CAPÍTULO II

— Você está comprometida — falou Emmett enfa ticamente, sem demonstrar mais indulgência.

— Não, se você não está, eu também não estou.

Ele suspirou com óbvia frustração.

— Não se trata de não me considerar na relação... é simplesmente porque, se eu ignorasse totalmente as investidas das outras mulheres, abriria espaço para muita especulação.

— Enquanto a minha lealdade não abriria?

— Não se trata de lealdade — ele negou, furioso.

— Sim, se trata.

— Eu falei a você que é uma questão de oportunis mo.

— E se o fato de eu declinar os convites levasse às mesmas especulações que o preocupam, isso seria ra zão para eu dar o troco? Sair com outros homens e flertar com eles?

— Eu não saí com ninguém! Eu dancei... conver sei... flertei, como fazem os homens italianos, mas não toquei em ninguém como a toco. Eu não quis.

— Aquela mulher estava bem próxima de você!

— Não significou nada para mim.

— Isso faria diferença?

— Deveria.

— Por quê?

— Isso mostra a você que, apesar de suas insegu ranças, é importante para mim.

— Tão especial que sou um grande segredo na sua vida.

Ela não queria ser demovida com a declaração dele, mas seu coração suscetível dizia que ela era es pecial... particularmente para um homem como Emmett Giovanni Cullen.

Ele colocou as mãos sobre os ombros dela, acari ciando sua pele com os polegares de uma forma que causava arrepios.

— A única mulher que eu quero, a única mulher pela qual anseio tocar e por quem quero ser tocado agora é você.

Se ele tivesse omitido o agora, a declaração teria sido perfeita.

Ele se aproximou dela até seus corpos se tocarem.

— Você é a única mulher de quem quero me apro ximar assim. Tudo naquela festa era fachada... não significava nada. Acredite em mim, tesoro mio. Por favor.

O "por favor" fez diferença. Aquele homem não estava acostumado a implorar. Por nada. Ela tinha de ser especial para ele, ou ele teria ido embora quando ela começou a dificultar as coisas. Porque podia ter qualquer mulher que quisesse... disso ela tinha certe za. E ele deixou claro que a queria.

— Não transou com a morena?

Ele a apertou contra seu peito, abraçando-a pos sessivamente.

— Não, porca miséria! Nunca faria isso com você, tesoro mio. Juro.

Ela acreditou nele, e sentiu um grande alívio.

— Ótimo, porque eu não conseguiria ficar com um jogador.

Ele riu.

— Não sou um jogador. Não sou nem o playboy que a imprensa pinta. Pensei que soubesse disso. Pensei que me conhecesse.

— Eu conhecia, mas uma imagem vale mais que mil palavras.

— Só se você estiver falando a mesma linguagem que o fotógrafo. O jornalista pegou dois estranhos dançando, nada mais. Mas olha para a foto que cria mos, querida. Olhe e veja a diferença entre olhos ávi dos para possuir e um sorriso social que não significa nada. Olhe para as minhas mãos que tremem de ne cessidade de tocá-la, mas que seguravam a outra mu lher com total indiferença.

As palavras dele na realidade pintavam um retrato bem mais poderoso do que o do escândalo social. E a pressão de seus corpos reforçava tudo. Ele precisava dela, e ela, dele. Sentira tanta saudade dele...

— Se você não é um playboy, é o quê? — ela per guntou provocativamente.

— Um homem simples que a quer muito.

Ela podia sentir o quanto ele a queria e derreteu por dentro.

Sua mente entrou em curto-circuito como sempre fazia quando ele a tocava, mas ela ainda podia pensar claramente para falar:

— Talvez devamos tornar nossa relação pública. Não gosto de ver fotos assim, Emmett. Elas me cau sam dor.

Ele beijou o canto da boca de Rosalie, a ponta do nariz, a testa e os lábios com grande ternura.

— Você é muito amável, querida. A imprensa a detonaria e eu não suportaria ver isso, mas farei tudo que puder para não vê-la magoada assim novamente.

Isso já era alguma coisa, ela supunha, mas ela que ria argumentar que podia lidar com a imprensa. Era forte. Sempre teve de ser. Mas sua boca estava ocu pada demais beijando Emmett para expressar as pa lavras que precisava dizer.

Na manhã seguinte, Emmett fora embora antes que ela acordasse, e ela notou que a revista também tinha sumido...

No entanto, havia uma rosa vermelha sobre o tra vesseiro dele e um bilhete ao lado, que dizia:

Querida,

Obrigado pela noite passada. Adoro o tempo que passamos juntos e a generosidade de sua afeição por mim.

E.

Era a primeira vez que deixava um bilhete. Sua pa ranóia com a privacidade se estendia a não deixar provas da relação deles para os outros encontrarem. Aquele fora um grande ponto de partida para ele. Ti nha de ser significativo. Talvez estivesse pensando na vontade dela de tornar a relação pública... talvez estivesse começando a ver que ela tinha razão.

O que ela certamente sabia era que o desejo dele por ela não era fingimento. Rosalie duvidava que ele tivesse encontrado alívio em outro corpo enquanto esteve fora.

Estava muito voraz. Eles fizeram amor nas primei ras horas da manhã e ele repetiu várias vezes o quanto sentiu sua falta e o quanto era linda e especial. Todas as palavras de que seu vulnerável coração precisava.

Exceto as três que realmente importavam, mas ela também nunca tinha dito isso a ele.

Ela sempre achou que essas palavras poriam fim à relação deles. Supunha que ele fosse rejeitar esse tipo de ligação emocional. Ele fora muito claro no come ço do caso deles, dizendo que não passaria daquele ponto. Um caso com começo e sem final feliz. Ela o queria tanto e ficou tão impressionada com sua ho nestidade depois de todas as mentiras de Royce que acabou aceitando.

E até ver aquela foto na revista, nunca se arrepen dera de sua escolha. Emmett era um amante incrí vel, e o tempo que passavam juntos fora da cama era igualmente compensador. Ele fizera com que a pri meira vez deles fosse especial, assim como todas as outras.

Seu desejo de manter a relação às escondidas foi adequado para ela, inicialmente. Era uma pessoa muito reservada para desejar compartilhar sua inti midade publicamente. Nesse ponto, ela e Emmett também eram muito parecidos. Primeiramente, Rosalie só ficou feliz com a chance de evitar passar por algo tão horroroso.

Mas, além disso, tinha medo de que, se sua relação com Emmett fosse divulgada, seus bem-intenciona dos, mas super-protetores pais se envolvessem. Tam bém se preocupava com as conseqüências no trabalho, embora Emmett não quisesse que isso aconte cesse. Ela queria conseguir sua promoção e não que ria que as pessoas especulassem sobre o impacto do que fazia com o presidente nas horas vagas em sua carreira.

Até então, passara toda a vida sob os olhos intro metidos da própria família. Era importante para ela provar a força que conseguira para acabar com a escoliose que ameaçava sua capacidade de andar e até mesmo para lidar com a vida.

E essa era uma das razões para, no começo, não ter aceitado um relacionamento de longo prazo ou mes mo um amor. Passara anos em uma espécie de isola mento forçado, por causa da prótese que usou até os 19 anos para corrigir o defeito postural. E queria sa ber como era se sentir uma mulher. Queria namorar, beijar, acariciar e, finalmente, fazer amor.

Queria Emmett além das razões e independente mente de sentimentos mais nobres... pelo menos era o que pensava.

Quando chegou à Itália, a última coisa em que pen sava era se envolver em outra relação. Vinha tentan do provar a si mesma que não era tão estúpida quanto a traição de Royce a fizera pensar. Na primeira vez em que se viram, sem querer Emmett fez com que ela se sentisse assim.

Ela se sentia decepcionada consigo mesma porque Benjamin havia conseguido seu emprego, e pensava como poderia fazer para considerá-lo totalmente seu agora. Não sabia se as pessoas eram tão legais porque gostavam dela ou porque queriam fazer um favor a Benjamin... ou pelo menos agradar ao chefe.

Estava no meio de uma crise de insegurança, quan do Emmett apareceu pela primeira vez em sua mesa de trabalho.

— Você é amiga da mulher de Benjamin Gordon, não é? — ele perguntou, sem se importar em se apre sentar.

Claro que ela sabia quem ele era e até mesmo como gostava de ser tratado na Cullen Shipping.

— Sim, signor Cullen. Sou Rosalie Hale.

— Benjamin fala muito bem de você.

— Fico contente. Adoro trabalhar com ele.

— Mas queria mudar de ares, conhecer outra parte do mundo? — ele perguntou, com um olhar azul que invadia as profundezas da alma dela.

— Sim.

Ele assentiu.

— Você sabe que a reputação do meu bom amigo depende muito de seu desempenho aqui. — Ele não falou grosseiramente, nem como se fosse um aviso. Estava apenas confirmando algo de que ela já sabia.

Mas era novidade para ela... uma novidade bem-vinda. Dessa forma, conseguiu uma meta, pois, ao afirmar isso, ele demonstrou que exigiria mais dela do que dos demais. As palavras foram como mel para os ouvidos dela, e ela se deleitou.

— Não vou desapontar nenhum de vocês.

— Não duvido disso. Tenho certeza de que, como veio trabalhar aqui por recomendação dele, trabalhará o dobro para provar que a recomendação foi válida.

— Tem razão. — E isso fora uma promessa.

Ele sorriu, provocando a primeira percepção física em Rosalie.

— Não trabalhe tanto. Mas não acredito que vá despontar nenhum de nós.

E para provar para ele que estava certo, ela tornou sua profissão um triunfo pessoal. Todos os êxitos que obtinha eram um presente que dava conscientemente aos dois homens que optaram por acreditar nela e subconscientemente a si mesma. Quando foi promo vida e recebeu o próprio escritório, depois de apenas quatro meses, devido à sua diligência, Emmett a chamou pessoalmente para cumprimentá-la.

Tudo aquilo fora muito bom e importante para criar uma forte base a fim de que crescesse confiante e independente. O fato de Emmett tê-la chamado para sair aumentou ainda mais essa confiança, embo ra ela desconfiasse muito dele no início.

Rosalie trabalhava no seu relatório de projeção de vendas, determinada a deixar seu chefe contente por tê-la promovido. Se havia uma parte dela que queria agradar ao presidente também, isso já era de se esperar.

Afinal de contas, ele dera a ela um emprego por re comendação do amigo e não queria que ele se arre pendesse também. Não tinha nada a ver com o que sentia no coração todas as vezes que o via.

Não estava interessada em arriscar seu coração no vamente e certamente não com um homem da reputa ção do príncipe Emmett Giovanni Cullen.

— Já viu que horas são, Rosalie?

Ela levantou a cabeça ao ouvir a voz do presidente da empresa.

Signor Cullen! — Ela pulou da cadeira, olhando ao redor, tentando se concentrar naquele momento, enquanto sua mente ainda estava presa aos números.

O corredor estava todo apagado para o final do ex pediente e o silêncio que os cercava dizia que ela era uma das únicas pessoas ainda no prédio.

Ela ficou espantada e sorriu para ele.

— Não é à toa que minhas pernas parecem petrifi cadas nesta posição.

— Você trabalha muito.

Ela riu enquanto se esticava, percebendo que todo o corpo estava dolorido por ter ficado tanto tempo na cadeira.

— Parece o roto falando do esfarrapado. Sua repu tação como viciado em trabalho é conhecida aqui.

— Não espero que meus funcionários desistam da vida lá fora para servir à Cullen Shipping. — Ele observou enquanto ela se espreguiçava, sentindo uma intensa perturbação. — Não é a mesma coisa para mim. Tenho mais razões que a maioria dos pre sidentes de empresa para dar certo.

— O que quer dizer? — ela perguntou com curio sidade, enquanto mexia nervosamente nos cabelos.

A fachada de namoradora que criou para lidar com os homens desaparecia na presença dele.

— As pessoas do meu país contam com os rendi mentos da Cullen Shipping em todo o mundo para manter o padrão de vida dos outros países industriali zados.

— Está falando de Cullen Pays?

— Sim, naturalmente.

Ela não queria sentar novamente, mas sentia-se exposta de pé, atrás da mesa. Ela se ocupou empilhando papéis. Era a forma que ele olhava para ela... não como um chefe olha para uma funcionária.

Era mais como um predador prestes a dar o bote em sua presa.

Ela pensou em algo a dizer.

— Não entendo como Cullen Pays ficou tão de pendente dessa divisão da Cullen Shipping. Há apenas alguns compatriotas seus trabalhando aqui.

— Como sabe?

— Perguntei.

— Interessante que se importe. — Seu olhar ainda predador a provocava.

— Tudo que ocorre na empresa em que trabalho me interessa.

— E o homem para quem trabalha lhe interessa também? — Emmett indagou, entrando mais na sala.

— Você não falou isso. — Ela o fitou, surpresa.

Ele sorriu, demonstrando prazer nos olhos azuis.

— Falei, mas vamos deixar assim por enquanto e responderei à sua outra pergunta. Embora eu não em pregue muitos compatriotas, metade do lucro da em presa vai para o tesouro nacional e aprimora a infra-estrutura do país.

— Coisas como hospitais? — ela perguntou, fasci nada. Nunca pensou que a família real retribuísse ao país em tão larga escala.

— Sim, e estradas, escolas, segurança, bombei ros...

— Uau!

— O dinheiro deve vir de algum lugar.

— E é da Cullen Shipping?

— Juntamente com os impostos em dólar que rece bemos das outras empresas do país. Meu irmão Edward recentemente supervisionou a descoberta de lítio em Rubino.

— Engraçado, Benjamin falou que você fez o mesmo na filial italiana da Cullen Shipping.

— Meu pai e meu irmão mais velho estão conten tes com meus esforços.

— E devem ficar.

Ele sorriu, aparentemente contente com as pala vras dela.

— Meu irmão mais velho, Jasper, me informou que, quando assumir o trono, eu ficarei a cargo de to das as operações da empresa de transportes.

— Isso o surpreendeu?

Ele aquiesceu, aproximando-se, enchendo os sen tidos dela com sua presença.

— Normalmente o segundo filho ocuparia essa po sição e eu ficaria como estou ou pegaria a posição de Edward.

— Que maravilha! Acho que vai comemorar tra balhando mais um dia de vinte e quatro horas — ela brincou.

Ele chegou perto da mesa e se inclinou para frente.

— Assim como você acabou de fazer?

Touché! Não quero que meu chefe se arrependa por ter me contratado — ela falou, um pouco ofegante.

— Também tenho essa necessidade... em relação à confiança que minha família deposita em mim.

O cheiro dele era tentador, e ela queria se aproxi mar, o que seria uma loucura.

— Humm... acho que temos algo em comum.

Ele a tocou. Apenas um pequeno roçar em sua bo checha, mas ela se sentiu paralisada.

— Talvez mais do que apenas isso — ele sugeriu.

— Não acredito que possamos ter muito em co mum. Nossas vidas são tão diferentes...

— Talvez, mas acho que está errada. Quer jantar comigo hoje à noite para descobrir?

— O quê? — Ela sacudiu a cabeça, tentando com preender. O presidente da Cullen Shipping a ha via chamado para sair?

— Eu gostaria que você jantasse comigo.

— Mas...

— Gosto de você, Rosalie, e espero que goste de mim também. — Mas o sorriso confiante dele de monstrava que ele já sabia que ela gostava.

— Claro que gosto de você, mas me chamou para sair. Não sou seu tipo.

— E você se baseia em que para afirmar isso?

— Todos sabem que só namora mulheres lindas.

— Você é linda.

Ela riu.

— Tenho espelho. Não sou nada perto das mulhe res com quem você aparece na mídia.

— Isso é apenas uma fachada que apresento ao mundo para manter minha vida privada.

— Mas...

— Venha jantar comigo e veja o tipo de homem que eu sou quando os paparazzi não estão por perto.

— Meu trabalho... — ela falou, incerta.

— Prometo a você, Rosalie. Seu trabalho não será influenciado nem positiva nem negativamente pelo que aconteça ou deixe de acontecer entre nós.

— E se eu recusar seu convite para jantar?

— Ficarei desapontado, mas isso não terá impacto no seu emprego. Para ser justo, preciso dizer que, mesmo que se tornasse minha amante, as coisas não seriam facilitadas nesse sentido.

— Nunca esperaria isso.

— É muito ingênua.

— Não há nada de ingênuo em acreditar que uma pessoa pode ascender profissionalmente.

— Gosto disso em você, e concordo. Então, vai jantar comigo?

Todos os impulsos lógicos do seu corpo diziam a ela para negar. Ela não queria começar uma relação, mas um jantar não era exatamente uma promessa de futuro. Mas ele havia mencionado a história de se tor narem amantes. Isso implicava bem mais do que um bate-papo na hora do café.

Estranhamente, era essa perspectiva que mais a tentava. Namorara bem pouco na vida, e nunca co nhecera um homem tão intrigante quanto Emmett.

Royce certamente não, aquele canalha.

Aquilo não era amor de final feliz, ela dizia a si mesma, mas sim de experimentar sensações que ne gava a si mesma há muito tempo.

— Certo. Vou jantar com você.