Epílogo

Ah, Paris... Terra dos sonhos, mas principalmente, la ville de l'amour. Tocante, não? Mas haveria outro motivo que não o amor para me trazer de volta aqui?

Bom, eu gostaria de dizer que a oferta que eu recebi para ser fotógrafo de uma revista de moda foi também muito interessante. Mas não posso falar isso. Meu emprego anterior era muito melhor.

E aqui estou eu, parado na calçada do aeroporto, brigando com meus cabelos, que cismam em parecer os cachos esvoaçantes das mocinhas nos dramáticos filmes americanos, procurando um táxi, rezando para que o motorista entenda meu francês precário, ou que não implique com meu inglês. Não sabia que na França ventava assim durante a Primavera.

Sim, eu voltei por causa dele. E eu sei que isto não é um filme... Mas eu teria outra chance de ser feliz? Sozinho, amargurado, sempre me perdendo ao lembrar do toque dele, querendo morrer quando alguém na rua passa com um perfume que lembra o cheiro dele... Eu poderia ser completo assim? Nunca.

Finalmente, consegui um táxi.

Havia comprado um loft em Paris. Seria a primeira vez em que iria morar nesse tipo de apartamento, sem divisórias, e chamei um arquiteto e decorador para me ajudar a mobília-lo. O único problema é que eu tinha pedido para minha antiga secretária marcar um compromisso para aquele dia, logo após minha chegada.

E, como era costume, eu estava atrasado.

Não demorou muito e o motorista me deixou no endereço correto. Como o porteiro já havia sido avisado que o arquiteto iria no meu apartamento, e, como ele já havia estado lá outras vezes, assim que cheguei fui informado de que o profissional já havia chegado, e me aguardava lá em cima.

Entrei no elevador, e desci no oitavo andar. Larguei as minha duas malas na porta, mas não precisei girar a chave. Obviamente, a porta estava aberta. E lá estava ele, olhando pela varanda, tão lindo como há 3 meses atrás.

- Miro? – Disse, assustado, quando ouviu o barulho da porta, e virou-se todo sorridente para cumprimentar seu 'novo' cliente.

- Ol�, Kamus! O que achou? Vai dar para fazer alguma coisa legal aqui? – Perguntei, cínico.

- Oras.. – Ele riu, dividido entre surpresa e consternação. – Acredito que sim. Afinal, sou um dos melhores arquitetos e decoradores de paris.

- Eu sei. Busquei o melhor. – Larguei as malas próximo a porta, e me aproximei dele, com meu melhor sorriso.

- E por quanto tempo pretende ficar por aqui? – Ele cruzou os braços, e perguntou, profissionalmente, mas sem esconder o sorriso de esguelha que entregava a sua alegria em me ver.

- Não sei... – Cheguei bem próximo, e olhei em seus belos olhos azuis, que sempre me fascinaram. - Depende. Sabe, vim procurar uma pessoa. Minha estadia vai depender de quanto tempo essa pessoa me agüenta.

- Bom... Acho que essa pessoa deve ser muito privilegiada. – Kamus segurou minha mão. - E, quem sabe, esta seja sua última morada?

E nos beijamos. Apaixonadamente. Como sempre deveria ter sido, e como sempre vai ser.


Fim...

Beijos, Petit!