NARUTO,NÃO ME PERTENCE, NEM A HITÓRIA! CAPITULO DOIS
Hinata voltou para casa, dizendo a si mesma para não reagir com exagero. Tudo aquilo não era nada, apenas uma coisa que ocorre de vez em quando. E que só não tinha acontecido antes porque eles moravam em mun dos diferentes.
Ela estivera cara a cara com um homem por quem já fora apaixonada uma vez, è só. Ainda que alguém mais cínico pudesse simplesmente descrever aquele caso como uma paixão e um fogo juvenil. Seu amor da ilha grega se materializou com sua família na casa ao lado e isso não era nada mais que uma incrível coincidência.
E nem era algo tão terrível assim, certo?
Mas o pensamento de subir e continuar com suas notas de pesquisa era quase tão atraente quanto a idéia de vestir um biquíni e ir tomar sol no jardim dos fundos da casa, imaginando se tudo que fizesse a partir de ago ra não poderia ser visível aos olhos de Sasuke. E Hinata dizia a si mesma que, mesmo que fosse, ela não se im portaria. Estas coisas aconteciam no mundo dos adul tos, e ela teria que encarar.
Assim como teria que encarar a mulher dele. E ape sar deste pensamento não ter o menor direito de machu cá-la, era o que acontecia.
Aos poucos ela começou a voltar à normalidade. En controu-se com uma amiga para beber alguma coisa e depois foram ao cinema. Mas passou a noite acordada, achando que os números vermelhos do relógio digital mudavam muito devagar.
De manhã, tomou um banho, se vestiu, fez café e quando a campainha tocou, Hinata bateu em sua boca, dizendo a si mesma que seria somente o carteiro. Mas ela sabia que não era o carteiro. Podem chamar de sexto sentido ou intuição feminina, mas ela sabia exatamente quem estava à sua porta.
E ele estava.
Ela abriu a porta e olhou para os olhos negros e enig máticos.
— Sasuke — ela disse cautelosamente.
— Hinata — ele respondeu, debochando de seu tom. — Estou incomodando?
É claro que ele a incomodava, mas ela balançou a cabeça.
— Não.
— Você não está trabalhando? — ele perguntou, er guendo a sobrancelha.
— Agora não.
Hinata respondeu à pergunta feita pelos olhos de Sasuke.
— Eu escrevo.
— Romances?
Ela balançou a cabeça.
— Livros e artigos de turismo, mas isso realmente não vem ao caso. Olha, Sasuke, eu não sei o que você quer. Só estou um pouco surpresa de vê-lo aqui.
Os olhos dele zombavam dela.
— Mas você sabia que eu viria. Sim, ela sabia disso.
— Você quer alguma coisa em particular?
— Você não acha que devemos conversar?
— Para dizer o quê?
— Ah, Hinata — ele ralhou suavemente. — Há mais que uma situação mal resolvida entre nós, não é? Você acha que podemos simplesmente ignorar o passado, como se ele nunca tivesse acontecido? Cruzarmos um com o outro na rua como estranhos bem educados?
— Por que não?
— Porque as coisas não funcionam assim.
— Não?
Ela se perguntava se a esposa dele sabia que ele es tava ali, mas isso era assunto dele, não dela. E ele esta va certo: havia uma situação mal resolvida. Coisas que nunca foram ditas e que talvez devessem ser ditas, prin cipalmente se ela fosse se encontrar com ele sempre na vizinhança.
— Então eu acho que você deveria entrar.
A voz dela parecia calma quando falou, mas por dentro ela não se sentia assim.
— Obrigado — ele murmurou.
Ele não esperava que fosse tão fácil, mas talvez ti vesse achado, se parasse para pensar sobre isso. Afinal, tudo não tinha sido sempre tão deliciosamente fácil com ela? Fora uma sedução sem atritos com Hinata, mas não havia nele um lado perverso e chauvinista que esperava dela um pouco mais de resistência?
Ele notou o sorriso glacial e gentil, e imaginou se não haveria algo mais por trás dessa aparente frieza. Talvez ele não se importasse a mínima se eles conver sassem ou não. Talvez houvesse outro homem em sua vida; certamente uma mulher tão bonita quanto Hinata não estaria sozinha. Um outro homem que ela adorasse como uma vez o adorou.
Ele ficou parado dentro da casa, e o caimento exube rante das nádegas dela ativaram um poderoso botão em sua memória. Ele sentiu uma pulsação profunda e forte latejar em sua virilha e seu corpo agiu como se o traís se. Ela se movimentou segura de si, e algo nesta nova Hinata mais velha o embevecia de tal forma que o dei xava frustrado e furioso.
Ele já a conhecia do verão quente de Pondiki, um verão de paixão irracional. Ela o deixou louco de dese jo naquele verão, assim como aos outros homens de sangue quente da ilha. Os pequenos vestidos de algo dão que usava quando trabalhava... Ou aquelas tiras de tecido escandalosas que usava na praia para cobrir seu corpo... Ou nuazinha, somente com os círculos quei mados de seus mamilos e a pouca penugem em suas coxas, as únicas coisas que cobriam aquela pele clara e desnuda.
Ele vibrava de alegria ao saber que somente ele a tinha visto despida e desinibida daquela forma, mas es tava errado quanto a isso. Até mesmo agora, a memória ainda tinha o poder de irritá-lo, mas aquela foi a pri meira e última vez que uma mulher o traíra.
Ela virou para ele, determinada a mostrar a imagem de uma profissional urbana e brilhante, mesmo que por dentro se sentisse como a adolescente impressionável que um dia foi. Ontem, ela reagira de forma anti-social, mas ontem ela tinha uma razão para isso. Ontem, a apa rição dele fora um acontecimento inesperado. Hoje, não havia desculpas.
— Eu estava tomando café, você aceita?
Ele sorriu. Como as coisas mudam! Ela tinha o cos tume de praticamente arrancar as roupas do corpo dele quando o via. Quem pensaria que um dia ela lhe ofere ceria café de uma maneira tão distante e fria que ele jamais associaria a Hinata?
— Por que não?
Ela se sentiu uma estranha em sua própria casa, quando ele a acompanhou até a cozinha e se sentou em um dos bancos altos do balcão, mas depois Sasuke do minou o ambiente como uma estrela ofuscante. Ele sempre fazia isso.
— Você ainda gosta do café preto? Ele sorriu carinhosamente.
— Ah, você se lembra?
A mão de Hinata tremia suavemente enquanto ela servia o café, automaticamente entregando a ele uma xícara de café passado forte, sem açúcar e sem leite. Ele pegou a xícara de sua mão, com aquele olhar debo chado.
Ah, sim, ela lembrava certinho. É engraçado como alguém pode decorar a tabuada ou a conjugação dos verbos em francês por anos na escola e ainda assim esquecê-los, mas, por outro lado, ser capaz de lembrar de quase tudo sobre um homem com o qual curtiu um caso breve e passional. Seria a memória seletiva — e cruel?
— Não precisa tanto esforço, Sasuke. Todo mundo na Grécia toma café desta forma — falou Hinata, en quanto pegava uma caneca.
Mas ele gostaria de saber do que mais ela lembrava. Da sensação da sua carne envolvendo a dela, da força delicada dele dentro dela seguidas vezes? Será que ela se lembrava disso agora como ele lembrara? Ela o ha via aturdido de uma forma que nenhuma mulher conse guira, nem antes nem depois, e se ele alguma vez já festejara o fato, há muito isto não fazia mais do que assombrá-lo.
Ela estendeu o café na direção dele, se detestando por pensar que a pele sedosa de Sasuke estava próximo o bastante para um toque. Por um longo tempo ela tinha sonhado em tê-lo assim tão perto novamente, e agora que ela o tinha, se sentia... Hinata fechou os olhos bre vemente. Estava com medo, e não tinha certeza por quê.
— Aqui.
— Obrigado.
Mas ele ignorou o café e lançou seu olhar fixo sobre ela.
Ela vestia uma saia jeans curta e uma camiseta bran ca com flores estampadas no peito. Seus pés estavam descalços e as unhas estavam pintadas com um rosa brilhante, e ele automaticamente sentiu a boca seca de desejo. Algumas mulheres sabem como deixar um ho mem ligado simplesmente por existirem, e Hinata Hyuuga era uma delas.
— Você está me olhando fixamente — ela disse, calmamente.
— É. Imagino que a maioria dos homens faça isso.
— Não de uma forma tão espalhafatosa.
— Ah. — Ele sorriu. — Mas eu sou grego, e nós não temos vergonha de mostrar nossa apreciação pelas coi sas belas.
Ela se lembrou disso também, e do quanto aquilo a excitava. E não era só a atenção que concediam às mulheres, era assim também com a comida, com um bebê ou com um pôr-do-sol espetacular. Os homens gregos sentiam-se abertos para mostrar seu prazer pelas coisas boas da vida.
Com esforço, ele desviou seus olhos das atrações do corpo de Hinata, forçando sua atenção para o pé-direito alto da cozinha.
— Sua casa é linda.
— É — ela se esforçou para se concentrar. — Mas você não está aqui para falar da minha casa.
E também não estava ali para ficar olhando para ela de uma maneira que também a fizesse lembrar de como eles já tinham sido íntimos.
— Não.
Ele estava analisando a cozinha para ver se notava sinais de que um homem morasse ali, mas não os en controu. Pelo menos não que pudesse ver.
— Você é casada?
— Já fui, mas não sou mais. Sou divorciada.
— Ah.
Ele lançou um ar triunfante para ela.
— Muito do que quero conversar é sobre isso.
A maneira como ele falou fez com que ela se sentis se culpada. Teria sido esta a intenção? Ela conhecia os pontos de vista dele sobre divórcio. Sobre a destruição de famílias. Ele condenava este estilo de vida fácil que havia sido tão diferente do seu. Ela já sabia qual seria a próxima pergunta antes de ele perguntar.
— Filhos?
— Não.
Hinata mexeu seu café desnecessariamente e, em se guida, ergueu os olhos na direção dos olhos dele. Até então, ele estava fazendo as perguntas, mas ela também tinha várias perguntas a fazer.
— Você tem outros filhos, além de Sarada? Ele balançou a cabeça negativamente.
— Somente Sarada.
— E sua esposa? Ela não acha meio estranho você ter vindo aqui esta manhã? Você pretende falar para ela sobre nós?
— A que "nós" você se refere, Hinata? — ele repli cou, suavemente. — O que mais há para contar, que nós fomos amantes até que alguém mais interessante apareceu?
Alguém mais interessante? Como se alguém pudes se ser mais interessante do que Sasuke!
— Alguém por quem você se perdeu e sobre quem atirou seu marcante e recém-descoberto apetite sexual? — continuou Sasuke calmamente, mas com remorso. Ele se lembrou da visão do peito desnudo do homem. De Hinata desabotoando seu vestido. Da maneira como a mão do homem agarrava-se à curva do quadril dela, e esta imagem tinha o poder cego de levá-lo de volta ao passado. Para lembrá-lo de como desejou socar alguma coisa.
— Ele era um bom amante, Hinata? Tão bom quanto eu?
Mesmo agora, o senso de injustiça era poderoso o suficiente para machucá-la. Para ser erradamente con denada no mais fundo de seu coração. E agora, tocada pela necessidade de se defender, tudo mais lhe parecia insignificante. Pois ele não estava dando a ela a oportu nidade de dizer o que ele tinha se recusado a ouvir na quela época? A verdade?
— Você não pensa de verdade que eu fiz sexo com Naruto naquela noite?
— Naruto — ele imitou de forma cruel. — Ah, eu não sabia o nome dele. Naruto.
Os olhos negros brilharam.
— Foi simplesmente loucura da minha cabeça, não foi, agape mou, pensar que quando peguei minha na morada na cama com outro homem ela estivesse fazen do sexo? O que mais me faria pensar assim? Não se esqueça, Hinata, eu sabia como você era. Eu sabia o quanto você amava isso. Eu nunca conheci uma mulher que amasse sexo de uma forma tão intensa e completa como você.
Do que adiantaria agora responder num tom choroso que era a ele que ela sempre amara? E o que exatamen te é que tornara isso tudo tão confuso e particularmente especial? Sexo com Sasuke era tão natural e necessário quanto respirar. Naquele momento, teria sido mais fá cil ganhar asas e voar do que ter intimidades com outro homem.
— Você se cansou de mim? — Sasuke perguntou. — Foi por isso que você pegou o americano e o levou para sua cama? Você se encheu de mim, Hinata, ansiosa para experimentar suas recém-adquiridas habilidades sexuais com outra pessoa?
Hinata queimava por dentro, tomada pela necessida de de separar a verdade da mentira.
— Eu nunca toquei nele, Sasuke — sussurrou Hinata. — Nem ele me tocou, não como você está pensan do.
Ele lembrou da imagem dela, as pernas espalhadas sobre a cama. Foi a primeira vez em sua vida que sentira ciúme de verdade, e a força deste ciúme se apossou
dele.
— De que maneira eu devo pensar? Ele estava dor mindo na cama ao seu lado!
— Não foi assim!
— Ochi? — Ele sorriu de forma cruel. — Então como foi? Estou interessado em ouvir!
— Ele estava me consolando.
— Te consolando? — Ele riu. — Que homem de sorte, oferecendo consolo daquela maneira! Eu vou co meçar a oferecer consolo às mulheres bonitas, assim vou me sentir muito nobre!
Foi a gota d'água para Hinata: ela já ouvira o bastan te. Afinal, ele estava na casa dela, aquele era território dela e ela o estava deixando dominar a situação de uma forma que parecia muito natural para ele. Lançando acusações, enquanto ela, frágil, tentava se defender, quando na verdade ela mesma tinha algumas acusações a fazer.
— Na verdade, sim, ele estava me consolando — ela disse.
Ela olhou para Sasuke de frente.
— Porque eu tinha acabado de descobrir sobre Sakura, sabe?
Ele ficou imóvel, mas tão imóvel que alguém de fora poderia pensar que não estivesse respirando. Somente o brilho de ébano dos seus olhos apertados mostravam que ele respirava.
— O que é que tem Sakura? — ele perguntou, devagar.
— Que ela era a mulher para a qual você estava pro metido! Eu descobri que eu era nada mais do que uma diversão de verão, mais uma na fila de suas futuras amantes! Eu vi vocês dois juntos, sabe, Sasuke. Eu descobri, naquela noite, o que todos naquela ilha já sabiam: que Sakura era a mulher com a qual você pre tendia se casar. E fiquei muito chateada, sim. Muito chateada — Hinata disse, embora a palavra agora lhe dominasse a conversa soasse quase mansa.
Chateada? Naquela época, parecia que lhe tinham arrancado o coração à faca e deixado apenas um bura co sangrando. Primeiro amor e primeira decepção... E não dizem que a ruptura do primeiro amor é a mais profunda?
Todos diziam que a dor iria passar e que ela ficaria curada, como realmente ficou. Mas restou a cicatriz enorme e profunda no caminho.
Ela levantou a cabeça e o encarou com os olhos bri lhantes e interrogativos:
— Por falar nisso, o que aconteceu com Sakura? Houve uma pausa. Uma pausa que parecia durar uma eternidade.
— Eu me casei com ela.
O mundo parecia ter perdido o foco, e quando o foco voltou, o mundo era diferente. Era o que ela sabia e esperava, mas que não queria ouvir. Haveria uma parte tola dela desejando que ele tivesse dito que aquela his tória era um engano? Que ele não tinha sido prometido para Sakura, na verdade? Ou que ele tinha sido pro metido, mas mudara de idéia com o passar do tempo?
Por um lado, as coisas pareciam piores; por outro, ironicamente, elas pareciam melhores. Ela não estava errada então. Aquelas noites que passara em claro ima ginando se não teria jogado tudo para o alto com uma conclusão precipitada não foram em vão. Seus instin tos estavam certos o tempo todo. Ela respirou bem fundo.
— Não seria melhor então você voltar para ela? — perguntou Hinata, friamente. — Dadas as circunstân cias, creio que ela não gostaria de ver você sentado na minha cozinha, tomando meu café, concorda, Sasuke?
— Minha esposa já morreu — ele disse, abrupta mente.
Um silêncio chocante e terrível tomou conta do am biente, e Hinata, paralisada por emoções conflitantes, ficou, por alguns longos segundos, sem falar.
Morta? Ela olhou para ele descaradamente, procu rando a afirmação sombria em seus olhos.
— Eu sinto muito — sussurrou Hinata. — Q...quan do? — perguntou.
— Quando Sarada era bebê.
— Meu Deus, Sasuke, isto é horrível.
Ele balançou a cabeça. Não queria a simpatia dela. Aquilo era irrelevante e fora de cogitação agora. Ele percebeu que a queria. Sempre quis e ainda queria. Para perder seu corpo nas curvas brancas e suaves do corpo dela. Para sentir aquele cabelo escuro desordena do roçando como seda em seu peito. O desejo poderia explodir a qualquer momento, e aquele não era o mais adequado, mas isso não o impediu de sentir uma cor rente lenta e furtiva correndo em suas veias, como uma droga incessante.
— Foi há muito tempo. Isso é passado.
Por um momento, tudo que se podia ouvir era o tique-taque do relógio.
— Quantos anos tem Sarada agora? — perguntou Hinata, de repente.
Os olhos negros ficaram cerrados.
— Quinze.
Dessa vez foi mais fácil fazer as contas.
— Então você e Sakura se casaram depois que eu deixei a ilha?
Mas ela não precisava de uma resposta para isso.
— É claro que sim.
Ela o olhou dentro dos olhos.
— Apenas me diga uma coisa, Sasuke. Você dormia com ela enquanto estava comigo?
Os olhos dele congelaram e a boca se contraiu em desgosto. Se alguma coisa pudesse demonstrar as dife renças fundamentais entre eles, esta pergunta teria fei to isso com uma simplicidade única.
— É claro que não. Sakura foi criada para ser vir gem até a noite de seu casamento.
Ele fez isso para feri-la — e conseguiu —, mas era verdade, e quem era ela para discutir sobre isso?
Hinata queria dizer a ele para beber seu café e ir em bora, mas havia um lado dela que desejava justamen te o contrário. Queria tomá-lo em seus braços como se os anos simplesmente jamais tivessem passado e exorcizar aquela influência sensual de uma vez e para sempre.
— E agora? — perguntou Hinata, impressionada com a calma de sua voz. — Você ainda nem me disse por que está aqui, ou por quanto tempo vai ficar. Ou ainda como você veio morar tão perto de mim.
Os olhos dela estavam perguntando e ele deu uma risada suave.
— Você acha que eu te segui? Que descobri onde você morava para me mudar para a casa ao lado?
Quando ele falou isso, ela percebeu o quanto a idéia parecia ridícula.
— Então foi tudo uma terrível coincidência?
Terrível? Até aquele momento não parecia tão terrí vel. A mulher que sempre foi capaz de levá-lo ao paraí so e trazê-lo de volta estava morando na casa ao lado. Pensativo, Sasuke passou o polegar pela circunferên cia morna da xícara de café. Se o destino tinha ofereci do uma oportunidade tão empolgante para o gozo de antigos prazeres, quem era ele para recusar tal oportu nidade?
Ele a encarou, como se perguntasse se realmente uma situação daquelas poderia ser considerada coinci dência. Agora que ele pensava sobre isso, teria alguma vez descrito Hampstead para ele, dizendo como o lugar era bonito, pintando um quadro dos arbustos e de todas ás suas glórias? Teria esta descrição plantado uma se mente no inconsciente dele, de tal modo que, quando estava escolhendo onde morar em Londres, instintiva mente tivera uma queda pela área verde e arborizada que parecia tão longe da cidade mas que, na verdade, era tão próxima? Teria ele desejado inconscientemente que o destino intercedesse, como acabara acontecendo?
— Estou aqui por algumas semanas — ele disse, pausadamente. — Sarada vai para uma escola de verão de inglês e eu quis acompanhá-la.
O pensamento dela palpitou de novo. Ela estava fi cando boa em aritmética mental. Algumas semanas. Não era para sempre. Certamente não seria necessário fazer planos para saber que um estaria fora da vida do outro em pouco tempo.
— Então o que faremos?
— Faremos? O que você sugere?
Mais como uma tática de diversão, ele pegou seu café e deu alguns goles, com os olhos negros desafian do Hinata através da esparsa fumaça que subia, forman do uma espécie de nuvem. Ele imaginava o que ela diria se ele dissesse o que gostaria de fazer exatamente naquele momento, e como reagiria. Ela corresponderia a um beijo, caso ele a tomasse nos braços e começasse a beijá-la? Ele observou a dilatação das pupilas dela e mais uma vez sentiu o poder do desejo latente. Porque nada era mais sedutor do que o desejo mútuo, especial mente quando uma das partes faz o máximo para es condê-lo.
— Somos vizinhos, Hinata — ele disse, suavemente.
— E temos que nos comportar como vizinhos.
— Você quer dizer... — ela engoliu — ...evitarmos um ao outro sempre que possível?
— É assim que os vizinhos ingleses se comportam?
— zombou. Ele balançou a cabeça e sorriu. — Ao con trário — disse, e a voz profunda e rude soou tão doce quanto mel quando ele se levantou, fazendo com que o alto pé-direito da cozinha parecesse casa de boneca perto da altura dele, dominando o ambiente. — Nos saudaremos e falaremos sobre o tempo sempre que nos encontrarmos!
— Ha, ha, ha — ela riu automaticamente. Ele ergueu as sobrancelhas.
— Mas nós dois somos adultos, certo? Tanto eu quanto você já fomos casados. Como é aquele ditado que vocês dizem sobre uma grande quantidade de água?
— Que escorreu por baixo da ponte — ela comple tou automaticamente, lembrando de como ajudá-lo com o inglês era mais pungente do que qualquer outra coisa.
Hinata deslizou a perna pelo banco e desejou que não tivesse feito isso. Ela sempre fora pequena, mas Sasuke fazia com que se sentisse ainda menor; e sua saia de repente pareceu ter encolhido.
— Litros da substância — ela brincou, pensando que logo isso acabaria. Deveria acabar. Ela seria sensata e perceberia que eles não poderiam sequer ser amigos, muito menos algo mais. Não agora.
Ele sorriu em seguida, mas era um sorriso natural, acidental, que Hinata não conhecia e que a ameaçou mais do que qualquer outro sorriso.
— Então eu venho para a sua festa — ele disse, sua vemente.
Ela ficou parada olhando para ele.
— Minha f-festa? Do que você está falando?
— Você vai ter uma festa, Hinata.
Ele sabia ler pensamentos? Havia balões e caixas de taças de champanhe espalhadas pela casa sugerindo isso? Sentindo-se meio exasperada e desorientada, Hinata olhou em sua volta, na cozinha. Não. Como dia bos ele sabia daquilo?
Ela não estava pensando com clareza, e só havia uma razão para uma mulher agir de forma tão distraída, ele notou com um fervoroso senso de triunfo.
— Você me enviou um convite, lembra? "Para os novos moradores" — ele disse, de forma seca.
É claro que tinha convidado. Ela tinha enviado con vites para todos os moradores da rua, sempre fazia isso. O coração dela começou a disparar, e ela não era boba, nem queria se enganar e negar que parte da razão era excitação. Mas seria loucura se ele Viesse. Loucura to tal e absoluta.
— Enviei convites para todos os vizinhos — ela dis se, impetuosa. — Porque provavelmente a festa será barulhenta, e deve acabar tarde.
— Bem, então... — Ele deu de ombros. — Você quer acalmar seus vizinhos, entre eles eu? Então me acalme, Hinata.
— Sasuke — ela suplicou, revestindo-se de cora gem contra a segunda intenção sensual no tom de voz dele, imaginando se aquele ato tinha sido deliberado ou era somente parte do pacote irresistível que ele apre sentava.
— Você não está pensando seriamente em vir?
— Ah, estou — ele contestou. — Vai ser bom para mim conhecer pessoas enquanto estou aqui, você não acha? Além disso, eu gosto de festas — falou ao sorrir abertamente.
Ela apostava que sim!
— Bem, é claro que não posso desconvidar você — falou lentamente. Ela ergueu seu rosto na direção do dele, inclinando o queixo de forma desafiadora, em um gesto que pretendia dizer que agüentaria a pre sença dele. Certamente não daria a ele o prazer de ser barrado.
— Se você insistir em vir, acho que não poderei im pedir.
Quando ela ergueu o rosto dessa forma, estava quase implorando para ser beijada, e o desejo de fazer isso quase tirou seu ar. O que ela faria se ele a beijasse?, ele imaginou.
— Você pode me impedir, se quiser — ele replicou. — Mas você não quer. Quer, Hinata?
Não que ela fosse realmente mostrar se se importaria com uma possibilidade ou outra.
— Ah, vai ser interessante ver seus instintos preda tórios em ação com as minhas amigas — disse, doce mente. Ela fez uma grande pantomima olhando para o relógio.
— Agora eu realmente tenho coisas para fazer. Pos so acompanhá-lo até a porta?
Sem esperar uma resposta, Hinata caminhou para fora da cozinha, na direção do hall e, relutante, Sasuke começou a segui-la. Ele estava sendo dispensado! Ja mais toleraria este comportamento de outra mulher e sentiu a dor quente e vaga da frustração quando ela abriu a porta. E se permitiu pensar na tentação inevitá vel do que aconteceria entre eles.
Ele sorriu para ela.
O beijo esperaria.
