O título do capítulo foi retirado da música "Taper Jean Girl" da banda Kings of Leon. Em tradução livre: Garota do Jeans Apertado.
Olhei distraidamente ao redor, procurando pela praça de alimentação e ignorando todos os olhares curiosos dos passantes. Andei até a lanchonete mais próxima, e peguei uma coca, me sentando em uma das mesas dispostas.
Alice estava atrasada. Eu odiava esperar.
Uma garçonete de cabelos loiros curtos se aproximou, perguntando educadamente se eu desejava mais alguma coisa. O seu sorriso sugeria que eu poderia ter o que desejasse dela. Passei o olhar pelo o seu perfil, vendo que poderia existir um belo corpo por baixo daquele uniforme.
Mas eu não estava interessado em mulheres. Pelo menos, não agora. Coloquei os óculos escuros que estava em minhas mãos e a dispensei, talvez não tão educado quanto ela. Batuquei os dedos na mesa, observando-a se afastar.
Um par de saltos clicando soou aos meus ouvidos, e pela velocidade em que eles se aproximavam, eu soube quem era.
- Está atrasada. – falei, sorrindo discretamente, sem olhar para cima.
Alice era a única pessoa que eu conhecia que poderia correr sobre saltos sem nunca tropeçar.
- E você liga para horários? – ela sorriu, sentando ao meu lado.
- Fui forçado a segui-los. É quase um hábito agora. – a observei cruzar as pernas – E essa saia é muito curta.
- Cala a boca. – revirou os olhos, levantando em pulo.
Acompanhei seus passos rápidos até a saída do aeroporto, ouvindo-a falar animadamente sobre a cidade. Um leve sentimento de surpresa passou por mim quando ela disse que amava Cambridge, sendo que a cidade não possuía nem 30% das lojas que Londres tinha.
Era realmente estranho Alice amar um lugar que não possua um grande centro comercial no qual ela possa gastar tantas libras quanto o possível. Mas a surpresa se foi rapidamente. Isso poderia ser muito possível, já que faz dois anos que eu mal falo com ela.
- E ali está o meu bebê! – ela apontou com a cabeça, mexendo na bolsa.
Meu olhar foi até o porsche amarelo estacionado a nossa frente. E nesse momento, eu realmente fiquei surpreso. O que pode ser mais amedrontador que Alice dirigindo?
- Por que diabos você anda nesse sol ambulante? – perguntei, enquanto ela destravava o carro.
- É lindo. – falou em tom repreensivo – Só chama um pouco atenção.
- Alice, é um porsche amarelo canário. Deve dar pra ver até da lua!
- Não exagera, por favor.
Ela entrou no carro, e eu acompanhei decidido a não fazer mais nenhum comentário sobre seu carro. Alice não se deixou abater e continuou falando sobre a cidade, mas quando percebeu que eu não dava a mínima atenção, ficou em silêncio.
Eu agradeci mentalmente por isso. Eu não queria ouvir mais nada sobre a cidade, ou sobre o meu "novo lar". Saber que eu iria viver com Alice e seus amigos, como numa república estudantil, já era o bastante para mim.
Vivendo com pessoas desconhecidas, dividindo tarefas, vivendo como um universitário qualquer. Céus... Definitivamente, eu não precisava ouvir mais sobre o meu quase que completo rebaixamento.
A que ponto Alice chegou? A que ponto eu cheguei?
- Carlisle é louco. – resmunguei – Ele não deveria nos deixar viver numa república.
- Você está tão enganado. – Alice riu – Essa pode ser a melhor experiência da sua vida.
- Poderia; se eu vivesse sozinho, como sempre pensei que aconteceria quando eu viesse para a universidade.
- Você é um universitário agora. Isso já é incrível, e a prova que as coisas não são como parecem.
- Você está insinuando que eu não parecia ter capacidade para entrar em Cambridge? – inquiri, quase que ofendido.
- Longe disso. – ela sorriu – Apenas, sempre me pareceu que você nunca iria realmente se interessar por fazer faculdade.
- Engenharia em Cambridge sempre foi a minha principal prioridade, Alice. – a lembrei – Você sempre soube disso.
- Digamos que desde os seus 14 anos, eu não sei de muita coisa sobre você. – murmurou.
Aquilo me atingiu, fazendo com que eu ficasse em silêncio e me sentisse estranhamente culpado. Era verdade. Com meus 14 anos, eu já não era tão próximo de Alice quanto antes. E desde os 16, eu mal falava com ela.
O fato de ela ter passado toda sua adolescência num internato no norte não justifica a nossa perda de contato quase que completa. Eu poderia ser mais novo, mas ela sempre foi minha irmãzinha, e eu sempre a amei. No mínimo, eu deveria ter ligado para ela algumas vezes.
Mas eu não venho agindo como se amasse qualquer pessoa. E isso me pegou. Realmente me pegou. Deixando-me irritado, envergonhado e extremamente culpado.
- Desculpe. – sussurrei – Eu só não sei o que aconteceu comigo...
- Sem problemas. É só não deixar acontecer novamente. – apertou minha mão.
Naquele momento, eu vi que não seria tão ruim viver como um universitário qualquer. Poderia ser, de verdade, a melhor experiência da minha vida.
x~x
Alice havia decidido me dar um pequeno tour pela cidade antes de irmos para "casa", para eu poder ficar familiarizado com o lugar. Eu não vinha a Cambridge desde a infância, e com certeza, a cidade mudou. Não muito, mas o suficiente para eu perceber que não seria tão difícil achar diversão.
Depois de quase uma hora e meia rodando pelas ruas principais da cidade, ela finalmente se deu por satisfeita, e resolveu me levar para conhecer os seus amigos – meus novos companheiros de moradia.
O carro parou atrás de outro porsche, só que azul, e Alice saiu às pressas. Olhei para o lado, visualizando o lugar que iria viver. Sai do carro abismado. Era um prédio de dois andares. Bem cuidado e parecendo maior que o resto das casas do quarteirão.
- BELLS! – ouvi Alice gritar, e desviei meu olhar para a entrada do prédio.
Uma garota de cabelos castanhos usando um jeans apertado apareceu correndo em direção a Alice e a abraçou. Elas pularam juntas por alguns momentos, e falavam tão rápido que eu não pude distinguir as palavras.
Alice saltou para trás e me olhou, pedindo que eu fosse até ela. Caminhei até ela e a outra garota, mantendo meus olhos treinados sobre as feições da minha irmã. Ela sorriu, pegando minha mão e me puxando para perto.
- Edward, essa é Isabella. – apresentou, e eu ofereci minha mão para a garota.
Subi meu olhar para o seu rosto antes de me apresentar. E meu Deus, ela era linda. Minha visão ficou tomada pelo rosa, castanho e branco das suas feições. Eu pensei que não haveria nada mais doce vivendo na Terra do que aquele rosto.
Eu soube que deveria haver quando dei atenção aos seus olhos azuis vibrantes. Aquilo não poderia ser chamado somente de doce ou alguma coisa parecida. O olhar que ela me lançou foi tão receptivo e quente que eu fiquei praticamente desnorteado.
Aquilo nunca havia acontecido. Olhares nunca haviam me deixado nesse tipo de estado de confusão.
- É um prazer, Edward. – ela apertou minha mão.
- O prazer é meu.
Isabella piscou e eu fui tragado de volta a realidade. Soltei sua mão, ligeiramente notando a maciez da pele, e passei pelos cabelos, subitamente embaraçado. Ela piscou mais uma vez antes de olhar para Alice.
- Ele não tem malas? – perguntou, escondendo os olhos com óculos escuros.
Um sentimento fugaz de desapontamento passou por mim, e eu me recusei a pensar sobre isso no momento. Eu só havia ficado encantado com o tom azul royal dos seus olhos. Era diferente, estranho e claro, bonito. Apenas encantamento. Nada mais, além disso.
- Não, ele enviou quase tudo que mantinha no internato há uma semana para eu arrumar. – Alice respondeu, batendo no meu braço. – Esse preguiçoso.
- Você iria arrumar tudo de qualquer jeito. – sorri para ela – Facilitei as coisas.
- Para você. – Isabella completou sarcástica.
- E para quem mais seria?
Ela balançou a cabeça negativamente e soltou um riso baixo. Alice fez algum comentário sobre a minha arrogância e bateu novamente no meu braço, mas minha atenção já estava novamente em Isabella.
Admito, ela parece ter um belo corpo. Eu poderia dizer isso mesmo com a camiseta folgada que ela usava. Ela era pequena, magra e parecia bem delineada. Muito, muito bonita.
- Certo, já que você não tem bagagem, vai me ajudar. – agarrou o meu braço – Alice, por favor, chame Emmett e Jasper. Seria muito abuso deixar Edward carregar sozinho as malas.
- Eles estão ai? Junto com Rose? – Alice perguntou animada, e Isabella afirmou. – Caramba! Nem pra me avisarem que vinham, uh?
Alice não esperou por resposta e correu para dentro do prédio, me deixando ser puxado até o porsche vermelho por Isabella.
- Esse é o seu carro? – perguntei e ela confirmou – Por que diabos você e Alice possuem carros do mesmo modelo?
- Não só eu e Alice, Rose também. Coisas de amigas, sabe? – respondeu, abrindo o porta-malas.
- Vocês não deveriam ter colares, um pacto de sangue, ou algo assim? – peguei uma das três malas vermelhas – Alguma coisa normal.
- Nós temos. – ela balançou o pulso adornando com uma pulseira com pingentes dourados em forma de coroas – E você acha pacto de sangue normal?
- Porsches coloridos é que não são.
Ela riu, entrando no carro. Pus a mala na calçada, e peguei a outra, que parecia mais pesada. Isabella não aparentava ser uma garota consumista, mas pelo peso de suas malas ela deveria gostar, e muito, de algumas compras.
Fechei o porta-malas e a esperei sair do carro, vendo que ela vinha com os braços repletos de bichos de pelúcia. Aquilo era dela? Ela não era meio velha para tantas pelúcias? Garota estranha.
- Tem crianças por aqui?
- De vez em quando. Mas isso é meu.
De vez em quando? Fala sério, eu teria que agüentar crianças também? E cara, aquilo era mesmo dela. Eu quase não podia acreditar.
- Quantos anos você tem? – perguntei, quando ela me entregou as pelúcias.
- Quase 20. – respondeu, pegando mais alguma coisa no carro - Você nunca ouviu falar que é falta de educação perguntar a idade de uma mulher?
- Desculpe. – sorri envergonhado.
Que merda é essa? Eu estava ficando envergonhado demais hoje.
- Intimidando o garoto, Bells? – uma voz grossa soou atrás de nós – Isso não se faz.
Olhei para trás, me deparando com um cara grande, que me era familiar.
- Intimidando nada. – Isabella retrucou, me entregando mais pelúcias – Cale a boca e use esses músculos para carregar minhas malas, Emmett.
Ah, eu sabia que já o conhecia. Emmett Swan. Nós competimos no mesmo time num campeonato amador de pólo no ano passado.
- E ai, cara? – ele cumprimentou, batendo nas minhas costas – Você perdeu aquela cara de bebê.
- Você também mudou, Emmett. – acenei com a cabeça.
- Eu sei. Tô mais bonito. – riu alto, pegando duas malas.
Balancei a cabeça, percebendo que essa característica nele não havia se extinguido. Ele continuava tão egocêntrico quanto eu. Só que mais bem humorado. Tão bem humorado que chegava a ser estúpido.
- Babaca. – Isabella resmungou e entrou no prédio.
- Te amo, Bells! – Emmett falou para ela, rindo.
Isabella disse alguma coisa inaudível e desapareceu dentro do prédio. Emmett diminuiu as risadas, e incrivelmente, pegou a terceira mala. Fiquei curioso para saber qual era o nível de intimidade entre eles.
- São namorados? – perguntei sem rodeios. Isso não existia com Emmett.
- Ela é gostosa. – ele falou, começando a andar para a entrada do prédio – Mas é minha irmã gêmea. – me olhou sorridente quando o alcancei.
- Essa é Isabella Swan? – perguntei, fechando com dificuldade a porta – A tal irmã que você não cansou de falar?
- Essa mesmo. – soltou as malas no chão e andou até a beira da escada – JASPER, SEU VIADO, VENHA AJUDAR!
- Jasper Hale está aqui também? – perguntei surpreso.
Quanta coincidência.
- É o meu melhor amigo. – respondeu, voltando para perto de mim – E a irmã dele, Rosalie, também mora aqui. Nós moramos todos juntos.
- O que? Eu pensava que iria morar com uns amigos que Alice havia arranjado na faculdade, não com os melhores amigos dela.
- Cara, quem você acha que era a baixinha que eu e Jasper falávamos? – ele riu – Sempre foi Alice. Pensei que você soubesse disso.
- Eu sabia que vocês eram amigos dela, mas não pensei que você falasse dela. Eu nem cheguei a imaginar que sua irmã parecesse com o que ela parece.
- Você achava mesmo que você iria morar numa república comum? – Emmett se dobrou de rir – Você é meio lento, hein.
- O sujo falando do mal lavado. – uma voz, também já conhecida por mim, falou – Como vai, Edward?
- Oi, Jasper. – cumprimentei – Então, que estranha essa situação.
Jasper Hale continuava o mesmo. Só parecia mais limpo que antes.
- Não é não. – ele disse, pegando uma mala – Você é que não dá atenção as coisas.
Não discuti, era verdade. Somente os acompanhei por dois andares de escadas até entrarmos no que num espaçoso e confortável apartamento, que provavelmente seria minha nova casa por todo período de estudos universitários. Céus, eu estava tão enganado sobre tudo.
Essa, com certeza, seria a melhor experiência da minha vida.
N/A:
E aqui está o capítulo 2, totalmente remodelado e diferente do que eu havia escrito antes! Se houver algum erro, me desculpem, prometo que conserto quando encontrar.
Esse veio rápido, tomara que o outro também.
Espero que tenham gostado... Se sim, reviews, por favor :3
Débora xx
