Sinais de Tempestade
A timeless and forgotten place,
The moon and sun endless chase
Each in quiet surrender
As the other reigns the sky
The midnight hour begins to laugh
A summer evening's epitaph,
The winds are getting crazy
As the storm begins to rise
Ela acordou com o som de água sendo despejada e com a certeza de que estava muito atrasada para seus afazeres. Quando abriu os olhos, Arya se deparou com duas serviçais que despejavam baldes de água fumegante dentro de uma banheira de madeira avermelhada.
As mulheres não a encaravam, apenas iam a vinham como um bando de formigas atarantadas até que uma delas lançou a Arya um sorriso que fez com que ela se lembrasse da Septã Mordane e aquilo era de dar calafrios.
A mulher caminhou até onde Arya estava e com gentileza a retirou da cama, enquanto outras duas corriam até ela para ajudá-la a se livrar das roupas.
- O que? O que diabos estão fazendo? – Arya questionou assustada, enquanto uma das garotas soltou um riso mal contido.
- Meu senhor pediu para que providenciássemos um banho e roupas adequadas para a senhora. – a mulher que fazia Arya se lembrar da septã Mordane disse.
- Posso cuidar disso sozinha. – ela respondeu veemente – Parem de tirar minhas roupas!
- O senhor foi muito específico quando disse que nós deveríamos cuidar da senhora. – a mulher insistiu e a esta altura Arya estava nua e praticamente sendo atirada dentro da banheira com água quente – Um pouquinho de água nunca matou ninguém e essas roupas seriam mais apropriadas para servirem de pano de chão.
Sem muita chance para argumentar, Arya foi sentada dentro da banheira, enquanto duas das criadas tentavam esfregar cada mínima parte do corpo dela até que tudo estivesse vermelho e sensível como se ela tivesse sido esfolada viva. Uma delas jogou algum tipo de óleo estranho dentro da água e tudo ficou com cheiro de lavanda.
Em meia hora Arya chegou a uma conclusão. Teria de acrescentar o nome de Gendry a sua lista de nomes e cedo ou tarde o mataria por ter mandado aquele bando de abutres para dar banho nela como se fosse um bebê e depois metê-la dentro de um vestido. Sendo ou não o lorde de Ponta Tempestade, quem ele pensava que era para abrigá-la a passar por aquela situação?
Quando elas terminaram, deram a Arya um espelho para avaliar o resultado e foi com desagrado que ela percebeu que estava vestida como uma boa moça do sul, exatamente como Sansa gostava de se vestir. Ela até tinha que admitir que vestida daquele jeito até conseguia parecer uma garota bonitinha.
- M'lady agora está verdadeiramente adorável. – a mulher septã sorriu em aprovação – Meu senhor a espera para o desjejum. Por favor, me acompanhe.
Arya respirou fundo e tentou se lembrar do que uma lady devia fazer naquela situação. Este era um papel ao qual ela nunca esteve habituada, mas depois de tantos anos se esgueirando para fugir dos inimigos de sua família e de todo tipo de oportunistas, agora era sábio que ela adotasse a identidade de uma dama. Gendry pagaria por isso. Primeiro por sair espalhando aos quatro ventos quem ela era, segundo por tê-la colocado dentro de um vestido.
Ela caminhou pelas galerias sem fim do castelo, ouvindo o som de seus passos contra o chão de pedra e o gentil marulho das ondas se chocando contra as rochas. Em Winterfell ela nunca teria visto o mar. Apenas se deparou com ele em King's Landing, mas jamais o apreciou de fato, já que naquela época sobreviver era seu primeiro e último pensamento de cada dia. Em Ponta Tempestade, o som era constante, assim como o cheiro de maresia e o gosto de sal em tudo, mas era tão bonito de se ver que ela perdia alguns minutos do dia contemplando o oceano.
Eram coisas pequenas. Ela olhava para o mar cinzento e se lembrava dos olhos de Jon Snow, que tinham exatamente o mesmo tom. Com o inverno, ela via pontos brancos no topo das montanhas. Ela ouvia o som do uivo dos lobos e o som do vento frio entre as folhas. Tudo fazia seu coração doer e fazia com que ela desejasse voltar pra casa. Gendry poderia fazer isso por ela. Era tudo o que Arya desejava.
Quando ela chegou à sala onde a refeição seria servida, ela encontrou a figura imponente, vestida como um verdadeiro lorde, do rapaz que guardava alguma semelhança com um certo aprendiz de armeiro que ela conheceu no passado. Seu rosto era grave e seus olhos azuis contrariavam o conjunto da obra se mostrando extraordinariamente gentis. A barba bem aparada fazia com que ele parecesse mais velho, mas o sorriso levemente debochado que ele lançou em sua direção o tornava presunçoso.
Wild were the winds that came
In the thunder and the rain
Nothing ever could contain
The rising of the storm
Gendry fez uma breve reverência e ela retribuiu de forma um tanto desajeitada. Havia um outro homem ao lado dele, vestindo trajes grosseiros na cor cinza e carregando uma corrente pesada feita de vários tipos de metal.
- Minha senhora Stark, é um prazer conhecê-la. – homem disse de forma entusiástica.
- Cuidado, maester. Ela pode achar que está zombando dela e lhe dar um murro por isso. – Gendry disse rindo – Bom dia, Doninha. Espero que esteja se sentindo bem hoje. Este é maester Rodrick.
- Acho melhor me dar um bom motivo para ter mandando um enxame de mulher pra me lavar e vestir como se eu fosse uma boneca de pano, antes que eu decida que não me importo e lhe atravesse uma espada por ter me colocado num vestido. – ela disse entre dentes.
- Eu conheço boas maneiras, m'lady. Apenas quis me certificar de que estaria vestida de acordo com seu nascimento. – Gendry disse – Culpe meu maester, foi ele quem deu as ordens em meu nome, mas não posso reclamar. Você até parece adorável, vestida desse jeito.
Arya teve ganas de pegar o primeiro objeto pesado que sua mão encontrasse e arremessar contra aquela incrível cabeça de touro que ele tinha. Que tipo de homem Gendry havia se tornado pra ter perdido a noção do bom senso e falar assim com ela?
- Não vai tentar me bater, vai? – ele perguntou lançando a ela um olhar furtivo e divertido. Ele parecia uma criança arteira daquele jeito e logo ela perdeu a vontade de acertá-lo, ao menos momentaneamente.
Arya respirou fundo e foi até ele com passos severos. O maester e a septã deixaram a sala assim que Gendry fez sinal para que ela se sentasse ao lado dele. A mesa era farta e o cheiro de pão quente era tão apetitoso que logo ela se esqueceu que tinha raiva e lembrou-se apenas que tinha fome.
Gendry a serviu tentando fazer uso de toda etiqueta que tentaram enfiar em sua cabeça durante o tempo que estava em Ponta Tempestade, mas no fim das contas ele acabou deixando que ela se servisse como quisesse e fez o mesmo. Não tinha porque ficar cercando aquela garota de cuidados, afinal ela era Doninha e podia ser tão sem educação quanto qualquer garoto de rua que ele conheceu na vida.
Comeram bem e ao final da refeição Arya sentia-se pesada e um pouco sonolenta, como não acontecia há muito tempo.
- Acho que nem as tortas que Tortas Quentes fazia conseguiriam ser tão boas quanto estas. – ela comentou de uma forma arrastada. Gendry riu.
- Está certa sobre isso, senhora. – ele provocou.
- Se me chamar de senhora de novo eu vou acertá-lo com aquele martelo bem ali. – ela disse apontando para a arma que estava depositada sobre a lareira do salão de forma ameaçadora.
- Você não conseguiria carregá-lo. É magrinha de mais pra isso. – ele provocou – Aquele era o martelo usado no Tridente. O martelo que esmagou o peito de Rhaegar Targaryen, ou pelo menos é o que dizem.
- O martelo do rei Robert? – ela o encarou surpresa.
- O próprio. – Gendry disse sério – Ao menos isso tenho em comum com o senhor meu pai. Nós dois preferimos martelos.
- E tem olhos azuis. – ela completou encarando o martelo – O rei Robert tinha olhos azuis.
- Eu me esqueço de que você o conheceu. – ele disse sério.
- Ele era grande e gordo, sempre disposto a rir de qualquer coisa ou gritar com meio mundo. Meu pai gostava dele, então acho que devia ser boa pessoa. – ela disse calma e então o silêncio se instalou entre eles.
- Pedi que mandassem um corvo para Winterfell ontem à noite. – ele disse solene – Imagino que logo teremos notícias do seu irmão.
- E como ele está? – ela se virou para encarar Gendry – Sabe alguma coisa dele? Alguma coisa sobre como ele escapou dos Greyjoy e dos Bolton?
- Dizem que se transformou num lobo e fugiu para a Muralha. Outros dizem que ele aprendeu a voar e há quem diga que se escondeu com o outro irmão na cripta da família até que o caminho estivesse limpo. Todas as histórias terminam na Muralha. – ele disse se levantando da cadeira.
- E quanto a Jon? – ela perguntou imediatamente.
- Quem é Jon? – ele arqueou uma sobrancelha.
- Meu meio irmão. Ele se tornou patrulheiro, assim como meu tio. Jon Snow, ele tem um lobo gigante branco, chamado Fantasma. Deve ter alguma notícia dele! – Gendry a lançou um olhar quase chocado. Ela praticamente não falava da família, quando falava sabia controlar seus impulsos, mas aparentemente este Jon Snow devia ser de grande importância para ela.
- Não sei nada sobre Jon Snow. Os únicos bastardos dos quais tenho notícia são meus meio irmãos e irmãs espalhados por Westeros. – Gendry disse sério – Gostaria de caminhar comigo até a forja e depois os estábulos, ou prefere ficar dentro do castelo?
- Você pode até me vestir como uma lady, mas não vai conseguir me manter trancada dentro de um castelo como uma. Eu me recuso. – ela disse se levantando da cadeira de um salto – Vamos à forja e aos estábulos.
- É bom ver que você continua a mesma. – Gendry riu com gosto e em seguida se adiantou para mostrar o caminho.
Eles caminharam juntos pelos terrenos do castelo, atraindo a atenção dos servos que lançavam aos dois olhares furtivos e cochichavam entre si. Mais de uma vez Arya se deu conta do olhar de despeito que recebia das garotas que trabalhavam para o senhor de Ponta Tempestade e se lembrou de que Gendry agora era um homem cobiçado por elas.
Devia ser algum tipo de afronta para elas ver Arya na posição de convidada dele, quando a menos de vinte e quatro horas ela estava limpando o chão do castelo junto delas. Ela não fazia questão de roupas bonitas e criadas para servi-la, a cama quente e a comida seriam mais do que suficiente a ela e Gendry não tinha qualquer obrigação de tratá-la como a filha de um lorde. Ela já não era isso há muito tempo, mas o rapaz sempre se lembrava deste detalhe, ignorando tudo o que ela dissesse.
O céu estava cinzento, como o lobo gigante da casa Stark, como os olhos de Jon Snow, como o pelo de Nymeria. O som do mar batendo contra as rochas da baía era mais ameaçador agora. Ela puxou um pouco mais a gola da capa pra se proteger do vento frio, enquanto eles seguiam até a forja, onde o mestre armeiro martelava o aço ainda quente.
Os olhos de Gendry brilhavam ao ver o metal sendo trabalhado pelo armeiro. O homem robusto sorriu para o jovem senhor e o saudou como dois velhos amigos fariam. O armeiro fez uma breve reverência a ela em sinal de respeito.
In the wings of ebony
Darkened waves fill the trees
Wild winds of warning
Echo through the air
- Walt está preparando uma armadura para mim. O maester diz que devo ter uma apropriada, mas acho que terei problemas em me habituar a ela. – Gendry disse sem jeito – Nunca me treinaram pra batalha e agora tenho que recuperar o tempo perdido.
- O senhor está sendo modesto. – Walt disse com sua voz poderosa – M'lady devia ver os golpes que o rapaz consegue dar com um martelo de batalha. Não duvido que vá arrebentar muitas placas de peito quanto tiver a chance. Faria o velho Robert muito orgulhoso.
- E como será a armadura? – Arya perguntou genuinamente curiosa. Walt torceu o nariz.
- Eu insisti para que o elmo tivesse os chifres do veado da casa Baratheon, mas o rapaz prefere adotar o touro como símbolo. Devo dizer, ao menos ele é tão teimoso quanto um. – Walt disse dando mais umas marteladas na placa de aço – Já que ele quer usar aquele velho elmo, não sou eu quem vai discutir, mas eu poderia forjar algo mais imponente para um lorde.
- Gosto do meu elmo. – Gendry disse de forma teimosa – Concordei em usar as cores dos Baratheon, mas o touro é o símbolo que me representa.
- Como eu disse, é teimoso feito um. – Walt disse, arrancando uma sonora risada de Arya.
- Sou obrigada a concordar. – ela respondeu - Uma armadura em metal dourado, como a que o Regicida usava e detalhes em preto. Nenhum animal cravado na placa, o elmo pode falar por si só.
- A senhora tem um senso de estética para as armas. – Walt riu – Achava que as damas preferiam imaginar modelos para belos vestidos.
- Vai descobrir que prefiro armas a vestidos. – ela disse com o semblante sério e Gendry riu.
- Devia pedir a Walt para ver se sua espada precisa ser amolada. Você ainda a tem, não tem? – Gendry perguntou.
- Ela será amolada no Norte, onde foi forjada. – Arya disse com teimosia.
- A senhora não confia no meu trabalho, mas garanto que posso forjar espadas muito melhores do que as espadas do Norte. – Walt provocou.
- Não seja rancoroso, Walt. Lady Stark só é muito ciumenta com a própria espada. – Gendry disse rindo.
- Lady Stark? – o homem pareceu surpreso – Bem, acho que as mulheres de Winterfell são realmente incomuns. Mulheres e espadas, que idéia!
Antes que Arya pudesse responder Gendry a pegou pelo braço e lançou um sorriso sem graça a Walt.
- Acho que devemos ir. Tenho que te mostrar os estábulos ainda. – Gendry disse apressado – Até mais Walt.
- Até mais, vocês dois. – o armeiro respondeu – E cuidado com essa nortenha. Dizem que as nortenhas são como o diabo sobre um cavalo!
Arya resmungou diante do comentário, enquanto Gendry a puxava pelo braço como se ela fosse uma criança birrenta, rindo da cara dela como se não houvesse amanhã. O céu estava cada vez mais escuro e o vento cada vez mais frio. O som dos trovões se misturava com o som das ondas. Ponta Tempestade era toda cinzenta naquele dia, e cinza sempre foi a cor dela.
No meio do caminho os pingos grossos de chuva começaram a cair e o ar se tornou mais frio. Em Winterfell devia estar nevando, mas no sul só havia chuva. Diziam que a neve no sul era quase uma lenda, mas chuva era neve líquida. Eles começaram a correr para fugir da tempestade, mas Arya escapou da mão dele e começou a brincar entre os pingos e saltar sobre as poças.
- Não pode me pegar! – ela gritou para ele e Gendry correu tentando alcançá-la.
- Saia da chuva! Vai ficar doente! – ele disse raivoso.
- Só saio se me pegar! – ela provocou, correndo ainda mais rápido. Ele rosnou indignado com ela e aumentou a velocidade.
Follow the storm I've got to get out of here
Follow the storm as you take to the sky
Follow the storm now it's all so crystal clear,
Follow the storm as the storm begins to rise
She seems to come from everywhere
Welcome to the dragons lair
Fingers running through your hair
She asks you out to play
Arya era quase tão rápida quanto um raio. Ela e sua forma esguia se moviam pela chuva como se ela fosse um espírito. Talvez ela fosse de fato, a final ela era o fantasma de Harenhall. Ele aumentou a velocidade e depois de algum esforço a pegou pelo braço outra vez, puxando-a de encontro ao peito dele.
Ela o encarou nos olhos e foi com uma pontada de decepção que ela notou que eles eram de um azul violento e limpo, como o céu de verão. Por algum motivo que ela desconhecia Arya esperou encontrar por tons de cinza dentro deles.
Ambos tinham a respiração ofegante e Gendry não parecia muito satisfeito com ela por tê-lo feito ficar ensopado na chuva. A barba bem aparada dava a ele um ar de maturidade e força, fazendo com que ele se parecesse mais com um lorde do que com o aprendiz de armeiro que ela conheceu. Arya só não havia reparado na beleza dele.
Algo dentro dela dizia que Gendry sempre teve boa aparência, pelo menos uma melhor que a média, mas até então ela nunca havia reparado em como ele era bonito. A pele morena, o cabelo escuro e grosso caindo sobre os olhos azuis, o rosto angular e os traços firmes. Ela nunca reparava nessas coisas, achava Robb bonito, mas ele era seu irmão, assim como Bran. Jon também era bonito, o mais bonito deles, mas ele era o Jon e isso bastava para que ela sempre visse nele as melhores características.
Arya só não se deu conta de que a proximidade entre eles aumentava, enquanto a chuva cuidava para que não houvesse uma única parte seca em suas roupas. Gendry se inclinou sobre ela e com uma pontada de pânico Arya pensou em se afastar mais uma vez, mas ele era mais forte do que ela e a distância praticamente já não existia entre eles.
A boca dele caiu sobre a dela com voracidade. Não havia nada de delicado em Gendry e dificilmente alguém com o porte dele conseguiria medir sua força. Os braços dele se fechavam ao redor dela como amarras de aço enquanto o beijo era opressor e excitante. Ele sabia o que queria e Arya tinha poucas opções a sua disposição, então apenas se deixou levar pelo calor dele e pela sensação da barba raspando contra o rosto.
Aos poucos Gendry relaxou os braços, permitindo a ela mais mobilidade. Neste momento ela conseguiu colocar as mãos sobre o peito largo dele e empurrá-lo para terminar o beijo. Por mais força que ela usasse, Gendry levou um tempo para perceber que estava sendo afastado e que ela não o queria.
A chuva ainda caia violenta contra eles quando ela o encarou com seus olhos arregalados. Por um momento ele pensou onde estava com a cabeça quando fez aquilo e as palavras de maester Rodrick soaram claramente em sua cabeça. Ele era um lorde agora e ela uma lady e talvez a aliança com Winterfell fosse uma idéia a ser cogitada.
Ela era bonita. Não como as prostitutas que viviam em King's Landing, não como as camponesas e definitivamente não como uma dama. Ele nunca havia reparado de fato naquilo, mas ela era como uma força da natureza. Seus olhos eram feitos de tempestades e toda vivacidade que ela tinha, toda força, toda determinação. Tudo aquilo o excitava muito mais do que havia se dado conta.
Arya se afastou dele e sem dizer uma única palavra correu mais uma vez em direção ao castelo. Gendry não teve coragem de ir atrás dela naquele momento, apenas deixou que ela fugisse. Os deuses sabiam quem ambos precisavam de um tempo para entender o que haviam feito.
Gendry não voltou para o castelo, ao invés disso foi até o bosque sagrado e encarou o rosto esculpido na árvore coração por um tempo. Eram os deuses dela, e ele os honrava muito mais do que aos seus. Ele cuidava do bosque e no seu intimo sabia que a única razão pela qual fazia isso era para ela.
Ele respirou fundo sentindo o cheiro de terra molhada misturado ao cheiro da maresia. Talvez o velho maester tivesse alguma razão. Talvez o senhor de Ponta Tempestade devesse cogitar a idéia de desposar uma senhora de bom nascimento. A irmã do rei do Norte, do Lorde de Winterfell. O nome Stark daria credibilidade a qualquer homem, por mais baixo que fosse seu nascimento.
Gendry tocou a árvore-coração e fechou os olhos. Tudo o que ele queria era não ter gostado tanto daquele beijo. Preferia ignorar o fato de que ela agora se parecia com uma mulher feita e guardar a memória da garota desaforada e maltrapilha que ele conheceu no passado e chamou de amiga.
In all of nature's sorcery
The most bewitching entity
Hell can have no fury
Like the rising of the storm
(Storm, Blackmores Night)
Nota da Autora: Assim, a coisa começou a fazer sentido na cabeça do Gendry, mas isso nem sempre é o bastante. E agora...O que vai acontecer com os dois e, principalmente, como o que restou da família Stark vai reagir às novidades?
Bjus
Comentém!
