O comboio apitou, sinal que já estava de partida. Os estudantes que ainda estavam na plataforma apressaram-se a despedir-se dos familiares. Alguns 'porta-te bem'; 'se precisares de alguma coisa, envia a coruja' ou, até mesmo, 'espero que não fiques de castigo senão ficas sem a tua vassoura!' podiam ser ouvidos a sair da boca das mães mais galinhas.

Gwen deixou o carrinho, com os seus pertences junto ao vagão de carga, para que os ajudantes pudessem arrumá-los. Conseguia ouvir Belle falar das suas magníficas férias em Paris, como tinha conhecido este rapaz simplesmente maravilhoso, com um sotaque de deixar qualquer rapariga maravilhada.

- Que tal contares-me tudo isso lá dentro? Assim, mais ninguém ouve. – Gwen deu um pequeno sorriso de lado e puxou a amiga pelo braço, para dentro do comboio.

- Se calhar, tens razão. Vê se encontras algum compartimento vazio. É que não me apetece nada estar a aturar os miúdos do primeiro ano. Eles nasceram já assim tão irritantes ou são treinados? Nem os meus primos são assim!

Annabelle tinha nascido numa família muggle, uma família completamente normal. Bem, isto é, depende da definição da palavra 'normal' de cada um. Pronto, Annabelle tinha nascido numa família de não-mágicos. Aos dez anos, quando recebeu pela primeira vez a sua carta de Hogwarts, dizendo que tinham um lugar à espera dela, os seus pais entraram em choque! Como seria ter uma feiticeira na família? Mas, depois de algum tempo e muito chá, concordaram e, de boa vontade foram com ela até Diagon-Al. O que é certo é que demoraram imenso tempo para lá chegar.

Ela era filha única, por isso sempre fora muito mimada, os pais davam-lhe sempre o que ela queria. Mas, Belle, nunca se tornara daquelas raparigas que se gabam que têm tudo e do melhor. Apenas se gabava algumas vezes, uma gabarolice saudável, como Gwen costumava dizer. Apesar de não ter irmãos, tinha primos mais novos, por isso, já deveria estar habituada àquela confusão toda.

- Belle, encontrei um compartimento livre! Anda lá! – Gwen entrou num compartimento, no terceiro vagão, e sentou-se logo à janela. – Que saudades que tinha deste comboio, de ir para Hogwarts!

Belle sorriu e sentou-se à frente dela, cruzando as pernas.

- Eu também tenho saudades de Hogwarts. Mas, sabes, os meus pais não queriam que eu voltasse este ano. – A morena enfiou as mãos dentro dos bolsos do casaco preto.

- O quê? Porquê? – Por sua vez, Gwen, ajeitou-se no seu assento e inclinou a cabeça na direcção da amiga. – Por causa do que aconteceu no Ministério?

- Sim, os meus pais acham que Hogwarts já não é seguro. Sabes o que aconteceu com o Ollivander, certo?

Gwen assentiu com a cabeça.

Um dia, o seu pai tinha chegado do trabalho bastante revoltado. Só depois de se ter acalmado é que lhe explicou o que acontecera. Devoradores da Morte, três deles, tinham atacado e raptado o Ollivander, o velho fabricante de varinhas. Quando, Gwen foi comprar algum do material em falta para o seu ano escolar em Hogwarts, pôde ser como a loja tinha sido destruída e como a rua tinha ficado sombria. Tão sombria e triste que a única coisa que animava aquilo tudo era a loja de partidas dos gémeos Weasley.

- Mas, como é que os teus pais podem pensar que Hogwarts já não é seguro? O nosso director é o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos. Tenho a certeza que Dumbledore nunca deixaria que nada de mau acontecesse aos seus alunos.

- Eu sei disso, aliás, eu sei muito bem disso. Mas, Gwen… - Belle inclinou-se a cabeça na mesma direcção que a amiga, murmurando. – Enquanto, Dumbledore está cada vez mais velho, o Quem-Nós-Sabemos está a ficar cada vez mais forte e a juntar mais seguidores. Tu sabes o que aconteceu quando os Devoradores da Morte raptaram o Ollivander?

Gwen deixou-se ficar a olhar para a amiga.

Sabia, claro que sabia. O seu pai tinha-lhe contado tudo. Ao que parece os raptores tinham partido os cabos de uma ponte sobre o rio Tamisa. Felizmente, ninguém se tinha magoado. Apenas ficaram em estado de choque.

- Sei. O meu pai contou-me isso tudo E, também me contou, que o Ministério está a ter grandes problemas. – Suspirou. – Só espero que tudo acabe bem e depressa.

Nesse momento, a porta do compartimento abriu-se revelando uma rapariga de cabelos castanhos-claros, presos num rabo-de-cavalo.

- Importam-se que me junte a vocês? – A rapariga sorriu.

- Alexis! Há quanto tempo que não te punha a vista em cima! Como tens passado? Anda lá, senta-te aqui ao meu lado. – Belle ficou em êxtase com a chegada de Alexis.

Alexis Cooper, uma rapariga dos Hufflepuff, tinha uns olhos azuis acinzentados lindos. O cabelo castanho claro, quase loiro, preso no pequeno rabo-de-cavalo dava-lhe uma aparência infantil, tal como a sua estatura baixa. Vestia uns simples jeans e uma camisola de manga curta amarela, com um casaco branco. Sentou-se ao lado de Belle.

- Espero não estar a interromper nada. – Disse Alexis, olhando para as caras de ambas as raparigas. – Se quiserem posso ir embora e voltar noutra altura, não há problema. – Com isto, já se preparava para se levantar.

- Nada disso, nada disso! Tens de ficar! – Belle puxou-a, fazendo-a cair de rabo no assento. – Fiquei tanto tempo sem te ver e agora ias embora? Nem pensar! Conta-nos como foram as tuas férias, e não é um pedido.

Gwen apenas ria da situação. A morena era uma personagem e tanto. Sempre energética, devia funcionar a pilhas, de bom humor e sempre com algo a dizer. Se chegar um dia e Annabelle não tiver nada para dizer, quer dizer que é o fim do mundo!

As três ficaram entretidas a conversar sobre o que tinham feito nas férias, nem tinham reparado que já passava da hora do almoço. Quando repararam, Gwen ofereceu-se para ir ter com a senhora do carrinho de doces, enquanto elas ficariam no compartimento a pôr mais alguma conversa em dia.

- Eu volto já. – Disse ela, saindo do compartimento e fechando a porta atrás de si.

O corredor estava apinhado de gente. Pessoas a conversar, outras a mostrar as novas partidas que compraram na loja dos gémeos Weasley, outras simplesmente a olhar para a paisagem que ia passando à medida que o comboio andava.

- Com licença…com licença…

Gwen nunca fora muito de se dar com as pessoas e, sempre que falava, falava num tom baixo. Abriu caminho, dificilmente, por entre a multidão.

- Quibbler. Quibbler. Quibbler?

Enquanto abria caminho por entre os estudantes, ouvia a voz de Luna Lovegood. Conseguia distingui-la de todas as outras. Não sabia bem ao certo porquê, mas gostava do tom de voz dela. Transmitia um certo sentimento de calma e, ao mesmo tempo, de extravagância.

- Oh, olá, Gwen. Quibbler?

A aluna que todos achavam ser demasiado estranha andava pelo corredor a distribuir a revista. Vestida de uma maneira, que muitos achariam estranha (o que é que não é estranho nela?), mas que Gwen achou, apenas, engraçada. O simples casaco cor-de-rosa claro, uma saia escura com alguns folhos e uns collants azuis. Qual era o mal? Ah, se calhar, eram os óculos ridículos que ela usava. Mas nem os tinha postos. O cabelo loiro oxigenado e comprido, preso num rabo-de-cavalo, a cair pelo seu ombro esquerdo, ficava-lhe mesmo bem.

- Olá, Luna. Sim, se faz favor. – Gwen sorriu e recebeu um exemplar da revista, com as teorias mais excêntricas que alguma vez lera na sua vida.

Deu uma vista de olhos à capa e, quando ia abrir a boca para perguntar o que eram aqueles animais, criaturas…coisas, mas Luna fora mais rápida.

- São criaturas invisíveis, que voam à volta dos teus ouvidos e faz com que o teu cérebro fique baralhado.

E, sem mais demoras, viu Luna afastar-se, anunciando a Quibbler aos outros alunos no corredor e nos compartimentos.

Ela era uma rapariga fora do normal, tinha que admitir.

Voltando à sua tarefa inicial, comprar qualquer coisa para ela e as suas amigas comerem. Tinha de encontrar a senhora que conduzia o carrinho dos doces. Andou até passar para o outro vagão. Para sua surpresa, o rapaz que vira na plataforma, vestido todo de preto, estava de pé, a arrumar algumas malas, na parte de cima do assento.

Era a sua oportunidade de perguntar se estava tudo bem, mas, mal avançou um passo, tudo se tornou escuro. Uma nuvem de pó negro encheu a carruagem, de uma ponta à outra.

Um dos miudinhos do primeiro ou do segundo tinha feito uma partida. Não os censurava, estar ali durante tanto tempo não era para ninguém. Assim que o fumo se desvaneceu, avançou até ao pé do rapaz, que agora estava sentado de costas para ela.

- D-Desculpa..? – Gwen deu uma pequena palmadinha no ombro dele. Como odiava que a sua timidez levasse a melhor de si, em momentos como este.

Mal ele se virou, arrependeu-se de ter ido ali.

O rapaz com o qual ela estava preocupada era, nem mais nem menos que, Draco Malfoy. Deveria ter adivinhado. Cabelo loiro, muito penteado, pele pálida, vestido de preto e muito alto. Como é que ela não percebera antes? Mas, o que está feito, feito está.

- Quem és tu? O que é que queres?

Gwen não conseguia tirar os olhos dos olhos dele. Tão cinzentos, tão tempestuosos, tão bonitos, tão…tristes.

- E-Eu…eu… - Ela mal conseguia falar, aqueles olhos estavam a sugá-la.

- T-t-tu… - O rapaz imitou-a.

Gwen engoliu em seco e respirou fundo, enrolando o exemplar da Quibbler que tinhas nas mãos, com o nervosismo.

- E-eu queria saber se estava tudo bem? Se precisavas de algumas coisa. – Colocou uma mecha de cabelo castanho-claro atrás da orelha. – Eu vi-te na plataforma e p-parecias um pouco nervoso.

O silêncio reinou, por momentos, mas, depois, o riso ecoou por toda a carruagem. Draco, a rapariga e o rapaz que estavam à frente dele começaram a rir-se às gargalhadas da cara de Gwen. Ela, por sua vez, corou. Corou de vergonha. Ela já devia saber. Falar com Draco Malfoy, o rapaz mais arrogante e nariz empinado que alguma vez andara em Hogwarts, tirando o seu pai, Lucius Malfoy.

- Ouve, rapariguinha, deixa o Draco em paz, sim? Ele tem mais que fazer do que te responder. – A rapariga de cabelo curto, respondeu, com um ar superior. – Agora, vai-te lá embora, sim? Vai, vai.

Mandou-a embora, como se ela fosse algum animal. Os Slytherin não eram conhecidos pela hospitalidade, mas também não fazia mal nenhum serem um pouco mais simpáticos.

- Claro. Com licença. – Gwen afrouxou o aperto da revista e seguiu caminho para o outro vagão.

O que é se tinha passado ali? Ela não gostava de ser rebaixada, mas também não gostava de criar confusões. Fechou a porta, atrás de si e foi tentar encontrar a senhora do carrinho dos doces.

Quando finalmente a encontrou, viu que o carrinho já estava um pouco vazio. Mas viu, também, que ainda tinha algumas coisas que as amigas e ela própria gostavam. Pediu três queques de abóbora, seis sapos de chocolate, uma caixa dos Feijões de todos os Sabores da Bertie & Bots e três pacotes de sumo de abóbora.

- Vais conseguir comer isto tudo sozinha, querida? – Perguntou a senhora anafada, passando os queques para as mãos de Gwen, que deixou escapar uma pequena gargalhada.

- Não é tudo para mim. Mas há alguém que tem um apetite de leão. – Gwen sorriu e pagou 5 knuts de bronze.

Gwen suspirou e afastou-se da senhora, voltando para o seu vagão e compartimento. Quando lá chegou, não viu as suas amigas do costume, mas sim Draco Malfoy. Deixou cair as coisas no meio do chão e começou logo a apanhá-las. Enquanto as apanhava, viu um par de sapatos brilhantes na sua frente.

- Desculpa, não queria perturbar-te. – Disse ela.

Com os doces já no seu colo, levantou-se e encarou-o.

- Estás triste. – Disse ela, sem pensar antes.

Draco olhava-a com arrogância, mas sobretudo com o mesmo olhar triste que vira quando ele estava com os amigos, companheiros, Slytherin. Ele deu mais um passo e ela prendeu a respiração e fechou os olhos, com medo que ele lhe fizesse alguma coisa de mal, deixando escapar um pequeno sobressalto.

Mas, abriu logo os olhos, assim que sentiu a respiração dele a encontrar-se com a pele em redor do seu ouvido. O bafo quente não contrastava com as feições dele.

- Não te metas. – Disse ele simplesmente.

Os olhos esverdeados de Gwen arregalaram-se. Agora, que ele dizia algo assim, ela queria saber em que é que não se podia meter. A curiosidade levaria a melhor dela.

- No quê? – Murmurou ela.

O loiro desenhou um pequeno sorriso, arrogante e, ao mesmo tempo, sedutor.

- É melhor mudares de roupa. Estamos a chegar a Hogwarts. – E com isto, ele desapereceu, atravessando a porta por o outro vagão.

Gwen estava atónita com o que acabara de acontecer. O próprio Draco Malfoy, veio ter com ela e falou com ela. Não que fosse uma daquelas fãs incondicionais, mas isto era mesmo estranho e, ao mesmo tempo, excitante!

Não soube quanto tempo ficou ali a pensar e a olhar para a porta, por onde ele saíra. Mas, quando voltou assim, as amigas estavam a olhar para ela com um ar confuso.

- Gwen, estás bem? – Perguntou Belle, com um ar preocupado.

- Ah…s-sim, estou bem. – Gwen sorriu. – É melhor irmos vestirmo-nos. Estamos quase a chegar a Hogwarts.

Com isto, entrou logo no compartimento, seguida pelas amigas, fechou a porta e puxou o pequeno cortinado.

Já vestidas, com os uniformes negros e com o símbolo das respectivas equipas ao peito, as três amigas saíram do vagão. Alexis foi ter com algumas colegas de equipa, despedindo-se de Gwen e de Belle.

- Vai andando, Belle. Eu acho que me esqueci de uma coisa lá dentro. – Disse Gwen, numa tentativa de despachar a amiga.

- Está bem, mas não te demores. – Belle foi a correr para a carruagem, puxada por animais invisíveis.

Gwen viu a amiga desaparecer por entre a multidão e, assim que a deixou de ver, encostou-se a um poste de iluminação. Não vira Malfoy a sair do comboio e queria perguntar-lhe o que tinha sido aquilo, que acontecera. Não queria sair dali, sem uma resposta. Esperou, esperou e esperou, mas ele não saía. Se calhar, já o tinha feito e ela nem tinha notado.

Suspirou, de forma derrotista, e, quando já estava pronta para ir embora, ouviu passos. Ao olhar para o vagão, viu-o, no seu fato preto, a descer os degraus e saltando para o chão. Já restava pouca gente, na plataforma, estava quase vazia.

Foi quando ele olhou para ela, que o gelo parecia tomar conta do seu corpo. Mas, isso, não impediu de sentir o coração a bater mais depressa. Ele olhou para ela, por momentos, e, depois, foi em direcção às carroças. Gwen seguiu-o.

Depois de algum tempo a seguir e a ser seguido, Draco e Gwen pararam.

- O que é que tu queres? – Perguntou Draco, virando-se para ela.

- E-eu…bem, eu…

- Ouve, eu não tenho tempo, nem paciência, nem o que quer que seja para estar a perder contigo! – Já se virando para ir embora, ele parou com as palavras dela.

- Eu só quero dizer que, se precisares de alguma coisa…podes falar comigo! – Gwen levou as mãos junto ao peito e baixou, ligeiramente, a cabeça.

Sentia-se tão embaraçada! Sobretudo, por estar a dizer aquilo à pessoa em questão. Mas, a sua mãe educara-a assim. Sempre preocupada com os outros e com o bem dos outros, sobrepondo-se ao dela.

- O quê? – A voz dele parecia, totalmente, incrédula. – O que é que acabaste de dizer? – Ele aproximou-se.

- Eu es-estou aqui para te ajudar, no que for preciso. – Gwen continuava sem conseguir olhar directamente para Draco.

O silêncio reinou, por momentos. Até que Malfoy deixou escapar um sorriso, um sorriso típico de quem tinha acabado de inventar o melhor e maior plano à face da Terra.

- No que for preciso? – Perguntou, só para ter a certeza.

- Sim, no que precisares. – Ela levantou um pouco a cabeça.

- Óptimo. A partir de agora, sempre que eu te chamar, tu vens, sempre que eu te mandar fazer alguma coisa, tu fazes. Percebeste? – Sorriu ele.

A conversa já se estava a desviar um pouco do rumo que Gwen pretendera.

- Alto lá! Eu não vou ser um cachorrinho, sempre atrás de ti! – E, ela revelara-se. – Disse isto porque parecias triste, ainda pareces. Não era para ser tua escrava!

- Oh, tarde demais. Agora, vêm! – Malfoy começou a caminhar em direcção à carruagem. – Sem discussão!

Gwen já tinha a boca aberta e o dedo espetado no ar para começar a reclamar, mas baixou-o.

- Eu só ia dizer que estás sujo na cara. – A rapariga logo o apanhou e começou a andar um pouco mais à frente dele.

- Primeira coisa que tens de saber se me queres ajudar: nunca andes à minha frente! – Acelerando um pouco mais o passo, Malfoy ultrapassou-a.

Gwen suspirou e escondeu um sorriso. Olhando, agora, para ele, parecia ser uma criança. Deixou-o andar à frente dela e subir à carruagem primeiro que ela, mesmo a contra vontade.

- Eu não disse que podias vir na mesma carruagem que eu. – Dissera ele, emburrado.

- Bem, vendo que já não havia mais carruagens, teve de ser. – Ela dera de ombros, com o mesmo sorriso.

- Como queiras. – O loiro cruzou os braços à frente do peito e virou a cabeça para o lado contrário de Gwen.

- Continuas sujo. – Gwen apontou para a bochecha dele.

- Então, limpa-me.

Não foi preciso ele ter dito mais que uma vez. Logo, sentiu os dedos finos e quentes da rapariga a tocarem da sua bochecha. Uma batida do seu coração tinha falhado. Isto, não podia ser bom sinal, não podia mesmo!

- Já está? – Perguntou-lhe, assim que sentiu a cara fria.

- Sim. – Gwen observou o sujo nos dedos dela. – Feriste-te?

- Porquê? – Perguntou, sem olhar para ela.

- É sangue.

Draco hesitou em responder. Pois, aquele Potter…muito gostava ele de ouvir a conversa dos outros.

- Cortei-me.

E sem mais conversas, a viagem para o castelo de Hogwarts aconteceu. Ambos a olharem para direcções diferentes. Quando chegaram à entrada do castelo, toda a bagagem estava exposta. Draco e Gwen saltaram da carruagem e caminharam até ela.

Para surpresa de ambos, do meio da bagagem, estava Mr Filch, com a sua gata Miss Norris. Aquela gata causava arrepios a todos os estudantes de magia, com aquele olhar intenso. Parecia que lhes via a alma. Mr Filch estava com as habituais roupas esfarrapadas e velhas, que sempre usara, e a segurar a vulgar lanterna acima da cabeça.

- O que é isto? Uma bengala? – Perguntou Mr Filch, ao tirar uma bengala toda trabalhada e com um cabo esculpido em marfim, de uma das malas.

Draco apressou-se a tirá-la das mãos sujas do homem.

- Isso não é uma bengala! É um auxiliar de caminhada! – Esclareceu Malfoy.

Gwen não conseguiu evitar uma pequena gargalhada, escondendo-a com a manga do casaco negro.

- Nomes?

Ambos os estudantes se viraram para a direcção da voz, encontrando o pequeno Professor Flitwick, com uma pena e uma lista nas mãos. O professor tinha um fato preto e usava os óculos dourados do costume.

- Mas, professor, você sabe quem nós somos. – Disse Gwen, tentando não se baixar para falar com ele.

- Tem de ser, menina Wilkinson. Nomes? – Perguntou, novamente.

- Hm…está bem. Gwendoline Wilkinson.

O professor Flitwick escrevinhara alguma coisa na lista e voltou a olhar para os dois estudantes. Malfoy não conseguiu conter o riso e desmanchou-se a rir.

- Quem é que se chama 'Gwendoline'? – Rindo desalmadamente.

- Quem é que se chama 'Draco'? – Ripostara ele, fazendo logo com que ele parasse de rir.

- Essa não teve piada. – Apontou-lhe o dedo. Virou-se de novo para o professor. – Draco Malfoy. – Dissera ele num tom para que todos ouvissem.

O professor de encantamentos voltou à sua lista e voltou a escrevinhar alguma coisa.

- Tenham um bom ano.

Dando costas aos seus dois alunos, voltou-se para o enorme portão, colocando um feitiço protector.

Um novo ano em Hogwarts, tinha começado.