Ela suspirou olhando para o teto branco do seu novo quarto.

Agora estava pronta para recomeçar esquecer tudo que aconteceu, sabia que seria difícil tentar reconstruir uma nova vida, mas pelo menos tentaria. Ela virou de lado na cama.

Maldita insônia, pensou.

Mas ao mesmo tempo agradeceu. Sabia que se dormisse ela acordaria gritando por causa de seus pesadelos que ainda tinha de vez enquanto.

Ela havia sofrido muito, um passado que ela agora tentava esquecer, mas que era impossível. Ele estava literalmente marcado nela, em seu corpo por algumas cicatrizes, em seu coração despedaçado e em sua mente por memórias, lembranças que a faziam sofrer.

Mas ela sabia que não podia continuar do jeito que estava, seus pais não iriam querer aquilo e por eles ela prometeu para si mesma tentar viver de novo.

Arrumou suas coisas, fez a mala, mudou de estado, de cidade, de vida, aceitou o emprego novo, fez hidratação no cabelo, alugou um pequeno apartamento (sala, cozinha, quarto, banheiro), comprou um gato e roupas novas.

Ela sabia que teria um longo caminho a percorrer até se livrar ainda dá dor que sentia em seu peito, mas ela estava disposta a tentar e isso era o primeiro passo para recomeçar.

Isabella Marie Swan, esse era seu nome, tinha 28 anos, perdeu seus pais com 10 anos foi parar em um orfanato onde viveu até seus 18 anos, conseguiu entrar em uma boa universidade, se formou e conheceu aquele que destruíra sua vida, sua esperança, sua razão, seu coração, seus sonhos.

Ela olhou no relógio e viu que já eram 5 horas da manhã sabia que não dormiria e se dormisse iria ter pesadelos. Decidiu então levantar, colocou comida para seu gato, revisou o que teria que passar para seus alunos em seu primeiro dia de aula. Ela amava crianças, o olhar inocente, a vida alegre e feliz que levavam os pensamentos ainda puros livres de toda a maldade e impureza que existia nesse mundo, esse era um dos motivos que levou ela a querer ser professora de crianças.

O salário não era alto, mas o obrigado que escutava delas era melhor do que qualquer dinheiro do mundo.

Fez rapidamente um suco de laranja para beber, lavou a coisas e quando viu já eram 06h10min, decidiu tomar um banho.

Deixou a agua quente do chuveiro relaxar as tensões em sua costa, lavou seu cabelos com seu shampoo preferido de morango. Vestiu a roupa que havia escolhido para aquele momento: uma calça jeans escura, blusa branca simples de botão, um casaco preto e uma bota de salto baixo até a canela.

Pegou a chave de seu carro um Fiat Siena vermelho de segunda mão e sua bolsa. Ligou o carro ouvindo o ronco do motor, seguiu em direção à única escola infantil de Forks, ficava a quatro quilômetros do apartamento de Bella. Nela tinha a pré-escola onde Bella daria aulas e a escola Elementar.

Era dois prédios marrons e brancos de dois andares, Bella havia ido lá ao dia anterior conhecer a propriedade, saber onde ficava sua sala, pegar os materiais que iria precisar. Era uma escola que tinha mais de 200 alunos e menos de 300.

— Bom dia Isabella — uma mulher sorridente cumprimentou Bella.

— Bom dia senhorita Coper — Bella disse educadamente — Me chame apenas de Bella — falou, assim que gostava de ser chamada.

A sala que ela daria aula ficava no segundo andar entre a terceira e quinta sala. Não era grande, tinha vinte carteiras, alguns armários. A mesa de Bella ficava no centro, em frente à lousa, as paredes eram de amarelo fraco e tinha alguns painéis com desenhos e cartazes.

Colocou sua bolsa em cima da mesa, arrumando suas coisas, não demorou muito e alguns alunos começaram a chegar, alguns pais falaram com Bella querendo conhece-la melhor. Ela havia conseguido esse emprego de última hora quando a professora anterior recebeu uma proposta melhor em uma escola em Seattle.

— Você é Isabella Swan, certo? — uma mulher baixa de cabelos curtos e olhos claros perguntou, Bella reparou um pouco mais nela, percebendo que a moça era linda e poderia até ser uma modelo, estava bem vestida.

— Sim sou eu — Bella respondeu sorrido timidamente para a mulher.

— Prazer, meu nome é Alice Whitlock — ela falou estendendo a mão para Bella que a apertou — Eu sou tia de um de seus alunos, Emmett Cullen — ela apontou para um menino sentado no fundo da sala brincando com algo na mão. Bella não pode ver seu rosto, pois ele estava olhando para baixo — O meu irmão ficou preso no hospital, ele é médico, então não pode vim trazê-lo e me pediu para conversar com você.

— Pode falar

— Bem é que Emmett é um menino especial, ele é tímido na frente de pessoas desconhecidas, então não estranhe se ele não falar nada ou se for grosseiro e bem tem outra coisa, mas complicada sobre a saúde dele só que meu irmão prefere explicar isso pessoalmente, então ele pediu para perguntar se poderia vim amanhã cedo conversar com você...

— É sério?

— Mas do que você possa imaginar.

— Amanhã eu vou está aqui umas seis e cinquenta —Bella respondeu, imaginando o que teria de tão sério um menino de apenas cinco anos.

— Ótimo falarei para ele lhe encontrar aqui —Bella assentiu —Agora deixa eu ir já tomei muito seu tempo.

— Sem problemas.

— Isabella pode parecer cedo, mas sinto que você é uma boa pessoa, se precisar ualquer coisa aqui está meu número — Entregou um cartão a ela —Até mais — dizendo isso saiu.

Depois de alguns minutos, Bella se apresentou para seus alunos falando seu nome e sua postura em relação a suas aulas. Pediu para que todos se apresentassem, ela percebeu que Emmett mal levantava a cabeça perdido em seus próprios pensamentos.

—Ei agora é sua vez—Bella disse olhando pela primeira vez para o rosto do menino. Emmett tinha as feições frágeis, mas que pareciam fortes, seu nariz era pequeno, seus lábios finos, ele tinha olhos cor de caramelo que não tinham brilho, o cabelo preto e crespo, a pele do menino era tão branca na parte do pescoço que dava para ver algumas veias. Bella olhou profundamente dentro dos olhos cor castanhos e sentiu uma estranha e imediata afeição por ele.

— Eu...eu não quero falar — o menino sussurrou desviando olhar de Bella.

— Ei, é só dizer seu nome, idade e o que gosta de fazer. Não dói nada —ela insistiu.

–Posso dizer sentado? — ele pediu não querendo se levantar e encarar os outros coleguinhas, Bella concordou dando um pequeno sorriso.

–Meu nome é Emmett Cullen, vou fazer seis anos daqui algumas semanas e eu gosto de desenhar — ele falou rapidamente, Bella sorriu.

— Viu não doeu — disse dando uma piscadinha para ele e passando para o próximo.

O menino abaixou a cabeça e voltou a desenhar algo no papel.

Quando todos já tinham se apresentado, Bella leu uma história para eles que ficaram atentos e riam nas partes engraçadas, na hora do lanche todos os alunos interagiam entre si, menos um, Emmett Cullen, ela caminhou até ele que se assustou vendo ela se aproximar.

— Por que você não come junto com os outros?—ela perguntou educadamente.

— E-eu não... gosto deles — ele sussurrou, comendo seu lanche.

— Posso saber o motivo?

— Eu...Eu n—não...—Bella o interrompeu percebendo que ele estava desconfortável.

— Não precisa dizer se não quiser—ela falou.

— Eu não quero dizer—ele disse.

— Então não diga— ela sorriu e ficou sentada ao lado dele observando a turma em silêncio.

Depois do intervalo Bella deu aula teórica explicando quais eram as vogais e consoantes, passou algumas atividades, depois que todos tinham terminado e já havia dado a hora de saída ela os liberou.

— Oi, Nico — ela falou acariciando a cabeça de seu gato branco assim que chegou a seu apartamento —Você deve estar com fome não é? — colocou comida e agua pra ele, depois limpou a sujeira que ele havia feito em sua sala.

Mais tarde ela se jogou na cama cansada, havia tido um longo dia e teria que acordar cedo no dia seguinte. Lembrou-se de que Alice havia dito que seu irmão queria falar com ela e pelo tom na voz de Alice era um assunto delicado e sério, pensou no menino ele parecia tão...tão tímido, ela não sabia se aquela era a palavra certa. Ligou seu som e a música clássica preencheu o silêncio do quarto, Bella adormeceu acariciando a cabeça de seu gato.

...

— Ei campeão, acorde — Edward falou suavemente para seu filho Emmett que dormia tranquilamente em seu quarto.

— Só mais cinco minutinhos — o menino murmurou virando na cama.

— Não, já está na hora de você tomar seus remédios — ele falou, o menino suspirou esfregando os olhos. Edward colocou alguns comprimidos na mão do menino que os colocou na boca, logo pegando o copo de água da mão de seu pai.

— Muito bem, agora vá banhar rapazinho — o pai disse e saiu do quarto, Emmett já sabia se arrumar sozinho.

Edward foi até seu quarto e terminou de se arrumar, hoje era seu dia de folga então não precisava vestir suas roupas brancas. Vestiu uma calça jeans preta, uma blusa cinza e colocou uma jaqueta de couro preta por cima. Ele se olhou no espelho é está legal, pensou consigo mesmo. Seu cabelo não tinha jeito mesmo.

Desceu e preparou o café da manhã de Emmett com cuidado, uma vitamina de fruta com algumas fibras e biscoitos com geleia de goiaba. Seu filho tinha a alimentação mais saudável possível, não comia coisas gordurosos e besteiras (somente escondido de seu pai ou então quando este deixava o que era muito difícil)

Emmett apareceu na cozinha, silenciosamente sentou na mesa e começou a comer seu desjejum. Edward estranhou normalmente ele vinha correndo e falante.

— Algum problema? — ele perguntou.

— Não — o menino disse bebendo um copo de sua vitamina, o pai percebeu a mentira.

— Fale — ele disse em um tom que Emmett não pensou duas vezes em responder.

— Eu estou com medo — o menino sussurrou, olhando para o chão.

— E de quê que você tem medo? — Edward perguntou vendo seu filho terminar de comer.

— O senhor vai contar para a professora nova o que eu tenho, não é?

— Sim.

— Eu...gostei dela, não quero que ninguém sinta pena de mim ou se afaste por causa disso — Emmett explicou com a voz de choro.

— Ei, não fique assim— Edward falou colocando ele em seu colo e o abraçando —Tem certeza que ela não vai se afastar de você.

— O senhor nem conhece ela — falou chorando, enterrando seu rosto na curva do pescoço do pai.

— Não, mas Alice a conheceu e disse que ela é uma boa pessoa, você sabe como sua tia sempre está certa — o menino apenas fungou sem dizer nada — Ei campeão, não era você que dizia que era homem e que nunca choraria — Edward disse querendo distrai—lo.

— Todos nós temos um momento de fraqueza—Emmett disse.

— Meu Deus Emmett quantos anos você tem?— Edward o olhou incrédulo. Como um menino de cinco anos, parecia mais maduro do que um de dez?

— Eu ouvi a Tia Alice dizer isso uma vez para o Tio Jazz — ele confessou corando, fazendo Edward rir.

–Emm, eu já falei que é feio ouvir conversar alheias, mas agora vamos pegue sua mochila, quanto mais cedo acabarmos com isso melhor — Edward falou se levantando e colocando Emmett no chão que correu até seu quarto para pegar seu material.

Esse era o Emmett que Edward conhecia.

Edward estacionou seu carro, um volvo prata lançamento que Emmett ajudou a escolher, em frente à escola. Desligou o motor tirando a chave da ignição saiu do carro depois ajudou seu filho a sair. Pegou na mão dele enquanto iam à entrada da escola.
— Você está bem?— perguntou á Emmett olhando o relógio em seu pulso, era 6:55.
— Mais ou menos— ele respondeu vendo Edward se agachar ficando da sua altura.
— Ei, campeão, não importa o que acontecer eu vou sempre estar com você — o pai prometeu ao menino que assentiu abraçando o pai. Eles se afastaram segundos depois e continuaram caminhando silenciosamente até a sala, onde provavelmente a professora estaria.
— Me espere aqui — Edward falou quando pararam em frente a sala que tinha porta fechada, mas ele podia ouvir um barulho de papéis dentro.
— Mas...
— Fique desenhando—Edward disse interrompendo o filho que suspirou e assentiu com um bico, o pai apenas de um beijo na cabeça dele e foi em direção a porta dando três batidinhas.
— Entre — ouviu uma voz suave dizer, seguida por um baque de algo caindo no chão, junto com livros.
Edward entrou na sala a tempo de ver uma mulher de costas que estava em cima de um pequeno banco cair levando consigo uma caixa de livros que segurava.
— Você está bem?—Edward perguntou ajudando ela a se levantar, sua mão tocou na dela e ambos sentiram uma sensação desconhecida percorrer o corpo deles, os fazendo soltar a mão rapidamente.

— Eu estou b...— Bella começou a dizer levantando o rosto, mas sua voz não saiu quando eles fizeram contato visual pela primeira vez.

Ambos sentiram sensações antes nunca sentidas, sensações que nunca mais os deixariam em paz, sensações que passarão a serem bem-vindas.

O homem a frente de Bella era lindo.

Era aquele tipo de pessoa que esperaríamos encontrar em uma capa de revista, em propagandas, em filmes, mas não em uma cidade pequena. Ele era alto, tinha o corpo esguio e levemente musculoso, o maxilar era quadrado e forte, os lábios finos e avermelhados eram atraentes e pareciam macios, o nariz perfeitamente proporcional ao rosto, as bochechas não eram cheias, os olhos eram brilhantes e vividos, de um tom suave de verde, na testa lisa alguns fios de cabelos caiam, ah sim o cabelo era de um tom parecido com cobre, ou bronze, ou dourado. Bella não soube distinguir a cor claramente, eles eram bagunçados dando ao homem um ar de despojado, porém mesmo o cabelo sendo no estilo acabei de acordar, era penteado, sedosos e brilhantes, ela nunca havia visto um homem tão bonito como aquele em sua frente, nem mesmo um astro hollywoodiano nem aquele que ela falara ser a pessoa mais linda do mundo.
Edward olhou fascinado a mulher em sua frente, ele não imaginara que a nova professora seria linda como a mulher em sua frente. Ela era uns vinte centímetros mais baixa do que ele, magra usava uma calça jeans clara que se adequava a suas pernas, uma blusa de frio azul que tinha gola em formato de um V— a cor da blusa deixava a pele branca dela mais cremosa —, um casaco preto por cima e sapatilha preta nos pés, seu longo cabelo castanho avermelhado batia em sua cintura era brilhoso e sedoso, o seu pescoço alvo e branco, o seu rosto tinha formato de coração, seu lábio inferior parecia um pouco maior que seu superior eram rosados e suculentos, seu nariz pequeno e levemente empinado e seus olhos não pareciam brilhosos mas sim sem vida, aqueles estranhos olhos tom de chocolate ao leite tinha o mesmo olhar que Emmett tinha quando Edward o encontrou —olhos que o conquistaram no primeiro olhar dessa vez não poderiam ser diferente.
— ... bem obrigada— Bella completou sentindo suas bochechas ganharem cor diante do olhar intenso do desconhecido.
— Disponha — Edward falou estranhando sua voz sair rouca.

Ele pigarreou.

— Eu suponho que você não seja um dos meus alunos— Bella falou suavemente querendo dissipar a estranha tensão no ar, se abaixou catando os livros do chão rapidamente vendo pelo canto do olho o homem a ajudar.
— Obrigada— ela falou quando já tinham juntado todos.
— Eu sou pai de um de seus alunos — ele falou e Bella sentiu uma pontada de inveja da mulher dele — Edward Cullen, pai de Emmett.

— Ah, sim sua irmã falou que viria — Bella disse se lembrando de Alice.

— Bom, eu posso conversar com você?—ele perguntou educadamente.

— Claro, sente-se — Bella disse caminhando até sua mesa e sentando na cadeira, ele se sentou na frete dela.

Edward respirou fundo, tudo que ele havia treinado para aquela conversa havia desaparecido de sua mente.

Ótimo, pensou irônico, respirou fundo e começou a falar, seja o que Deus quiser.


Notas da Autora:

Eu só quero deixar claro que as informações que vão estar contidas aqui nesta história sobre o que o Emmett tiver vai ser em base de pesquisas minha na internet e meu conhecimento no assunto, então não use isso para informar outra pessoa. Se algo não for bem o certo não me julgue, pois eu não sou médica.

Comentem, por favor.

Beijos