Monkey D. Luffy
Acordou de seus devaneios com o barulho do portão, passou rapidamente e em menos de cinco minutos estava na frente de casa. Depois de guardar o carro na garagem e seus equipamentos, foi para seu quarto onde pegou uma daquelas maletas revestidas que servem para guardar objetos mais delicados. Abriu-a e dentro dela havia dois braceletes prateados com detalhes idênticos.
- Armillas* Lightbringer, se não forem colocados ou tocados diretamente por um Light, a pessoa sentira seu pulso queimar de forma cruel.
Conseguira-os em seu primeiro roubo na casa de um executivo chamado Bellamy. Conhecera-o em uma reunião de negócios que tivera na empresa e a primeira coisa que pensou foi "nojento". Ficou sabendo que ele havia comprado os braceletes em uma conversa alheia e querendo provar que não acreditava em lendas tentou coloca-los e como conseqüência ganhou duas belas marcas de queimaduras em volta dos pulsos.
- agora mais um se junta à coleção – colocou a mão no bolso e tirou uma pequena sacolinha de pano preta e de lá tirou um cordão de prata com um belo pingente cheio de detalhes também prata em formato oval – Pendenti* Lightbringer.
Esse deu um pouco mais de trabalho, tinha de admitir. Por mais que tivesse treinado unicamente para aumentar suas habilidades tanto motoras quanto psicológicas, entrar na sede de uma multinacional foi um grande desafio.
- porém divertido – colocou com cuidado o colar na maleta e logo depois fechou e guardou no cofre escondido de seu quarto – ainda faltam três, mas depois eu penso sobre isso, se me lembro bem, Robin disse que teria uma reunião matinal.
Nami não demorou a dormir, sentia tanto cansaço depois dos roubos que às vezes pensava em desistir, mas logo se lembrava o porquê de estar se arriscando tanto desse jeito.
OOO
Na central de policia de Linered, Akainu quebrava tudo o que vinha pela frente e não havia ninguém que o fizesse parar. Não conseguia ficar calmo depois da humilhação que Gatuna o fizera passar hoje. Ela conseguiu escapar debaixo do seu nariz e ainda desligou o alarme de todo o sistema de segurança como se fosse um brinquedinho.
Já ia tacar o telefone na porta quando esta foi aberta pelo Comandante geral Sengoku.
- senhor – disse tentando parecer o mais calmo possível.
- olá Akainu, sente-se, por favor – os dois se acomodaram e o silêncio reinou até que Sengoku quebrou a tensão.
- deve saber o porquê de eu estar aqui não é?
- o caso da Gatuna – Akainu cerrou os punhos embaixo da mesa
- exato, estou aqui para dizer que depois de cinco artefatos roubados, entre eles duas jóias da antiga família Lightbringer, é minha obrigação mandar alguém da sede nacional.
Akainu odiava aquelas pessoas. Pensavam que por serem de lá tinham mais direitos e menos deveres que os outros.
- sim... Senhor – foi o que conseguiu dizer.
- ele não trabalhará nas operações diretamente então não irá te atrapalhar.
Akainu olhou confuso para o comandante.
- se ele não vai trabalhar nas operações, que tipo de pessoa vai mandar?
Sengoku sorriu.
- um detetive.
OOO
Acordou com o sol em seu rosto, havia deixado a cortina aberta de novo e odiava quando o fazia. Olhou o relógio e deu um pulo.
- DROGA!
Tomou um banho para tirar o cansaço além de lavar os longos cabelos alaranjados que ainda tinham um pouco de poeira dos dutos de ar por onde tivera que passar ontem. Prende-os num coque que deixava alguns fios soltos e logo depois vestiu uma calça social preta e uma camisa sem mangas branca. "Simples, mas elegante" pensou. Olhou o relógio e percebeu que tinha vinte minutos até a reunião começar. Pegou sua pasta e correu em direção ao carro de onde só saiu quando chegou ao escritório da sede da Light Company.
- só tenho cinco minutos.
Nami trabalhava naquela empresa desde que descobrira que era uma Lightbringer e graças a sua inteligência e carisma, conseguira se tornar chefe do departamento de economia em menos de um ano. Teve que aprender a conviver com Arlong mesmo querendo arrebentá-lo todas as vezes que o via. Em um de seus roubos, entrou em sua casa durante a noite e roubou uma jóia valiosíssima que ele mantinha no seu cofre particular. Ele ficou tão puto no dia seguinte que chegara a ficar vermelho. Teve que se segurar muito para não gargalhar. Dos cinco roubos que havia cometido, três deles haviam sido somente para tirar a atenção dos policiais, o que tem funcionado perfeitamente.
Entrou na sala de reuniões e percebeu que o peixe (como chamava Arlong) ainda não tinha chegado. Sentou-se rapidamente e deu um oi rápido para seus colegas.
- atrasou de novo Nami? – Vivi era a chefe do departamento pessoal.
- mais ou menos isso.
- que tipo de funcionário atrasa para uma reunião tão importante? – ralhou Zoro, chefe do departamento de segurança.
- o mesmo tipo de funcionário que fica dormindo o dia todo no escritório – o pessoal desatou a rir, brigas entre os dois eram sempre freqüentes – pensa que eu não sei que se não fosse pela Tashigi você já não teria sido demitido? Ela manda mais do que você.
Agora tudo mundo ria do comentário da ruiva e se não fosse pela entrada de Arlong na sala, a briga seguiria.
- admiro a animação de vocês – disse o peixe sarcástico – mas vamos sentar que o assunto de hoje refere-se à nova estrela da cidade.
Todos pensaram em um nome: Gatuna. Menos Zoro que parecia estar dormindo.
- alguma nova pista? – perguntou Vivi
Os sentidos de Nami se aguçaram.
- não, mas recebi uma noticia direto do comandante Akainu, mandarão um detetive da sede nacional.
Muitos murmúrios foram ouvidos pela sala, menos o de Nami que permaneceu calada. Da sede nacional? Será que fizera tanto estardalhaço assim?
- e quando vamos conhecê-lo? – perguntou tentando não mostrar interesse.
- na festa de aniversário da cidade, será apresentado pelo prefeito.
- o quão famoso é esse detetive pra virar o foco de atenção no aniversário da cidade? – disse um dos executivos.
Arlong sorriu.
- bom o bastante para ser considerado o melhor desse lado do mundo.
OOO
- eu não acredito que vou ter que lidar com mais um idiota na minha cola.
- não se preocupe com isso Nami. Se você consegue lidar com o Akainu, você lida com qualquer um.
Robin e Nami estavam em uma cafeteria no centro aonde sempre iam ao horário de almoço ou quando queriam clarear as idéias, mas para a ruiva aquilo não estava funcionando muito bem.
- tem algo te incomodando Nami-san? – disse alguém próximo a ela que pela voz reconheceu como Sanji, o dono da cafeteria.
Ela virou-se e lhe respondeu com um sorriso.
- não se preocupe Sanji-kun. Não é nada grave.
- ainda bem, se eu puder ajudar é só me dizer.
- obrigada
O loiro voltou a seus afazeres.
- será que esse sentimento tão forte não é na verdade ansiedade? – Robin bebeu um gole de café.
- como? – agora Robin conseguira confundir legal a amiga.
- você mesma disse que estava começando a ficar entediada com a lerdeza do Akainu, talvez esse novo detetive acabe sendo um verdadeiro desafio pra você e por isso está tão inquieta.
- hum... Talvez tenha razão – Nami sentiu os pensamentos voltarem ao lugar – mudando de assunto, qual será o próximo?
- Anulum Caeli*, ele está na residência do ator Bon Clay. Estaria tudo certo se não fosse por uma coisa.
- e o que seria?
- Bon Clay não tem uma agenda, ou seja, nunca se sabe onde ele vai estar então não podemos saber qual seria o melhor horário para entrar lá.
- que tipo de pessoa ele é? Talvez se descobrirmos um pouco de sua personalidade e costumes, talvez a gente descubra qual o melhor momento para entrarmos em sua casa.
Robin procurou um sobre o ator na internet e quase soltou uma risada quando viu sua foto.
- o que foi Robin?
- acho que podemos defini-lo completamente só com essa foto.
Nami pegou o notebook e quase teve um ataque de riso. Diante dela estava um homem vestido com uma espécie de roupa de bailarino fazendo uma pose mais do que ridícula.
- tem certeza que é ele? – a ruiva tentava se controlar.
- sim, e mais uma coisa, ele é perito em artes marciais – Robin voltou a sua expressão serena de sempre – um estilo que ele adotou como balé kempo. Por isso estou receosa
Nami, se ele estiver em casa quando você aparecer, ele pode muito bem competir com suas habilidades.
- não se preocupe com isso, sou cuidadosa e você sabe além do mais, o quão difícil deve ser roubar um anel?
-... – Robin ainda não estava convencida, mas como sabia que ela não mudaria de idéia só lhe restava apoiá-la.
- certo, então que tal amanhã à noite? Hoje será a festa da cidade e se você não for poderá levantar suspeita.
- entendi, vou me preparar. Vai aparecer por lá?
- infelizmente sim, afinal sou uma das colaboradoras do museu da cidade de Linered não sou?
Nami já ia saindo quando lembrou de algo.
- você só me disse a localização do Caeli, onde está o Saltus*?
- ainda não consegui encontra-lo
- já tentou uma busca global?
- ainda não, mas vou.
- ta certo, então até a noite.
OOO
Depois de uma hora de reunião sobre os mais diversos assuntos da empresa, Arlong finalmente voltou para sua sala para relaxar durante uns vinte minutos antes de começar a assinar um monte de papéis. Estava quase dormindo na cadeira quando recebeu um telefonema.
- alô? – tentou disfarçar a voz de sono, mas parece que não deu muito certo.
- muito trabalho é? – Akainu tinha uma voz debochada ao falar.
- devo isso a quem? Você que deveria estar aqui não eu.
- seria muito suspeito se do nada eu virasse o presidente da Light Company, você era o vice-presidente não eu.
- não ligou para falarmos do passado não é?
- Acha que gosto de falar com você? Quero falar sobre Gatuna.
Arlong acordou na hora.
- acha que ela vai nos dar mais problemas? – Arlong já estava cansado dessa ladra.
- Sengoku disse que mesmo sendo tão novo ele é muito bom e que não deveríamos nos preocupar.
- achei que já tinha me livrado daquela maldita família, mas aquelas jóias continuam a me assombrar.
- está com medo de pedaços de metal agora Arlong? – disse sarcástico.
O peixe calou-se.
- somente um Lightbringer pode usá-las e no momento todos estão mortos então pare de ocupar a cabeça com assuntos desnecessários. – Akainu desligou.
- essa história ainda vai me dar muita dor de cabeça.
Teclou um número uns dos números de seu telefone que contatava diretamente com sua secretária.
- deseja algo senhor?
- não deixe que ninguém me incomode, sem exceções.
- sim senhor.
Arlong acomodou-se em sua cadeira e em poucos minutos o sono veio.
"- você sabe que não há outra maneira Arlong
- mas isso já é demais.
- que foi? Vai amarelar agora? Não podemos mais voltar atrás, VOCÊ não pode mais voltar atrás.
- vamos logo com isso.
O sorriso de Akainu poderia ser considerado diabólico.".
O presidente acordou com um pulo.
- de novo aquele sonho.
Conhecia muito bem aquelas imagens. Foi o dia em que ele e Akainu decidiram o destino dos Lightbringer. Naquele tarde em especial, Arthur iria levar sua família para um passeio, porém no meio do trajeto ele começou a perder o controle do carro e caiu de um penhasco. Depois que chegou ao fundo da vala, o automóvel explodiu, não restando ninguém. Foi um dia triste para a cidade, pois mesmo sendo de uma família nobre os Lightbringer eram sempre gentis e humildes com todos, sem se importar com origem ou classe social. Durante as investigações, descobriram que só havia três pessoas dentro do carro no dia do acidente, estava faltando a menina mais nova, mas como ninguém nunca a tinha visto porque os Lightbringer evitavam mostrar seus filhos a sociedade antes que completassem cinco anos, consideraram-na morta. Arlong comentou sobre a possibilidade de essa menina estar por aí, no entanto, Akainu fez pouco caso.
"- ela nem deve saber quem é e talvez nunca saiba. O que está feito está feito. Vamos esquecer e voltar as nossas vidas."
- durante dezessete anos, vivi minha vida sem me preocupar com nada relacionado a eles, mas alguma coisa me diz que esses roubos e a herdeira desaparecida estão ligados.
OOO
A comemoração começara por volta das cinco da tarde, toda a população estava agora nas ruas festejando o aniversário da cidade que foi fundada há cinqüenta anos pela família Lightbringer.
- eu tenho mesmo que ir? – Nami estava quase fazendo cara de choro.
- tem sim, é uma festa em homenagem a sua família então é mais do que sua obrigação ir – Robin usava um tom de quem fala com uma criança enquanto penteava o cabelo de Nami.
- mas eles não sabem disso.
- você sabe e é isso o que importa, além do mais, é bom se divertir de vem quando.
- você fala como se eu só trabalhasse e ficasse em casa.
- mais não é isso que você faz? Pronto terminei.
Nami se olhou no espelho e ficou mais do que satisfeita com o resultado.
- obrigada Robin. Só vou colocar o vestido e depois a gente vai ta bom?
- você parece feliz.
- acha mesmo? Deve ser porque vou conhecê-lo hoje.
Entraram no carro de Nami, e em pouco tempo estavam disparando pela cidade.
"É bom que você seja um desafio decente Monkey D. Luffy"
Espero que tenham gostado.
"Doar uma review é bom e não faz mal a saúde, ajudem nessa campanha".
Armillas = braceletes
Pendenti = pingente
Anulum = anel
Caeli = céu
Saltus = floresta
