. Ele estava sentado confortavelmente num sofá, como se fosse um membro da realeza, mas seu olhar era de tédio, apesar de haver muitas mulheres o rodeando e disputando sua atenção.

Uma experiência assustadora quando Sakura tinha apenas treze anos a fez ficar bastante cautelosa em relação aos homens. Depois do ocorrido, ficou traumatizada e tinha dificuldade de paquerar ou demonstrar interesse por qualquer homem. Poucos sabiam que era virgem, um segredo que preferia manter para si, pois freqüentava um círculo social em que o sexo casual era muito comum e, às vezes, uma norma. Não queria ser julgada ou ironizada.

Muitos homens a haviam perseguido para levá-la para a cama, visando adicionar mais uma modelo ao caderninho de conquistas. Acabou ganhando fama de frígida por rejeitar todos os pretendentes, o que a magoou e a deixou muito constrangida. Resolveu que era mais fácil simplesmente não namorar ninguém. No entanto, não havia passado pela cabeça de Sakura que aquela atitude a tornava uma mulher ainda mais desejável. Uma espécie de desafio para os garanhões, convictos de que nenhuma mulher poderia resistir a eles.

No dia em que entrou na passarela de um desfile em Paris e deu de cara com Syaoran Li, sentado na primeira fileira, ficou desarmada. Havia sido pega de surpresa. A adolescente que havia venerado a fotografia dele a desbancou, reaparecendo como se nunca tivesse ido embora. Nervosa, no meio da passarela, nem ousou olhar para os lados, com medo de encontrar o olhar de Syaoran. E quando soube que ele havia pedido para que fossem apresentados, Sakura ficou tão ansiosa e apreensiva que nem o olhou direito. Ele pediu seu número de telefone e ela disse que o celular havia sido roubado. Um minuto depois, teve que se retirar, pois iria participar de um desfile particular.

Mais tarde, ao chegar ao hotel, ela recebeu na recepção uma encomenda. Era um celular novinho em folha que ele havia enviado para ela. O telefone tocou alguns minutos depois que ela pôs os pés na suíte em que estava hospedada. A voz dele era pura sensualidade e perdição.

Queria vê-la naquela mesma noite, mas Sakura tinha um vôo de volta para Londres na manhã seguinte, muito cedo.

▬ Estou indo para a Austrália, na semana que vem. Invente uma doença e fique em Paris mais um dia. – Syaoran pediu.

▬ Não posso.

▬ Pode sim, se você quiser me ver.

▬ E, se você quiser me ver, pode esperar.

▬ Você é sempre difícil desse jeito?

Aquela fora à primeira - porém não a última - experiência de ter que lidar com um homem extremamente rico e poderoso, acostumado com que tudo acontecesse no momento e do jeito que ele queria. Algo que não fosse um sim imediato era considerado uma resposta negativa, quase uma ofensa. Mesmo assim, Syaoran mandou um jatinho particular buscar Sakura em Londres para trazê-la de volta a Paris no dia seguinte, quando jantaram juntos. O papo foi tão interessante e animado que os dois ficaram até de madrugada conversando, sendo os últimos clientes a saírem do restaurante.

Um lindo e impecável buquê de rosas brancas já esperava por Sakura quando ela retornou a Londres. Ele ligava para ela todos os dias. Sakura se sentia especial e querida. Cada etapa da relação mais parecia um conto de fadas, um verdadeiro romance que só se via igual nos filmes.

Mais de uma pessoa a alertou sobre Syaoran Li e sua fama de mulherengo, mas ela ignorou os conselhos. Estava encantada com os telefonemas, jantares à luz de velas e buquês de flores. Ela sonhava, em segredo, com o dia em que finalmente se entregaria pela primeira vez, por amor, e que depois vi veriam felizes para sempre. Em nenhum momento ela suspeitou que houvesse sido usada, num jogo sórdido orquestrado por um homem egoísta que achava que, por ser rico, estava acima do bem e do mal. A dor pelas lembranças infelizes, só fez piorar seu estado de ânimo, quando finalmente chegou à porta da delegacia.

Ao vê-la, o delegado deu um sorriso, surpreendentemente simpático.

▬ Por que não me fala um pouco sobre a casa que a sua mãe tem na França?

▬ França? – a perplexidade de Sakura era evidente. – Mas minha mãe não tem casa alguma na França.

▬ Tudo indica que ela tem, sim, uma casa na França, e das mais luxuosas. Cinco quartos, piscina e muito mais. Pelo menos, foi o que ela mesma disse a uma amiga, no ano passado. Uma propriedade dessas não custa nada barato, ainda mais no sul da França.

Sakura balançou a cabeça, recusando-se a acreditar no que ouvia.

▬ Essa suposta amiga não sabe o que está falando.

▬ Não tenho tanta certeza disso...

▬ Isso é mentira. Se minha mãe tivesse uma casa, eu seria a primeira, a saber. Deve ter sido um mal-entendido.

Sakura não tinha dúvidas disso. Afinal, se houvesse uma casa, ela já teria sido vendida para pagar as dívidas que os pais haviam contraído. Além disso, Nadeshiko nunca iria cometer o grave erro de gastar um dinheiro que não pertencesse a ela.

▬ Ainda não conseguimos descobrir a localização da casa, mas estamos próximos. Acho que vamos ter mais respostas quando sua mãe resolver cooperar conosco.

Sakura ficou em pânico ao ver que o rumo das investigações estava mudando e que a mãe agora estava no centro das atenções.

▬ Mas já disse que minha mãe não tem nada a ver com isso.

▬ Acredito que sua mãe tem tudo a ver com isso. Você não me sabe dizer onde foi parar o dinheiro. Além disso, existe a evidência de uma série de cheques que foram retirados da conta da instituição de caridade que foram assinados tanto por você quanto por sua mãe, sendo que um deles serviu para comprar uma caminhonete de quarenta mil libras. O vendedor lembra bem do rosto da compradora. Onde está esse carro, senhorita Kinomoto?

Sakura ficou muda, em estado de choque. Nadeshiko tinha mudado de carro, antes de desaparecer? E trocado por um muito melhor e mais caro? Estava desconcertada com a revelação, mas não hesitou em continuar defendendo a mãe, pois a última coisa que queria era vê-la na cadeia.

▬ Não sei...

▬ Todos os cheques depositados até agora foram usados para fazer compras no nome de Nadeshiko Amamiya ou para pagar dívidas, também no nome dela. Quando você assinou aqueles cheques? – ele perguntou, sem esperar pela resposta. – Deve ter sido difícil ter que administrar todos os gastos do evento, sozinha, uma vez que você e sua mãe viviam tão longe uma da outra. Aposto que a parte financeira ficou a cargo dela. Por acaso assinou cheques em branco para facilitar a vida da sua mãe?

▬ Não, foi ela quem fez isso para mim. – Sakura insistiu, angustiada.

O velho delegado suspirou.

▬ Se continuar insistindo em não cooperar conosco, tanto você quanto sua mãe vão acabar dividindo a mesma cela por fraude e estelionato. Tudo indica que sua mãe está metida nisso até o pescoço. E o desaparecimento dela dá a entender que ela foi à mentora desse crime.

▬ Não, não. Ela não tem nada a ver com isso.

▬ Ficar negando não prova nada e não vai convencer juiz algum. Pelo contrário, será um atestado de culpa. – respondeu, impacientemente. – Pare de fazer a polícia perder tempo, senhorita Kinomoto. Em breve, sua mãe será encontrada e processada. Não há nada que você possa fazer para mudar isso. Sugiro que volte para casa e reflita sobre o que está fazendo.

Estava a ponto de chorar quando saiu da delegacia. As lágrimas que ameaçavam cair carregavam medo e decepção. Como podia ser tão incompetente? Havia fracassado em convencer a polícia de que ela era a culpada por tudo e agora sua mãe seria perseguida e presa por causa dela. Tinha certeza de que a mãe e o padrasto nunca estariam escondidos numa mansão com piscina no sul da França.

Não tinha dúvidas de que haviam fugido porque estavam assustados. Sakura tinha, sim, ficado desapontada e com raiva pelo que a mãe havia feito, mas compreendia, de alguma forma, pois acreditava que a mãe estivesse tão desesperada que não havia pensado nas conseqüências dos seus atos.

Foi na primavera que Sakura, com relutância, aceitou emprestar o seu nome para o desfile beneficente que Nadeshiko havia feito tanta questão de organizar. Entrou em contato com várias modelos, colegas suas. Foi nessa mesma época que Masaki a procurou para pedir dinheiro.

Sakura ficou chocada, pois o padrasto sabia muito bem que o fracasso da discoteca a havia deixado sem um tostão.

▬ Mas você sabe que não restou nada.

▬ Qual é? Não nasci ontem. – a ironia ofuscava o rosto esticado por plástica que aparentava uma falsa jovialidade. – Com certeza, você tem uma conta secreta. Umas economias guardadas, um pé-de-meia. Pode contar, não vou denunciar você para a Receita Federal.

Sakura apenas levantou as sobrancelhas.

▬ Quem me dera...

▬ É mentira sua... Você precisa me ajudar. Fizeram-me uma proposta incrível, mas vou precisar de capital.

▬ Infelizmente, não posso ajudar você.

Um ressentimento enfurecido brilhou nos olhos escuros do padrasto.

▬ Nem se for para o bem da sua mãe?

Sakura estremeceu.

▬ Não posso dar algo que não tenho.

▬ Então, não acha que já está na hora de parar de brincar de jardineira e voltar para as passarelas, que é o lugar de onde nunca devia ter saído? – falou num tom reprovador. – Em poucos meses, você poderia cobrir o prejuízo da discoteca!

O fato de que o padrasto ainda esperava que ela continuasse dando dinheiro a ele incomodou Sakura. Afinal, ele era bem grandinho para ganhar o próprio dinheiro. Porém em nenhum momento suspeitou que as intenções dele fossem realmente impróprias ou mal-intencionadas, até que o diretor da instituição de caridade a procurou para contar dos cheques que não haviam sido depositados e de outros que estavam sem fundo. Por telefone, a mãe não sabia explicar nada e Sakura tinha resolvido fazer uma visita para tentar entender o que estava acontecendo.

Quando chegou à casa da mãe, ficou surpresa ao descobrir que a casa que tinha dado a ela fora vendida e que Nadeshiko estava morando num hotel.

▬ O que está acontecendo? – perguntou Sakura, quando a mãe, abriu a porta do quarto onde estava hospedada. – Por que vendeu a casa?

A mãe a tratou com cinismo e aspereza.

▬ Como ousa me perguntar por quê? Por sua culpa, meu casamento está arruinado.

Sakura não entendia nada.

▬ Como? O que foi que fiz?

▬ Você tirou o emprego do meu marido. Agora, claro, estamos na pior e tive que vender a casa. Masaki me deixou por outra mulher! Tem idéia de como estou me sentindo?

Sakura sentiu tanta pena da mãe, que havia sido abandonada, que teve vontade de abraçá-la.

▬ Faça-me o favor, Sakura... – então baixou a guarda e deixou que a filha a confortasse.

▬ Sinto muito, de verdade. – disse Sakura, sofrendo pela mãe.

▬ É tarde demais para sentir muito, não acha? Se tivesse voltado a desfilar quando lhe pedimos, hoje eu ainda teria um marido e uma casa para morar.

Sakura se sentiu horrivelmente culpada por ter se colocado em primeiro lugar e recusado a abandonar o curso de paisagismo. Sentiu um aperto no coração, pois sabia que a mãe era louca pelo marido. Depois de tanto amor e devoção, Masaki havia magoado e humilhado Nadeshiko com aquela atitude. Sakura podia entender perfeitamente como a mãe se sentia, pois há dezoito meses ela também tinha sofrido o desgosto de uma rejeição por parte de Syaoran. Por sorte, para ela, a paixão havia se transformado numa raiva estimulante.

▬ O que vou fazer da minha vida? – perguntou Nadeshiko, de repente, aos prantos. – Estou com tanto medo...

Por um instante, Sakura ficou paralisada com a rara cena de ver a mãe chorando, mas logo se recuperou para consolá-la.

▬ Tudo vai ficar bem. O que quer que aconteça, estarei aqui e vamos superar isso tudo. Juntas.

▬ Mas estou com tantos problemas. – disse a mãe. – Você não tem idéia.

Voltando ao presente, Sakura foi andando, tomada pela angústia e pela preocupação. A chuva fina e constante ajudou a dissimular as lágrimas que escorriam por sua face. Sentia-se um lixo. Não teria como ajudar Nadeshiko, uma vez que a polícia recusava-se a acreditar na sua versão da história.

Por que sempre tinha que acabar decepcionando a mãe? E quantas vezes já tinha feito Nadeshiko perder o homem que amava? Será que a tinham amaldiçoado ao nascer? Primeiro o pai, que nunca teria ido velejar se não fosse pelo pedido da filha tão amada. Não restava dúvida de que tinha sido um acidente terrível que ninguém poderia ter previsto, mas isso não alterava a ordem dos fatores.

Depois foi Clow, com quem Nadeshiko namorava quando Sakura era adolescente. Sentiu calafrios ao relembrar como aquele namoro terminou e como foi duramente recriminada. Gostasse ou não, também havia sido o motivo do fim daquela relação e, mais uma vez, a mãe terminou com o coração partido e solitário. Quando Masaki Amamiya apareceu na vida de Nadeshiko, Sakura se sentiu aliviada e feliz pela mãe. Apesar de nunca ter tido afeição pelo padrasto, fingia apreço a ele, por respeito à mãe. Se Nadeshiko não fosse tão cega pelo marido, nunca teria roubado o dinheiro, pensou.

Quando a mãe lhe confessou o roubo, com lágrimas nos olhos, a filha piedosa prometeu protegê-la. Nadeshiko estava apavorada e agradeceu mais de uma vez pelo apoio. Sakura recordou a rara demonstração de afeto que a mãe lhe dera naquele dia. Nadeshiko nunca suportaria a humilhação de um processo criminal, muito menos a vida desumana numa prisão. A tentativa de assumir a culpa do roubo para salvar a mãe não seria suficiente. A polícia estava determinada a encontrar Nadeshiko e só restava uma saída.

Encharcada e morrendo de frio, entrou em casa, fechou a porta desgastada pelo tempo e apanhou o cartão de visita de Syaoran. Se ele fosse realmente repor o dinheiro, as acusações seriam retiradas e a mãe deixaria de ser uma fugitiva e estaria a salvo. E não era isso o que realmente importava? Em vez de ligar, optou por mandar uma mensagem de texto pelo celular, pois, do contrário, não teria coragem de falar o que escreveu.

"Se ainda me quiser, serei sua."

(...)

CONTINUA

(...)


N/A: NÃO! EU NÃO ABANDONEI! NA REALIDADE, É TUDO CULPA DA MARIANA! Eu mandei o capítulo pra ela poder revisá-lo e o que acontece? Não vai. Eu sei o que vocês estão pensando: porque não mandou de novo, sua incompetente? A resposta é trágica e muito simples: eu apaguei o capítulo. O computador não era meu, aí eu mandei (ou pensei que mandei) e apaguei. Não sobrou absolutamente nada, apenas vontade de me jogar do precipício. Ok, eu sei... A culpa é minha! Por isso, desculpem o atraso. Pra compensar a espera de vocês, já estou adaptando o capítulo três e pretendo mandar o mais rápido possível pra ela. Assim (eu espero que) não demorara tanto pra sair o próximo capítulo. Porém, caso não sair como o previsto e vocês não verem notícias minhas, podem me cobrar (ou ameaçar de morte) via twitter ou tumblr (bitesears).

Muitíssimo obrigada pelo os reviews (Thay Li, Sakura-chan Li, Naty Li, Marllitah-chan, Yammy e Ana), vocês são uns amores. Não deixem de comentar, por favor. Lembram-se: o comentário de vocês é sempre muito bem vindo, seja ele positivo ou negativo.

Até a próxima loves,