O dia nasceu trazendo pouco a pouco vida às ruas da cidade de Juuban, o metro enchia-se de pessoas que corriam apressadas para a correria do dia-a-dia, e lentamente as ruas voltavam a ter aquele burburinho de vida tão característico.

Joana Lima pelo contrário continuava adormecida enquanto se babava para a almofada branca roncando ruidosamente, alheia ao frenesim de pessoas e veículos na rua.

Artémis entrou pela janela, saltando para cima da cama, a noite fora passada com pouco descanso, sentado num telhado a pensar no ataque que apanhara desprevenidas as guerreiras.

Talvez elas não estivessem prontas para mais, talvez não devessem entrar em mais batalhas… por falar em batalhas… era sempre uma batalha acordar Joana…

-Joana…- Artémis sacudiu-a cuidadosamente

-hmmm … quero mais açúcar se faz favor…-virou-se para o lado e continuou a dormir como se nada fosse.

O gato sentiu-se constrangido com mais um sonho em alta voz de Joana.

-Joana… já estás atrasada para a escola… -sacudiu-a com mais força

Joana virou-se novamente e deu-lhe um valente tabefe, claramente nem ouvindo uma única palavra.

-Parvalhão! Já te disse que não quero ir á casa de banho!

Artémis resolveu tomar medidas drásticas, empinou a cauda e saltou para cima de Joana arranhando-lhe o rabo.

-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIII! Artémis tas maluco aonde é que já se viu! Sabes que horas são? São… - olhou para o relógio e apercebeu-se das horas – Artémis seu inútil! Porque é que não me acordaste mais cedo????

Vestiu-se rapidamente e correu para a escola, atrasada como de costume… há coisas que nunca mudam … pensou Artémis enquanto se lembrava de quando ela ainda era uma rapariguinha de 13 anos e tinha nas costas a missão de combater a Dark Agency, O fardo que foi fazê-lo sozinha demonstrou o quão madura conseguia ser se necessário (Consultar manga sailor V para mais informações) … Artémis olhou-a pela Janela vendo a sua imagem afastar-se correndo atabalhoadamente pela rua enquanto chocava contra algumas pessoas. Quando deixou de a ver levantou se e seguir rumo à casa de Bunny Tsukino. Tinha que falar com Luna sobre um assunto que não podia esperar.


O dia de aulas pareceu durar séculos a Joana, talvez por sentir uma ânsia inexplicável de estar com as amigas e companheiras de batalhas… um mau pressentimento toldara-lhe completamente a atenção das aulas e asua cabeça repetia vezes sem conta aquele bendito sonho que teimara em assombrá-la . quando finalmente acabou a última aula Joana saltou para dentro do primeiro autocarro rumo ao templo Hikawa onde vivia Rei e onde costumavam encontrar-se todas ocasionalmente . Quando lá chegou Bunny, Rita, Maria e Ami já a esperavam ansiosamente.

-Olá!!!!- gritaram todas quase em uníssono

-olá meninas! - Joana sorriu feliz, há já algum tempo que não podiam estar todas juntas, Ami estivera fora do país durante uns meses, a visitar a sua mãe que praticava medicina na Alemanha.

-Hoje vou fazer um lanche especial - disse Maria animada carregada de tachos e panelas, e envergando um avental adornado com motivos florais.

Maria kino, a rapariga de cabelos castanhos apanhados num rabo-de-cavalo, era uma jovem extremamente dócil e muito forte, o seu maior talento sempre foram as capacidades culinárias, já Joana…

-Eu posso ajudar! – todas a caras demonstraram uma expressão de terror. – o que é que foi?

Bem, Joana não era propriamente a pessoa adequada para se ter perto de um fogão, Barulhenta e divertida tinha uma facilidade extrema de se distrair e transformar um ovo em carvão ou uma panela de arroz em cimento.

-N…nada! – Disfarçaram as raparigas

Joana e Maria foram para a cozinha enquanto Ami Bunny e Rita se sentaram em torno de uma mesa de pernas baixas no enorme pátio rodeado por árvores que deitavam um cheiro a natureza bastante calmante, começaram a pôr a mesa enquanto falavam entre si.

-Rita o que é feito da tua caneta de transformação? – Ami tinha na voz um tom pesado, invulgar nela, embora mantivesse o mesmo olhar calmo tão característico seu.

-Há umas semanas o cristal de Marte na caneta desfez-se em pó… sem razão aparente - Rita Hino Olhava preocupada para Ami – Tal como te aconteceu a ti…

-E tu Bunny?

-Tenho foooooooooooooome- a rapariga loira com longos cabelos loiros presos em odangos batia com a mão no estômago que reclamava ruidosamente.

"Sempre a mesma coisa…" pensou Rita

-Se continuares a comer assim o Gonçalo deixa-te por pareceres uma porca grávida!

Rita Hino a temperamental neta do sacerdote residente no templo Hikawa sempre fora rude com Bunny, talvez como forma de lhe atribuir maiores responsabilidades, como guerreira navegante. Bem no fundo preocupava-se tanto com ela como se preocuparia com qualquer membro da sua família.

-Oooh Rita és tãooooooo máááááá pra miiiiiim!

-Vá calma meninas lembrem-se do intuito desta reunião - Ami Mizuno uma estudiosa rapariga de cabelos azuis punha como sempre água na fervura, enquanto digitava conjuntos de teclas no pequeno computador azul com o símbolo de mercúrio – Viemos aqui para…

-A COMIDA ESTÁ PRONTAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!- gritaram Joana e Maria.

-Weeeeee!!! – Os olhos de Bunny brilharam quando viram a enorme quantidade de pastéis e bolos de aspecto delicioso que "aterraram" na mesa.

Bunny atacou prontamente os bolos alheando-se de imediato da conversa entre as restantes raparigas.

-Já nem a Rita se consegue transformar… acho que agora que não temos mais nada contra o que lutar as canetas já não são precisas…

-Mas isso não faz sentido, o chãos não desapareceu por completo. Nunca desaparece! – disse Maria

Joana pensou no estranho sonho que a assombrava há semanas, sentindo imediatamente um calafrio por toda a coluna…"é só um sonho, tenho a certeza"

-AIII MARIIIIA ESTES BOLOS ESTAO MESMO BOOONS!!!! – Bunny estava completamente lambuzada de chocolate que cobria alguns dos bolos que a Maria fizera, e a sua roupa estava coberta de migalhas.

As raparigas riram todas com Bunny…

-Bunny não consegues levar nada a sério???

Maria pôs a sua expressão mais severa (embora geralmente não a conseguisse usar com Bunny)

-Eu sei que não temos poderes…- a sua expressão de Bunny transfigurou-se transparecendo um imenso sofrimento – mas isso é bom! Não há mais lutas ninguém mais vai sofrer, não podemos ter uma vida normal??- Os olhos de Bunny estavam cheios de lágrimas prestes a sair.

Todas se sentiram um pouco constrangidas por não terem pensado nos sentimentos de Bunny. Embora parecesse imatura e infantil, lidara já com mais dor do que muitos poderiam suportar.

-Acho que não vai ser bem assim…

Luna e Artémis chegaram ao templo de Hikawa sorrateiramente, entrando na conversa trazendo informações.

-o quê? - Todas perguntaram em coro.

Luna, a gata negra com um quarto crescente na testa que protegia Bunny falou primeiro

-O Artémis tem uma coisa para vos contar…

Joana interrompeu repentinamente antes que Artémis tivesse tempo de dizer alguma coisa

-Artémis não! Tu sabes que foi só um sonho! Não tires conclusões precipitadas!

-Um sonho? Do que estás a falar? – Perguntou Luna claramente confusa

Todos os olhares se viraram para Joana, deixando a cabisbaixa. Finalemnte acabou por explicar o sonho recorrente que tinha, deixando um silencio pesado abater-se entre elas .

-Porque é que nunca nos disseste nada? – perguntou Rita indignada

-Não vos queria preocupar…

-Mas meninas pode ser um presságio de que se avizinha um grande perigo… -disse Luna rapidamente - era sobre isso que queríamos falar com vocês…

Um estrondo no pátio fez com que todos se pusessem em alerta.

-Algo está errado… consigo senti-lo…

-Uau… que perspicaz Rita!- Disse Bunny escondendo a preocupação atrás da ironia.

Um demónio irrompeu pela janela gelando o sangue às jovens, que levaram instintivamente as mãos aos bolsos em busca das canetas de transformação esquecendo-se de que não as tinham, um reflexo involuntário, graças aos longos anos de batalhas que enfrentaram juntas.

O demónio de pele azulada e grandes garras vermelhas atacou-as partindo os pés da mesa do alpendre com o seu peso.

-Quero a Lágrima de Prata!!!!

Todas se entreolharam confusas, os tempos de paz tinham por fim cessado, e elas não tinham quaisquer poderes, um sentimento de impotência e medo percorreu todo o grupo.

O demónio não gostou da ausência de resposta e investiu novamente de forma violenta, surpreendendo as raparigas e esmagando a comida em cima da mesa enquanto urrava, feroz.

Maria retaliou, mas acabou por ser atirada contra a parede com bastante força ficando inconsciente antes de conseguir sequer ferir o demónio.

-MARIA!!!!!

Rita e Bunny correram para perto da rapariga enquanto Ami o observava com os seus óculos de mercúrio, procurando as suas fraquezas possíveis, mas o demónio atirou-a contra os destroços da mesa destruída antes dela ter tempo de descobrir algo. o pequeno computador voou das suas mãos e embateu no chão enquanto os seus óculos se desvaneciam com uma faísca.

-NÃÃO! – a rapariga de odangos loiros gritou desesperada correndo em direcção ao monstro e atacando-o violentamente (não tendo no entanto qualquer tipo de efeito) e sendo agarrada pelas suas mãos fortes, que quase a sufocaram enquanto as garras lhe arranharam a garganta.

Quando a largou Bunny cau sem sentidos no chão e Rita foi derrubada com um simples gesto do demónio, deixando as todas prostradas no chão, excepto Joana, que se tornou rapidamente o alvo do demónio.

Joana nem o tentou atacar visto as tentativas das amigas não terem resultado em nada. Nunca sentira tanto a falta dos seus poderes como agora, sentia que talvez tivesse a culpa por lhes ter ocultado os seus sonhos. Quando ele avançou na sua direcção prestes a rasgar-lhe a carne com as garras afiadas, Artémis Correu na sua direcção e numa pirueta entregou-lhe uma caneta dourada que Joana reconheceu, sendo projectado pelo monstro para o muro do templo, onde aterrou graciosamente embora ferido.

-Mas é impossível…

-Não há tempo para explicações! Transforma-te!

-VENUS POWER MAKE UP!

Joana ergueu-se no ar por entre um brilho incandescente surgindo no seu lugar uma guerreira mascarada, com um símbolo planetário de Vénus na testa.

"mas é impossível!... este é o fato de sailor V… mas… não pode ser!"

O demónio atacou novamente, ignorando a transformação e a cara surpresa da sua inimiga.

-VENUS LOVE ME CHAIN!!!! –Joana Gritou e estendeu a mão esperando pela corrente que conseguia invocar para atacar o seu inimigo, porem a sua mão apenas segurou -se obrigada a esquivar-se de uma onda de ataques furiosos do demónio, sentindo as suas garras roçar a sua barrigas. - Artémis o que se passa? – Gritou Joana totalmente em pânico

-Ainda não consegue controlar bem os teus poderes, não penses demais, ouve as tuas memórias!

Joana olhou para as suas amigas que contavam com ela. "Não vos vou desapontar", embora se sentisse confusa e preocupada. Subitamente ouviu. Uma voz murmurava lentamente no seu cérebro, como um guia, aquelas palavras inicialmente não faziam qualquer sentido, mas dentro de si um poder cresceu e subitamente as palavras atropelaram-se ao sair da sua boca.

-VENUS SULPHUROUS RAIN!!!!

Pequenos corações dourados liquefeitos choveram sobre o inimigo dissolvendo-o em pó.

Joana estacou, enquanto a sua transformação se desfazia em pequenos globos de luz laranja. A destruição circundante e as suas amigas deitadas no chão tornavam toda a situação mais desagradavelmente real.

Algo de estranho se estava a passar… quem seria aquele novo inimigo? O que seria a lágrima de prata? Que memórias referira Artémis?