A criança chorava desesperadamente no colo da mãe. Com o rosto vermelho, a boca escancarada e a baba escorrendo, Molly percebeu a gengiva inchada de Cristoph e deduziu que todo o choro e gritos eram devido aos dentes que iriam vir.

Todo seu instinto maternal falava pra ela continuar calma e tentar aliviar toda a dor que o seu bebê poderia estar sentindo, mas na realidade? Ela queria se trancar em algum quarto quieto, no silêncio absoluto e ter um tempo só para ela.

_ Faz essa criança parar, Molly. Pelo amor de Deus! _ Sherlock disse passando a mão pelos cabelos ralos do seu bebê, tentando o acalmar. _ Talvez ele esteja com fome.

O pensamento do pequeno Cris aliviando toda a frustação e a dor em seu seio fez a ideia parecer uma sentença de morte. _ Nós podemos tentar a mamadeira... _ o casal se olhou e concordou levantando os ombros e as sobrancelhas.


_ Sherlock, você é um gênio e não consegue pensar em uma solução para os dentes do Cristoph! – Molly gritou da sala enquanto Sherlock estava no escritório, lendo alguma coisa na internet.

_ E você é uma patologista! Você é quem deveria saber tudo sobre o corpo humano e dar alguma solução para os dentes dele! _ ele respondeu fechando o site e desarrumando o cabelo.

Cristoph ainda chorava incessantemente no colo da mãe.

_ Sabe o que podemos fazer? Tylenol. _ Molly colocou o bebê sentado no sofá, com almofadas e uns brinquedinhos em volta do pequeno.

_ Ou nós podemos trocar o Cristoph por um coelho. _ Sherlock disse se colocando na frente da mulher.

_ Sherlock! _ ela deu um tapa na cabeça do marido, ele fez uma careta e Cristoph gargalhou.

Os dois de olharam e logo em seguida olharam para a risonha criança no sofá. Sem tirar os olhos de Cris, Molly deu mais um tapa em Sherlock.

Mais gargalhadas, mais um tapa.

_ Ele gosta disso! Ele parou de chorar! _ Sherlock começou a beliscar de leve o braço de Molly, tento o mesmo resultado gostoso de ver seu filho rindo.

O casal então começou a se beliscar e se estapiar, não era apenas Cristoph que ria, Molly e Sherlock corriam pela sala, fugindo um do outro com largos sorrisos em seus rostos.

Com um tropeço de Molly, ambos pararam no chão. O som dos corpos estatelados no chão fez a gargalhada não tão banguela do bebê se transformar em um choro estridente. O casal se entre olhou e rapidamente começaram a se bater.

_ Hey, Cris! Olha a mamãe, eu estou batendo no seu pai! Você gosta disso, você estava rindo até agora!

_ Cristoph, olha o papai batendo na mamãe! Não leve isso como um exemplo mocinho!Apenas bata em mulheres com a sua permissão se elas gostarem desse tipo de coisa e use uma palavra de segurança! _ Molly parou o que estava fazendo e arqueou a sobrancelha, olhando para o marido.

Derrotados, os dois suspiraram e levantaram, a mulher pegou novamente o filho nos braços e tentou acalma-lo com palavras doces e gentis.

Depois de muito ninar o pequeno, finalmente Cristoph tinha conseguido dormir. Com toda a gentileza e cautela do mundo, Molly colocou-o no berço e fechou delicadamente a porta, sem fazer o menor barulho. Finalmente, os dois estavam de mãos vazias, com um pouco do silêncio que tanto precisavam.

De banhos tomados, dentes escovados, o casal se colocou para dormir. Vestida em um lindo roupão de seda cor pérola, Molly estava encantadora. Sherlock sorriu de lado e puxou a mulher para um beijo.

Ele não lembrava exatamente quando começou a amar Molly. Mas quando a tinha em seus braços, ele sentia que de um jeito sempre a amou. Quando seus lábios se encostavam, Sherlock se arrependia de ter gastado seu tempo com mulheres que não valiam a pena e nem seu tempo. A ex Miss Hooper tinha tudo que Sherlock procurava em uma companheira, e isso ficou nítido depois que começaram a ficar íntimos. O jeito desengonçado e amedrontado que Molly tinha perto dele no inicio, foram desaparecendo aos poucos, mostrando uma mulher muito mais corajosa e decidida que tinha aparentado ser. O jeito que ela parecia sempre meiga, como uma menina, e como aquela menina se transformava em uma mulher quando os dois viravam apenas um.

O roupão de Molly começou a ser retirado lentamente, o beijo se tornou mais profundo e urgente quando o choro de Cristoph invadiu a casa.