Capitulo I
A mochila pesada em suas costas enquanto carregava a maleta preta em suas mãos. Havia estudado os arquivos da princesa durante o voo, teve que reprimir o sorriso ao ver a foto da criança.
Estudou seus gostos, alergias, doenças e horários.
O aperto em seu peito desde que havia pegado a SUV no aeroporto para poder chegar ao palácio. Sua mente vagou para uma parte do relatório, o motivo de sua vinda.
O Rei Cristian estava indo para Costa Estrela negociar uma trégua em uma guerra que já durava dois anos. O jato em que se encontrava fora aparentemente abatido embora a Agencia tivesse fortes indícios de que o rei era de fato prisioneiro em Costa Estrela. Diante da situação a Rainha Rosalinda temendo pela vida da pequena princesa havia solicitado a proteção extra.
Os altos e fortes portões apareceram na frente do carro e logo eram abertos para que lhe desse passagem, o pátio de pedra estava com apenas uma pessoa parada ali.
O homem alto, negro, forte e careca estava com os braços entrelaçados nas costas, seu uniforme azul marinho com os detalhes da faixa em vermelho e a camisa branca, a espada prata jazia em sua cintura.
O carro parou e Carter tomou isso como a sua deixa para sair, as botas encontraram as pedras enquanto seus olhos eram frios e astutos.
- Agente Mason? – A voz retumbante e forte, não pode deixar de notar que ele havia levado uma mão a pega da espada.
- Sim. – Respondeu sem vacilar.
- Eu sou Juan. – Curvou minimamente a cabeça. – Capitão da guarda de minha rainha.
- Ótimo. – Fez a mesma curvatura que ele. – Precisaremos trabalhar em conjunto.
- Minha rainha me deu ordens para ajudar a senhora no que necessário. – A mão apertou mais fortemente a pega da espada assim como os dentes se apertaram rígidos.
- Esta tenso capitão? – Carter colocou a maleta e a mochila no chão.
- Apenas não gosto de estranhos. – As narinas se inflaram, uma gota de suor brilhou em sua cabeça.
- Acha que a sua rainha colocaria a vida de sua filha nas mãos de algum estranho? – Arqueou uma sobrancelha.
- Princesa Helena é a vida da minha rainha e a felicidade desse povo. – Sua voz saiu truncada. – Confio na minha rainha, mas não confio em você. E a vida da minha rainha eu protejo com a minha.
- Acredite quando eu digo que já protegi muitas vezes a vida da sua rainha com a minha e não vou deixar nada acontecer com a princesa. – Sentiu a raiva inundar as veias, quem aquele homem pensava ser para falar daquele jeito.
Ele se moveu rápido de mais para o tamanho que tinha, investiu contra Carter com o ombro a Mason teve tempo apenas de se mover para o lado pulando a mochila. Juan desembainhou a espada e com as duas mãos a segurou na direção de Carter.
- Sabe usar. – Carter indicou a espada, a língua passou pelos lábios. – É bom saber, por que eu estou desarmada.
- Capitão Aguilar. – A voz forte e descrente veio por de trás do portal de pedra.
Carter ficou de lado podendo manter um olhar no homem que se pôs um joelho em terra e a espada repousando ao seu lado. Olhou para a entrada de pedras que vinha pelo portal que acabava em um corredor onde uma pequena escada era vista. A rainha Sophia estava parada ali com uma menina que não deveria ter mais de 3 anos agarrada em sua saia, a rainha mãe estava com um vestido simples até de mais pelo o que Carter se lembrava.
A garotinha colocou o rostinho para fora olhando timidamente para a Mason, os olhos castanhos quase como areia de tão claros. As bochechas rosadas, em contraste com a pele branquinha e os lábios rosados, o queixo com a covinha de Rosie, os cabelos escuros já formando os cachos nas pontas.
Era inegável. Apaixonou-se pela criança.
O olhar duro de Sophia suavizou quando pousou em Carter que olhava hipnotizada sua neta, notou o amor incondicional que já inundava os olhos da mulher.
Parecia que o mundo havia parado para Carter e apenas aquela pequena criatura existia, deu pequenos passos para ela deixando as costas voltadas para o homem sem se importar com mais nada. Agachou e estendeu a mão para ela com um pequeno sorriso.
- Olá. – Sussurrou suavemente. – Eu sou Carter.
A garota se escondeu mais uma vez, Sophia colocou a mão na cabeça da neta tentando fazer com que ela saísse do esconderijo.
- Doy mi amor va a. – Disse suavemente para a neta. – No te hará daño.
Carter registrou rapidamente que Sophia pedia para a menina sair de trás dela e que Carter não iria machuca-la. Buscou em sua memória o relatório em que dizia claramente que a menina entendia seu idioma.
- Miedo. – A garotinha murmurou com sua voz quase cristalina.
Carter sentiu seu rosto cair e o coração doer, a garotinha estava com medo. Levantou-se e recuou calmamente até estar atrás de Juan.
-Princesa. – Juan disse em voz baixa com um pequeno sorriso.
Helena tornou a aparecer, seus lábios se abriram em um sorriso e num piscar de olhos ela correu para o homem que a pegou no ar a levantando com um sorriso.
- Este es mi hermosa princesa. – Murmurou suavemente para a menina enquanto acarinhava os cabelos escuros. – No hay que preocuparse yo te protegeré de todo.
Carter percebeu que o "todo" ao qual o homem se referia incluía a sua pessoa, seus olhos se moveram dos dois e encontraram os de Sophia que a chamou com a cabeça.
Foi até as suas coisas as recolhendo, passou pelo homem que brincava com a menina e parou ao lado da rainha com a cabeça baixa.
- Vamos vou te amostrar seus aposentos e te levar a Rosalinda. – Murmurou, acenou para o homem. – Juan cuide de Helena sim?
Pousou a mochila sobre a cama, ciente que a rainha mãe lhe olhava da porta. O quarto tinha uma cama de solteiro, uma cômoda e três portas, uma era um banheiro privativo, uma era a porta que dava para o quarto da princesa e a ultima ainda não sabia para o que era.
- Carter. – Sophia a chamou. – Como você está?
- Bem. – Virou-se para ela com o rosto apático. – Eu sinto muito pelo seu genro. Como Rosie está reagindo?
- Não muito bem. – Seus lábios formaram uma linha fina. – Por favor, não a chame de Rosie ela não gosta.
- É claro. – Se curvou para a rainha abrindo os braços.
- Vou deixa-la tomar um banho e trocar de roupa. – Suspirou pelas reações da mulher, tudo parecia tão errado ultimamente. – Ainda se lembra onde é a sala do trono?
- Perfeitamente minha senhora. – Continuou em sua posição.
Ouviu a porta bater antes de endireitar o corpo, soltou um gemido frustrado. Olhou para a porta que Sophia não havia lhe dito pra que era e foi até lá. Forçou a maçaneta até perceber que a porta estava trancada.
Olhou para a sua bolsa. Bem hora de começar a trabalhar.
A Rainha Rosalinda estava sentada em seu trono, olhava por uma das janelas altas o céu azul. Azul e bonito de mais para o seu humor, deveria estar cinzento e frio. Os olhos arderam se enchendo de água, os passos pelo corredor lhe chamaram de volta respirou fundo se acalmando.
As portas de folhas duplas se abriram revelando a figura que tinha assombrado seus sonhos nos últimos 5 anos. Carter estava parada já usava o uniforme da agencia, o macacão preto com o cinto onde sabia muito bem ter coisas para salvar vidas, a botina preta e a camisa branca que se revelava pelo decote do macacão.
Encararam-se por um longo tempo antes de Carter dar um passo na sua direção era como se estivesse testando onde poderia pisar e se seu corpo aguentaria a tensão do ar.
Ajoelhou-se na frente do trono curvando o corpo para o chão.
- Rainha Rosalinda. – Sua voz era baixa e cheia de respeito. – Estou aqui para servir no que for preciso.
- Exatamente. – Rosalinda disse em sua voz fria e impiedosa. – Está aqui como agente e irá cuidar da minha filha.
Apertou os dentes bem juntos reprimindo a resposta malcriada que queria dar.
- Agente Mason. – Rosalinda continuou falando. – Minha mãe disse que já foi apresentada a princesa.
- Sim minha senhora.
- Minha mãe também me informou que você entrou em atritos com o meu Capitão. – Se levantou passando por Carter. – Não quero isso, meu Capitão é um homem honrado e justo.
- Em minha defesa ele me atacou…
- Silencio Agente Mason. – Se virou para ela com tanta raiva que Carter se calou no ato. – Ele está fazendo o que acha melhor para todos.
Carter se levantou e a encarou, seu corpo todo tenso, seus olhos se prenderam nos dela.
- Então que merda eu estou fazendo aqui? – Andou até a rainha se esquecendo de toda a pompa. – Se ele é tão bom assim o que eu estou fazendo aqui?
- O seu trabalho. – A enfrentou sem ceder.
- O meu trabalho rainha é ensinar arte para as crianças na escola em que trabalho. – A voz saiu entredentes. – Estou aqui a pedido de Vossa Majestade.
Rosie virou o rosto para o lado respirando com força, fechou os olhos se concentrando em não chorar.
- Apenas cuide de Helena e não se meta em confusões. – Deu as costas para Carter e foi até a janela se apoiando no parapeito. – Apenas não assuste minha filha e não ouse fazer com que ela goste de você.
- Por que não? – Franziu a sobrancelha.
- Por que você está aqui apenas para mantê-la segura e quando o pai dela voltar pra casa ele vai cuidar dela e a proteger. – A lagrima fluiu pelo seu rosto. – Ele vai ser o pai dela e ela não vai se lembrar de você porque você não vai ter sido nada.
Carter vacilou seu rosto se contorceu de dor enquanto dava três passos para trás.
- Como quiser Vossa Majestade. – Se curvou recuando de costas até a porta.
Helena estava em sua sala de brinquedos sentada no tapete brincando com suas bonecas. Carter estava parada na porta a observando enquanto uma das amas da criança bordava sentada no banco da janela.
Sentiu aquela sensação de novo, seu coração se encher de alegria apenas pela visão da criança. E ao mesmo tempo sabia que aquilo era tão errado, Rosalinda não queria que a menina se apegasse a Carter. Porque Rosie havia lhe dito tudo aquilo? Porque falara daquela maneira? Poderia rir pelas perguntas, sabia muito bem por que ela estava fazendo tudo aquilo.
Era apenas para lhe punir.
