Até os mais fortes, às vezes caem – Capitulo 2

Autor: Karla Malfoy
Beta:Nenhuma, pois estavam todas ocupadas trabalhando... todos os erros são meus... \o/
Par/Personagem: Sherlock Holmes&John Watson
Classificação:M 13+
Nº. Palavras: Segundo o Word sem o cabeçalho: 4458 . - \o/ - *Feliz da vida*

Resumo: John é forçado a ver algo que está debaixo de seu nariz e que não queria ver. Às vezes as pessoas que estão do nosso lado são aquelas que são destinadas a ser nossa fortaleza. E quando essa fortaleza cai nos vemos perdidos. Será John capaz de aceitar o inevitável? Será ele capaz de fazer com que sua fortaleza volte a ser forte e indestrutível, sem que isso o destrua por dentro, mesmo que isso signifique abandonar o que lhe é mais precioso?

Disclaimer:Sherlock Holmes, suas histórias e seus personagensforam criados por Sir Arthur Conan Doyle, a serie televisionada foi criadaporStevenMoffate e MarkGatisse e são de propriedadedaBBC.E eu sou só uma fã ardorosa de seus personagens, quer dizer de alguns, pois têm outros que dá vontade de matar... (cara de brava) e só para lembrar... Eu não quero e nem pretendo ganhar dinheiro com eles. Seria felicidade demais para uma pessoa só, deixo isso com o povo da BBC...

Tempo de descanso

Tinham-se passado dois dias desde que Sherlock tinha tido febre, desde então John estava cuidando dele, a febre tinha cedido, mas a tosse e o mal estar não tinha abandonado seu amigo.

- Johnnnnn? – ele gemeu.

- O que foi Sherlock? Precisa de algo? – John sentia muito sono, suas costas doíam, ficar dormindo naquela cadeira no quarto de Sherlock não estava lhe fazendo bem. Seu amigo não conseguia dormir por causa da tosse e ele não parava de falar, sua voz estava mais rouca do que nunca e o estava deixando louco, levantou-se da cadeira e se aproximou da cama.

- Estou morrendo... – o moreno gemeu e virou pro outro lado na cama, e tossiu mais um pouco.

Respirou profundamente... aquilo estava sendo bem pior do que tinha imaginado... Sherlock era o pior paciente que já teve, além da tosse, do mal estar que estava sentindo, seu amigo reclamava que estava entediado.

- John... estou entediado... preciso fazer algo, meu cérebro está atrofiando enquanto estou aqui parado! – Sherlock teve outro acesso de tosse, ele gemeu mais uma vez e cobriu a cabeça com o cobertor.

O médico sorriu, aquela era uma coisa que não se via todo dia, era uma visão tão única, todos pensavam que Sherlock não tinha coração, que ele não era humano. Ele próprio, John Watson já tinha pensado algumas vezes que seu amigo não era humano, ele mesmo já o tinha chamado de máquina. Mas aquele resfriado estava mostrando um pouco da parte humana e frágil do detetive consultor.

Com uma vida desregrada, comida fora de hora, sono quase inexistente, o sistema imunológico do seu amigo estava em um nível de fragilidade impar, John não sabia como Sherlock nunca tinha ficado doente antes. Mas essa visão de um homem frágil não podia ser vista por ninguém, seu amigo tinha muitos inimigos, todos tinham uma imagem de um homem forte, quase uma fortaleza, Sherlock o imbatível, e se vissem que ele estava daquele jeito por causa de um resfriado.

- Lestrade não ligou? – A voz de Sherlock saiu abafada porque ele estava com a cabeça coberta pelo cobertor.

- Não, Lestrade não ligou, e mesmo se ligar, você não pode sair desse jeito. Ainda esta doente, e com esse frio e essa chuva, você só vai piorar.

Seu amigo descobriu a cabeça e olhou para John com aqueles olhos claros e que naquele dia estavam um pouco vermelhos.

- Você não entende John! Eu vou morrer se continuar aqui nesse tédio! – O detetive ficou sentando na cama e começou a bagunçar os cabelos de forma desesperada.

- Sherlock, tédio não mata, resfriado sim. E se cubra, você não pode pegar friagem. – John se aproximou da cama e começou a levantar o cobertor, mas foi impedido por um par de mãos pálidas e frias em seu rosto, o olhar que lhe era dirigido tinha um quê de desespero.

- Você não entende, John! Minha mente precisa de distração, você é feliz por ter uma mente tão simplória que não precisa nada mais que uma revista ou jornal para se distrair. – John piscou algumas vezes tentando entender o tinha escutado, e ao absorver o significado algo dentro dele se incomodou.

John, tirou as mãos de seu amigo do seu rosto e o empurrou para a cama. Sherlock o olhou com aquele olhar de quem não sabe o que fez de errado, de novo.

- Sinto muito, você não pode sair até eu disser que você pode, então distraia sua mente com revistas que pessoas de mente simplória leem.

E John saiu do quarto antes que fizesse alguma besteira.

XxXxX

No dia seguinte John tinha chegado ao apartamento depois de ter ido ao mercado, e quando foi ao quarto, viu que seu amigo não estava lá, John respirou fundo e passou os dedos sobre os olhos, Sherlock estava lhe dando uma bela dor de cabeça.

John pensou em todos os lugares em que seu amigo podia estar, e iria procurar no lugar mais óbvio. Ele pegou seu telefone e discou.

- Lestrade?

- Oi John! – A voz de Lestrade estava estranha. – Onde ele está? – John não se deu ao trabalho de perguntar se Sherlock estava com ele, pois só pela voz ele sabia, e antes que Lestrade pudesse dizer qualquer coisa em sua defesa, John pôde ouvir alguém no fundo com uma crise muito forte de tosse.

- Me dá o endereço, estou indo pra ai. – John anotou o endereço, pegou seu casaco novamente e pegou o primeiro taxi que passou. E no meio do caminho se lembrou de seu encontro com Sara naquela noite. – Droga... – O taxista olhou de forma estranha para John. – Desculpe.

Mal o taxi parou, John pulou dele e foi em direção a Lestrade.

- Onde ele está?

- Lá em cima na cena do crime, ele me disse que estava bem quando eu liguei para ele, John!

- Mas eu te liguei Lestrade. – John apontou um dedo no peito de Lestrade.- E disse que ele não poderia sair para solucionar crimes até que ele melhorasse, e está chovendo e fazendo frio, eu consigo ouvi-lo tossir daqui! – John apontou para o prédio.

John era um homem de estatura mediana, Lestrade nunca o tinha visto recuar na frente de ninguém, as pessoas não parecia intimidá-lo. E o inspetor era muito maior que ele, mas os olhos azuis que olhavam para ele e apontavam um dedo em seu peito pareciam furiosos, Lestrade ia abrir a boca para se defender, mas doutor se afastou e já estava subindo as escadas, mas foi impedido por Donovan.

- Onde pensa que está indo? – Donovan cruzou os braços e parou na frente de John.

- Vim buscar Sherlock, ele não devia estar aqui, ainda está doente.

- Ele não devia estar aqui de jeito nenhum, ele é uma aberração que só sabe atrapalhar, e se acha melhor que todos nós aqui. – Ela fez um gesto amplo com as mãos. – Ele não é policial e...

- Não estou com tempo de bater boca com você, sargento! – A mulher piscou várias vezes, John sempre foi um homem calmo e tranquilo, mas aquele médico na frente dela estava diferente, parecia outra pessoa.

- Seu namorado tá lá em cima, pode ir buscar! – John suspirou e ao passar por Donovan comentou:

- Ele não é meu namorado, mas qualquer pessoa séria sortuda por ter ele como companheiro. – Donovan cruzou os braços e retrucou.

- Quem é que ia querer uma aberração daquelas? A pessoa ia ter que dormir com o revólver debaixo do travesseiro todos os dias, pois em um belo dia, ele poderia achar que a pessoa ao lado dele merecia morrer. – John sentiu o sangue subir, ele estava cansado, com sono, com fome, e sua paciência estava por um fio, e o fio tinha acabado de arrebentar, ele parou na escada e se virou para Donovan, e quando ia responder a grosseria da sargento, pode escutar um acesso de tosse violento.

- Sherlock! – John ignorou a raiva que sentia e subiu as escadas depressa e chegou até o andar que Sherlock aparentemente estava. Sherlock estava encostado à parede, com a mão na boca e respirava com dificuldade, ele tinha os olhos fechados e respirava pela boca. Seus lábios outrora vermelhos estavam brancos e ressecados. – Sher ... Sherlock, o que faz aqui?

Seu amigo abriu os olhos assustado, ele olhou para seu amigo médico, e toda a postura de John indicava que ele estava com raiva e se mantinha sob controle por um fio tênue.

- Olá, John! Venha ver que interessante! – John percebeu que seu amigo tinha visto sua raiva, mas tinha optado por ignorar, aquilo não ia ficar assim, Sherlock estava passando dos limites. Ele se aproximou com passos duros e decididos, o moreno tinha se desencostado da parede e tinha se debruçado sobre o corpo e quando John se aproximou, um par de olhos azuis olhou para ele, seu amigo tinha um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos que John não via desde que ele tinha caído em febre.

Aquilo o desarmou, devia tá ficando velho por está com o coração tão mole. Sherlock falava sem parar do caso que estava investigando, aquela era a segunda pessoa que era encontrada morta em um local completamente fechando, e sem sinais aparentes de arrombamento. E o corpo não tinha nenhum tipo de ferimento e nem parecia ter sido envenenado.

John tinha se encostado a parede e ficou escutando Sherlock falar do caso, seu amigo passava o que tinha descoberto para Lestrade que tinha acabado de subir e olhava desconfiado para ele.

John não prestou atenção na conversa, sua cabeça estava estourando, seu corpo pedia cama.

- John? ... John? Esta me escutando? – Sherlock o chamou com o tom de voz um pouco mais elevado.

- Desculpe, como? – Sherlock olhou para ele com aqueles olhos que parecia lhe desnudar a alma.

- Te chamei duas vezes e você não respondeu. – John saiu do seu torpor e viu que as maças do rosto de Sherlock estavam um pouco vermelhas.

- Sua febre voltou? – Ele se aproximou e pegou o pulso de Sherlock e percebeu que a pressão do detetive consultor estava alterada. – Sherlock pelo amor de Deus!

- Estou bem! – E para confirmar o que havia dito, Sherlock teve outro acesso de tosse. Ele respirava com dificuldade e quando se recompôs, ele viu um médico muito bravo olhando para ele. – Acho... que devemos ir para a Barker Street. – John suspirou e saiu andando na frente.

Quando passou por Lestrade, disse:

- Espero que esteja satisfeito. E se precisar de alguma consultoria, ligue para mim!

John chamou um táxi e pegou Sherlock pelo cotovelo e o levou embora dali. Donovan viu a cena e se aproximou de Lestrade.

- O que deu no bom doutor hoje? – Lestrade deu de ombros. Anderson se aproximou dos dois.

- Ele estava parecendo aquelas mulheres ciumentas que vem buscar o marido no serviço! - Anderson começou a rir da própria piada acompanhado por Donovan, mas os dois pararam de rir na hora que viram a cara de poucos amigos do chefe.

- Vocês não têm mais o que fazer não? – E sem mais uma palavra, Lestrade entrou no edifício.

Já no táxi, John olhava pela janela, e pode ver pelo reflexo que Sherlock estava com os olhos fechados e com a cabeça encostada no vidro.

- John, eu normalmente aprecio o silêncio, mas por algum motivo que ainda não consegui identificar, sua falta de diálogo comigo desde que entramos no táxi está me incomodando. – John não respondeu, continuou a olhar pela janela, e seu amigo continuou com os olhos fechados.

Logo eles chegaram, John desceu do táxi, sem esperar pelo outro e abriu a porta e começou a subir as escadas, e logo nos primeiros degraus, sentiu que a perna doía.

- Droga! – Ele se forçou a subir as escadas.

- Se machucou? – Mas John não respondeu, ainda estava com muita raiva de Sherlock, ele preferiu ficar calado. – Você está chateado por eu ter saído do apartamento sem falar com você. – Ele não estava perguntando e sim afirmando e continuou falando, e John continuou ignorando. Usou sua chave e destrancou o apartamento, entrou e tirou seu casaco e foi em direção à cozinha.

Vendo que seu amigo médico não lhe dava atenção Sherlock decidiu sentar em sua poltrona e pensar no caso que tinha em mãos, mas antes que chegasse a sentar ouviu um John muito bravo parado a porta da cozinha.

- Não se atreva a sentar ai com essa roupa molhada, vá para seu quarto, tome um banho e troque de roupa, ou sua febre vai subir mais.

John voltou para a cozinha, e começou a preparar uma xícara de chá para Sherlock tomar junto com o antitérmico, ele parou e escutou o barulho do chuveiro, ele sorriu. Depois de alguns minutos ele escutou o chuveiro ser desligado. Ele colocou a xícara de chá junto com o antitérmico em uma bandeja e foi em direção ao quarto do seu amigo.

Quando entrou viu o moreno enxugando os cabelos, ele estava próximo à cômoda de frente para um pequeno espelho, seu amigo puxou mais a toalha para secar os cabelos e quando Sherlock se virou para olhá-lo, John percebeu que o seu amigo estava completamente nu. John ficou com os olhos arregalados ao ver seu amigo como veio ao mundo. Ele não conseguia falar nada, ou tirar os olhos de Sherlock.

Sherlock tinha a pele muito branca, sem sardas. Ele era magro, mas tinha os ombros largos, o tórax com alguns poucos pêlos claros, o abdômen firme e reto, e o seu p... o...seu... John sentiu o rosto arder

- Algum problema, John? – Sherlock olhava para seu corpo procurando algo de errado. Ele levantou o rosto e olhou nos olhos do seu amigo médico, podia ver que as pupilas de John estavam dilatadas, sua respiração estava entrecortada, Sherlock lia um a um os sinais que o corpo do loiro demonstrava. Sherlock ficou confuso, sua mente estava trabalhando rápido como uma máquina, até que em poucos segundos sua mente classificou o que lia no corpo de John.

John viu Sherlock dá um passo em sua direção, e ele ficou com os olhos mais arregalados, o loiro virou de costas para o amigo e disse com um fio de voz.

- Sherlock, você está sem roupas! – Sherlock parou as costas de John e a sua voz não era mais que um sussurro. John suspirou e fechou os olhos, seu corpo estava começando a lhe trair.

- John, você sabe que não gosto quando você diz o óbvio!

Sem nem pensar duas vezes John saiu do quarto como se todos os demônios estivessem em seu encalço. Ele foi parar na cozinha, e colocou a bandeja na mesa com os dedos trêmulos e voltou a respirar, ele não tinha reparado que tinha prendido a respiração.

- John... – Ele ouviu Sherlock chamando seu nome, ele sentia suas pernas bambas, não conseguiria dar mais nenhum passo nem se quisesse, respirava rápido tentando se acalmar, ele sentia seu rosto arder, e riu de si mesmo, estava parecendo uma colegial.

Quando John levantou o rosto, Sherlock estava parado a porta da cozinha vestindo um roupão, e John não conseguiu fixar o olhar mais que dois segundos em seu amigo.

– John, você esqueceu meu remédio.

- Está ai... em.. – John gaguejou e pigarreou – cima da mesa, eu vou tomar banho, com licença. – John saiu da cozinha e quando passou pela porta onde Sherlock estava parado, ele pode sentir um leve perfume de sabonete vindo do seu amigo.

Ele foi direto para seu quarto, entrou, fechou a porta e encostou-se a ela. E foi deslizando até chegar ao chão. O que estava acontecendo com ele? Por que estava sentindo aquilo?

- Não quero pensar nisso, não devo pensar nisso... – John dizia com os olhos fechados como um mantra, como se os mantivesse assim, faria com que o que sentia ou que achava sentir iria sumir.

E lembrou-se de partes da conversa que teve com Mycroft dias atrás, seu peito gelou, sua garganta parecia fechada. Ele colocou as mãos na cabeça... será que ele... ele... John balançou a cabeça como que para espantar o pensamento que estava tendo.

John se levantou e foi para o banheiro, encheu a banheira e entrou nela, cada nervo do seu corpo doía, cada fio de cabelo reclamava. Tentou não pensar em nada e tentava fazer seu corpo relaxar na água morna da banheira, até que dormiu.

John acordou com um barulho insistente, não sabia de onde vinha, acordou meio grogue, a agua da banheira estava gelada, seus dedos já estavam enrugados. Ele saiu da banheira e se cobriu com o roupão, ele olhava para os lados tentando identificar que som era aquele e de onde vinha, até que percebeu que era seu celular tocando. O som vinha da sala.

John saiu do quarto e foi em direção a sala, quando entrou, encontrou um Sherlock enrolado em um cobertor de pé em frente a uma parede olhando vários papeis pregados nela, e viu que seu celular estava em cima da mesa.

- Sherlock, por que você não me falou que meu celular estava tocando? – Passaram-se vários segundos e Sherlock não respondeu. – Sherlock está me ouvindo? – John elevou o tom de voz.

- Sim John!

- E...? Sherlock!

- John, minha cabeça ainda está doendo, não precisa alterar o tom de voz.

- Você não me respondeu.

- Sim, eu respondi!

- Não Sherlock, não respondeu. – Sherlock parou de olhar para as anotações coladas a parede e olhou para John. Ele se enrolou melhor no cobertor e sentou-se em sua poltrona.

- Você me perguntou se eu estava te escutando, e eu respondi, sim. – Sherlock respondeu com uma voz calma e em um tom de quem reponde uma pergunta idiota.

- Não, Sherlock! O que eu perguntei antes. – Seu amigo fez cara de espanto.

- Ah, isso? – Passaram-se alguns outros segundos.

- Sherlock?

- Sim, John. – John respirou fundo e voltou a questionar seu amigo.

- Será que você pode pelo menos uma vez na vida responder a uma pergunta minha de forma direta?

Sherlock se levantou da poltrona e deitou-se de barriga para cima no sofá, ele parecia entediado.

- John...

- Sim, Sherlock!

- Eu preciso da minha nicotina. – Sherlock colocou o braço sob os olhos para evitar a luz, John abriu a boca, ele devia ter perdido alguma resposta de Sherlock, ou o moreno estava fazendo hora com a cara dele.

- Sherlock, a minha pergunta! Por que você não me falou que meu celular estava tocando? Será que não pode fazer algo simples como isso? Eu pego o seu maldito celular todas às vezes e ele está em seu bolso, na sua frente, ou do seu lado, ou no inferno. E você não tem a capacidade de me avisar que meu celular está tocando? – John esbravejou.

- John... – Sherlock tirou o braço de cima dos olhos, e se levantou, e parou a frente a seu amigo médico. – Seu celular tocou, ele estava me irritando, e eu desliguei a chamada, ele voltou a tocar novamente e então eu atendi, e era a Sara, perguntando qualquer coisa sobre um encontro, fui ao seu quarto te chamar, mas você estava dormindo na banheira, e a julgar pela tensão em seus músculos, e o franzir da testa, você estava cansado e com um pouco de cefaleia, então voltei por onde vim e informei a senhorita Sara que você tinha tido um dia cansativo, e estava descansando. Seu celular tocou novamente e era Lestrade, e como você disse que não era para eu fazer nenhuma consultoria até ficar completamente curado, eu ignorei todas as chamadas. – Sherlock terminou de falar e tossiu um pouco, ele ficou observando as reações de John.

John abria e fechava a boca tentando encontrar algo para dizer, mas não encontrava.

- Eu... sinto... muito... – John não sabia o que fazer. Sherlock voltou a deitar no sofá.

- Aquela nicotina agora seria bem vinda. – John revirou os olhos.

- Sherlock, você ainda está tossindo e seu pulmão não está completamente limpo, nicotina não lhe fará bem.

- John, eu não vou fumar, vou colocar os adesivos no braço. – Sherlock gemia.

- Vai parar na sua corrente sanguínea de qualquer forma, e você ainda está tomando antibióticos. – Sherlock suspirou.

- Mas creio tem algo que lhe fara feliz, vou ligar para Lestrade e ver o que ele queria. – Sherlock sorriu.

XxXxX

Algumas horas depois, Lestrade estava no apartamento da Barker Street, ele entrou e viu um Sherlock enrolado em um cobertor deitado no sofá, a visão lhe arrancou um sorriso dos lábios, John estava sentado à mesa digitando algo em seu notebook.

- Sherlock está melhor, John? – Lestrade se aproximou do médico e olhou por sobre seu ombro para ver o que ele fazia ao computador.

- Sim, Lestrade ele está melhor, mas ainda convalescente. Não tem mais febre e a tosse está mais amena, mas não quero que ele tenha uma recaída.

- Você parece se preocupar muito com ele, parece até que são um casal ... – John olhou para o inspetor e ele preferiu trocar de assunto. - Eu te liguei, mas você não atendeu. – O inspetor voltou os olhos para o sofá, ele via o peito de Sherlock subir e descer lentamente, ele parecia dormir.

- Eu estava no banheiro, e acabei dormindo na banheira. – John terminou de digitar e fechou a tela do computador.

- Desculpe se te acordei. –Disse sem graça.

- Não tudo bem, já estava quase virando um peixe. Mas o que você tem para nós? – Lestrade olhou novamente para o sofá, John percebeu que o inspetor parecia preferir passar as informações para Sherlock, mas seu amigo estava indisponível no momento.

- Pode me passar Lestrade, vou anotar tudo e passo para Sherlock depois.

- Oh John, não é isso. – O doutor piscou sem entender. – É que é estranho vê-lo tão quieto, ele é sempre tão hiperativo, deixa a gente meio maluco. Eu sempre me sinto um idiota às vezes perto dele. E ele sempre faz questão de deixar claro que é isso mesmo.

- Não ligue para isso, Lestrade. Pode não parecer, mas Sherlock se importa com você, conosco.

- Só se for com você, John. E como você aguenta? – O inspetor sentou na cadeira ao lado do outro.

- Aguento o quê?

- O Sherlock, ele te trata... bem... desculpe, mas ele te trata que nem capacho. – Lestrade olhou para o lado e parecia imensamente constrangido.

- Não trata não... – John parecia ultrajado.

- Quando ele não quer resolver algum caso para o irmão, quem ele manda? Ele te arrasta para todos os lugares, você quase perdeu seu emprego de médico porque ele te pediu para ver algumas coisas para ele em algum lugar ermo. Fiquei sabendo certa vez que você foi preso e ele não fez nada.

- Eu gosto de ajudar. – Ele comentou sem saber mais o que poderia falar.

- Eu aprecio a presença de John, ele pode não ser um homem luminoso, mas é um condutor de luz¹. – Lestrade e John deram um pulo de suas cadeiras. – Sim eu estou acordado, não é porque eu estou com os olhos fechados que quer dizer que estou dormindo. E o cheiro dele é muito bom. – Lestrade olhou para John, e o médico parecia pálido. – E ele faz chá para mim. – Sherlock tinha um olhar sonhador. - E você brigou novamente com sua esposa, Lestrade?

- Como? – O inspetor perguntou confuso.

- Suas roupas estão amarrotadas, então você brigou com sua esposa e ela se recusou a passar suas roupas. E parece que já tinham um bom tempo que não tinham intimidades. – John estava às costas de Lestrade e balançava a cabeça de forma negativa tentando fazer com que ele parasse, mas o detetive ignorou.

– Se bem que... – Sherlock fez uma pausa. – Meia hora atrás mais ou menos antes de você passar aqui, você passou em algum banheiro e se masturbou. – Lestrade engasgou. John encostou a cabeça em cima do notebook, tinha dias que ele gostaria de ser tragado pela terra, ou morrer.

- Como sabe disso? – Sherlock ia explicando, quando foi interrompido por seu amigo, que estava com o rosto vermelho. – Não pergunte Lestrade, será que podemos falar sobre o caso? – Sherlock levantou do sofá foi para frente da parede com as colagens. – Você confirmou que as marcas nos calcanhares das vitimas não eram tatuagens e sim queimaduras?

- Como sabe disso? – Lestrade olhou para John, e o loiro tinha um olhar que dizia, não olhe para mim, eu não sei do que vocês estão falando, e ainda estou morto de vergonha, então não olhe pra mim.

- São letras, na primeira vitima, é um "D" e na segunda vitima é um "E", mas o que essas duas letras querem dizer? – Sherlock passava os olhos pelas imagens pregadas na parede, e Lestrade continuava com a boca aberta.

- Se continuar com a boca assim, vai deslocar seu maxilar, Lestrade. – Ele nem olhou para trás para dizer isso.

- Como sabe disso Sherlock? – O detetive rolou os olhos. E no segundo seguinte, ele arregalou os olhos.

- Ohhh, claro... é óbvio! Como não percebi isso antes? – Sherlock deu uma volta em torno de si. – Eu sei onde vai ser o próximo assassinato. – Sherlock se aproximou de Lestrade e pegou seu braço que tinha um relógio. – Nós temos vinte minutos se quisermos pegar os assassinos.

- Assassinos? - Lestrade e John dissem ao mesmo tempo e se entreolharam, John levantou e foi pegar seu casaco, Lestrade pegou o telefone e começou a acionar seu pessoal.

XxXxX

Eles estavam em um bairro afastado da grande Londres, estava escuro. John sentia suas narinas arderem pelo cheiro fétido de urina, o que tinha jogado pelo chão ele nem queria saber o que era, quando chegasse em casa, ele teria que incinerar suas roupas e sapatos.

Eles andavam sorrateiros pelos becos, John podia sentir o cano frio da sua arma na cintura. Os policiais tinham ido para o um lado, e Sherlock e ele tinham ido por outro lado. Quando viraram outra esquina, seu amigo parou e o prensou na parede. O loiro pode sentir o frio do lodo nas costas.

- Sherlock! – John gemeu.

- Shiiii... eles estão aqui!

- Eles? – Sherlock largou seu amigo e correu para o final do beco.

- Parem! – Sherlock gritou, John tentou acompanhar, mas ele perdeu em que direção seu amigo tinha ido.

Ele pode ouvir um tiro vindo da sua esquerda, ele correu e viu um homem muito alto apertando a garganta de Sherlock, John tirou sua arma e apontou para o homem. Mas quando ia fazer a mira, ele ouviu outro barulho, sentiu uma dor muito forte do seu lado esquerdo, e o mundo escureceu logo em seguida.

Continua...

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Nota da autora: Oie pessoal! \o\... esse é o segundo capitulo da fic, espero que tenham gostado, pois amei cada pedacinho. E talvez algumas pessoas queiram me matar por causa do final, é eu parei ai.. xD

O John fica muito fofo quando está com vergonha, e eu não sei vocês, mas eu daria qualquer coisa para ver o Sherlock pelado igual ao John viu!xD Sim, minha mente é perva.. \o/

Gostaria de agradecer as reviews que eu recebi de: Aluada Potter, Elixir, Ana Leticia, Aurora Boreal, Yuna D as reviews foram todas respondidas e estão todas arquivadas e guardadinhas.

E faça uma ficwriter feliz, deixe uma review, nem que seja para cobrar o próximo capitulo. Não há nada melhor no mundo do quê uma review recebida ou uma review respondida! \o/

Devo atualizar no dia 08/06, como falei vou atualizar de 15 em 15 dias, mas se der eu atualizo antes.

Kisses for all.

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Próximo capitulo:

No próximo capítulo, vamos descobrir o que aconteceu no beco, vamos saber mais dos assassinatos, vamos descobrir o que Mycroft conversou com nosso querido John, e não é coisa boa, eu tive vontade de socar o Mycroft na hora que escrevi xD. E vamos ver um John muito irritado com alguns SMS de Sherlock.

E claro, vamos ver um Sherlock curioso com o comportamento de seu amigo médico, claro, a curiosidade matou o gato.

Nota ¹: Frase retirada do livro de Arthur Conan Doyle - O Cão dos Baskerville. Publicação 2006.

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Cenas dos próximos capítulos:

- Não se apegue. – Mycroft disse. – Todos se apegam e ... acabam ... você sabe... ou vai acabar descobrindo se continuar nessa linha.

- Não me apegar?

- Sim, todos que se aproximam dele se apegam, e acham que podem mudá-lo, ou fazer com que meu irmão perceba que eles existam. Isso nunca acontece, Sherlock é um ser alto suficiente, não precisa de nada e nem ninguém, John. Não se iluda com algumas poucas situações que você achar que ele demonstra preocupação com você. Não é o que parece, pode ter certeza.

John sentia que tinha levado um murro no estômago.