Olá, meninas! Em primeiro de tudo, gostaria muito de agradecer às reviews... Lauly, Nah Potter e Gabriela Black, obrigada! Vocês são demais! (respondi melhor pelo inbox...)

Em segundo lugar, queria dizer que criei um blog pra postar as fotos da Lily: . / yay! Ele ainda está meio podre, né, porque sou péssima pra formatação etc etc, mas irei melhorá-lo aos poucos!

Um último (por enquanto) muito obrigada e aí está o segundo capítulo. Espero que gostem! :33

CAPÍTULO 2 – AQUELE COM A NOITE NA BOATE

Narração: Lily Evans

O despertador, em cima do meu criado-mudo, marcava exatamente 21h40. Petúnia disse que sairíamos de casa às 23h e ainda não havia começado a se arrumar. Uma ação no mínimo suspeita.

Sem me importar, continuei lendo o 9gag, meu blog favorito. É tão engraçado!

Gargalhei enquanto via as postagens. Até que acabaram, e então abri meu facebook. A primeira atualização era uma que me deixou extremamente nervosa! Argh! Petúnia é a pior! Como ela pode fazer isso comigo?!

Petúnia Evans James Potter

Jay, tudo certo! Lily me disse que vai! Morreu de ciúmes quando soube que você talvez saísse sozinho... O amor é lindo! às 21h31

James Potter, Sirius Black e Marlene McKinnon curtiram isso.

James Potter: Ah, ok, valeu, Evans! (: às 21h32

Petúnia Evans: Pode me chamar de cunhadinha ^^ às 21h33

Rita Skeeter: Vcs não enjoam de falar em Lily Evans? Pqp, move on! às 21h33

Mary MacDonald, Emmeline Vance, Dorcas Meadowes e outras 43 pessoas curtiram isso.

Sirius Black: É o que eu digo… Nós dois sempre concordando com as coisas, hein, Rita! às 21h34

Marlene McKinnon: ELA VAI SAIR E NÃO ME DISSE?! às 21h34

Alice Prewett: Então é verdade essa história de namoro? LILY, SUA SAFADENTA! às 21h35

James Potter: Claro que sim! Você chegou a duvidar que um dia ela resistiria ao meu charme? (H) às 21h35

Sirius Black, Remus Lupin, Alice Prewett e outras 3 pessoas curtiram isso.

Mary MacDonald: Não, Jim, quem resiste? :( :( snif snif às 21h35

James Potter: ... às 21h36

Petúnia Evans: Mary! Sua atrevida! James Potter é o namorado da minha irmã, pare de se atirar em cima dele u.u às 21h37

Amos Diggory: Nossa, parabéns ao casal ¬¬ _l_ às 21h38

Gilderoy Lockhart, Mary MacDonald, Chloe Chang e outras 72 pessoas curtiram isso.

James Potter: vlw, Amos. ((: às 21h39

Lily Evans: MAS QUE TÓPICO É ESSE?! QUE CONVERSA IDIOTA É ESSA!? AGORA É QUE EU NÃO VOU NESSA PORRA às 21h41

Lily Evans: E EU NÃO SOU SUA NAMORADA, POTTER! SEU IDIOTA! às 21h41

Amos Diggory, Mary MacDonald, Chloe Chang e outras 84 pessoas curtiram isso.

Aquele pareceu o fim da nossa conversa. Petúnia me paga. Potter também!

Petúnia Evans Lily Evans

Como assim você "agora é que eu não vou nessa porra"? É claro que vai u.u às 21h43

James Potter curtiu isso.

Lily Evans: Não vou discutir isso com você aqui. Venha aqui no meu quarto se quiser conversar D: às 21h44

John Evans: Lily, Petúnia! Olhem o linguajar... às 21h44

James Potter curtiu isso.

Estava para desligar o computador quando outra notificação surgiu. James Potter havia publicado no meu mural.

James Potter Lily Evans

Amor, você é realmente engraçada quando diz que não sou seu namorado em público ou em redes sociais, quando diz que eu te persigo e quando grita comigo. Mas a graça acabou, não acha? D: às 21h45

Sirius Black curtiu isso.

Desliguei o computador de vez, irritada, como sempre. O Potter só faz me irritar! Ele é o ser mais irritante do universo! Como as pessoas não querem que eu me sinta irritada?

- Lily, pro banho! – disse Petúnia ao escancarar a porta do meu quarto. – E não trate o Jay daquela forma. Ele pode não ser seu namorado ainda, mas com certeza será.

- Hahaha – ri ironicamente. – Sabe quando isto vai acontecer, Petúnia? NUNCA!

- O que "NUNCA!" irá acontecer? – perguntou, ao entrar de supetão no quarto, mamãe. Ela sorriu.

- Adivinhe, mãe – falou Petúnia, como se fosse algo óbvio. – Lily disse que nunca sairá com...

- James Potter – completou minha mãe com um sorriso. Isso era um complô?!

Mamãe, como sempre, rindo, se aproximou e deu um beijinho na minha testa e outro na de Petúnia.

- Sabe, Lily – ela comentou enquanto sentava na minha cama – notei que este é um nome que tem sido mencionado com muita frequência nesta casa.

Ergui a sobrancelha. Petúnia esboçou um sorriso de vitória.

- Ela é muito burra, na moral, mãe. Qualquer uma já teria agarrado o James.

- Eu não sou "qualquer uma" – disse autoritária.

- Tem razão. Você é uma anta nordestina!

- Se você me insultar mais uma vez, Petúnia, eu não saio mais! Quem vai sair perdendo é você. AHAHA! – Ri, enquanto notava o trocadilho que eu havia feito inconscientemente. Eu sou maravilhosa mesmo, um gênio! – Perdendo "os mais gatos" e você sabe o quê!

- Meninas, meninas! – mamãe chamou nossa atenção. – Não discutam. Eu e seu pai vamos sair para jantar mais tarde e...

- Jantar? Depois das 22h? Eu acho que é comer a sobremesa, não? Que não seria você, mãe? Rssss – comentei. Bom humor é assim: você faz piada até da vida sexual dos seus pais. Aquela velha história de perder o amigo e não perder a piada...

- ECAAAAA! VOU ALI VOMITAR E JÁ VOLTO - disse Petúnia com um grande "blargh" saindo de sua boca.

- Hahaha, realmente muito engraçado, Lily – mamãe me repreendeu enquanto fazia cara de brava. – O que eu quis dizer foi que podemos dar carona para vocês. Para onde é que vão mesmo?

- Picad...

- Para uma festinha na casa de Sirius Black – Petúnia me interrompeu, me lançando um olhar de censura bem claro: não diga a verdade. Engoli em seco. – Mas não se preocupe. Ele mora em Hampstead, e um amigo nosso vai nos dar carona.

- Ah, sim – mamãe assentiu, mordendo a isca. – Que amigo?

- O nome dele é metrô – eu disse, debochando de Petúnia. Mas a cara dela foi tão feia que eu disse em seguida: - Brincs.

- O namorado de Alice, Remus Lupin.

- Certo! Aquele rapaz é adorável. Bom, de qualquer forma, eu vou deixar vocês se arrumarem.

- Obrigada, mamãe! – exclamou Petúnia, feliz. Assim que mamãe deixou o quarto e encostou a porta, Petúnia se aproximou de mim e encostou seu dedo em meu nariz, num gesto ameaçador: - Uma gracinha sequer e eu acabo com a sua farra, Lily Evans! Não me desminta. Continue com a história que eu disser.

Narração: James Potter

- Porra, Sirius! Já te disse que tem que colocar o cinto de segurança! Eu não vou dar partida enquanto você não colocar essa bosta! – reclamei. Cacete, já era a vigésima vez que eu pedia para Sirius afivelar o cinto.

Sirius, que estava no banco do carona do meu carro – um jaguar XE preto, cheio de estilo, como o dono (que havia sido meu presente de 17 anos) -, bufou e me deu dedo.

- Você é um veadinho.

- Me desculpa por prezar pela sua vida, seu animal – falei, começando a me aborrecer.

- Se eu realmente estivesse preocupado com a minha vida, eu nem estaria dentro do carro com um barbeiro como você – replicou ele, cruzando os braços, enquanto finalmente afivelava o cinto.

- Hahaha, como você é engraçado. Sai do meu carro e vai de moto, então! Ah, é, eu me esqueci! – zoei da cara dele. – Está proibido de tocar na moto por causa da multa que você levou no mês passado.

Dei risada. Surpreendentemente, Sirius riu comigo.

- Bom – ele sorriu – a culpa é minha. Mas você estava comigo!

- Sim, mas não fui eu que acelerei tanto – me defendi.

- Não! Você só botou pilha para acelerarmos! E aí quem fica sem poder dirigir o próprio bebê? Eu! Enquanto você fica aí, bancando o motorista da rodada.

Achei melhor ignorá-lo. Ajeitei os retrovisores e o banco, coloquei o próprio cinto e ENFIM dei partida no carro.

- Agora nós vamos passar na casa de Lily Evans, meu caro Almofadinhas – falei para Sirius, sorridente. Não conseguia conter a minha alegria.

- E daí? Ela provavelmente prefere pegar um táxi a entrar num carro com você – debochou ele. – Na melhor das hipóteses, ela só vai gritar ao ponto de quebrar as janelas do seu possante aqui e vai bater a porta tão forte que você não vai mais querer dar carona!

Ri ao imaginar aquela cena. Imagine só! Uma florzinha como a Lily não bateria a porta do meu carro forte. Não é? NÃO É?!

- O quê? Ficou com medo, Pontitas? – o debochado do Sirius riu da minha cara de preocupação. Engoli em seco. – Hahaha!

- Manda uma mensagem aí pra Petúnia dizendo que é para ela deixar a Lily entrar primeiro – pedi.

Sirius me encarou sério.

- Cara, você está falando na moral? – estranhou ele. – Eu não! Quem quer dar carona para as Evans é você.

- McKinnon estará com elas.

- Nesse caso, eu posso oferecer o meu colo para ela sentar com todo o prazer do mundo.

- Seu cachorro safado! – eu o elogiei, enquanto ele olhava sua aparência em um dos espelhos do carro. – Bate aqui.

Ele bateu.

- Relaxa, Pontas – ele suspirou. – Hoje nós vamos zoar e beber! E locar uma van! E levar a mulherada lá pra sua casa! Que é pra gente beber, e depois pa...

Não pude deixar de rir da dança de Sirius enquanto ele cantava a música.

- Lily não sabe que sou eu que vou dar carona – o interrompi. – Ela acha que é Remus.

- Nossa! – exclamou ele, surpreso. – Então você tá fodido mesmo. Sinto muito.

Depois da declaração, Sirius meteu a mão no som do carro e colocou Metallica para tocar. Detalhe que eu nem curto Metallica tanto assim, mas como ele é uma criança e acha que o carro é dele, só tem os cds que ele gosta.

Estou brincando. Sirius é meu irmão. No meu carro toca a porra que ele quiser!

Não demorou muito e nós chegamos à casa das Evans, em Notting Hill. Era muito bonita por fora. O estilo vitoriano e alguns detalhes pessoais que a Senhora Evans adicionara conferiam à varanda um ar agradável e, principalmente, elegante. Havia flores e um belo jardim ao redor da casa também. Via-se que o terreno era grande.

A casa também tinha um segundo andar encantador. Dava para ver apenas a varanda de um dos quartos (provavelmente o dos pais), e, na lateral, uma outra varanda (provavelmente do quarto de Petúnia, já que eu sabia que o de Lily era voltado para a parte traseira da casa).

- Vai ficar aí pensando na decoração da casa, Pontas? – Sirius me tirou dos meus devaneios enquanto eu começava a pensar sobre a caixa de correio. – Alô! Dá uma buzinada aí e vamos embora! Estou louco para chegar lá logo!

Fiz o que Sirius disse e buzinei uma vez. Não precisei esperar muito e vi as três garotas saindo da porta da sala.

Apesar de estar escuro e eu estar sem óculos – sendo os postes da rua as únicas fontes de luz – eu podia vê-las bem.

Petúnia vestia um vestido extremamente curto e um salto bastante alto. Estava bonita, pelo que eu podia ver. Mas não notei nenhum outro detalhe. Afinal, Petúnia estava sempre de salto mesmo. E de roupas curtas. Então o vestido curto não foi lá uma surpresa.

Marlene vestia um short jeans despojado e uma blusa preta, coberta por uma jaqueta jeans e um cachecol, arrumados de forma bastante estilosa. Carregava uma bolsa de alguma marca famosa que eu não conseguia ler.

E, por fim, atrás das três, vinha Lily. Definitivamente a mais bonita.

Ela estava totalmente diferente do que eu a conhecia, já que sempre trajava roupas no mínimo comportadas e não ligava muito para saltos. Só que hoje, especialmente, ela usava uma saia preta excepcionalmente curta – que felizmente deixava à mostra suas belas e grossas coxas torneadas. (Lily jogava tênis desde os 7 anos de idade. As coxas dela eram as mais bonitas que eu já havia visto). A saia ia até debaixo da bunda dela! Eu ainda não tive oportunidade de checar a parte de trás do corpo dela e, nossa, como eu queria!

Sua blusa vermelha era de cetim. Ela a colocara por baixo da saia, de modo que ficasse folgadinha e muito bonita. Nos ombros, uma jaqueta de couro completava seu look de arrasar e, nos pés, uma ankle boot preta dava o toque final. (Meu Deus! Como assim eu sei tanto sobre roupas femininas?! Enfim...)

Os anéis nos dedos e os brincos que iam até o ombro chamavam a atenção também. Sem contar no decote que aquela blusa dava para ela... Lily não tinha sido totalmente abençoada no ramo dos peitos, mas o que ela tinha era com certeza o suficiente para me enlouquecer!

E o cabelo caía suave pelas costas, em cachos bem volumosos e sedosos (pelo que eu podia ver aqui da frente).

- Uau – eu disse para ela quando desci do carro, para sua surpresa. – Você está linda, Lily.

Dizer que Lily estava surpresa em me ver era um baita de um eufemismo.

- Muito obrigada, Potter – ela agradeceu simplesmente. O quê?! Ela não gritou comigo?! Virando-se para Petúnia, perguntou: - Não era o Remus que ia nos buscar?

- Er... Não exatamente...

Lily a lançou um olhar severo.

- Vocês também estão lindas, meninas – elogiei Petúnia (minha mais forte aliada, até então) e Marlene, que me agradeceu com um sorriso.

- Você também não está nada mal, Jay – sorriu Petúnia. – Pena que você é todo da minha irmãzinha aqui. Agora vamos!

Pude ver Lily revirar os olhos. Sorri internamente. Ela pelo menos estava com paciência, e isso já era um grande avanço!

- Entrem – gesticulei para elas enquanto abria a porta. Petúnia, para frente do jeito que era, entrou primeiro e cumprimentou Sirius. Marlene a seguiu, um tanto sem jeito, e Lily entrou por último.

Fechei a porta para ser um perfeito cavalheiro (e para evitar que Lily batesse a porta com força, porque e se ela fosse daquelas pessoas que não tinha geladeira em casa?!).

Quando entrei no carro novamente, pedi para as meninas afivelarem o cinto.

- Porra. Você é chato demais – resmungou Sirius.

- Ele está certo – disse Marlene. – Vai que...

- Ai, Marlene, vira essa boca para lá! – exclamou Petúnia feliz da vida, enquanto se acomodava. – Não vai acontecer nada.

- Ainda não acredito que estou deixando James Potter dirigir comigo no carro – suspirou Lily, com um traço de humor na voz. – Isso significa que você não fará nenhuma gracinha, ouviu, Potter? Eu sei muito bem que você e os meninos adoram dar cavalos-de-pau e coisas do gênero!

Eu e Sirius rimos. Lily não sabia da metade do que nós fazíamos...

- Tudo bem, ruiva. Não vou correr. Sou um motorista prudente.

- E cof mentiroso cof – tossiu Sirius, tentando soar discreto, mas não conseguindo. – Ah, sinceramente, Evans menor, relaxa aí. Afinal, o que é a vida sem um pouco de aventura?

Narração: Lily Evans

Uau! Como é divertido ser gostosa! Sério! Se eu soubesse que era só colocar uma saia curta e sair arrasando com os homens por aí, eu seria outra Lily Evans. Hahaha, estou brincando. Não é para tanto.

- Tire os olhos! Ela está acompanhada! – repetia Potter pela milésima vez, enquanto me escoltava até o bar.

Já estávamos dentro da bendita boate. E, nossa, era incrível a quantidade de gatos que tem aqui! Na verdade, estava bem cheia, no geral. E era impressionante que eu achasse que já estava cheia, porque tinha acabado de entrar e ainda não havia visto nem um terço dela. As luzes apagadas, a música alta e o tanto de gente que eu vira até agora, no entanto, faziam com que o lugar aparentasse pequeno.

- Potter! Eu já disse que não precisa ficar atrás de mim – falei um pouco mais alto para que ele pudesse ouvir. – E eu não estou acompanhada. Não por você, de qualquer forma.

- É assim que se fala com o seu motorista? – sorriu ele, e eu o ignorei. Continuei andando.

Bom, aparentemente, eu teria que aguentar o Potter. Assim que Petúnia entrou na boate, avistou alguém conhecido e saiu de perto de nós, como um foguete. Sirius, animado do jeito que estava, puxou uma radiante e incrédula Marlene até a pista de dança. E essa é a história de como sobramos Potter e eu, sozinhos na boate. E é por isso que nos direcionávamos ao bar: para beber a coisa mais louca que tivesse. Porque só no mínimo alcoolizada eu ficaria perto dele.

Eu não via ninguém conhecido ao redor. Certamente não iria atrás da minha irmã. E muito menos iria empatar o momento entre Marlene e Sirius já que, embora ela negasse até a morte, eu sabia que rolava um sentimento.

Então não me restava mais nada a não ser beber com o Potter.

Que ótimo. Excelente saber que o meu sábado saiu como planejado.

- Vai querer beber alguma coisa, ruiva? – ele perguntou educado e sorridente. Argh! Por que Potter não para de sorrir?

- Uma tequila estará ótimo.

Potter arregalou os olhos.

- Uau! Não sabia que você era feroz assim, hein, Lily!

Abri um sorrisinho. Não brigue com o Potter, não brigue com o Potter, não brigue com o Potter...

- Eu sou uma mulher cheia de surpresas, Potter.

Ou eu sou uma ridícula por ter dito isso. O QUE EU HAVIA FEITO? EU ESTAVA FLERTANDO COM JAMES POTTER. ECA, ECA, ECA!

- Pude notar isso – esboçou um (outro!) sorriso maroto. - Você sempre me surpreende.

Achei melhor permanecer em silêncio. Eu não estava a fim de brigar, porque hoje ele já havia me irritado o suficiente. E eu, apesar de sempre ficar nervosa com as idiotices dele, detestava esse temperamento. No fundo, eu era uma pessoa calma, doce, gentil; só não era assim com o Potter porque ele era um grande imbecil. Mas eu não queria arrumar confusão nessa boate, onde eu dependia dele. E, além disso, qualquer alvoroço seria motivo para fofoca no Facebook.

Então o barman se aproximou e colocou na nossa frente duas tequilas.

- Preparada? – perguntou ele. Assenti. Em que universo paralelo eu estava? – Vamos!

Chupar o limão, ok. Colocar sal no punho, ok. Virar a tequila de vez e... passar mal? Ok.

A tequila desceu quente. E comecei a tossir desesperada, chamando a atenção de todos no bar para mim, a pobre ruiva gostosa que não sabia nem virar uma simples dose de tequila!

- Lily? – chamou James, visivelmente preocupado, embora estivesse rindo da minha cara. Só porque ele havia conseguido virar a dose dele direitinho e ainda fez um "Argh" prazeroso. – Você está bem?

- Para você é Evans, Potter. – Respondi seca, resolvendo ignorar sua pergunta. Primeiro porque ele não tinha direito de me chamar de Lily, e segundo porque era óbvio que não estava bem! Eu havia pagado um mico!

- Mas que gracinha – falou ele, o tom carregado de ironia. – Já usa o meu sobrenome. Que lisonjeiro. Acho que ninguém nunca fez isso. – Ria ele. - Acalme-se, Lily, um dia você...

- E lá vem você com isso! Eu não posso te tratar bem que você já distorce as coisas, não, Potter?! – o acusei colocando as mãos na cintura.

Acho que eu perdi algum detalhe, porque o barman apareceu aqui com mais duas doses de tequila. Bom, já que essa noite está ferrada mesmo, que mal há?

Antes que Potter pudesse beber a dele, eu virei as duas. Uma atrás da outra. Para provar que nenhuma tequila é páreo para Lily Evans. E dessa vez eu não tossi.

Potter parecia se divertir às minhas custas. Ele fez algum comentário inaudível, mas eu preferi ignorar.

- Eu estava brincando, Lily – ele se defendeu, levantando os braços, como quem se rendia. – Meu Deus. Você tem que relaxar um pouco... Eu posso te ajudar nisso!

Ergui a sobrancelha.

- Eu vou bem de mansinho, começo com a massagem! O clima vai esquentando, vamos fazer sacanagem... – ele cantava ridicularmente.

Dei risada. Potter pareceu satisfeito.

- Evans, Evans! Rindo das minhas habilidades vocais?

- Da falta delas, você quer dizer – ri. – Finalmente algo que James Potter não sabe fazer bem!

Ele arregalou os olhos. E instantaneamente me arrependi do comentário. Ops...

Por que as coisas estão rodando?

- Então quer dizer que você admite que eu sei fazer várias coisas bem, ruiva? – olhou para mim de forma presunçosa.

- Potter – chamei a atenção dele. – Você me entendeu errado...

Mas a peste havia me encurralado.

Eu estava com as costas apoiadas no imenso balcão do bar, e Potter me cercava. E chegada cada vez mais perto do meu rosto, o olhar penetrante me estudando. O sorriso maroto e confiante permanecia em seus lábios.

Enquanto isso, o meu olhar era de puro horror. James Potter era cheiroso. James Potter era bonito, por mais que eu detestasse admitir. E seu sorriso era bonito também.

- Beeeeeeerrrrrrrrrrrrrrghhhh – para a minha grande surpresa, eu havia soltado um grande arroto. Eu nunca arrotava na frente dos outros. E muito menos um arroto de ogro daqueles, que provavelmente fora um dos mais altos que já ouvira em toda a minha vida.

Potter ria. Ria, não. Gargalhava. Gargalhava alto.

Olhei no relógio do bar, um pouco confusa. 00:14, eu acho.

00:16. Potter ainda ria.

- Minha nossa, Evans – disse ele depois de um tempinho, enquanto eu o encarava com um misto de ódio, vergonha e raiva na expressão. – O que você comeu no jantar? Carniça?

- Estrogonofe de carne – respondi sem pensar.

Ele riu de novo.

- Que adorável. Bom, não pense que se livrou de mim só por causa dessa... obra prima. Eu ainda amo você.

- Aff Potter, cale a boca. Você é tão criança! – Opa. Cale a boca você, Lily!

- Poxa, Lily, você estragou totalmente o clima – se lamentou, a voz pesarosa. Mas ainda sorria. – Essa foi inédita! – ele riu de novo. – Quando eu iria imaginar que uma flor como Lily Evans fosse capaz de...

- Se você não parar com isso, eu vou começar a peidar também! – ameacei. Um tanto alto, aparentemente, já que os olhares mais próximos novamente se voltavam para o Potter e eu.

Potter colocou a mão na barriga para conter as risadas. Pena que só ele achava engraçado.

O empurrei. Trôpega, procurei me afastar e achar alguém conhecido, mas só via borrões e flashes de pessoas dançando, de luzes vivas, a música bastante alta...

Estava prestes a cair quando alguém me segurou.

Nossa. Que má sorte!

Escapar dos braços do Potter para a única pessoa no mundo que conseguia ser mais egocêntrica que ele.

Ele sorriu.

- Gilderoy Lockhart – se apresentou. – Zagueiro do time de futebol de Hogwarts High, membro titular. Eleito o sorriso mais charmoso da escola duas vezes.

Olhei para ele, que sustentava um olhar extremamente pomposo, e bati a mão na testa. Ai!

- Sou eu, seu imbecil. Lily Evans.

Deixe-me explicar. Seis meses atrás eu era uma ninguém na escola. Não uma ninguém completa, afinal, eu sempre fui muito bonita e gostosa, então sempre atraía olhares da ala masculina de Hogwarts High. Mas depois que James Potter me chamou para sair e foi recusado, e eu me tornei seu desejo mais cobiçado, todos pareciam saber quem eu era e, principalmente, todos começaram a me querer também. Até porque, o que não tinha de atraente em mim? Eu era, tipo, supergostosa!

Choque e reconhecimento cruzaram o olhar de Lockhart simultaneamente.

- Nada mal, hein, Evans – elogiou ele, no que eu bufei. – Acho que deveríamos dançar. Somos definitivamente as pessoas mais bonitas dessa boate, então devemos ficar juntos.

- HAHAHAHAHA – não me contive. Tive que rir da cara dele. – Sabe quando eu vou dançar ou ficar junto com você, Lockhart? Nunca!

- Ah, é, me esqueci – murmurou ele descontraído, um sorriso maléfico brotando nos lábios. – Nós já ficamos, não é, Evans?

Ops.

Era verdade. Gilderoy tirou meu BV, por assim dizer. Que culpa eu tinha?! Eu tinha 15 anos e não havia beijado ninguém, e de repente um dos garotos mais bonitos da escola começou a me cantar. E Gilderoy sabe como ser realmente charmoso, galanteador e encantador, quando não está perdendo seu tempo na sua metidez e arrogância.

- Tchau, Lockhart. Figurinha repetida não completa álbum.

Ele olhou para mim confuso, e pude ver que havia ferido seu ego. Problema todo dele.

- Aí está você – disse alguma voz conhecida. Quando me virei, vi um cabelo extremamente despenteado. Potter. – Com quem estava conversando?

- Não que seja da sua conta... Lockhart.

- Ah. Ele é um imbecil.

- Olha quem fala – ri da cara dele. – Hey, Potter, vamos achar Sirius e Marlene?

- É...

- LILY SUA DANADINHA JÁ TÁ AÍ COM O JAY, NÉ – ressurgiu, do meio daquele inferno, uma Petúnia animada. – ESSE AQUI É VALTER DURSLEY. ELE NÃO É LINDO?!

Espera. Muita informação para ser processada em... 7 segundos.

E, de repente, um barril sorriu simpático para mim.

Um barril?!

- ESSE É VALTER DURSLEY. VALTER DURSLEY, LILY – continuou ela. – E ELA É LILY EVANS, A MINHA IRMÃ. LILY MARIE EVANS. – Petúnia estava elétrica e tagarela, como alguém que havia ingerido muito açúcar.

- Boa noite - saudou Valter, embora achasse tudo aquilo um pouco estranho.

Bati a mão na testa de novo. Ai! Como assim eu não estou conseguindo controlar a minha força?

Do meu lado, Potter ria. Será que esse imbecil só sabe fazer isso?

- Olá, Valter Dursley – me apresentei para o Valter. Sabe que ele parecia ser legal?

- E ESTE AO LADO DELA É SEU NAMORADO, JAMES POTTER.

Valter acenou e abriu um sorriso forçado.

James o cumprimentou com a mão.

- POTTER NÃO É MEU NAMORADO.

- Não? – perguntou Valter, curioso. – Vocês parecem um casal.

- É PORQUE ELA É TÃO BURRA QUE NÃO VIU QUE GOSTA DELE RS RS RS – gritou Petúnia, sendo um tanto inconveniente.

Aquilo pareceu despertar a atenção do Potter.

- A GENTE SÓ OUVE FALAR DELE LÁ EM CASA. É POTTER ISSO, POTTER AQUILO. "POTTER É IMBECIL", "POTTER É IDIOTA", "POTTER É UM ARROGANTE, PREPOTENTE E IMBECIL..."...

- CALE A BOCA, PETÚNIA! – interrompi, enquanto Valter ria do jeito de Petúnia.

- MAS NÃO SE PREOCUPE, VALTER, QUE LÁ EM CASA A GENTE FALA DE VOCÊ TAMBÉM. SÓ QUE PELO NOME DE "MEU PRÍNCIPE ENCANTADO".

Potter continuava rindo.

Sussurrou no meu ouvido:

- Me diz o que Petúnia bebeu, para eu passar longe disso!

Ri com ele, enquanto um calafrio gostoso percorreu todo o meu corpo, fazendo meus pêlos eriçarem.

O frio, é claro.

- EU E VALTER VAMOS NO TERRAÇO. NÃO ME LIGUE, BJS. QUANDO FORMOS EMBORA ME MANDA SMS.

Petúnia simplesmente não conseguia parar de gritar. Que insuportável!

- Tá – dei de ombros enquanto ela puxava Valter e sumia pela multidão.

- Sirius e Marlene sumiram também – Potter disse. – Mandei mensagem, mas ele está com Rita Skeeter.

- Hã?! Mas ele estava dançando com a Lene! – exclamei, incrédula. – EU MATO SIRIUS BLACK! SE ELE ENCOSTOU NA MINHA MELHOR AMIGA E DEPOIS A LARGOU LÁ...

- Hmm, Lily? Foi o contrário.

- COMO ASSIM?! – eu não conseguia parar de gritar, assim como minha irmã. Seria um mal das irmãs Evans? Ou seria algo que nós duas tínhamos feito/consumido que nos atribuiu as mesmas características inconvenientes? O que poderia ter sido? Talvez aquele estrogonofe de carne fez mal mesmo...

- Sirius saiu para pegar bebidas e, quando voltou, ela estava atracada com alguém.

- NÃO!

- É...

- QUE REVOLTA, POTTER! – Até que eu tive um plano. Mas é claro! Assim eu me livraria do Potter. – Espera um pouco, Potter. Eu vou ali pegar as bebidas. Alguém te agarra e eu me livro de você de vez.

Potter riu por algum motivo que eu não sabia explicar.

- Lily? Você acabou de dizer seu "grande plano" – fez aspas com as mãos – em voz alta.

- Vamos beber, Potter. Quem bebe, os males espanta.

Surpreendentemente, o peguei pela mão e voltamos ao bar.

- Deus ajuda quem cedo bebe. E é cedo agora – completei para um Potter que me olhava duvidoso. – Tudo depende do referencial, Potter. Aprendi isso do relatório de física Petúnia que eu colei. Ops! É segredo. Vai guardar o meu segredo?

- Vou sim, Lily – riu ele. – Vou sim.

Narração: James Potter

O que você aposta que eu vou conseguir da Skeeter? (:

01:13, 15/10/11

Sirius havia acabado de me enviar aquela mensagem. Ri. Adorava as nossas apostas.

Tudo. Ela é fácil. Sua vez: o que você aposta que vou conseguir da Evans? (:

Uns bons pontapés quando ela acordar amanhã e te caçar por você tê-la embebedado.

01:15, 15/10/11

Era verdade. Amanhã, ela iria me matar. Muito embora ela tenha se embebedado sozinha.

- Pois é, Potter. Então Marlene fugiu com um gostosão.

- Yep – assenti, tomando mais um gole da minha vodca com redbull. Lily tomava a mesma coisa.

- Queria fugir com um gostosão também – murmurou ela, sonhadora. – Um moreno, alto e forte! Com uns olhos penetrantes, um sorriso encantador, que seja bem cheiroso e que tenha uma pegada inesquecível!

- Você acaba de me descrever – comentei sorridente. – Sou moreno, sou alto, sou forte! Tenho belos olhos castanho-esverdeados, sorrio como ninguém, sou extremamente cheiroso e minha pegada é a melhor. Pode perguntar para todas as...

- Tá bom, Potter, tá bom. Você é um belo de um convencido, isso sim. Mas eu vou te dar uma chance. Descreva alguém que você queira ficar.

- Ah – suspirei, sendo tomado por meus devaneios por um instante. – Bom, a garota dos meus sonhos é uma ruiva. Ela é simplesmente a garota mais linda que eu já vi. Não só por seu corpo cheio de curvas e estonteante, ou por causa da expressão gentil e educada, ou também por causa dos memoráveis olhos verdes mais lindos e intensos que existem... Mesmo que eles sejam o que mais chamem a atenção nela. É um verde de um tom tão vívido... tão expressivo, sabe? E é engraçado como ele muda de acordo com os sentimentos que ela sente. É algo que dizem que só eu percebo, mas eu considero real. Além disso – continuei, tentando impressioná-la -, ela é extremamente bondosa, generosa, gentil, simpática e até mesmo divertida. Só que esse lado dela eu não posso ver com muita frequência. E, é claro – prossegui – ela é muito gostosa. Por causa dos esportes que ela faz, sabe. Ela dança e joga tênis.

- Uau – disse Lily depois de um momento, visivelmente emocionada. – Você deve mesmo amar essa garota, hein, Potter. Mas pobrezinha dela. Parece ser tão adorável, tão linda, tão singela. E aí um ogro como você aparece para perturbá-la. Bom, desejo sorte aos dois, de qualquer forma.

- Bem – sorri mais uma vez. – Tudo depende do referencial. Aprendi com uma garota que me odeia. Mas promete que vai manter o segredo?

Surpreendentemente, Lily riu.

- Me esqueci completamente de Remus e Alice! – exclamou ela assustada, como se tivesse se lembrado de algum detalhe importante. – Onde eles estão?

- Jantaram na casa de Alice. Sabe aquela prima dela, Molly Prewett?

- Sim – mentiu ela.

- Ela está de casamento marcado com um cara chamado Arthur Weasley. Hoje foi o jantar de apresentação à família.

- Que chatice – falou ela dando de ombros. Aquilo era engraçado. Será que Lily não era como todas aquelas outras meninas que só pensavam em casamento? – Sabe, eu quero me casar em Las Vegas. Nada de cerimônias. Muita curtição e um sexo selvagem depois.

Não consegui me conter. Comecei a rir.

- Sabia que a minha garota dos sonhos tem o mesmo sonho?

- Sério, Potter? – ela me perguntou, ligeiramente interessada. – Parece que eu e ela temos muito em comum. Mas não se engrace para cima de mim.

- Ah – sorri tentando parecer doce. – Você nem imagina o quanto, Evans.

O resto da noite passou muito rápido. Ficamos sentados, eu e Lily, na maior paz. Ok, isso é mentira. Às vezes ela ficava brava (quando eu dava uma de "arrogante, prepotente e imbecil"), mas esquecia logo. Era só não dar em cima dela que a conversa fluía muito bem. E, depois dessa noite, eu fiquei sem palavras. Ela era tudo o que eu queria.

Nem estando bêbada deixou de ter personalidade. E isso era muito importante, certo? Ah! Além disso, eu deixei de beber só porque iria deixá-la em casa depois.

QUER PROVA DE AMOR MAIOR QUE ESSA? Um cara se recusar a beber só por causa da garota que ele gosta. Ela nem quer nada comigo!

Marlene mandou mensagem para Lily aproximadamente 2:30. Dizia simplesmente: "Hey Lil, estou bem. Não se preocupe comigo. Tô em casa já."

Lily virou o capeta quando leu aquilo. Como a "... minha melhor amiga me abandona assim?! Como ela foi irresponsável!". Eu concordara. Ela saiu com a gente e sumiu a noite toda. Além disso, provavelmente entrou num carro com alguém desconhecido – e fez Deus sabe o quê – e correu muitos riscos que não deveria.

Sirius e Petúnia haviam se achado em algum lugar em meio àquela multidão toda, e vieram nos encontrar. Trouxeram Rita Skeeter, Gilderoy Lockhart, Valter Dursley, Amos Diggory, Mary MacDonald e Chloe Chang consigo. Devo dizer que as duas últimas fizeram uma cara de intenso desagrado quando me viram sentado com Lily, harmoniosamente.

Depois de um bom tempo com todos sentados ali (mais tempo do que eu gostaria, para dizer a verdade), Valter Dursley quis ir embora. O que significa que Petúnia quis ir para casa também. E foi assim que paramos aqui, novamente em Notting Hill, com duas Evans cambaleantes saindo do meu carro e um Sirius dormindo, bêbado, no banco do carona ao meu lado.

Petúnia murmurou um "Tchau, valeu, Potter" e desceu do carro de vez. Não esperava que Lily se despedisse.

Nunca estive tão feliz por ter errado.

- Até mais, Potter.

E, com isso, bateu a porta do carro.

- MEU DEUS, O QUE ACONTECEU AQUI?! – despertou Sirius com o estrondo.

- Lily bateu a porta do carro – eu disse quase chorando – com muita força...

- Hahaha! Você se fodeu, hein, Pontas! Vamos logo, tô louco para chegar em casa.

Observei Lily e Petúnia até elas entrarem na casa, bastante sorrateiras. Era uma imagem engraçada.

Surpreendendo-me pela última vez aquela noite, Lily Evans acenou um tímido "tchau" antes de entrar de vez.

Dei partida com um enorme sorriso nos lábios. Rita Skeeter me dissera a verdade.

A ruiva será minha.

Narração: Lily Evans

- BOM DIA, LÍRIO DO DIA! Já é hora de acordar! – exclamou mamãe, feliz, enquanto abria as cortinas e deixava a claridade incômoda invadir meu quarto.

Ousei mexer a cabeça no travesseiro. Doía intensamente fazer qualquer movimento.

Me contentei em abrir o olhos e dizer em voz baixa:

- Me deixa dormir mais um pouco...

- Desculpe, querida – disse mamãe enquanto se sentava na minha cama. – Mas nós marcamos aquele almoço no clube com os Black, não se lembra?

Não, eu não me lembrava. Mas, agora que mamãe havia mencionado, o compromisso pareceu real.

- Eu não posso ficar em casa? – pedi sem esperanças. É claro que não poderia.

- Nossa, Lily – riu mamãe, os olhos castanho-esverdeados tão diferente dos meus parecendo divertidos – essa festa ontem foi mesmo hardcore, hein. Para você estar cansada assim... Petúnia eu não me surpreendo. Mas você, Lil? Você bebeu?

- Um pouquinho – resolvi dizer a verdade. Mamãe era um tanto moderna, e não iria se preocupar pelo fato de eu ter bebido um pouquinho.

- Humpft – expressou seu desagrado. – Tudo bem, eu já tive 17 anos. Enfim... Você sabe que não pode faltar, Lily. Esse é um daqueles almoços tradicionais. Você sabe a importância e influência da família Black nos meios de comunicação dessa cidade. E eles se dispuseram a escrever uma boa crítica ao L'italiano se eu fizesse o almoço.

O pai de Sirius era um empresário rico e influente e, sua mãe, uma jornalista famosa. Basicamente, o que eles dissessem, era lei. E não, você não iria querer desagradar os Black.

- Que saco – resmunguei. – Tudo bem, tudo bem. Vou tomar um banho e me arrumar – murmurei triste e derrotada por essa vida injusta e cruel.

- Ok. Desça para o café da manhã em 10 minutos. Eu e seu pai precisamos... conversar com vocês duas. – Vixe... Lá vem... – E não se esqueça – pediu ela enquanto se afastava – de levar uma bolsa com seu uniforme de tênis. Você e seu pai jogarão contra o Sr. Black e seu filho mais jovem, Regulus. Você o conhece, é claro. Ele é o irmão do Sirius, o amigo de vocês.

Bati minha cabeça no travesseiro. Ótimo. Era só o que faltava para a minha manhã ficar perfeita.

Levantei sentindo o maior peso do mundo na minha cabeça. Eu devia ter bebido muito para ficar daquele jeito. E eu não era de beber. Na verdade, toda a noite anterior foi uma grande surpresa para mim, porque eu não costumava fazer nada do que eu fiz lá.

Me arrastei até o banheiro enquanto tentava lembrar dos detalhes da noite passada. Me lembrava de Potter ter nos buscado. De Marlene, Sirius e Petúnia sumirem. E de o Potter pedir tequilas.

DESGRAÇADO! Ele quis me embebedar! Era o plano dele o tempo todo! Ah, dessa vez o Potter me paga. Ele me paga, ele me paga, ele me paga! E pensar que eu fiquei um tempão conversando com ele lá na boate, dando corda para aquele ser imundo! Ah, que ódio! Que ódio!

Só porque ele estava um gostosão. Eu posso não gostar do cara, mas tenho que admitir que... Olha só a tequila fazendo efeito ainda!

Tomara que essa água fria faça algum efeito, porque vou te contar...

Tomei um banho rápido, me troquei e desci. Quando cheguei à cozinha, papai, mamãe e Petúnia já estavam lá. Petúnia estava acabada. Senti um resquício de dó quando a vi, sentada e desolada, as mãos na cabeça, o olhar vagante. Sorri para ela em forma de gentileza.

Ela me mostrou o dedo em troca. Bom, era Petúnia sendo Petúnia...

- Bom dia, minhas lindas! – saudou papai sorridente para nós três. – Mais um café da manhã com as três mulheres da minha vida. Eu sou o homem mais feliz do mundo.

Eu sorri. Apesar de ser um domingo tradicionalíssimo aqui em casa – café da manhã preparado pela mamãe Evans, flores na mesa, cortinas abertas para aproveitar o sol da manhã e blábláblá – papai sempre conseguia pensar em algo para torná-lo ainda mais agradável.

Petúnia bateu a cabeça na mesa.

- Que foi, Túnia? Não gosta mais dos carinhos do seu velho pai aqui?

- Aff, pai, serve essa panqueca logo. Eu tô morrendo de fome...

- É para já!

Ninguém aqui em casa se incomodava com Petúnia pela manhã. Ela era um monstro. Não conversava com ninguém e, se alguém fosse corajoso o suficiente para lhe dirigir a palavra, levava um grande fora.

- Bom, meninas – começou mamãe, alegre, quando todos já estávamos sentados e sendo servidos – nós temos um anúncio a fazer.

- Prossiga – falei em meu nome e de Petúnia, que apoiou sua cabeça em meu ombro, já que eu me sentara do lado dela.

- Em dezembro – mamãe começou, feliz – eu e seu pai completamos 20 anos de casados.

Eles deram as mãos. Eram tão bonitinhos juntos!

- E daí? Nós estamos em outubro ainda, mãe – Petúnia disse o óbvio.

- E daí – papai começou a falar – que sua mãe não poderá ter férias em dezembro, por causa do restaurante, assim como eu também não. E passagens, hotéis e viagens ,em geral, são mais baratos fora de temporada.

- Vamos viajar?! – exclamou Petúnia animada e feliz, levantando do meu ombro de repente. – Que boa notícia, papai!

Mamãe e papai riram.

- Você e Lily irão sim, no inverno. Em janeiro. O que nós queremos dizer é que eu e seu pai vamos viajar na sexta-feira que vem. Como se fosse uma terceira lua-de-mel ou algo do gênero.

Túnia, que olhava para as panquecas esperançosa e faminta, largou o garfo.

Mas parece que depois a compreensão dos fatos veio à Petúnia.

- E por quanto tempo vocês irão viajar?

- Duas semanas – respondeu mamãe. – Vamos para uma ilha na África.

- Onde o príncipe William e a Kate passaram a lua-de-mel? – perguntei.

- Exatamente.

- Que legal! – exclamou Petúnia, excepcionalmente contente. Eu sabia e temia os reais motivos de toda aquela alegria...

- Fico feliz que esteja contente por nossa causa, Petúnia – agradeceu papai. – Você pode tomar conta da sua irmã?

- Ah, com certeza, papai! Eu e Lily somos muito unidas. Essas duas semanas não serão nenhum problema. Não é, Lils? – perguntou, sorridente, e passou o braço por meus ombros.

Assenti com um sorriso amarelo.

- Que ótimo! Assim poderemos viajar mais tranquilos. – Encerrou mamãe e disse por fim, alegre: - Vamos comer!

Petúnia olhou para mim com um sorriso triunfante, que significa o que eu mais temia: festa na piscina enquanto mamãe e papai estivessem fora.

Oh. Céus...

E aí, o que acharam? *-* PLEEEEEEEEEEEASE, não deixem de deixar uma review se gostarem, elas são muito importantes! *-* rss