Agradeço imensamente a todas as reviews do capítulo anterior.

Vocês são lindas!

Beta: Claudia Winchester. Obrigada! De coração!


CAPÍTULO DOIS

Deus ouvira suas preces. Jensen era um gato selvagem com a cabeça boa para números. Jared queria soltar fogos.

Agradeceu ao Sr. Richings e seu cão pelo imenso favor quando o chamaram para ajudar seu vizinho.

Ele precisava investigar uma empresa chamada Steel, mas não tinha como infiltrar um agente. Jeffrey Dean Morgan, CEO da empresa a ser investigada, era muito esperto e cuidadoso e apesar da aparência máscula, Jeffrey tinha forte atração por homens. Era a única pista que a investigação rigorosa de Jared descobrira. Morgan foi seguido em algumas boates vulgares que atendiam à clientela sadomasoquista. Se Jared pudesse confiar em Jensen e conseguir infiltrá-lo na Steel, talvez Jensen encontrasse as provas de que ele precisava para dar início a um inquérito.

"Onde você trabalha?"

"Em uma companhia de cimento."

"É mesmo? Há quanto tempo você trabalha lá?"

Jensen Ackles não era policial ou agente. Trabalhava no mesmo emprego por quase uma década, como contador e a Steel Importações e Exportações estava precisando de um contador.

"E há quanto tempo você trabalha no FBI?"

"Doze anos.."

Se Jensen conseguisse o emprego na Steel, ele seria seu 007, trabalhando lá de dia e relatando tudo o que acontecia para o novo vizinho. Era tão perfeito que Jared desejou beijar seus lábios vermelhos. Estremeceu de excitação.

Estava ficando cada vez melhor, mas não se envolveria mais com esse tipo de homem, com cara de santo, mas na verdade deveria ser um pervertido na cama. Jeffrey Morgan era quem ficaria totalmente envolvido com Jensen. Não ele.

J2J2J2

Jensen passou pela porta da Calvin Klein.

"Posso ajudar?" Perguntou a vendedora.

"Sim, pode..."

"O que procura?"

"Estava pensando em renovar meu guarda-roupa."

"Claro, senhor. Como você quer parecer?"

"Sexy."

"Essa é a minha especialidade. Venha aqui."

Uma grande insatisfação crescia em Jensen, por sua vida monótona, seu relacionamento e seu emprego. Sentia que precisava urgente de uma mudança e duas horas e várias sacolas de compras depois, o cartão de crédito de Jensen quase havia estourado.

"Você está incrível!" Garantiu-lhe a moça.

"Você me faz um favor?"

"Claro!"

"Me passa a lata de lixo."

Jensen jogou toda a roupa velha ali e limpou as mãos.

"Obrigado."

"Tudo bem. Volte sempre que precisar de ajuda. Aliás, depois de cortar o cabelo."

"Cortar o cabelo?"

"Sim. Conheço um ótimo cabeleireiro, Mark Pellegrino." Ela pegou um cartão do salão Ecstasy.

"Entregue-se ao Mark. Ele é o melhor... aliás, também, espero que você não se importe de que eu fale, mas estes óculos parecem dos anos oitenta!"

"Os óculos, claro... Obrigado. Algo mais?"

"Não. Mas volte quando estiver pronto. Aposto que eu mesma não o reconhecerei."

Depois de se entregar às mãos de Mark, Jensen tentou prestar atenção ao que ele estava falando.

"Você tem um encontro quente hoje à noite?"

Jensen ia se encontrar com Mike, mas quanto a isso ser quente...

"Não sei, mas espero que sim."

J2J2J2

"O que você fez com seu cabelo?" Mike quase não acreditou.

"Você não gostou?"

"Está curto. E está..."

Embora ele não encontrasse as palavras, a expres são horrorizada em seu rosto já dizia tudo.

Jensen se virou e foi para a sala de estar. Havia vivido naquela casa toda a sua vida, exceto na época da faculdade. Talvez ele devesse se mudar.

Mike ficou parado, sem saber como lidar com Jensen. Tinha um olhar preocupado. Ele era a cara daquela sala. Um homem antiquado em uma sala antiquada.

Jensen também já tinha combinado muito com aquela sala. Agora não mais. Na verdade, por um certo tempo ele sentiu que não combinava com seu próprio corpo. Mas, na semana passada, apesar do horrível episódio do sexo, ele suspeitou que estava começan do a acertar.

Não via Mike desde sexta-feira, quando ele o esqueceu nu. Ele telefonou para Jensen mais tarde naquela noite, com a voz cansada. A emergência havia sido difícil. Por que não jantavam na casa de Jensen na próxima terça-feira?

Jensen o perdoou. Agora ele estava ali. Sem desculpas, nem vinho. Nem mesmo um convite para um restaurante. Como sempre Jensen estava fazendo o jantar para o Dr. Avarento.

"É cheiro de assado o que estou sentindo? Estou faminto."

Após o jantar, Jensen lavou os pratos enquanto Mike lia o jornal. Eles pareciam um casal de setenta anos.

"Estou pensando em vender a casa." Jensen começou.

"Hum?" A folha do jornal fez barulho enquanto Mike a dobrava.

"Estou pensando em vender a casa." Jensen disse novamente.

Mike sorriu. Um sorriso do tipo "não se preocupe que tudo ficará bem". Sorriso que sempre o fez de sejar dar-lhe um soco.

"Isso é perfeitamente normal."

"O quê?"

"Você é um homem em um estágio delicado da vida. Você está com mais de trinta anos..."

"Tenho trinta e um!"

"Acho que devemos antecipar a data do casamento."

"Por quê?" Jensen perguntou indignado.

"Acho que você está me enviando uma mensagem bem clara."

"Pare de falar comigo como se eu estivesse desesperado para casar."

"Quero apenas acelerar o processo."

Me controlar, Jensen pensou.

"Você tem ideia de quanto as casas estão se valorizando nessa área da cidade? Estamos pertíssimo de Austin. Perto do consultório e de seu trabalho. É um lugar ótimo para criar filhos." Mike continuou.

"E a lua-de-mel?" Jensen quis saber apenas por curiosidade.

"Já está planejada. Trocarei uma semana de plantões com Tom Welling por uma semana de férias em Grapevine Lake."

"Não posso fazer isso, Mike." Se ele se casasse com aquele sujeito, estaria se afundando em profundezas subterrâneas. Seria enterrado vivo.

"Welling me disse que lá é muito bom e qualquer pessoa que se hospede lá tem desconto no Polo."

"Então talvez você e Tom devam ir, já que vocês adoram Polo e eu não."

"Desde quando você..."

"Desde sempre. Sempre detestei Polo e Bridge. Mas você nunca me ouviu. Não quero me casar com você. Será um desastre!"

"Você está irracional!"

"Estou furioso! Estou tão furioso que quero esmurrar uma porta, sua cara, xingar, fazer sexo com estranhos..."

Mike pigarreou.

"Já vi que o assunto voltou para a relação sexual. Não quero magoá-lo, Jensen, mas talvez eu possa marcar uma consulta com algum de meus colegas."

"Falar com um colega seu?" Jensen perguntou, sua voz saindo mais alta que o normal.

"Não há necessidade de usar esse tom. É perfeitamente normal procurar ajuda profissional quando você se sente confuso e com atitudes diferentes."

"Você não percebe, não estou diferente. Este sou eu. Só que eu não havia percebido antes e notei também que somos horríveis juntos. Mike, eu quero coisas diferentes. Sexo, romance, viagens. Não quero passar trinta anos economizando para a minha aposentadoria!"

Jensen o atingiu em cheio. O homem era obcecado por dinheiro e segurança.

"Não seja precipitado. Pense por uma semana e depois nos falaremos novamente."

"Tchau, Mike!" Jensen queria se ver livre de Mike de uma vez por todas. Estava decidido que não queria mais vê-lo na sua frente, quanto mais casar com ele.

Depois do outro partir, Jensen sentiu como se tivesse voltado a respirar. Estava explodindo com a necessidade de começar uma nova vida.

Não era de espantar que o agente do FBI não acreditasse que a casa não era dele, pois não refletia sua personalidade em nada.

Ele foi para o porão, pegou algumas caixas e voltou para a sala. Estava decidido a começar a mudança hoje mesmo. Achou melhor começar a se livrar logo de coisas velhas e inúteis.

Jensen precisava ouvir música. Colocou Kaleo e deixou a música penetrar em seus ouvidos sentindo que finalmente estava tomando conta da própria vida.

No quarto, sem piedade, empacotou os velhos ternos. Se os colegas na companhia de cimento não gostassem de sua nova imagem, seria problema deles. Ouviu a campainha.

Seus lábios se contraíram.

Abriu a porta.

Jared Padalecki estava lá, durão com uma expressão cômica no rosto.

"Devia ter olhado pelo buraco da fechadura."

"Como você sabe que eu não olhei?"

"Eu sei das coisas..."

Um rubor começou a tomar seu rosto e se espalhou. Esse homem o viu nu!

"Gostei do cabelo." Ele quebrou o gelo.

"Gostou?"

Jared riu e tinha um sorriso covinhas de arrasar.

"Deixe-me adivinhar. Você troca o corte de seu cabelo assim como troca de homens?"

"Você me pegou, hein?"

"Você vai me convidar ou já posso entrar?"

"Me desculpe. Claro. Entre..."

"Você está se mudando?"

"Estou pensando sobre isso. Aliás, já decidi. Vou me mudar."

"Mas esse é um ótimo bairro, seguro, estável e..."

"Lugar ótimo para constituir uma família? Sei disso. Fui criado nessa casa. Mas preciso de uma mudança."

"Redecore tudo então. É muito mais fácil."

"Você está parecendo o Mike."

"O médico que faz visitas em casa? Tenho a impressão que isso não é bom."

Por que ele se importaria se Jensen se mudasse? Não foi ilegal o que ele fez.

"É melhor me mudar."

"Olhe. Se isso tem a ver com o fato de vê-lo nu, eu mal dei uma olhadela."

Uma gota de suor quente de embaraço desceu pelo pescoço e por debaixo dos braços de Jensen.

"O que você quer exatamente?"

"Estou sendo amigável apenas."

"Você é novo aqui. Eu é que deveria visitá-lo."

"Esperei que você aparecesse em minha porta com um bolo. Estava me sentindo só... E faminto."

Jensen riu. Jared tinha um charme estranho.

"Não tenho bolo, mas há sorvete no congelador."

"Negócio fechado!"

Quando voltou com as tigelas de sorvete, o encontrou no sofá, segurando um carrinho de madeira.

"É seu?" Jared entregou o carrinho para Jensen.

"Minha mãe comprou quando eu era pequeno. Não tive coragem de me desfazer dele."

"Não imaginei que você fosse do tipo sentimental..." Jared o encarou. "Por favor, não se mude."

"Por que você se importaria?" Jensen perguntou confuso.

Jared abriu um sorriso covinhas que iluminou toda a sala.

O coração de Jensen acelerou. Será que um cara maravilhoso como esse estaria interessado nele?

"A maioria dos moradores são de famílias jovens e pessoas mais velhas. Por que você se mudou para cá? Solteiros moram no centro da cidade." Jensen estava curioso do porque um cara lindo e solteiro como Jared escolhera morar num bairro tão afastado do centro.

"Mudei-me para cá porque detesto viver em um cubo de concreto. Gosto desse tipo de casa. Comprei do meu tio-avô, o Sr. Pileggi, quanto ele foi para um asilo."

"Foi para um asilo? O Sr. Pileggi é seu tio?"

"Sim. Ele morava há duas casas daqui, ao lado do Sr. Richings."

"Você não vai contar para ele... por favor não conte para nenhum deles..."

"Que eu o encontrei nu, algemado em sua própria cama? Não quero mandá-los para a emergência..."

"Bem, estou me mudando, tanto faz."

"Você detestará morar em apartamento." Jared olhou para a sala de estar. "Você só precisa redecorar. Posso ser seu pintor."

"Era só o que faltava. Um cara intrometido de macacão em minha casa. Pensava que você já tinha emprego ou o distintivo do FBI era falso?"

"Não, não é falso..." Jared pensou por alguns segundos e decidiu ir direto ao assunto. "Preciso de sua ajuda, Jensen."

"Para quê? É sobre seu imposto de renda?"

"Você pode ser fundamental ao FBI para ajudar a quebrar uma operação de tráfico de drogas."

"Drogas? As únicas drogas que existem nessa vizinhança são remédios para pressão sanguínea e controle urinário."

"Não é nessa vizinhança." Ele não estava sorrindo. Jared não sabia como abordar o assunto. Ele havia investigado Jensen Ackles. Jensen podia ser um aventureiro sexual, mas nunca fora preso. E era contador.

Tinha que descobrir o que o tentaria. Todo mundo tem um ponto fraco. Dinheiro? Perigo? Excitação? Qual seria o dele?

Era excitante ver um homem de aparência tão inocente ser adepto a perversão na cama. Jared suprimiu a imagem de Jensen nu e indefeso.

Jared não curtia mais essas coisas. Desde que surpreendera o namorado superfantástico, completamente excitado com dois outros homens e uma mulher.

Como ter acesso a Jensen? Ele não precisava de dinheiro. Jared fez seu dever de casa e soube que, além da casa, ele herdara uma bela quantia em dinheiro de seus pais, não tinha irmãos com quem dividir e acumulou uma caderneta de poupança impressionante.

Mas Jensen queria mudar e Jared era o homem que poderia oferecer isso a ele.

"Quero lhe oferecer um emprego." Jared começou.

"O FBI precisa de contador?" Perguntou Jensen espantado.

"É um trabalho secreto. Muito confidencial."

"Secreto?"

"Muito secreto. Você saberia apenas o essencial."

"O que preciso saber?" Jensen começava a ficar interessado.

"Estamos investigando uma companhia de importação e exportação. Acreditamos que estão envolvidos em uma rede de tráfico de drogas. Um de seus contadores deixou a empresa e fugiu para Hong Kong, deixando uma vaga no setor de contabilidade."

Quando investigassem Jensen Ackles descobririam o que ele também descobriu, que ele era um contador experiente sem nenhuma ligação com o crime.

"Quando a ação esquentar, você estará lá, bem no meio do turbilhão."

"Será perigoso?"

A intuição não o fez se perder. Jensen estava sendo atraído pelo anzol, linha e peso.

"Muito perigoso..."

Sentiu Jensen ficar excitado. Em todos os sentidos... E Jared também.

"O que eu tenho de fazer?"